                        A ltima Cano
                                        Nicholas Spark




Veronica "Ronnie" Miller teve sua vida virada de cabea para baixo quando seus pais se divorciaram e seu pai
  se mudou de Nova Iorque para Wilmington Beach. Trs anos depois, ela continua zangada e alienada em
relao aos seus pais, especialmente seu pai... at que sua me decide que seria melhor para todo mundo se
     Ronnie e seu irmo, Jonah, passassem o vero em Wilmington Beach. O pai de Ronnie, pianista e ex-
    professor, vive uma vida tranquila na cidade de praia, imerso na criao de um vitral para a igreja local.
O conto se transforma em uma histria inesquecvel sobre o amor em suas diversas formas -- o primeiro amor,
   o amor entre pai e filho -- que mostra, de uma forma que s um romance de Nicholas Sparks  capaz, as
             diversas formas que um relacionamento pode quebrar nossos coraes... e cur-los.

Prlogo  Ronnie

Enquanto olhava pela janela do quarto, Ronnie se perguntava se o Pastor Harris j estava
na igreja. Ela presumiu que sim, e enquanto observava o quebrar das ondas na praia, ela se
perguntou se ele ainda era capaz de notar o jogo de luzes produzido pelo vitral acima dele.
Talvez no -- afinal, a janela fora instalada h mais de um ms e ele provavelmente estaria
muito ocupado para reparar. Ainda assim, ela esperava que algum novo na cidade tivesse
tropeado para dentro da igreja essa manh e vivenciado a mesma sensao de
deslumbramento que ela vivenciou na primeira vez que viu a luz inundar a igreja naquele dia
frio de Dezembro. E ela esperava que o visitante tivesse dedicado algum tempo para
considerar sua origem e admirar sua beleza.

Ela estava acordada havia uma hora, mas no estava preparada para enfrentar o dia. As
festividades pareciam diferentes naquele ano. Ontem, ela levou seu irmo mais novo, Jonah,
para um passeio na praia. Aqui e ali, rvores de Natal se encontravam nos deques das casas
por onde passaram. Nessa poca do ano, eles tinham praticamente a praia toda para eles
mesmos, mas Jonah no demonstrou interesse nas ondas ou nas gaivotas que o haviam
fascinado h alguns meses atrs. Em vez disso, ele queria ir para a oficina e ela o levava,
ainda que ele ficasse apenas alguns minutos antes de ir embora sem dizer uma nica
palavra.

Na cabeceira da cama havia uma srie de fotos do seu quarto na casa de praia, junto com
outros itens que ela havia coletado essa manh. Em silncio, ela as estudou at que fora
interrompida por uma batida na porta. Sua me espreitou sua cabea para dentro do quarto.

Voc quer caf da manh? Eu encontrei alguns cereais no armrio da cozinha.

No estou com fome, Me.

Voc precisa comer, querida.

Ronnie continuava olhando para a pilha de fotos, vendo nada em especial. Eu estava
errada, Me. E no sei o que fazer agora.

Voc se refere ao seu pai?

Me refiro a tudo.

Quer falar sobre isso?

Quando Ronnie no respondeu, sua me atravessou o quarto e se sentou do lado dela.

Alguma vezes ajuda se voc botar pra fora. Voc tem estado to quieta nesses ltimos
dias.

Por um instante, Ronnie sentiu uma onda de memrias inund-la: o incndio e a
subsequente reconstruo da igreja, o vitral, a msica que ela finalmente terminou. Ela
pensou em Blaze e Scott e Marcus. Ela pensou em Will. Ela tinha dezoito anos e se
recordava do vero em que fora trada, o vero em que fora presa, o vero em que se
apaixonou. No tinha sido h muito tempo atrs, e ainda assim, ela se sentia uma pessoa
completamente diferente daquela poca.

Ronnie suspirou. E o Jonah?

No est aqui. Brian o levou na loja de sapatos. Ele  como um filhotinho. Seu p est
crescendo mais rpido que o resto do seu corpo.

Ronnie sorriu, mas seu sorriso desapareceu com a mesma rapidez que havia aparecido. No
silncio que se seguiu ela sentiu sua me recolher seu longo cabelo e o torcer em um solto
rabo-de-cavalo em suas costas. Sua me fazia isso desde que Ronnie era uma garotinha.
Por mais estranho que fosse, ela ainda achava aquilo reconfortante. No que ela algum dia
admitiria isso,  claro.

Vou te dizer o seguinte, sua me continuou. Ela caminhou at o armrio e colocou a mala
em cima da cama. Por que voc no me conta enquanto fazemos a mala?

Eu nem ao menos saberia por onde comear.

Que tal pelo comeo? Jonah mencionou algo sobre tartarugas?

Ronnie cruzou seus braos, sabendo que a histria no havia comeado ali. Na verdade
no, ela disse. Mesmo que eu no estivesse l quando aconteceu, eu acho que o vero
realmente comeou com o incndio.

Que incndio?

Ronnie alcanou a pilha de fotografias na cabeceira da cama e gentilmente removeu um
esfarrapado artigo de jornal que se encontrava entre duas fotos. Ela entregou o amarelado
papel para sua me.

Esse incndio, ela disse. O da igreja.

Suspeita de Fogos de Artifcio Ilegais na Igreja Blaze - Pastor Ferido

Wrightsville Beach, CN -- Um incndio destruiu a histrica Primeira Igreja Batista no Ano
Novo, e investigadores suspeitam de fogos de artifcio ilegais.

Os bombeiros foram chamados atravs de uma ligao annima para a igreja perto da praia
logo depois da meia noite e encontraram chamas e fumaa vindas da parte de trs da
estrutura, disse Tim Ryan, chefe do Departamento de Bombeiros de Wrightsville. Os restos
de um foguete de artifcio fora encontrado na rea do incndio.

O Pastor Charlie Harris estava dentro da igreja quando o incndio comeou e sofreu
queimaduras de segundo grau nos braos e mos. Ele fora transportado para o Hospital
Regional de New Hanover e se encontra na UTI.

Esse foi o segundo incndio em igrejas nos ltimos meses em New Hanover County. Em
Novembro, a Igreja Tratado da Boa Esperana em Wilmington fora completamente
destruda. Os investigadores ainda esto tratando isto como suspeito, e como um caso de
incndio premeditado em potencial nesse momento. Ryan observou.

Testemunhas reportam que menos de vinte minutos antes do incndio, foguetes de artifcio
foram vistos sendo lanados na praia encontrada atrs da igreja, como numa celebrao de
Ano Novo. Foguetes de artifcio so ilegais na Carolina do Norte e so especialmente
perigosos, considerando a recente condio de seca, preveniu Ryan. Esses incndio
mostra o porqu. Um homem est no hospital e a igreja est completamente destruda.


Quando sua me acabou de ler, ela olhou para cima, encontrando os olhos de Ronnie.
Ronnie hesitou; ento, com um suspiro, comeou a contar a histria que ainda parecia sem
sentido para ela, mesmo com o benefcio da retrospectiva.
Captulo 1- Ronnie

Seis meses atrs.

Ronnie se sentou preguiosamente no banco da frente do carro, se perguntando por que
seus pais a odiavam tanto.

Essa era a nica coisa que explicaria o motivo dela estar indo visitar seu pai, nesse lugar
esquecido por Deus, em vez de passar o tempo com suas amigas em Manhattan.

No, risca isso. Ela no estava apenas visitando o seu pai. Visitar implica uma ou duas
semanas, eventualmente uma semana. Ela sups que poderia viver com uma visita. Mas
ficar at o fim de Agosto? Basicamente o vero todo? Isso era castigo, e durante as nove
horas de estrada que levavam para chegar l, ela se sentiu como uma prisioneira sendo
transferida para uma penitenciria rural. Ela no conseguia acreditar que sua me estava
realmente a fazendo passar por isso.

Ronnie estava to envolvida com sua misria, que levou alguns segundos para reconhecer a
Sonata no. 16 de Mozart em D Maior. Era uma das obras que ela apresentou no Carnegie
Hall h quatro anos, e ela sabia que sua me tinha posto para tocar enquanto Ronnie
dormia. Que pena. Ronnie estendeu a mo para desligar o leitor de CD.

Por que voc fez isso? sua me disse, franzindo a testa. Eu gosto de ouvir voc tocando.

Eu no.

E se eu abaixar o volume?

Apenas pare, Me. Okay? No estou com humor pra isso.

Ronnie encarou a janela, sabendo muito bem que os lbios de sua me tinham acabado de
virar uma linha apertada. Ela fazia muito isso ultimamente. Era como se seus lbios
estivessem magnetizados.

Eu acho que vi um pelicano quando cruzamos a ponte para Wrightsville Beach, sua me
comentou com uma alegria forada.

Uau, isso  incrvel. Talvez voc deva chamar o Caador de Crocodilos*.
(*naturalista australiano especialista em animais selvagens que possua um programa de
televiso)

Ele morreu, Jonah disse, sua voz flutuando do banco traseiro, o som se unificava com os
do seu Game Boy. Seu chato irmo de dez era viciado naquela coisa. No se lembra? ele
continuou. Foi muito triste.

Claro que eu me lembro.

Voc no parecia se lembrar.

Bem, eu me lembrava.
Ento voc no deveria ter dito o que disse.

Ela no perdeu seu tempo respondendo pela terceira vez. Seu irmo sempre tinha a ltima
palavra. Isso a deixava louca.

Voc foi capaz de dormir um pouco? sua me perguntou.

At voc passar por aquele buraco. Obrigada, por sinal. Minha cabea praticamente
atravessou o vidro.

O olhar de sua me continuou na estrada. Estou feliz em saber que seu humor fica melhor
depois de um cochilo.

Ronnie estourou uma bola feita com seu chiclete. Sua me odiava quando ela fazia isso, o
que era o principal motivo dela ter feito praticamente sem parar enquanto eles dirigiam pela
I-95. A interestadual, em sua humilde opinio, era o pedao mais chato de toda a estrada. A
no ser que algum gostasse de fast foods gordurosos, banheiros de estrada nojentos e
zilhes de pinheiros, sua monotonia hipntica poderia ninar uma pessoa. Ela disse essas
exatas palavras para sua me em Delaware, Marylan e Virginia, mas sua me tinha ignorado
os comentrios todas as vezes. Alm de tentar fazer a viagem ser legal, desde que essa
seria a ltima vez que iriam se ver por um bom tempo, sua me no era do tipo que
conversava no carro. Ela no estava nem um pouco confortvel dirigindo, o que no era
surpreendente levando em considerao que eles ou andavam de metr ou pegavam txis
quando precisavam ir a algum lugar. No apartamento, no entanto... era outra histria. Sua
me no pensava duas vezes na hora de se meter nas coisas, e o sndico fora duas vezes
nos ltimos meses pedir para que falassem mais baixo. Sua me provavelmente acreditava
que quanto mais alto ela gritasse sobre as notas de Ronnie, ou os amigos de Ronnie, ou o
fato que Ronnie continuava a ignorar o toque de recolher, ou o Incidente -- especialmente o
Incidente -- faria com que Ronnie passasse a se importar.

Okay, ela no era a pior das mes. Ela realmente no era. E quando se sentia generosa,
Ronnie talvez at admitisse que ela fosse bem razovel em relao s outras mes. O
problema  que parecia que sua me estava presa em alguma esquisita mquina do tempo
na qual seus filhos nunca cresciam, e Ronnie desejava pela centsima vez que ela tivesse
nascido e Maio em vez de Agosto. Ela j teria dezoito anos e sua me no poderia for-la a
fazer nada. Legalmente, ela seria velha o suficiente para tomar suas prprias decises, e
vamos dizer que essa viagem no estava nos seus planos. Mas agora, Ronnie no tinha
nenhuma voz na hora das decises. Porque ela ainda tinha dezessete anos. Porque tinha
sido enganada pelo calendrio. Porque sua me a concebeu trs meses antes de que
deveria. O que era aquilo? No importava o quanto Ronnie havia ferozmente implorado e
reclamado ou gritado ou choramingado sobre os planos pro vero, nada faria a menor
diferena. Ronnie e Jonah iriam passar o vero com seu pai e ponto final. Sem se, e ou mas
sobre isso, foi como sua me se expressou. Ronnie tinha aprendido a desprezar aquela
expresso.

Mesmo  sada da ponte, o trfico estava lento como uma tartaruga. Do lado, entre as
casas, Ronnie capturou vislumbres do oceano. Yippee. Como se ela se importasse.

De novo, por que voc est nos obrigando a fazer isso? Ronnie gemeu.
J tivemos essa conversa, sua me respondeu. Vocs precisam passar mais tempo com o
seu pai. Ele sente falta de vocs.

Mas por todo o vero? No poderiam ter sido s umas semanas?

Vocs precisam mais que duas semanas juntos. Voc no o v h trs anos.

No  culpa minha. Foi ele que foi embora.

Sim, mas voc no atende suas ligaes. E sempre que ele vem para Nova Iorque para ver
voc e Jonah, voc o ignora e sai com suas amigas.

Ronnie estouro a bola do seu chiclete de novo. Pelo canto do olho, ela viu sua me se
retrair.

Eu no quero ver ou falar com ele, Ronnie disse.

Tente fazer o seu melhor, okay? Seu pai  um bom homem e te ama.

 por isso que ele nos deixou?

Em vez de responder, sua me olhou pelo retrovisor.

Voc tem estado ansioso por isso, no tem, Jonah?

Voc est brincando? Vai ser timo!

Estou feliz de ver sua atitude positiva. Talvez voc devesse ensinar a sua irm.

Ele bufou. , est certo. Eu s no entendo por que eu no posso passar o vero com
meus amigos, Ronnie reclamou, voltando ao assunto. Ela no tinha acabado ainda. Embora
ela soubesse que suas chances eram praticamente nulas, ela ainda alimentava a fantasia de
que iria convencer sua a me a dar meia volta com o carro.

Voc no quer dizer que prefere passar a noite toda nos clubes? No sou ingnua, Ronnie.
Eu sei o que a garotada faz nesses lugares.

No fao nada de errado, Me.

E suas notas? E o toque de recolher? E--

Podemos falar de outra coisa? Ronnie cortou. Como o porqu de ser to imperativo que
eu v passar um tempo com meu pai?

Sua me a ignorou. E de novo, Ronnie sabia que ela tinha todos os motivos para faz-lo. Ela
j tinha respondido milhes de vezes essa pergunta, mesmo que Ronnie no aceitasse a
resposta.

O trnsito eventualmente comeou a andar de novo e o carro se moveu por meio quarteiro
antes de parar mais uma vez. Sua me abaixou a janela e tentou espiar os carros  sua
frente.
Me pergunto o que est acontecendo, ela resmungou. Est realmente engarrafado aqui.

 a praia, Jonah sugeriu.  sempre tumultuado na praia.

So trs horas da tarde num Domingo. No deveria ser tumultuado.

Ronnie ps as pernas pra cima, odiando sua vida. Odiando tudo isso

Hey, Me? Jonah perguntou. Papai sabe que Ronnie foi presa?

Sim. Ele sabe, ela respondeu.

O que ele vai fazer?

Dessa vez, Ronnie que respondeu. Ele no vai fazer nada. A nica coisa que ele sempre se
importou foi o piano.

Ronnie odiava o piano e jurou que nunca tocaria de novo, uma deciso que mesmo algum
dos seus amigos achava estranha, desde que o piano esteve presente durante uma grande
parte da sua vida. Seu pai, uma vez professor da Juilliard, fora seu professor tambm, e por
um longo tempo ela foi consumida pelo desejo no s de tocar, mas de compor msicas
com ele. Ela era boa. Muito boa, na verdade, e por causa da conexo de seu pai com a
Juilliard, a administrao e os professores estavam cientes de sua habilidade. O boato
lentamente comeou a se espalhar no obscuro mundo msica clssica  tudo que importa
que consistia a vida de seu pai. Alguns artigos em revistas de msica clssica se seguiram,
e a moderadamente longa reportagem no The New York Times, que focavam na conexo
entre pai e filha, vieram a seguir. Tudo eventualmente resultou em uma cobiada
apresentao na srie Jovens Artistas no Carnegie Hall h quatro anos. Esse, ela sups, foi
o ponto mximo de sua carreira. E fora de fato; ela no era ingnua sobre seu grande feito.
Ela sabia que eram raras as oportunidades como essa, mas ultimamente ela se perguntou
se os sacrifcios tinham valido a pena. Provavelmente ningum alm de seus pais se
lembrava de sua apresentao. Ou ao menos ligava. Ronnie aprendeu que ao menos que
voc tenha um vdeo popular no YouTube ou se fizesse shows para milhares de pessoas,
habilidade musical no significava nada.

De vez em quanto ela desejava que seu pai tivesse investido em guitarra eltrica. Ou pelo
menos aulas de canto. O que ela deveria fazer com a habilidade de tocar piano? Ensinar
msica em alguma escola local? Ou tocar no lobby de algum hotel enquanto os hspedes se
registravam? Ou perseguir a dura vida que seu pai perseguiu? Olhe aonde o piano o levou.
Ele acabou se demitindo de Juilliard para poder pegar a estrada fazendo concertos como
pianista e se viu tocando em lugares insignificantes para uma audincia que mal enchia as
duas primeiras fileiras. Ele viajava durante quarenta semanas por ano, tempo o suficiente
para criar tenso num casamento. Prxima coisa que ela se lembra  de sua me gritando
com seu pai enquanto ele se escondia em sua concha como costumava fazer, at que um
dia ele simplesmente no voltou de uma turn estendida pelo sul. At onde ela sabia, ele
no estava trabalhando ultimamente. Ele no estava nem dando aulas particulares. Como
isso funcionou para voc, Pai?

Ela sacudiu a cabea. Ela realmente no queria estar aqui. S Deus sabe o quanto ela
queria no ter nada a ver com tudo isso.
Hey, Me! Jonah chamou. Ele se inclinou para frente. O que  aquilo ali? Uma Roda
Gigante?

Sua me esticou o pescoo, tentando ver em torno da minivan a pista ao lado dela. Eu acho
que sim, querido, ela respondeu. Deve haver algum parque na cidade.

Ns podemos ir? Depois de todo mundo jantar junto?

Voc ter que pedir para o seu pai.

, e talvez mais tarde, ns todos nos sentamos em volta de uma fogueira e assamos
marshmallows, Ronnie se intrometeu. Como uma grande famlia feliz.

Dessa vez os dois a ignoraram.

Voc acha que eles tm outros brinquedos? Jonah perguntou.

Tenho certeza que sim. E se seu pai no quiser ir neles, tenho certeza que sua irm ir com
voc.

Maneiro!

Ronnie afundou no seu banco. Ela imaginou que sua me iria sugerir algo do tipo. A coisa
toda era muito deprimente para ser verdade.
Captulo 2 Steve

Steve Miller tocava seu piano com uma intensa ansiedade, antecipando a chegada de seus
filhos a qualquer minuto.

O piano estava localizado em um pequeno canto de sua pequena sala de estar no bangal
de frente pra praia que ele agora chamava de lar. Atrs dele havia itens que representavam
sua histria pessoal. No era muita coisa. Tirando o piano, Kim tinha sido capaz de colocar
seus pertences em uma nica caixa e tinha levado menos de meia hora para pr tudo em
seu lugar. Havia uma foto de seus pais quando ele era mais novo e outra dele tocando piano
com dez anos. Elas estavam entre os diplomas que havia recebido, um de Chapel Hill e
outro da Boston University, e logo abaixo estava o certificado de apreciao de Julliard aps
ele ter educado por quinze anos. Prximo a janela estavam trs horrios emoldurados com
as datas de sua turn. Porm o mais importante era a meia dzia de fotos de Jonah e
Ronnie, algumas presas na parede ou emolduradas em cima do piano, e sempre que ele
olhava para elas, ele se lembrava do fato que apesar de suas melhores intenes, nada
havia terminado como esperava.

O sol da tarde estava se inclinando atravs das janelas, deixando o interior da casa abafado,
e Steve podia sentir gotas de suor se formando. Felizmente, a dor em seu estmago havia
diminudo desde a manh, mas ele havia estado nervoso por dias e sabia que a dor iria
voltar. Ele sempre tivera um estmago fraco; com seus vinte anos, teve uma lcera e foi
hospitalizado por diverticulite; com seus trinta anos, teve seu apndice removido quando ele
estourou enquanto Kim estava grvida de Jonah. Ele tomava Rolaids* como se fosse doce,
ele usou Nexium** durante anos e, apesar dele saber que provavelmente poderia ter comido
melhor e se exercitado mais, ele duvidava que um dos dois teria ajudado. Problemas
estomacais eram genticos em sua famlia.
* anticido estomacal
** remdio para lcera

A morte de seu pai h seis anos o havia mudado, e desde o funeral, ele sentiu como se
estivesse em uma espcie de contagem regressiva. De certa forma, ele sups que estava.
H cinco anos, deixou sua posio em Julliard, e um ano depois, decidiu tentar a sorte como
um pianista de concertos. H trs anos, ele e Kim decidiram se divorciar; menos de doze
meses depois, as datas da turn comearam a diminuir at finalmente acabarem por
completo. No ltimo ano, ele se mudou de volta para c, para a cidade onde cresceu, um
lugar que pensou que nunca veria de novo. Agora ele estava prestes a passar o vero com
seus filhos, e apesar de tentar imaginar o que o outono traria uma vez que Ronnie e Jonah
estariam de volta a Nova Iorque, ele sabia que apenas as folhas iriam ficar amarelas depois
de se tornarem vermelhas e nas manhs sua respirao sairia em pequenas fumaas. Ele
h muito tempo parou de tentar prever o futuro.

Isso no o incomodava. Ele sabia que previses eram inteis e, alm disso, ele mal poderia
entender o passado. Ultimamente, tudo que podia dizer com certeza era que ele era uma
pessoa comum vivendo em um mundo que adora o incomum, e perceber isso o deixou com
um vago sentimento de decepo com a vida que levou. Mas o que poderia fazer? Ao
contrrio de Kim, que era extrovertida e socivel, ele sempre fora mais contido e misturado
na multido. Embora tivesse certos talentos como msico e compositor, lhe faltavam carisma
ou a habilidade de se apresentar ou o que quer que faa um performer se destacar. s
vezes, ele admitia que houvesse sido mais como um observador do mundo do que um
participante dele, e em momentos de dolorosa honestidade, ele acreditava que era um
fracasso em tudo o que era importante. Tinha quarenta e oito anos. Seu casamento havia
terminado, sua filha o evitava e seu filho estava crescendo sem ele. Olhando para trs, ele
sabia que no tinha ningum para culpar alm dele mesmo, e mais que tudo, era isso que
ele queria saber: Ainda era possvel para algum como ele sentir a presena de Deus?

Dez anos atrs, ele nunca poderia ter se imaginado duvidando sobre uma coisa dessas. At
mesmo h dois anos. Mas a meia idade, ele s vezes pensava, o fizera to reflexivo como
um espelho. Embora tivesse uma vez acreditado que a resposta estava de alguma forma
nas msicas que criara, ele agora suspeitava que houvesse se enganado. Quanto mais
pensava nisso, mais ele viria a perceber que para ele, a msica sempre fora uma vlvula de
escape da realidade, em vez de um modo de viv-la mais intensamente. Ele poderia ter
experimentado a paixo e a catarse das obras de Tchaikovsky* ou sentido uma sensao de
realizao quando escreveu suas prprias sonatas, mas ele sabia que se enterrar na msica
tinha menos a ver com Deus do que um desejo egosta de escapar.
* compositor russo

Ele agora acreditava que a verdadeira resposta estava em algum lugar vinculado ao amor
que sentia por seus filhos, na dor que experienciava quando acordava na quieta casa e
percebia que eles no estavam aqui. Mas mesmo assim, ele sabia que havia algo mais.

E de alguma forma, ele esperava que seus filhos o ajudassem a encontrar.

Alguns minutos depois, Steve notou o sol refletindo no pra-brisa de um empoeirado Station
Wagon estacionado do lado de fora. Ele e Kim o haviam comprado h anos para idas ao
Costco* nos fins de semana e viagens em famlia. Se perguntou por um momento se ela
havia lembrado de trocar o leo antes de vir, ou at mesmo desde que ele partiu.
Provavelmente no, ele concluiu. Kim nunca fora boa nessas coisas, que era o motivo dele
sempre tomar conta disso.
*uma rede de loja de departamentos tipo Casa&Video e tal

Mas essa parte de sua vida estava encerrada agora.

Steve se levantou de seu assento, e na hora que pisou na varanda, Jonah j estava do lado
de fora do carro e correndo em sua direo. Seu cabelo no havia sido penteado, seus
culos estavam tortos e seus braos e pernas eram to finos quanto um lpis. Steve sentiu
sua garganta apertar, se lembrando de novo do quanto havia perdido nos ltimos trs anos.
Pai!

Jonah! Steve gritou de volta enquanto cruzava a areia rochosa que constitua seu quintal.
Quando Jonah pulou em seus braos, fez tudo que podia para permanecer em p.

Voc cresceu tanto, ele disse.

E voc diminuiu! Jonah disse. Est mais magro agora.

Steve deu um abrao bem apertado em seu filho antes de coloc-lo no cho. Estou feliz que
voc esteja aqui.

Eu tambm estou. Mame e Ronnie brigaram o tempo todo.
Isso no  legal.

Est tudo bem. Eu ignorei. Exceto quando eu as atiava.

Ah, Steve respondeu.

Jonah ajeitou seus culos na ponte de seu nariz. Por que mame no nos deixou vir de
avio?

Voc perguntou pra ela?

No.

Talvez devesse.

No  importante. S estava curioso.

Steve sorriu. Ele tinha esquecido quo falador seu filho poderia ser.

Hey, essa  a sua casa?

Isso mesmo.

Esse lugar  maneiro!

Steve se perguntou se Jonah estava falando srio. A casa era tudo menos maneira. O
bangal era facilmente a propriedade mais antiga de Wrightsville Beach e estava entre duas
casas enormes que foram construdas nos ltimos dez anos, fazendo o bangal parece
ainda menor. A pintura estava descascando, o telhado tinha inmeras telhas faltando e a
varanda estava apodrecendo; no iria o surpreender se na prxima tempestade decente
tudo desmoronasse, o que sem dvida iria agradar os vizinhos. Desde que ele se mudou,
nenhuma famlia havia vindo falar com ele.

Voc acha? ele disse.

Al?  bem do lado da praia. O que mais voc poderia querer? Ele gesticulou em direo
ao oceano. Posso ir l ver?

Claro. Mas tenha cuidado. E fique atrs da casa. No se perca.

Feito.

Steve observou ele correr antes de se virar para ver Kim se aproximando. Ronnie tambm
havia sado do carro, mas permanecia parada perto dele.

Oi, Kim, ele disse.

Steve. Ela se inclinou para lhe dar um breve abrao. Voc est bem? Ela perguntou.
Parece magro.

Estou bem.
Atrs dela, Steve notou Ronnie lentamente indo em direo a eles. Ele estava
impressionado com o quanto ela tinha mudado desde a ltima foto que Kim o mandou por e-
mail. A tpica garota americana que se lembrava havia ido embora e em seu lugar estava
uma jovem mulher com uma mecha roxa em seu longo cabelo castanho, unhas pintadas de
preto e roupas escuras. Tirando os bvios sinais de uma rebelio adolescente, ele pensou
novamente o quanto ela lembrava sua me. O que tambm era uma coisa boa. Ela era, ele
pensou, to linda como sempre. Ele limpou a garganta. Oi, querida.  bom ver voc.

Quando Ronnie no respondeu, Kim a olhou com cara feia. No seja rude. Seu pai est
falando com voc. Diga alguma coisa.

Ronnie cruzou seus braos. Tudo bem. Que tal isso? Eu no vou tocar piano para voc.

Ronnie! Steve podia ouvir a exasperao de Kim.

O que? Ronnie sacudiu a cabea. Eu pensei em esclarecer isso logo.

Antes que Kim pudesse responder, Steve acenou. A ltima coisa que ele queria era uma
discusso. Est tudo bem, Kim.

, Me. Est tudo bem, Ronnie disse agressiva. Eu preciso esticar as pernas. Vou dar
uma volta.

Enquanto ela ia embora, Steve observou Kim lutar contra o impulso de cham-la de volta.
No final, porm, ela no disse nada.

Viagem longa? ele perguntou, tentando amenizar seu humor.

Voc nem imagina.

Ele sorriu, pensando s por um instante, o quo fcil era imaginar que ainda estavam
casados, os dois jogando no mesmo time, os dois ainda apaixonados.

Exceto,  claro, que eles no estavam.

Depois de descarregar as malas, Steve foi para a cozinha, onde ele bateu cubos de gelo da
antiquada bandeja e os jogou dentro dos descombinados copos que vieram com a casa.

Atrs dele, ele ouviu Kim entrar na cozinha. Ele alcanou uma jarra com ch gelado,
despejando em dois copos e entregando um para ela. Do lado de fora, Jonah estava
alternadamente perseguindo e sendo perseguindo por ondas de gaivotas que voavam acima
de sua cabea.

Parece que Jonah est se divertindo, ele disse.

Kim se aproximou da janela. Ele esteve animado com a viagem por semanas. Ela hesitou.
Ele sentiu sua falta.

Eu senti falta dele.
Eu sei, ela disse. Ela bebeu seu ch antes de olhar pela cozinha. Ento esse  o lugar,
huh? Ele tem... personalidade.

Pela personalidade, eu suponho que voc notou as goteiras e a falta de ar-condicionado.

Kim deu um breve sorriso, pega no flagra.

Eu sei que no  muito. Mas  tranquilo e posso assistir o nascer do sol.

E a igreja est deixando voc ficar aqui de graa?

Steve acenou. O bangal pertencia a Carson Johnson. Ele era um artista local, e quando
faleceu, deixou a casa para a igreja. O Pastor Harris est me deixando ficar at eles
estiverem prontos para vend-la.

Ento como  voltar para casa? Digo, seus pais moravam a o que? Trs quadras daqui?

Sete, na verdade. Perto.  ok. Ele deu de ombros.

Est to tumultuado agora. O lugar realmente mudou desde a ltima vez que estive aqui.

Tudo muda, ele disse. Ele se apoiou contra a bancada, cruzando uma perna sobre a outra.
Ento, quando  o grande dia? ele perguntou, mudando o assunto. Para voc e Brian?

Steve... sobre isso.

Est tudo bem, ele disse, erguendo uma mo. Estou feliz que tenha encontrado algum.

Kim o encarou, claramente se perguntando se aceitava suas palavras sem maiores anlises
ou se mergulhava em territrio sensvel. Em Janeiro, ela finalmente disse. E eu quero que
voc saiba que com as crianas... Brian no finge ser algum que ele no . Voc iria gostar
dele.

Tenho certeza que iria, ele disse, tomando um gole de seu ch. Ele ps o copo de volta na
bancada. Como as crianas se sente em relao a ele?

Jonah parece gostar dele, mas Jonah gosta de todo mundo.

E Ronnie?

Ela se entende com ele to bem quanto se entende com voc.

Ele riu antes de notar a expresso preocupada dela. Como ela realmente est indo?

Eu no sei. Ela suspirou. E no acho que tampouco ela saiba. Ela est nessa fase
sombria e mal humorada. Ela ignora o toque de recolher e na maioria das vezes eu no
consigo mais do que um Que seja` quando tento conversar com ela. Eu tento encarar isso
como algo tpico da adolescncia, porque eu me lembro como isso era... mas... Ela
balanou a cabea. Voc viu o modo que ela estava vestida, certo? E o cabelo e aquela
maquiagem horrvel?
Mmm.

E?

Poderia ser pior.

Kim abriu a boca para dizer alguma coisa, mas quando nada saiu, Steve soube que estava
certo. Qual fosse a fase que ela estava passando, qual fossem os medos de Kim, Ronnie
ainda era Ronnie.

Eu acho, ela cedeu, antes de sacudir a cabea. No, eu sei que voc est certo.  s que
tem sido to difcil lidar com ela ultimamente. Tem vezes que ela  mais doce que nunca.
Como quando est com Jonah. Mesmo que eles briguem como ces e gatos, ela ainda o
leva para o parque todo o fim de semana. E quando ele estava tendo problemas em
matemtica, ela estudou com ele todas as noites. O que  estranho, porque ela mal est
passando em algumas de suas matrias. E eu no te contei isso, mas eu a fiz prestar
vestibular em Fevereiro. Ela errou todas as questes. Voc sabe o quo esperto voc
precisa ser para errar todas as questes?

Quando Steve riu, Kim franziu as sobrancelhas. Isso no  engraado.

De certa forma .

Voc no teve que lidar com ela nesses ltimos trs anos.

Ele fez uma pausa, repreendido. Voc est certa. Me desculpe. Ele segurou seu copo de
novo. O que o juiz disse sobre o furto na loja?

O que eu te disse por telefone, ela disse com uma expresso resignada. Se ela no se
meter em mais problemas, ser riscado de sua ficha. Se ela fizer isso de novo, porm... Ela
estava esgotada.

Voc est preocupada com isso, ele comeou.

Kim se afastou. No foi a primeira vez, esse  o problema, ela confessou. Ela admitiu
roubar a pulseira ano passado, mas dessa vez, ela disse que estava comprando um monte
de coisas na farmcia e no conseguia segurar tudo, ento ela enfiou o batom no bolso. Ela
pagou por todo o resto, e quando voc assiste ao vdeo, parece que foi um erro honesto,
mas...

Voc no tem certeza.

Quando Kim no respondeu, Steve balanou a cabea. Ela no est no caminho de entrar
pro grupo dos Mais Procurados dos EUA. Ela cometeu um erro. E ela sempre teve um bom
corao.

Isso no quer dizer que ela esteja dizendo a verdade agora.

E tampouco quer dizer que ela esteja mentindo.

Ento voc acredita nela? Sua expresso era uma mistura de esperana e ceticismo.
Ele se aprofundou em seus sentimentos sobre o incidente, como tinha feito uma dzia de
vezes desde que Kim o contou pela primeira vez. Sim, ele disse. Eu acredito nela.

Por que?

Porque ela  uma boa garota.

Como voc sabe? ela exigiu. Pela primeira vez, ela pareceu zangada. A ltima vez que
voc passou um tempo com ela, ela estava terminando o ensino fundamental. Ela se
afastou dele depois, cruzando os braos enquanto olhava pela janela. Sua voz era amarga
quando continuou. Voc poderia ter voltado, voc sabe. Voc poderia ter dado aulas em
Nova Iorque de novo. Voc no precisava viajar pelo pas, voc no precisava se mudar
para c... voc poderia ter permanecido parte da vida deles. Suas palavras o machucaram,
e ele sabia que ela estava certa. Mas no foi assim to simples, por razes que ambos
compreendiam, embora nenhum deles reconhecesse.

O carregado silncio passou quando Steve finalmente limpou a garganta. Eu s estava
tentando dizer que Ronnie sabe diferenciar o certo do errado. Por mais que ela declare sua
independncia, eu ainda acredito que ela  a mesma pessoa que sempre foi. No que
realmente importa, ela no mudou.

Antes que Kim pudesse pensar em como responder seu comentrio, Jonah explodiu atravs
da porta da frente, suas bochechas coradas.

Pai! Eu encontrei uma oficina muito legal! Vamos! Eu quero te mostrar!

Kim levantou uma sobrancelha.

 l atrs, Steve disse. Quer ir ver?

 muito maneira, Me!

Kim se virou de Steve para Jonah e de volta para Steve. No, est tudo bem, ela disse.
Isso soa mais como coisa de pai e filho. Alm disso, eu realmente deveria ir.

J? Jonah perguntou.

Steve sabia o quo difcil isso seria para Kim, e ele respondeu por ela. Sua me tem uma
longa viagem de volta. E alm disso, eu quero te levar pro parque hoje  noite. Podemos
fazer isso?

Steve observou parte dos ombros de Jonah afundarem.

Eu acho que tudo bem, ele disse. Depois de Jonah se despedir de sua me -- com Ronnie
ainda em nenhum lugar  vista e, de acordo com Kim, com poucas chances de voltar to
cedo -- Steve e Jonah caminharam at a oficina, uma inclinada dependncia com telhado
de estanho que veio junto com a propriedade.

Durante os ltimos trs meses, Steve passou a maior parte das tardes aqui, cercado por
ferro-velho e pequenos pedaos de vidro colorido que Jonah agora explorava. No centro da
oficina estava uma larga mesa de trabalho com o comeo de um vitral, mas Jonah parecia
muito mais interessado nas estranhas peas de taxidermia* empoleiradas nas estantes, a
especialidade do antigo dono. Era difcil no se ver hipnotizado pela criatura meio-
esquilo/meio-lobo-do-mar ou com a cabea de um gamb unida ao corpo de uma galinha.
* arte de empalhar animais

O que so essas coisas? Jonah perguntou.

 supostamente arte.

Eu pensei que arte fosse tipo pinturas e essas coisas.

E . Mas algumas vezes arte so outras coisas, tambm.

Jonah enrugou seu nariz, olhando para o meio-coelho/meio-cobra. Isso no parece arte.

Quando Steve sorriu, Jonah gesticulou para o vitral na mesa de trabalho. Isso tambm era
dele? ele perguntou.

Na verdade, esse  meu. Estou fazendo para a igreja no final da rua. Ela foi queimada no
ano passado, e a janela original fora destruda pelo fogo.

Eu no sabia que voc fazia janelas.

Acredite ou no, o artista que morava aqui costumava me ensinar.

O cara que mexia com os animais?

Esse mesmo.

E voc o conhecia?

Steve se juntou ao seu filho na mesa. Quando eu era criana, eu escapava para c quando
supostamente deveria estar na aula sobre a Bblia. Ele fez vitrais para mais igrejas por aqui.
V essa foto na parede? Steve apontou para uma pequena fotografia da Risen Christ presa
a uma das prateleiras, fcil de se perder no caos. Espero que o vitral se parea como esse
quando terminado.

Maneiro, Jonah disse e Steve sorriu. Era bvio que essa era a nova palavra favorita de
Jonah, e ele se perguntou quantas vezes a escutaria nesse vero.

Voc quer ajudar?

Posso?

Eu estava contando com isso. Steve lhe deu uma gentil cotovelada. Eu preciso de um bom
assistente.

 difcil?

Eu tinha sua idade quando comecei, ento tenho certeza que voc ser capaz de lidar com
isso.

Jonah pegou cuidadosamente um pedao de vidro e o examinou, o segurando na luz, com
uma expresso sria. Tenho certeza que posso lidar com isso tambm.

Steve sorriu. Voc ainda vai  igreja? ele perguntou.

Sim. Mas no  a mesma que ns amos.  uma que o Brian gosta de ir. E Ronnie no vai
sempre conosco. Ela se tranca no quarto e se recusa a sair, mas assim que ns partimos,
ela vai para a Starbucks ficar com seus amigos. Isso deixa mame furiosa.

Isso acontece quando as crianas se tornam adolescentes. Elas testam seus pais.

Jonah colocou o vidro de volta  mesa. Eu no, ele disse. Eu sempre serei bom. Mas eu
no gosto muito da nova igreja.  chata. Ento eu talvez no v nessa.

 justo. Ele pausou. Eu ouvi que voc no ir jogar futebol nesse outono.

Eu no sou muito bom nisso.

E da?  divertido, certo?

No quando os outros garotos fazem piadas sobre voc.

Eles fazem piadas sobre voc?

Est tudo bem. Isso no me incomoda.

Ah, Steve disse.

Jonah arrastos seus ps, alguma coisa obviamente estava em sua mente. Ronnie no leu
nenhuma das cartas que voc a enviou, Pai. E ela no toca mais piano, tambm.

Eu sei, Steve respondeu.

Mame disse que  porque ela tem TPM

Steve quase perdeu o ar, mas se controlou rapidamente. Voc ao menos sabe o que isso
significa?

Jonah empurrou seus culos para cima. Eu no sou mais uma criancinha. Isso significa
tendncia-para-matar

Steve riu, despenteando o cabelo de Jonah. Que tal ns irmos procurar sua irm? Eu acho
que a vi indo em direo ao festival.

Podemos ir na Roda Gigante?

O que voc quiser.

Maneiro!
Captulo 3- Ronnie

A feira estava tumultuada. Ou melhor, Ronnie se corrigiu, O Festival de Frutos do Mar de
Wrightsville Beach estava tumultuado. Enquanto ela pagava por um refrigerante em um dos
estandes, ela pde ver carros estacionados um ao lado do outro ao longo das duas ruas que
davam para o per e at notou alguns ousados adolescentes alugando as caladas perto da
ao.

Porm, at agora, a ao estava bem entediante. Ela esperava que a Roda Gigante fosse
permanente e que o per possusse lojas como as do calado de Atlantic City. Em outras
palavras, ela esperava que aqui fosse o tipo de lugar que ela poderia se ver passeando no
vero. Sem muita sorte. O festival estava temporariamente localizado no estacionamento
perto do per, e parecia, na maior parte o tempo, com um pequeno parque. Os instveis
brinquedos eram parte de um parque viajante, e o estacionamento estava alinhado com
barraquinhas de jogos com preos absurdos e estandes de comida engordurada. O lugar
todo era meio... nojento.

No que algum parecesse compartilhar dessa opinio. O lugar era apertado. Velhos e
jovens, famlias, grupos de estudantes provocando uns aos outros. No importava para onde
ia, ela sempre parecia lutar contra a mar de corpos. Suados corpos. Grandes, suados
corpos, dos quais fora esmagada quando a multido de repente parou. Sem dvida ambos
haviam comido cachorro-quente e barras de chocolate que ela viu em um estande. Ela
enrugou seu nariz. To nojento.

Espiando por uma abertura, ela escorregou para longe dos brinquedos e das barraquinhas
de jogos e se direcionou para o per. Felizmente, a multido diminuiu conforme ela ia para o
per, passando por barraquinhas vendendo artesanato. Nada que ela pudesse se imaginar
comprando -- quem compraria um gnomo construdo inteiramente de conchas? Mas  bvio
que algum comprava essas coisas ou as barraquinhas no existiriam. Distrada, tropeou
em uma mesa ocupada por uma mulher idosa sentada em uma cadeira dobrvel. Vestindo
uma blusa estampada com o logotipo da SPCA, ela tinha cabelos brancos e um rosto alegre
e convidativo -- o tipo de av que provavelmente passava o dia todo cozinhando biscoitos
para o Natal, Ronnie sups. Na mesa em frente a ela haviam folhetos e uma jarra de
doaes, junto com uma grande caixa de papelo. Dentro da caixa estavam quatro
filhotinhos cinzas, um deles saltitou com suas patas traseiras para se espreitar ao lado dela.

Hey, amiguinho, ela disse.

A mulher idosa sorriu. Voc quer segur-lo? Esse  o divertido. O chamo de Seinfeld.

O filhote deu um estridente gemido.

No, est tudo bem. Apesar dele ser fofo. Muito fofo, mesmo que achasse que o nome no
combinasse com ele. E ela meio que queria segur-lo, mas sabia que no iria querer
devolv-lo se o fizesse. Ela era uma boba em relao a animais em geral, especialmente os
abandonados. Como esses carinhas. Eles vo ficar bem, certo? Voc no vai os colocar
para dormir, vai?

Eles ficaro bem, a mulher respondeu. Por isso montamos a mesa. Assim as pessoas
podem adot-los. Ano passado, encontramos um lar para mais de trinta animais, e esses
quatro j foram reivindicados. S estou esperando seus novos donos os levarem para casa.
Mas h mais no abrigo se estiver interessada.

S estou visitando, Ronnie respondeu, assim que gritos romperam da praia. Ela levantou
seu pescoo, tentando ver. O que est acontecendo? Um show?

A mulher balanou a cabea. Vlei de praia. Eles esto jogando h horas --  algum tipo de
campeonato. Voc deveria ir assistir. Ouvi os gritos o dia todo, os jogos devem estar bem
excitantes. Ronnie pensou sobre isso, imaginando, Por que no? No poderia ser pior do
que j estava por aqui. Ela jogou alguns dlares na jarra de doaes antes de se dirigir 
praia.

O sol estava se pondo, dando ao oceano um resplendor quase dourado. Na praia, algumas
poucas famlias estavam sentadas em toalhas prximas  gua, junto com alguns castelos
de areia prestes a serem varridos pela mar. Carragos* se lanavam para cima e para baixo,
caando caranguejos.
* tipo de ave marinha

No demorou muito para ela alcanar a fonte de toda a movimentao. Assim que ela se
aproximava da borda da quadra, ela notou que as outras garotas na torcida pareciam fixadas
em dois jogadores do lado direito. Nenhuma surpresa. Os dois garotos -- da sua idade?
Mais velhos? -- eram do tipo que sua amiga Kayla casualmente descreveria como colrio.
Embora nenhum deles fosse exatamente o tipo de Ronnie, era impossvel no admirar seus
esbeltos e musculosos fsicos e a forma que fluam pela areia.

Especialmente o mais alto, com cabelo castanho escuro e uma pulseira de macram em seu
pulso. Kayla definitivamente teria se concentrado nele -- ela sempre preferiu os mais altos
-- da mesma forma que a garota loira com um vestido de praia do outro lado da quadra se
concentrava nele. Ronnie havia notado a loira e sua amiga logo quando chegou. Elas eram
ambas magras e bonitas, com deslumbrantes dentes brancos, e obviamente costumavam
ser o centro das atenes e tinham todos os garotos babando por elas. Elas se mantiveram
longe da multido e torciam cuidadosamente, provavelmente assim no bagunariam seus
cabelos. Elas deveriam pendurar uma plaquinha avisando que tudo bem admirar  distncia,
mas no chegue muito perto. Ronnie no as conhecia, mas j no gostava delas.

Ela voltou sua ateno para o jogo bem a tempo de ver os garotos bonitos marcarem outro
ponto. E outro. E mais outro. Ela no sabia quanto tava o placar, mas era bvio que eles
eram o melhor time. E ainda assim, enquanto ela assistia, silenciosamente comeou a torcer
pelo outro time. Tinha menos a ver com o fato dela sempre torcer pro perdedor -- que ela
torcia -- e mais a ver com o fato da dupla vencedora a lembrar dos tipos mimados de
escolas particulares que ela algumas vezes se deparava nos clubes, os garotos da Upper
East Side de Dalton e Buckley que pensavam que eram melhores que todo mundo
simplesmente porque seus pais eram investidores de bancos. Ela tinha visto o suficiente do
conhecido grupo de privilegiados a ponto de reconhecer um membro s de olhar para ele, e
ela apostava sua vida que os dois eram com certeza parte do grupo dos populares por aqui.
Sua suspeita se confirmou aps o prximo ponto quando o parceiro do garoto de cabelo
castanho piscou para a amiga da Barbie loira bronzeada enquanto se preparava para sacar.
Nessa cidade, era claro que as pessoas bonitas se conheciam.

Por que ela no estava surpresa com isso?
O jogo de repente pareceu menos interessante, e ela se virou para ir embora assim que
outro saque navegou sobre a rede. Ela ouviu vagamente algum gritando quando a equipe
adversria devolveu o saque, mas antes dela dar mais alguns passos, ela sentiu os
espectadores  sua volta comearem a tropear uns nos outros, tirando seu equilbrio por
um instante.

Um longo instante. Ela se virou bem a tempo de ver um dos jogadores correndo em sua
direo a toda velocidade, levantando sua cabea, prestando ateno na instvel bola. Ela
no teve muito tempo para reagir antes dele colidir com ela. Ela sentiu ele segur-la pelos
ombros numa simultnea tentativa de parar o seu mpeto e a impedir de cair. Ela sentiu seus
braos sacudirem com o impacto e observou quase que em fascinao enquanto a tampa do
copo de isopor voava para fora, refrigerante formando um arco no ar antes de encharcar seu
rosto e sua blusa.

E ento, assim de repente, tudo tinha acabado. Olhando para cima, ela viu o jogador de
cabelos castanhos olhando para ela, seus olhos arregalados com o choque.

Voc est bem? ele ofegou.

Ela podia sentir o refrigerante escorrendo pelo seu rosto, ensopando sua blusa. Vagamente,
ela ouviu algum da multido comear a rir. E por que no deveriam rir? Estava sendo um
dia to fantstico.

Estou bem, ela retrucou.

Voc tem certeza? o garoto arfou. Pelo menos, ele pareceu genuinamente arrependido.
Eu corri em sua direo meio forte.

S... me solta, ela disse com os dentes cerrados.

Ele no pareceu notar que ainda segurava seus ombros, e suas mos imediatamente a
liberaram. Ele deu um passo para trs e automaticamente alcanou sua pulseira. Ele a
girava quase que involuntariamente. Eu sinto muito. Eu estava indo atrs da bola e--

Eu sei o que voc estava fazendo, ela disse. Eu sobrevivi, okay?

Com isso, ela se virou, querendo nada alm de ir o mais longe possvel daqui. Atrs dela,
ela ouviu algum gritar, Vamos, Will! Vamos voltar para o jogo! mas enquanto ela fazia seu
caminho pela multido, ela estava de alguma forma ciente que ele continuava a olhando at
que ela desapareceu de sua vista. Sua blusa no estava arruinada, mas isso no a fazia se
sentir muito melhor. Ela gostava dessa blusa, era uma lembrana do show do Fall Out Boy
que ela fugiu para ver com Rick no ano passado. Sua me quase perdeu a pacincia por
causa disso, e no era simplesmente porque Rick tinha uma teia de aranha tatuada em sua
nuca e mais piercings na orelha que Kayla; era porque ela tinha mentido sobre onde eles
estavam indo, e ela no tinha voltado para casa at  tarde do dia seguinte, uma vez que
eles acabaram ficando na casa do irmo de Rick na Filadlfia. Sua me proibiu Ronnie de
ver ou at mesmo falar com Rick de novo, uma regra que Ronnie quebrou logo no dia
seguinte.

No que ela amasse o Rick; francamente, ela nem gostava tanto dele. Mas ela estava
zangada com sua me, e parecia certo na hora. Mas quando ela chegou na casa dele, ele j
estava chapado e bbado de novo, do mesmo jeito que estava no show, e ela percebeu que
se continuasse vendo ele, ele iria continuar pressionando ela a experimentar o que fosse
que ele estava tomando, assim como tinha feito na noite anterior. Ela ficou apenas alguns
minutos na casa dele antes de ir para a Union Square pelo resto da tarde, sabendo que tudo
estava terminado entre eles.

Ela no era inocente em relao s drogas. Alguns de seus amigos fumavam maconha,
alguns consumiam cocana e ecstasy, e um at tinha o horrvel hbito de usar
metanfetamina. Todos alm dela bebiam nos fins de semana. Em todos os clubes e festas
que ia lhe ofereciam livre acesso a tudo isso. Ainda assim, parecia que no importava o
quanto suas amigas fumavam ou bebiam e juravam que isso fazia a noite valer  pena, elas
sempre passavam o resto da noite embaralhando suas palavras ou perdendo o equilbrio ou
vomitando ou perdendo completamente o controle e fazendo coisas realmente estpidas.
Coisas que normalmente envolviam algum garoto. Ronnie no queria chegar a esse ponto.
No depois do que aconteceu com Kayla no inverno passado. Algum -- que Kayla nunca
soube quem -- derramou GHB em sua bebida, e apesar dela ter apenas uma vaga
lembrana do que aconteceu depois, ela tinha certeza que se lembrava de estar em um
quarto com trs garotos que ela conheceu pela primeira vez naquela noite. Quando ela
acordou na manh seguinte, suas roupas estavam espalhadas pelo quarto. Kayla nunca
disse mais nada -- ela preferiu fingir que nada aconteceu e se arrependeu de ter contado
tanto para Ronnie -- mas no era difcil unir os pontos.

Quando ela chegou no per, Ronnie se sentou com seu copo meio vazio e esfregou
furiosamente sua blusa com seu molhado guardanapo. Parecia estar funcionando, mas o
guardanapo se desintegrou em pequenos flocos que pareciam caspas.

timo.

Ela desejou que o garoto tivesse corrido na direo de outra pessoa. Ela s estava l a o
que, dez minutos? Quo estranho era que ela se virou para sair na mesma hora que a bola
voou em sua direo? E que ela estava segurando um refrigerante numa multido de um
jogo de vlei que ela nem queria assistir, em um lugar que ela no queria estar? Daqui a
milhes de anos, a mesma coisa poderia nunca acontecer de novo. Com uma sorte dessa,
ela deveria ter jogado na loteria.

E ento tinha aquele garoto. O garoto fofo de cabelos e olhos castanhos. De perto, ela
percebeu que ele era mais bonito do que fofo, especialmente com aquela expresso de...
preocupado. Ele talvez fosse parte dos populares, mas durante um nanosegundo que seus
olhos se encontraram, ela teve a estranha sensao de eles eram to reais quanto
pareciam. Ronnie balanou a cabea para limpar sua mente de tais pensamentos.
Claramente o sol havia afetado seu crebro. Satisfeita que tinha feito o melhor que podia
com o guardanapo, ela pegou o copo de refrigerante. Ela planejava jogar o resto fora, mas
enquanto ela se virava, ela sentiu o copo ficar entre ela e mais algum. Dessa vez, nada
aconteceu em cmera lenta; o refrigerante cobriu imediatamente a parte da frente de sua
blusa.

Ela paralisou, olhando para sua blusa sem acreditar. S pode ser brincadeira.

Parada na sua frente estava uma garota da sua idade segurando uma barra de chocolate,
parecendo to surpresa quanto ela. Ela estava vestida de preto, e seus cabelos pretos
possuam indisciplinados cachos que contornavam seu rosto. Como Kayla, ela tinha pelo
menos seis piercings em cada orelha, destacando algumas miniaturas de caveiras que
pendiam de seu lbulo, e sua sombra preta e o delineador lhe davam uma aparncia quase
selvagem.

Que droga  ser voc, ela disse.

Voc acha?

Pelo menos o outro lado combina agora.

Ah, j entendi. Voc est tentando ser engraada.

Mais para brilhante.

Ento voc deveria ter dito algo como Talvez voc devesse preferir garrafinhas.`

A garota gtica riu, num surpreendente tom de garotinha. Voc no  daqui, ?

No, sou de Nova Iorque. Estou visitando meu pai.

Pelo fim de semana?

No. Por todo o vero.

Realmente  uma droga ser voc.

Dessa vez, Ronnie que riu. Eu sou Ronnie. Abreviao de Veronica.

Me chame de Blaze.

Blaze?

Meu nome na verdade  Galadriel.  do Senhor dos Anis. Minha me  estranha assim
mesmo.

Pelo menos ela no te chamou de Gollum.

Ou Ronnie. Inclinando sua cabea, ela gesticulou sobre seu ombro. Se voc quiser
alguma coisa seca, tem umas blusas do Nemo numa barraquinha logo ali.

Nemo?

, Nemo. Do filme? Peixe laranja e branco, nadadeira menor que a outra? Fica preso em
um aqurio e o pai vai procurar por ele?

Eu no quero uma blusa do Nemo, okay?

Nemo  legal.

Talvez, se voc tiver seis anos, Ronnie retrucou.
Combina com voc.

Antes que Ronnie pudesse responder, ela avistou trs garotos fazendo seu caminho atravs
da multido. Eles ficaram longe das pessoas na praia com suas bermudas rasgadas e
tatuagens, peitos nus sob as jaquetas de couro. Um deles tinha um piercing na sobrancelha
e estava carregando um antigo rdio; o outro tinha um moicano branco e braos cobertos de
tatuagens. O terceiro, como Blaze, tinha um longo cabelo preto em contraste com sua pele
branca como leite. Ronnie virou instintivamente para Blaze, apenas para perceber que Blaze
no estava mais ali. Em seu lugar estava Jonah. O que voc derramou na sua blusa? ele
perguntou. Voc est toda molhada e pegajosa.

Ronnie procurou por Blaze, se perguntando aonde ela tinha ido. E por que. S vai embora,
okay?

No posso. Papai est procurando por voc. Eu acho que ele quer que voc v pra casa.

Onde ele est?

Ele parou para ir ao banheiro, mas deve estar aqui a qualquer minuto.

Diga a ele que no me viu.

Jonah pensou sobre isso. Cinco pratas.

O que?

Me d cinco pratas e eu esqueo que te vi.

Voc est falando srio?

Voc no tem muito tempo, ele disse. Agora so dez pratas.

Acima da cabea de Jonah, ela avistou seu pai procurando pela multido a sua volta.
Instintivamente ela se abaixou, sabendo que no tinha chances de passar por ele. Ela olhou
para seu irmo, o chantagista, que obviamente sabia disso. Ele era bonitinho e ela o amava
e respeitava suas habilidades de chantagem, mas ainda assim, ele era seu irmo mais novo.
Em um mundo perfeito, ele estaria do seu lado. Mas ele estava? Claro que no.

Eu te odeio, sabe, ela disse.

, eu tambm te odeio. Mas isso ainda vai te custar dez pratas.

Que tal cinco?

Voc perdeu sua chance. Mas seu segredo estar a salvo comigo. Seu pai ainda parecia
no ter visto eles, mas estava chegando perto.

Ok, ela assobiou, cavando em seus bolsos. Ela pegou uma nota amassada e Jonah a
colocou em seu bolso. Espiando sobre seu ombro, ela viu seu pai se movendo em sua
direo, sua cabea ainda virando de um lado para o outro, e ela se abaixou pelas
barraquinhas. A surpreendendo, Blaze estava apoiada ao lado de uma barraquinha,
fumando um cigarro.

Ela deu um sorriso forado. Problemas com seu pai?

Como eu saio daqui?

Isso depende de voc. Blaze deu de ombros. Mas ele sabe que blusa voc est usando.

Uma hora depois, Ronnie estava sentada ao lado de Blaze em um dos bancos perto do final
do per, ainda entediada, mas no tanto quanto antes. Blaze acabou se mostrando uma boa
ouvinte, com um estranho senso de humor -- e o melhor de tudo; ela parecia amar Nova
Iorque tanto quanto Ronnie, mesmo que nunca tivesse ido l. Ela perguntou sobre as coisas
bsicas: Times Square e Empire State Building e a Esttua da Liberdade -- armadilhas para
turistas que Ronnie tentava evitar a todo custo. Mas Ronnie se animou descrevendo a
verdadeira Nova Iorque: os clubes em Chelsea, a msica em Brooklyn, e os camels de
Chinatown, onde era possvel comprar CDs piratas ou bolsas Prada falsas ou basicamente
qualquer coisa bem mais barato.

Falar sobre esses lugares a fazia ficar louca para voltar para casa em vez de estar aqui.
Estar em qualquer lugar menos aqui.

Eu tampouco iria querer vir para c, Blaze concordou. Acredite em mim. Isso aqui 
chato.

Quanto tempo voc mora aqui?

S durante minha vida toda. Pelo menos eu me visto bem.

Ronnie havia comprado a blusa estpida do Nemo, sabendo que parecia ridcula. GG era o
nico tamanho que tinha  venda, e a blusa quase alcanava seus joelhos. S compensava
o fato que depois que ela a vestiu, ela fora capaz de passar pelo seu pai sem que ele a
visse. Blaze estava certa sobre isso. Algum me disse que Nemo era legal.

Ela estava mentindo.

O que ainda estamos fazendo aqui? Meu pai provavelmente j foi embora.

Blaze se virou. Por qu? Voc quer voltar para o parque? Talvez ir na casa mal
assombrada?

No. Mas deve ter alguma outra coisa acontecendo.

Ainda no. Mais tarde vai ter. Mas por hora, vamos s esperar.

Pelo o que?

Blaze no respondeu. Em vez disso, ela levantou e se virou de costas, olhando para a
escura gua. Seu cabelo se movia com a brisa, e ela parecia olhar para a lua. Eu te vi mais
cedo, sabe.

Quando?
Quando voc estava no jogo de vlei. Ela gesticulou para o per. Eu estava logo ali.

E...?

Voc parecia deslocada.

Voc tambm.

Por isso eu estava no per. Ela pulou em cima da grade e se sentou, virada para Ronnie.
Eu sei que voc no quer estar aqui, mas o que o seu pai fez para voc ficar to irritada?

Ronnie limpou suas mos em sua cala.  uma longa histria.

Ele mora com alguma namorada?

Eu no acho que ele tenha uma. Por qu?

Se considere sortuda.

Sobre o que voc est falando?

Meu pai mora com a namorada.  a terceira desde o divrcio, diga-se de passagem, e ela 
a pior at agora. Ela  apenas alguns anos mais velha que eu e se veste como uma stripper.
At onde eu sei, ela era uma stripper. Passo mal sempre que tenho que ir l.  como se ela
no soubesse como agir perto de mim. Uma hora ela tenta me dar conselhos como se fosse
minha me, outra hora ela est tentando ser minha melhor amiga. Eu odeio ela.

E voc mora com sua me?

. Mas agora ela tem um namorado, e ele est em casa o tempo todo. E ele tambm  um
perdedor. Ele usa aquela peruca ridcula porque ficou careca quando tinha tipo vinte anos ou
algo assim, e ele est sempre me dizendo que eu deveria pensar em dar uma chance para a
faculdade. Como se eu ligasse para o que ele pensa. Ele  um idiota, sabe?

Antes que Ronnie pudesse responder, Blaze pulou da grade. Vamos. Acho que est prestes
a comear. Voc precisa ver isso.

Ronnie seguiu Blaze pelo per, em direo a uma multido que cercava o que parecia ser
um show de rua. Surpresa, ela percebeu que os artistas eram os trs caras que ela tinha
visto mais cedo. Dois deles estavam danando breakdance com a msica que saa do rdio,
enquanto o outro com um longo cabelo preto estava em p no centro fazendo malabarismo
com o que pareciam bolas de golfe em chamas. De vez enquanto ele parava de fazer o
malabarismo e simplesmente segurava a bola, a girando entre seus dedos ou a rolando
pelas costas de sua mo ou rolando de um brao para o outro. Duas vezes, ele fechou a
mo em volta da bola de fogo, sem apag-la, apenas para mover sua mo, permitindo as
chamas escaparem pelas pequenas aberturas entre seus dedos.

Voc o conhece? Ronnie disse.

Blaze acenou. Aquele  o Marcus,
Ele est usando algum tipo de luva protetora?

No.

Aquilo no machuca?

No se voc segurar direito.  incrvel, no ?

Ronnie tinha que concordar. Marcus apagou as duas bolas e as reacendeu apenas as
tocando. No cho, estava um chapu de mgico virado ao contrrio, e Ronnie observava as
pessoas comearem a jogar dinheiro nele.

Onde ele consegue as bolas de fogo?

Ele que faz. Eu posso te mostrar como. No  difcil. Tudo que voc precisa  de uma blusa
de algodo, agulha e linha, e gs.

 medida que a msica continuava a tocar, Marcus atirou as trs bolas de fogo para o garoto
com o moicano e acendeu mais duas. Eles fizeram malabarismo as jogando de um para o
outro como palhaos jogam pinos de boliche no circo, mais rpido e mais rpido, at um
arremesso sair errado.

Exceto que no erravam. O garoto com piercing na sobrancelha pegou a bola de fogo como
se fosse uma bola de futebol e comeou a jog-la de um p para o outro como se fosse uma
bola comum. Aps apagarem as trs bolas, os outros dois fizeram o mesmo, a trupe toda
estava chutando duas bolas de fogo entre eles. O pblico comeou a aplaudir, dinheiro
chovendo dentro do chapu. Ento de uma vez s, pegaram as restantes bolas de fogo e as
apagaram em sintonia com o fim da msica. Ronnie tinha que admitir, ela nunca vira algo do
tipo. Marcus andou at Blaze e lhe deu um longo beijo que parecia extremamente
inapropriado para se dar em pblico. Ele abriu os olhos lentamente, olhando em direo a
Ronnie antes de se afastar de Blaze.

Quem  essa? ele perguntou, gesticulando em direo  Ronnie.

Essa  a Ronnie, Blaze disse. Ela  de Nova Iorque. Acabei de conhecer.

Moicano e o Sobrancelha de Piercing se juntaram a Marcus e Blaze a examinando
detalhadamente, fazendo Ronnie se sentir distintamente desconfortvel.

Nova Iorque, huh? Marcus perguntou, puxando um isqueiro de seu bolso e acendendo uma
das bolas de fogo. Ele segurou a imvel orbe flamejante entre o dedo e o indicador,
fazendo Ronnie se perguntar de novo como ele poderia fazer isso sem se queimar.

Voc gosta de fogo? ele gritou.

Sem esperar por resposta, ele jogou a bola de fogo em sua direo. Ronnie pulou para fora
do caminho da bola, muito assustada para responder. A bola aterrissou atrs dela bem na
hora que um policial correu em direo a ela, apagando as chamas com seus ps.

Voc trs, ele gritou, apontando. Para fora. Agora. Eu j disse que no podem fazer esse
showzinho de vocs no per, e da prxima vez, eu juro que vou lev-los comigo.

Marcus ergueu suas mos e deu um passo para trs. J estvamos indo embora.

Os garotos pegaram suas jaquetas e comearam a se mover pelo per, em direo aos
brinquedos do parque. Blaze os seguiu, deixando Ronnie sozinha. Ronnie sentiu o olhar do
policial nela, mas o ignorou. Em vez disso, ela hesitou por um momento antes de ir atrs
deles
Captulo 4  Marcus

Ele sabia que ela iria segui-los. Elas sempre os seguiam. Especialmente as garotas novas
na cidade. Esse era o lance com as garotas: O quo pior voc as trata, mais elas te querem.
Elas so estpidas assim mesmo. Previsveis, mas estpidas.

Ele se apoiou contra o vaso de plantas em frente ao hotel, Blaze envolvendo seus braos
em torno dele. Ronnie estava sentada do outro lado em um dos bancos; do outro lado,
Teddy e Lance botavam defeitos um no outro enquanto tentavam chamar a ateno das
garotas que passavam por eles. Eles j estavam bbados -- droga, eles estavam um pouco
bbados mesmo antes do show -- e como sempre, todas as garotas, menos as feias, os
ignoravam. Metade do tempo, at ele os ignorava.

Blaze, enquanto isso, estava mordiscando seu pescoo, mas ele ignorou isso tambm. Ele
estava cansado do jeito que ela sempre se agarrava nele quando estavam em pblico.
Cansado dela no geral. Se ela no fosse boa de cama, se ela no soubesse o que
realmente o excitava, ele j teria terminado com ela h um ms para ficar com uma das trs
ou quatro ou cinco outras garotas que ele regularmente dormia. Mas agora ele no estava
interessado nelas, tambm. Em vez disso, ele olhou para Ronnie, gostando da mecha roxa
em seu cabelo e seu pequeno corpo firme, o efeito cintilante de sua sombra de olho. Era
uma espcie de estilo elegante e informal, tirando a blusa ridcula que ela estava usando.
Ele gostava disso. Ele gostava muito disso.

Ele se pressionou contra o quadril de Blaze, desejando que ela no estivesse aqui. Vai
pegar batata frita pra mim, ele disse. Estou meio com fome.

Blaze se afastou. Eu s tenho uns dois dlares sobrando.

Ele podia ouvir o lamento em sua voz. E da? Isso deve dar. E me garanta que no vai
comer nenhuma delas, tambm.

Ele falava srio. Blaze estava ficando um pouco gordinha na barriga, um pouco inchada no
rosto. Nenhuma surpresa considerando que ultimamente ela andava bebendo quase tanto
quanto Teddy e Lance. Blaze fez beicinho, mas Marcus lhe deu um pequeno empurro e ela
se dirigiu a um dos estandes de comida. Era uma fila com pelo menos seis ou sete
estandes, e assim que ela alcanou o final, Marcus vagou por Ronnie e se sentou ao lado
dela. Perto, mas no muito perto. Blaze era do tipo ciumenta, e ele no queria que ela
assustasse Ronnie antes dele ter a chance de conhec-la.

O que voc acha? ele perguntou.

Sobre o que?

O show. Voc j viu algo parecido em Nova Iorque?

No, ela admitiu. No vi.

Onde voc est ficando?

Descendo um pouco a praia. Ele podia dizer pela forma que respondia, que ela estava
desconfortvel, provavelmente porque Blaze no estava aqui.

Blaze disse que voc deu um bolo no seu pai.

Em resposta, ela simplesmente deu de ombros.

O que? No quer conversar sobre isso?

No tem nada para ser dito.

Ele se inclinou para trs. Talvez voc no confie em mim.

Do que voc est falando?

Voc conversa com a Blaze, mas no comigo.

Eu nem te conheo.

Voc tambm no conhece a Blaze. Voc acabou de conhecer ela.

Ronnie no pareceu apreciar suas petulantes respostas. Eu s no queria falar com ele,
okay? E eu tambm no quero ter que passar meu vero aqui.

Ele tirou o cabelo dos seus olhos. Ento v embora.

, est certo. Para onde eu deveria ir?

Vamos para Flrida.

Ela piscou. O que?

Eu conheo um cara que tem um lugar por l, logo depois de Tampa. Se voc quiser, eu te
levo. Podemos ficar pelo tempo que voc quiser. Meu carro est logo aqui.

Ela olhou para ele em choque. Eu no posso ir para Flrida com voc. Eu... eu acabei de te
conhecer. E a Blaze?

O que tem ela?

Voc est com ela.

E da? Ele manteve o rosto neutro.

Isso  muito estranho. Ela balanou a cabea e levantou. Acho que vou ver como a Blaze
est indo.

Marcus alcanou uma bola de fogo em seu bolso. Voc sabe que eu estava brincando,
certo?

Na verdade, ele no estava. Ele disse isso pelo mesmo motivo que tinha jogado a bola nela.
Para ver o quo longe ele podia lev-la.
, claro. Ok. Eu ainda estou indo falar com ela.

Marcus a observou saindo. Por mais que ele admirasse aquele pequeno corpo explosivo, ele
no tinha certeza do que fazer com ela. Ela se encaixava no papel, mas diferente de Blaze,
ela no fumava ou demonstrava qualquer interesse em farrear, e ele tinha essa sensao de
que havia mais nela do que ela estava mostrando. Ele se perguntou se ela viria por dinheiro.
Fazia sentido, certo? Apartamento em Nova Iorque, casa na praia? A famlia devia ter
dinheiro para conseguir pagar essas coisas. Mas... de novo, no tinha nenhuma chance dela
se encaixar entre as pessoas com dinheiro por aqui, pelo menos no os que ele conhecia.
Ento qual das opes era? E por que isso importava?

Porque ele no gostava de pessoas com dinheiro, ele no gostava do jeito que eles exibiam
isso, e no gostava do jeito que pensavam que eram melhores que os outros s por causa
disso. Uma vez, antes dele largar a escola, ele ouviu um garoto rico na sua escola falando
sobre o novo barco que tinha ganho de aniversrio. No era um lixo de esquife; era um
Boston Whaler de seis metros com GPS e sonda integrados, e o garoto continuava se
gabando sobre como ele iria us-lo o vero todo e o havia deixado no deque do clube.

Trs dias depois, Marcus ps fogo no barco e o assistiu queimar por detrs da rvore de
magnlia.

Ele no contou para ningum o que havia feito,  claro. Conte para uma pessoa, e voc
pode estar confessando para a polcia. Teddy e Lance eram casos a se pensar: Os ponha
atrs das grades e eles vo falar assim que a porta fechar. Que era o motivo dele insistir que
eles fizessem todo o trabalho sujo esses dias. O melhor jeito de impedi-los de falar era tendo
certeza de que eram ainda mais culpados do que ele era. Hoje em dia, eram eles que
roubavam a bebida, eles que espancavam o cara careca inconsciente no aeroporto antes de
roubar sua carteira, eles que pintavam susticas na sinagoga. Ele no necessariamente
confiava neles, nem ao menos gostava deles, mas eles sempre concordavam com seus
planos. Eles serviam para um propsito.

Atrs dele, Teddy e Lance continuavam a agir como os idiotas que eram, e sem Ronnie por
perto, Marcus estava impaciente. Ele no pretendia ficar sentado aqui a noite toda, fazendo
nada. Depois que Blaze voltasse, depois dele comer as batatas fritas, ele imaginou que iriam
perambular por a. Ver o que acontecia. Nunca se sabe o que pode acontecer num lugar
desse, numa noite dessa, numa multido dessa. Uma coisa ele tinha certeza: Depois do
show, ele sempre precisava de algo mais. O que quer que isso significasse.

Espiando pelos estandes de comida, ele viu Blaze pagando pelas batatas fritas, Ronnie logo
atrs dela. Ele olhou para Ronnie, de novo desejando que ela olhasse em direo a ele, e
eventualmente, ela olhou. Nada de mais, apenas uma rpida espiada, mas era o suficiente
para faz-lo se perguntar novamente como ela era na cama.

Provavelmente selvagem, ele pensou. A maioria delas era, com o certo tipo de
encorajamento.
Captulo 5 - Will

No importava o que ele estava fazendo, Will sempre podia sentir o peso do segredo que o
colocava para baixo. Superficialmente, tudo parecia normal: Nos ltimos seis meses, ele
tinha ido para suas aulas, jogou basquete, participou da formatura, graduou-se numa escola
elevada, college-bound*. No tinha sido tudo perfeito,  claro. Seis semanas atrs, ele havia
terminado com Ashley, mas no tinha nada haver com o que tinha acontecido naquela noite,
a noite que ele nunca poderia esquecer. Na maioria das vezes, ele foi capaz de manter a
memria bloqueada, mas de vez em quando, estranhamente, tudo isso voltou para ele com
fora visceral. As imagens nunca mudaram ou desapareceram, as imagens nunca ficaram
"borradas nas bordas". Como se v-lo com os olhos de outra pessoa, veria a si mesmo
correndo at a praia e peganda Scott enquanto olhava fixamente para o fogo ardente.
*(acho que  uma escola de l)

- Que diabos voc fez? - Lembrou-se de gritar.

- No  minha culpa!  Scott gritou de volta.

Foi s ento, entretanto, que perceberam que no estavam sozinhos.  distncia,
perceberam Marcus, Blaze, Teddy, e Lance, vendo-os , e ele sabia que eles tinham visto o
que aconteceu.

Eles sabiam...

Assim que Will pegou seu telefone, Scott o deteve.

- No chame a polcia! Eu lhe disse que foi um acidente!  Sua expresso era suplicante. 
Vamos, cara! Voc me deve!

Teve extensa cobertura de notcias nos primeiros pares de dias, e Will tinha assistido os
noticirios e leu os jornais, com o estmago dando ns. Foi um ato para disfarar um
incndio acidental. Talvez ele poderia ter feito isso. Mas algum tinha sido ferido naquela
noite, e ele sentiu um impulso doentio de culpa quando dirigia pelo local. No importou que a
igreja estava sendo reconstruda, ou que o pastor j havia sido liberado do hospital h muito
tempo, o que importava era que ele sabia o que tinha acontecido e no tinha feito nada
sobre isso.

Voc me deve...

Mais essas foram as palavras que o perseguiam.

No  simplesmente porque ele e Scott tinha sido melhores amigos desde o jardim de
infncia, mas por outra razo, razo mais importante. E s vezes, no meio da noite, ele
ficava acordando, odiando a verdade dessas palavras e desejando uma maneira de fazer as
coisas direito.

Estranhamente, foi o incidente no jogo de vlei no incio do dia que desencadeou as
lembranas deste tempo. Ou melhor, tinha sido a garota que colidiu com ele. Ela no estava
interessada em suas desculpas, ao contrrio da maioria das garotas por aqui, ela no tentou
mascarar sua raiva. Ela no chiou ou gritou, ela era auto-possessa de uma forma que o
atingiu instantaneamente de maneira diferente. Depois que ela foi embora, eles fecharam o
set e ele tinha que admitir que perdeu uns lances que normalmente no perderia. Scott havia
olhado furiosamente para ele e -- talvez por causa do jogo de luzes -- ele parecia
exatamente como na noite do incndio quando Will pegou seu celular para ligar para a
polcia. E isso foi o necessrio para reviver aquelas memrias.

Ele conseguiu segurar as pontas at eles ganharem o jogo, mas depois que o jogo acabou,
ele precisava de um tempo sozinho. Ento ele vagou pelas barraquinhas e parou em uma
das barraquinhas com preo absurdo e jogos impossveis de ganhar. Ele estava se
preparando para jogar uma das bolas muito cheias de basquete no aro um pouco alto
demais quando ouviu uma voz atrs dele

A est voc, Ashley disse. Voc estava evitando a gente?

Sim, ele pensou. Na verdade, ele estava.

No, ele respondeu. Eu no acerto uma bola desde que a temporada acabou, e eu queria
ver o quo enferrujado estou.

Ashley sorriu. Sua blusa tomara-que-caia branca, sandlias e balanantes brincos
realavam ao mximo seus olhos azuis e cabelos loiros. Ela mudou de roupa depois do
ltimo jogo do campeonato. Tpico; ela era a nica garota que ele conhecia que carregava
um visual completo para trocar como se fosse uma regra, mesmo quando ela estava na
praia. No baile de formatura em Maio, ela mudou de roupa trs vezes: um visual para o
jantar, outro para o baile e um terceiro para a ps-festa. Ela na verdade levou com ela uma
mala, e depois de prender seu corsage e posar para os fotgrafos, ele teve que carregar a
mala para o carro. Sua me no tinha achado estranho que ela fizesse uma mala como se
fosse viajar em vez de para um baile. Mas talvez isso fosse parte do problema. Uma vez
Ashley o levou para se vislumbrar dentro do closet de sua me; a mulher devia ter centenas
de diferentes pares de sapatos e milhares de diferentes peas de roupa. Um Buick* teria
cabido dentro daquele closet.
* tipo de automvel

No me deixe interromp-lo. Eu odiaria que voc perdesse um dlar.

Will se virou, e depois de se concentrar no aro, jogou a bola em direo a cesta. Ela vacilou
no aro e bateu no placar antes de cair dentro da cesta. Foi uma. Faltavam duas e ele
ganharia um prmio.

Quando a bola rolou para trs, o dono da barraquinha olhou de relance para Ashley. Ashley,
por sua vez, pareceu nem notar a presena do dele.

Quando a bola rolou pela rede de volta para Will, ele a pegou de novo e olhou para o dono
da barraquinha. Algum j ganhou hoje?

Claro. Muitos ganhadores hoje. Ele continuava a encarar Ashley enquanto respondia.
Nenhuma surpresa. Todo mundo sempre notava Ashley. Ela era como um brilhante letreiro
de neon para qualquer um com um pouco de testosterona.

Ashley deu um passo para frente, dando uma pirueta, e se apoiando contra a barraquinha.
Ela sorriu para Will de novo. Ashley nunca tinha sido sutil. Depois de ser coroada a rainha do
baile de boas-vindas, ela usou a tiara a noite toda.

Voc jogou bem hoje, ela disse. E seu saque est ficando muito melhor.

Obrigado, Will respondeu.

Acho que voc est quase to bom quanto Scott.

Sem chance, ele disse. Scott jogava vlei desde os seis anos; Will s comeou a jogar
depois do primeiro ano do colegial. Eu sou rpido e posso pular, mas eu no tenho as
jogadas completas que Scott tem.

S estou dizendo o que vi. Se focando no aro, Will soltou o ar, tentando relaxar antes de
jogar a bola. Era a mesma coisa que seu treinador sempre o dizia para fazer na linha do
lance livre, no que isso parecesse melhorar suas chances. Dessa vez, porm, a bola se
moveu com um chiado pela rede. Duas de dois.

O que voc vai fazer com o bichinho de pelcia que ganhar? ela perguntou.

Eu no sei. Voc o quer?

S se voc quiser me dar.

Ele sabia que ela queria que ele o oferecesse em vez dela ter que pedir pra ele. Depois de
dois anos juntos, havia poucas coisas que ele no sabia sobre ela. Will pegou a bola,
soltando o ar de novo e jogando sua ltima bola. Porm, essa ele jogou muito forte e ela
caiu para fora do aro.

Essa foi perto, o dono da barraquinha disse. Voc devia tentar de novo.

Eu sei quando sou derrubado.

Vou te dizer o seguinte. Eu desconto um dlar. Dois dlares por trs lances.

Est tudo bem.

Dois dlares e eu deixo os dois jogarem trs vezes. Ele segurou a bola, a oferecendo para
Ashley. Eu adoraria ver voc tentando.

Ashley encarou a bola, deixando bem bvio que ela nem ponderou tal idia. Que ela
provavelmente no tinha.

Acho que no, Will disse. Mas obrigada pela oferta. Ele se virou para Ashley. Voc sabe
se Scott ainda est por a?

Ele est na mesa com Cassie. Ou pelo menos era onde eles estavam quando eu vim
encontrar voc. Acho que ele gosta dela.

Will se dirigiu em direo  mesa, Ashley ao seu lado.

Ento ns estvamos conversando, Ashley disse, soando quase como casual, e Scott e
Cassie acham que talvez seja divertido se formos para minha casa. Meus pais esto em
Raleigh para algum evento com o governador, ento ns teramos a casa toda s pra gente.

Will sabia que isso ia acontecer. Acho que no, ele disse.

Por que no? No  como se alguma coisa excitante acontecesse por aqui.

Eu s acho que no  uma boa idia.

 porque ns terminamos? No  como se eu quisesse que ns voltssemos.

Que foi esse o motivo de voc ter ido ao torneio, ele pensou. E ter se arrumado hoje  noite.
E vir me encontrar. E sugerido de irmos para sua casa, desde que seus pais no esto l.
Mas ele no disse essas coisas. Ele no estava com humor para discutir, nem queria fazer
as coisas mais difceis do que j eram. Ela no era uma m pessoa; s no era para ele.

Eu tenho que estar cedo no trabalho amanh de manh, e eu passei o dia todo jogando
vlei no sol, ele disse, em vez disso. Eu s quero ir dormir.

Ela segurou o brao dele, o fazendo parar. Por que voc no atende as minhas ligaes?

Ele no disse nada. No havia nada que ele pudesse dizer.

Eu quero saber o que fiz de errado, ela exigiu.

Voc no fez nada errado.

Ento  isso?

Quando ele no respondeu, ela deu um suplicante sorriso. S venha at minha casa e
conversaremos sobre isso, okay?

Ele sabia que ela merecia uma resposta. O nico problema era que era uma resposta que
ela no queria ouvir.

Como eu disse, s estou cansado.
Voc est cansado, Scott disse num tom de voz alto. Voc disse para ela que voc est
cansado e queria ir dormir?

Algo assim.

Voc est louco?

Scott o encarou do outro lado da mesa. Cassie e Ashley tinham ido para o per conversar,
sem dvida dissecando tudo que Will disse para Ashley, adicionando um desnecessrio
drama  situao que provavelmente deveria ser mantida em particular. Com Ashley, porm,
sempre havia drama. Ele teve a sbita sensao de que o vero iria ser longo.

Eu estou cansado, Will disse. Voc no est?

Talvez voc no ouviu o que ela estava sugerindo. Eu e Cassie, voc e Ashley? Casa dos
pais delas na praia?

Ela mencionou isso.

E ainda estamos aqui porque...?

Eu j te disse.

Scott balanou a cabea. No... veja, foi a que voc me perdeu. Voc usa a desculpa
Estou cansado` quando seus pais querem que voc lave o carro, ou quando eles te
mandam acordar para ir  igreja. No quando se trata de uma oportunidade como essa.

Will no disse nada. Apesar de Scott ser um ano mais novo -- ele vai para o terceiro ano na
Laney High School no outono -- ele frequentemente agia como se fosse o irmo mais velho
e mais esperto de Will.

Exceto naquela noite na igreja...

Est vendo o cara ali na barraquinha de basquete? Agora ele, eu entendo. Ele fica em p ali
o dia todo tentando fazer as pessoas jogarem para ele ganhar um pouco de dinheiro e
comprar cerveja e alguns cigarros no fim do turno. Simples. Sem complicaes. No meu
tipo de vida, mas uma que eu entendo. Mas voc, eu no entendo. Quero dizer... voc viu
Ashley hoje? Ela est linda. Ela parece aquela garota da Maxim.

E...?

Meu ponto , ela  gostosa.

Eu sei. Estivemos juntos por uns dois anos, se lembra?

E eu no estou dizendo que voc tem que voltar com ela. Tudo que estou sugerindo  de
ns quatro irmos para a casa dela, nos divertimos um pouco, e ver o que acontece.

Scott se inclinou para trs em sua cadeira. E por sinal? Eu ainda no entendo o porqu de
voc ter terminado com ela, em primeiro lugar.  bvio que ela ainda est a fim de voc, e
vocs dois sempre pareceram perfeitos juntos.

Will sacudiu a cabea. No ramos perfeitos juntos.

Voc disse isso antes, mas o que isso significa? Ela , tipo... psicopata ou alguma coisa
assim quando vocs dois esto sozinhos? O que aconteceu? Voc a encontrou em p ao
seu lado com uma faca de aougueiro, ou ela uivou para a lua quando vocs foram  praia?

No, nada assim. S no deu certo, isso  tudo.

S no deu certo, Scott repetiu. Voc pode ao menos ouvir a si mesmo?

Quando Will no demonstrou nenhum sinal de compaixo, Scott se inclinou sobre a mesa.
Vamos, cara. Faa isso por mim, ento. Viva um pouco. Estamos em frias de vero.
Escolha um para o time.
Agora voc soa desesperado.

Eu estou desesperado. Ao menos que voc concorde de ir com a Ashley hoje, Cassie no
vai comigo. E ns estamos falando sobre a garota que est pronta para Romance the
Stone*'. Ela quer Free Willy`**.
* um filme de romance
** outro filme que todo mundo conhece e se fosse traduzir aqui seria Liberar o Willy. No
texto em ingls faz mais sentido

Eu sinto muito. Mas no posso te ajudar.

timo. Destra minha vida. Quem liga, certo?

Voc vai sobreviver. Ele pausou. Voc est com fome?

Um pouco, Scott resmungou.

Venha. Vamos arrumar alguns x-burgers.

Will se levantou da mesa, mas Scott continuou sentado. Voc precisa praticar seu
levantamento, ele disse, se referindo aos jogos de vlei mais cedo. Voc estava mandando
a bola para todos os lados. Eu fiz tudo que podia para nos manter nos jogos.

Ashley me disse que eu estava to bom quanto voc.

Scott bufou e se levantou da mesa. Ela no sabe do que estava falando.

Aps ficarem na fila da comida, Will e Scott andaram at o estande de condimentos, onde
Scott ensopou seu hambrguer com catchup. Ele apertou os lados enquanto Scott colocava
o po de volta.

Isso  nojento, Will comentou.

Ento veja isso. Tem esse cara chamado Ray Kroc e ele comeou uma empresa chamada
McDonald`s. J ouviu falar dela? Enfim, em seu hambrguer original -- em suas diversas
formas do original hambrguer americano, voc imagina -- ele insistiu em adicionar catchup.
Que eu devo lhe dizer o quanto isso  importante para o gosto em geral.

Continue falando. Voc est to fascinante. Estou indo pegar alguma coisa pra beber.

Poderia me trazer uma garrafa d`gua?

Enquanto Will se distanciava, algo branco passou por ele, em direo ao Scott; Scott
tambm viu, e instintamente saiu do caminho, derrubando seu x-burger no processo.

O que diabos voc pensa que est fazendo? Scott exigiu, girando o corpo. No cho estava
uma caixa com batatas-fritas. Atrs dele, Teddy e Lance tinham as mos em seus bolsos.
Marcus em p entre eles, fracassando ao tentar parecer inocente.

Eu no sei do que voc est falando, Marcus respondeu.
Disso! Scott rosnou, chutando a caixa de volta para eles. Foi o tom, Will mais tarde pensou,
que fez todos em volta deles ficarem tensos. Will sentiu o cabelo em sua nuca formigar com
o evidente, quase fsico deslocamento do ar e espao, um tremor que prometia violncia.

Violncia que Marcus obviamente queria...

Como se ele estivesse mordendo a isca.

Will viu um pai segurar seu filho e se afastar, enquanto Ashley e Cassie, no per,
congelaram. De lado, Will reconheceu Galadriel -- que chamava ultimamente a si mesma de
Blaze -- circulando por perto.

Scott os encarou, sua mandbula trincada. Sabe, estou ficando cansado de voc.

O que voc vai fazer? Marcus deu um falso sorriso. Soltar um foguete de artifcio em
mim?

Isso foi o necessrio. Enquanto Scott deu um sbito passo para frente, Will abriu
freneticamente seu caminho entre a multido, tentando alcanar seu amigo a tempo.

Marcus no se moveu. Nada bom. Will sabia que ele e seus amigos eram capazes de
qualquer coisa... e o pior de tudo, eles sabiam o que Scott havia feito...

Mas Scott, em fria, no pareceu se importar. Enquanto Will se agitava para frente, Teddy e
Lance se espalharam, atraindo Scott para o meio deles. Ele tentou diminuir a distncia, mas
Scott se movia muito rpido, e de repente tudo pareceu acontecer ao mesmo tempo. Marcus
deu um meio passo para trs enquanto Teddy chutou um banco, forando Scott a sair do
caminho. Ele esbarrou em uma mesa, a derrubando no cho. Scott recuperou seu equilbrio
e fechou suas mos em punhos. Lance se aproximou pelo lado. Enquanto Will abria
caminho a sua frente, ganhando velocidade, ele vagamente ouviu os gemidos de uma
criana. Se livrando da multido, ele se virou para Lance quando do nada uma garota se
aproximou da briga.

Apenas parem! a garota gritou, abrindo os braos. Parem com isso! Todos vocs! Sua
voz era surpreendentemente forte e autoritria, o suficiente para fazer Will parar. Todo
mundo congelou, e no repentino silncio, os choros da criana pareceram estridentes. A
garota girou, olhando furiosamente para cada participante da briga, e assim que Will viu a
mecha roxa em seu cabelo, ele percebeu exatamente onde ele a tinha visto antes. S que
agora ela estava vestindo uma blusa enorme com um peixe na frente.

A briga acabou! No vai ter briga! Voc no viu que esse menino est machucado?

Os desafiando a contradiz-la, ela se afastou de Scott e Marcus e se inclinou para o menino
chorando, que havia sido derrubado no meio da confuso. Ele tinha trs ou quatro anos, e
sua blusa era cor de abbora. Quando a garota falou com ele, sua voz era suave, seu
sorriso tranquilizador.

Voc est bem, querido? Onde est sua me? Vamos encontr-la, okay?

O menino parece momentaneamente focado na blusa dela.
Esse  o Nemo, ela disse. Ele tambm se perdeu. Voc gosta do Nemo?

Do lado, uma apavorada mulher segurando um beb abria caminho entre a multido,
esquecendo a tenso no ar. Jason? Onde est voc? Voc viu um menino? Cabelos loiros,
blusa abbora?

Alvio passou pelo seu rosto assim que o avistou. Ela ajeitou o beb em seu quadril
enquanto corria para o lado do menino.

Voc no pode correr assim, Jason! ela gritou. Voc me assustou. Voc est bem?

Nemo, ele disse, apontando para a garota.

A me se virou, notando a garota pela primeira vez. Obrigada, ele simplesmente sumiu
quando eu estava trocando a fralda do beb e--

Est tudo bem, a garota disse, sacudindo a cabea. Ele est bem. Will observou a me
levar seus filhos embora, ento se voltou para a garota, notando o modo que ela sorria
enquanto o menino se afastava. Entretanto, uma vez que eles se afastaram o suficiente, a
garota pareceu de repente perceber que todos olhavam para ela. Ela cruzou seus braos,
autoconsciente quando a multido comeou a se dispersar por causa do policial que se
aproximava rapidamente.

Marcus murmurou depressa alguma coisa para Scott antes de se misturar na multido.
Teddy e Lance fizeram o mesmo. Blaze se virou para segui-los, e surpreendendo Will, a
garota com a mecha roxa alcanou seu brao.

Espera! Onde vocs esto indo? ela gritou.

Blaze libertou seu brao, andando para trs. Bower`s Point.

Aonde  isso?

S desa a praia. Voc vai encontrar. Blaze se virou e correu atrs de Marcus.

A garota pareceu no ter certeza do que fazer. At que a tenso, to abundante h apenas
alguns minutos, foi se dispersando to rpido quanto apareceu. Scott ajeitou a mesa e se
aproximou de Will assim que a garota foi abordada por um homem que ele presumiu ser seu
pai.

A est voc! Ele gritou com uma mistura de alvio e exasperao. Estivemos procurando
por voc. Est pronta pra ir?

A garota, que estava observando Blaze, estava obviamente triste por v-lo.

No, ela simplesmente disse. Com isso, ela caminhou pela multido, se dirigindo  praia.
Um menino acompanhava o pai.

Acho que ela no est com fome, o menino disse.

O homem colocou sua mo no ombro do menino, observando enquanto ela descia os
degraus at a praia sem olhar para trs. Acho que no, ele disse.

Voc pode acreditar nisso? Scott se enfureceu, tirando a ateno de Will da cena que ele
estava observando to de perto. Scott ainda estava agitado, a adrenalina em alta. Eu
estava para encurralar aquele maluco.

Uh... , ele respondeu. Ele sacudiu a cabea. No tenho certeza de que Teddy e Lance
teriam deixado.

Eles no teriam feito nada. Aqueles caras so s figurao. Will no tinha certeza disso,
mas no disse anda.

Scott respirou fundo. Se controla. O policial est vindo.

O policial se aproximou deles lentamente, tentando obviamente medir a situao.

O que est acontecendo aqui? Ele exigiu.

Nada, Policial, Scott respondeu, parecendo srio.

Ouvi que estava tendo uma briga.

No, senhor.

O policial esperou por mais, sua expresso ctica. Nem Scott ou Will disseram mais nada.
At ento, a rea estava cheia de pessoas cuidando de suas coisas. O policial inspecionou a
cena, tendo certeza que no deixava nada passar, ento de repente ficou de queixo cado
com o reconhecimento de algum parado atrs de Will.

Steve,  voc? ele gritou.

Will observou enquanto ele caminhava em direo ao pai da garota.

Ashley e Cassie se aproximaram deles hesitantes. O rosto de Cassie ruborizado. Voc est
bem? perguntou indecisa.

Estou bem, Scott respondeu.

Aqueles caras so loucos. O que aconteceu? No vi como comeou.

Ele jogou alguma coisa em mim, e eu no ia deixar isso assim. Estou cansado do modo que
aquele cara age. Ele pensa que todo mundo tem medo dele e por isso pode fazer o que
quiser, mas da prxima vez que ele tentar alguma coisa, no vai ser bonito...

Will se desligou dele. Scott sempre falou muito; ele fazia a mesma coisa durante as partidas
de vlei, e Will aprendeu h um tempo a ignor-lo.

Ele se virou, prestando ateno no policial conversando com o pai da garota, se
perguntando por que a garota tinha se empenhado tanto para escapar de seu pai. E por que
ela estava saindo com Marcus. Ela no era como eles, e ele de alguma forma duvidou que
ela soubesse onde estava se metendo. Enquanto Scott continuava falando, garantindo
Cassie que conseguiria facilmente ter lidado com os trs, Will se viu tentando ouvir a
conversa do policial com o pai da garota. Oh, hey, Pete, o pai disse. Como vai?

Como sempre, o policial respondeu. Fazendo o meu melhor para manter as coisas sob
controle por aqui. Como a janela est indo?

Lenta.

Foi o que me disse da ltima vez que perguntei.

, mas agora eu tenho uma arma secreta. Esse  meu filho, Jonah. Ele ser meu assistente
esse vero.

? Bom para voc, garotinho... Sua filha supostamente no viria tambm?

Ela est aqui, o pai disse.

, mas ela foi embora de novo, o menino adicionou. Ela est bem irritada com o papai.

Sinto muito ouvir isso.

Will observou o pai apontar em direo  praia. Voc tem alguma idia pra onde eles
podem estar indo?

O policial cerrou os olhos enquanto mapeava a linha da gua. Pode ser qualquer lugar. Mas
alguns desses garotos no so coisa boa. Especialmente Marcus. Confie em mim, voc no
a quer em companhia dele.

Scott ainda se gabava para Cassie e Ashley. O bloqueando, Will de repente sentiu a
urgncia de chamar o policial. Ele sabia que no cabia a ele dizer nada. Ele no conhecia a
garota, no sabia porque ela o atacou, em primeiro lugar. Talvez ela tivesse um bom motivo.
Mas enquanto ele via a preocupao no rosto de seu pai, ele se lembrou da pacincia e da
bondade quando ela resgatou o menino, e as palavras saram antes que pudesse se
impedir.

Ela foi para o Bower`s Point, ele anunciou. Scott parou de falar no meio da frase, e Ashley
se virou para ele franzindo as sobrancelhas. Os outros trs o estudaram duvidosos.

Sua filha, certo? Quando o pai acenou levemente, ele continuou. Ela est indo para o
Bower`s Point.

O policial continuou o encarando, ento se virou para o pai. Quando eu terminar por aqui,
eu vou falar com ela e ver se a conveno a voltar para casa, okay?

Voc no precisa fazer isso, Pete.

O policial continuou estudando o grupo  distncia. Eu acho que nesse caso,  melhor eu
ir.

Inexplicavelmente, Will sentiu uma estranha onda de alvio. Isso deve ter estado na cara,
porque quando ele se voltou para seus amigos, todos estavam o encarando.
O que diabos foi isso? Scott exigiu.

Will no respondeu. Ele no podia, porque ele realmente no entendeu a si mesmo.
Captulo 6 - Ronnie

Em circunstncias normais, provavelmente Ronnie teria apreciado uma noite como esta. Em
Nova York, as luzes da cidade tornaram impossvel de ver muitas estrelas, mas aqui, foi
justamente o oposto. Mesmo com a camada de nvoa marinha, ela podia distinguir
claramente a Via Lctea, e diretamente para o sul, Vnus brilhava intensamente. As ondas
caam e rolavam ritmicamente ao longo da praia, e no horizonte, podia ver a luz tnue de
uma meia dzia de barcos de camaro.

Mas as circunstncias no eram normais. Como ela estava na varanda, ela olhou para o
oficial, inacreditavelmente plida.

No, muda isso. Ela no estava apenas plida. Ela estava fervendo. O que tinha que
acontecer era assim... super protetora, assim por cima, ela ainda poderia process-lo mal.
Seu primeiro pensamento foi simplesmente pedir carona at a rodoviria e comprar uma
passagem de volta para Nova York. Ela no contaria para seu pai ou sua me; ela chamaria
Kayla. Uma vez estando l, ela iria descobrir o que fazer em seguida. No importa o que ela
decidiu, no poderia ser pior que isso.

Mas isso no foi possvel. No com o oficial Pete aqui. Ele ficou atrs dela agora,
certificando-se que ela entrou.

Ela ainda no conseguia acreditar. Como poderia o pai dela  prprio pai dela de corpo-e-
sangue  fazer algo assim?

Ela era quase uma adulta, ela no estava fazendo nada de errado, e no era meia-noite.
Qual era o problema? Por que ele tem que transformar isso em algo muito maior do que
era? Ah, claro, na primeira o oficial Pete tinha feito o som similar ao que tinha sido com um
ordinrio, run-of-the-mill(que denota a liberdade para vaguear em torno) ordem para
desocupar o seu lugar no Bower`s Point  algo que no surpreendeu os outros, mas ento
ele virou-se para ela. Especificamente zeraram.

Estou levando voc para casa., ele disse, fazendo som como se ela tivesse oito anos.

No, obrigada., ela respondeu.

 Ento terei que prend-la por acusaes de vadiagem, e seu pai leva voc para casa.

 claro que seu pai havia pedido para traz-la para casa, e houve um instante em que ela
ficou congelada em mortificao. Claro, ela teve problemas com sua me, e sim, ela tinha
estourado o seu toque de recolher de vez em quando. Mas nunca, nunca, nem se quer uma
vez, sua me mandou a polcia atrs dela.

Na varanda, o oficial intrometeu em seus pensamentos.  V em frente., ele alertou,
tornando-o bastante claro que se ela no abrir a porta, ele mesmo faria.

De dentro, ela podia ouvir sons suaves do piano, e ela reconheceu a sonata de Edvard Grieg
Sonata em Mi Menor. Ela respirou fundo antes de abrir a porta, e fechou atrs dela.
Seu pai parou de tocar e olhou para cima como ela olhou para ele.

 Voc mandou a polcia ir atrs de mim?

Seu pai no disse nada, mas seu silncio era suficiente.

 Por que voc faria algo assim?, ela perguntou.  Como voc poderia fazer algo assim?

Ele no disse nada.

 O que  isso? Voc no quer que eu me divirta? Voc no confia em mim? Voc no sabe
que eu no quero ficar aqui?

Seu pai cruzou as mos em seu colo. Eu sei que voc no quer estar aqui...

Ela deu um passo para frente, ainda gritando. Ento, voc decidiu que quer arruinar minha
vida tambm?

 Quem  Marcus?

 Quem se importa!, ela gritou. Isso no  o ponto! Voc no vai monitorar cada pessoa
que eu sempre conversar, ento nem tente!

Eu no estou tentando-

 Eu odeio estar aqui! Voc no conseguiu isso? Eu te odeio tambm! Mas seu pai no
disse nada, como de costume. Ela odiava esse tipo de fraqueza. Furiosa, ela atravessou a
sala para a alcova*, ela pegou a foto dela tocando piano - com seu pai ao seu lado no banco
- e atirou-a atravs da sala. Embora ele se encolheu ao som de vidro quebrando, ele
permaneceu quieto.
*Alcova: Um espao pequeno recesso, abrindo diretamente para uma sala maior.

 O que? Nada a dizer?

Ele limpou a garganta.  Seu quarto  a primeira porta  direita.

Ela no queria nem engrandecer seu comentrio com uma resposta, ento ela invadiu o
corredor, determinada a no ter mais nada haver com ele.

 Boa noite, querida, ele gritou. Eu te amo.

Houve um momento, apenas um momento, quando ela se encolheu por causa do que disse
a ele, mas seu arrependimento desapareceu to rapidamente como tinha chegado. Era
como se ele no tivesse sequer percebido que ela tinha ficado com raiva: Ela ouviu ele
comear a tocar piano de novo, pegando exatamente de onde ele parou.

No quarto  no difcil de encontrar, considerando que h apenas trs portas fora do
corredor, uma para o banheiro e outra para o quarto de seu pai  Ronnie ligou a luz. Com
um suspiro frustrado, ela tirou a camisa ridcula do Nemo que quase esquecia que estava
usando.
Tinha sido o pior dia de sua vida.

Oh, ela sabia que estava sendo melodramtica sobre a coisa toda. Ela no era estpida.
Ainda assim, no havia sido to importante. Sobre a nica coisa boa de sair por todo o dia
foi as reunies de Blaze, que deu esperana de que ela teria pelo menos uma pessoa para
passar mais tempo neste vero.

Supondo,  claro, que Blaze ainda queira passar um tempo com ela. Depois da pequena
faanha do papai, mesmo estando incerta. Blaze e o restante deles provavelmente ainda
falariam sobre isso. Provavelmente iro rir sobre isso.

Era o tipo de coisa que Kayla guardaria por anos.

A coisa toda deixou ela com dor no estmago. Ela jogou a camisa do Nemo no canto  se
ela nunca viu isso de novo, seria muito cedo  e comeou a tirar sua camisa do concerto.

 Antes de ser colocado para fora, voc deve saber que eu estou aqui.

Ronnie pulou com o som, girando ao redor para ver Jonah olhando para ela.

 Saia!, Ela gritou.  O que voc est fazendo aqui? Este  o meu quarto.

 No,  o nosso quarto., Jonah disse. Ele apontou.  Viu? Duas camas. Ele inclinou a
cabea para o lado.  Voc vai dormir no quarto do papai?

Ela abriu a boca para responder, antes considerou mudar para a sala, mas rapidamente
percebeu o que tinha acontecido l e no vai de novo, em seguida, fechou a boca sem dizer
uma palavra. Ela andou at sua mala, colocou no alto, e abriu a tampa. Anna Karenina*
estava em cima, ela jogo-a de lado, em busca de seu pijama.
*Anna Karenina: Marca de roupas.

 Eu fui na roda-gigante.disse Jonah.  Foi muito legal ficar to no alto. Assim  como eu e
papai te encontramos.

 timo.

 Foi incrvel. Voc no quis ir?

 No.

 Voc deveria ir. Eu podia ver todo o caminho at Nova York.

 Eu duvido.

 Eu podia. Eu posso ver muito de longe. Com os meus culos, eu quero dizer. Papai disse
que eu tenho olhos de guia.

 Sim, claro.

Jonah no disse nada. Em vez disso, ele pegou o ursinho que ele tinha trazido de casa. Foi
o que ele agarrou quando estava nervoso, e Ronnie estremeceu, lamentando suas palavras.
s vezes, a forma como ele fala  como se fosse um adulto, mas como ele puxou o urso
para o seu peito, ela sabia que no deveria ser to dura. Apesar de ser precoce, ainda que
fosse verbalmente a ponto de contrariar s vezes, ele era pequeno para a sua idade, era
mais o tamanho de uns seis ou sete anos do que uma criana de dez anos de idade. Nunca
tinha sido fcil para ele. Ele nascera trs meses prematuramente, e ele sofria de asma,
problema de viso e falta de coordenao motora fina. Ela sabia que as crianas de sua
idade poderiam ser cruis.

 Eu no quis dizer isso.Com seus culos, voc definitivamente tem olhos de guia.

 Sim, eles esto muito bem agora., ele murmurou, mas quando ele se virou e encarou a
parede, ela estremeceu novamente. Ele era um garoto doce. Uma dor na bunda s vezes,
ela sabia que ele no tinha um osso.

Ela foi at sua cama e sentou ao lado dele. Hey, ela disse.  Me desculpe. Eu no quis
dizer isso. Eu tive apenas uma noite ruim.

 Eu sei., disse ele.

 Voc foi em outros brinquedos?

 Papai me levou na maioria deles. Ele quase ficou doente, mas eu no. E eu no me
assustei na casa mal assombrada. Eu podia ver que os fantasmas eram falsos.

Ela bateu-lhe no quadril.  Voc sempre foi muito corajoso.

 Sim., ele disse.  Como naquela poca, quando as luzes se apagaram no apartamento?
Voc estava com medo naquela noite.Embora, eu no estava com medo.

 Eu me lembro. Ele parecia satisfeito com sua resposta. Mas ento ele ficou quieto, e
quando falou de novo, sua voz era um pouco mais que um sussurro.  Voc sente falta da
mame?

Ronnie alcanou os cobertores.  Sim.

 Eu meio que sinto falta dela, tambm. E eu no gosto de ficar aqui sozinho.

 Papai est no outro quarto., ela disse.

 Eu sei. Mas de qualquer maneira, estou feliz que voc chegou em casa.

 Eu tambm.

Ele sorriu antes de olhar preocupado de novo.  Voc acha que mame est bem?

 Ela est bem., assegurou ela. Ela puxou as cobertas.  Mas eu sei que ela tambm sente
sua falta.

De manh, com o sol espreitando atravs das cortinas, Ronnie demorou alguns segundos
para perceber onde estava. Ela piscou para o relgio, e pensou, Voc deve estar brincando
comigo.
Oito horas? De manh? No vero?

Ela jogou-se de volta, apenas para encontrar-se olhando para o teto, j sabendo que sono j
estava fora de questo. No com o sol atirando punhais atravs das janelas. No com o seu
pai j martelando o piano na sala. Ela de repente lembrou-se do que havia acontecido na
noite passada, a raiva que sentia do seu pai ressurgiu.

Bem-vindo a mais um dia no paraso. No exterior da janela, ela ouviu um barulho distante de
motores. Ela levantou-se da cama e puxou a cortina, s para saltar para trs, assustada com
a viso de um guaxinim sentado em cima de um saco de lixo rasgado. Enquanto o lixo
espalhado era grotesco, o guaxinim era bonitinho, e ela bateu no vidro, tentando obter sua
ateno.

Foi s ento que percebeu as grades na janela.

Barras. Na. Janela.

Armadilha.

Rangeu seus dentes, deu meia-volta e marchou em direo  sala. Jonah estava assistindo
desenhos animados e comia uma tigela de cereais, seu pai olhou para cima e continuou a
tocar.

Ela ps a mo na cintura, esperando que ele pare. Ele no o fez. Ela notou que a imagem
que ela tinha jogado estava de volta no lugar em cima do piano, embora sem o vidro.  Voc
no pode me manter trancada todo o vero., ela disse.  Isso no vai acontecer.

Seu pai olhou para cima e continuou tocando.  Do que voc est falando?

 Voc colocou grades nas janelas! Como seu eu fosse sua prisioneira?

Jonah continuou assistindo seu desenho animado.  Eu lhe disse que ela ficaria louca. , ele
comentou.

Steve balanou a cabea, as mos se movendo sobre o teclado.  Eu no coloquei elas.
Elas vieram com a casa.

 Eu no acredito em voc.

 Ele no tirou., Jonah disse.  Para preservar a arte.

 Eu no estou falando com voc, Jonah!, ela voltou para seu pai. Vamos comear direito.
Voc no vai gastar este vero me tratando como se eu fosse uma menina! Eu tenho
dezoito anos!

 Voc no vai ter dezoito anos at o dia vinte de agosto., disse Jonah atrs dela.

 No gostaria de ficar fora dessa!, ela girou em volta para enfrent-lo.  Isso  entre mim e
meu pai.
Jonah franziu a testa.  Mas voc ainda no tem dezoito.

 Isso no  o ponto!

 Eu pensei que voc tinha esquecido.

 Eu no me esqueci! Eu no sou estpida.

 Mas voc disse 
"Voc pode fechar a boca por um segundo?", Disse ela, incapaz de esconder a sua
exasperao. Ela virou-se para olhar para seu pai, que tinha continuado a tocar, nunca
faltando nenhuma nota.  O que voc fez na noite passada foi... Ela parou, incapaz de dizer
tudo que estava acontecendo, tudo que tinha acontecido, em palavras.  Eu sou velha o
suficiente para fazer minhas prprias decises. No v isso? Voc deu-se o direito de me
dizer o que fazer quando voc saiu pela porta. E voc, por favor me escute! "

De repente, seu pai parou de tocar.

 Eu no gosto desse joguinho que voc est fazendo.

Ele parecia confuso. Que jogo?

 Isso! Tocar piano a cada minuto que estou aqui! No importa o quanto voc me quer ver
tocar! Eu nunca vou tocar piano novamente! Especialmente para voc!

Certo.

Ela esperou por mais, mas no havia mais nada.

 S isso?, ela perguntou.  Isso  tudo que voc vai me dizer?

Seu pai parecia se debater para responder.  Voc quer caf da manh? Fiz alguns bacons.

"Bacon?", ela perguntou. "Voc fez bacon?"

"Uh-oh", disse Jonas.

Seu pai olhou para Jonas.

"Ela  um vegetariana, papai", explicou.

"Srio?", Perguntou ele.

Ronnie olhou para eles com espanto, querendo saber como a conversa tinha sido
sequestrada.

Esta no foi a do bacon, foi do que aconteceu ontem a noite.  Vamos direto ao assunto.,
ela disse.  Se voc mandar a polcia para me trazer para casa outra vez, eu no vou s
recusar o piano.Eu no vou para casa. Eu nunca, nunca vou falar com voc de novo. E se
voc no acredita em mim, tente. Eu j fiquei trs anos sem falar com voc, e foi a coisa
mais fcil que eu j fiz.

Com isso, ela voltou para seu quarto. Vinte minutos depois, aps o banho e a troca de
roupa, ela estava porta a fora.

O seu primeiro pensamento enquanto andava na areia  que ela deveria ter shorts
desgastados.

J estava quente, o ar denso de umidade. De cima at em baixo na praia, as pessoas j
estavam deitadas em toalhas ou praticando surf. Perto do per, ela viu meia dzia de
surfistas flutuando em suas pranchas, esperando a onda perfeita.

Acima deles, na cabea do per, o festival no existia mais. Os brinquedos foram
desmontados e as barracas foram levadas embora, deixando para trs apenas lixo e restos
de alimentos espalhados. Afastando-se, ela passou pelo distrito da cidade e pequenas lojas.
Nenhuma das lojas foram abertas ainda, mas a maioria era do tipo de loja de praia turstica e
ela nunca ps os ps em qualquer uma, um par de lojas de roupas especializadas em saias
e blusas que sua me poderia usar, e um Burger King e McDonald`s, duas lojas que ela se
recusou a entrar de princpio. Incluindo um hotel e meia dzia de bares e restaurantes de
alto nvel, eram muito bonitos. No final, os locais interessantes foram apenas uma loja de
surf, uma loja de msica, e uma antiquada lanchonete onde ela poderia imaginar saindo com
os amigos... mesmo no tendo nenhum.

Ela voltou para praia ignorando as dunas, observando que as multides se multiplicaram. Foi
um dia lindo e arejado, o cu era um azul profundo, sem nuvens. Se Kayla estivesse aqui,
ela gostaria de passar o dia ao sol, mas Kayla no estava aqui e ela no estaria prestes a
colocar seu traje e sentar-se sozinha. Mas o que mais pode se fazer?

Talvez ela deve tentar conseguir um emprego. Lhe daria uma desculpa para estar fora a
maior parte do tempo.Ela no tinha visto nenhum  Precisamos de ajuda no centro das
janelas, mas algum teria ser a contratao, certo?  Voc tinha que fazer isso em casa,
certo? Ou ser que o policial fez um passe para voc?

Olhando por trs dela , Ronnie viu Blaze vesga para sair da duna. Perdida em pensamentos,
ela ainda no tinha notado ela.

 No, ele no fez passe para mim.

 Ah, ento voc fez um passe para ele?

Ronnie cruzou os braos.  Como assim?

Blaze encolheu os ombros, sua expresso maliciosa, e Ronnie sorriu.

 Ento o que aconteceu depois que eu sai? Alguma coisa excitante?

 No. Os caras saram e eu no sei aonde eles foram. E eu apenas sa do Bower`s Point.

 Voc no vai para casa?

 No., ela levantou-se, sacudindo a areia de seu jeans.  Voc tem algum dinheiro?
Por qu?

Blaze ficou reta.  Eu no tenho comido desde a manh de ontem. Eu estou com fome.
Captulo 7 - Will


Will em baixo da Ford Explorer* em seu uniforme, observando o vazamento de leo
simultaneamente, fazendo o seu melhor para ignorar Scott, coisa fcil de dizer do que fazer.
Scott tinha ido discursar sobre a noite anterior a ele, desde que eles chegaram para
trabalhar naquela manh.
*Ford Explorer(Um Carro) : http://pt.wikipedia.org/wiki/Ford_Explorer

Olha, voc estava pensando tudo errado sobre isso, Scott continuou, ainda tentando outro
rumo. Ele foi buscar trs latas de leo e colocou na prateleira ao lado dele.  H uma
diferena entre fazer sexo e voltar a ficar juntos.

 Ns ainda no acabamos com isso?

 Ns acabaramos se voc tivesse alguma percepo. Mas de onde estou,  bvio que voc
se confundiu. Ashley no quer voltar com voc.

Eu no estava confuso, Will disse. Ele limpou as mos em uma toalha.  Isso  exatamente
o que ela estava pedindo.

 Isso no  o que Cassie me disse.

Ele abandonou a toalha e pegou sua garrafa de gua. O pai dele tem uma loja especializada
em reparos de freios, troca de leo, troca de peas, troca e alinhamento de pneus, e seu pai
sempre quis o lugar para ver se o piso havia sido encerado e agora o local abriu para os
negcios. Infelizmente, o ar condicionado no tinha sido to importante para ele, e no vero,
a temperatura estava em algum lugar entre o Mojave e o Sahara. Ele tomou um longo gole,
terminando a garrafa antes de tentar passar para Scott novamente. Scott est longe de ser a
pessoa mais teimosa que ele j tinha conhecido. O cara podia levar nozes a srio.

 Voc no conhece Ashley como eu. Ele suspirou.  E, alm disso, isso comeou e acabou.
Eu no sei por que voc continua falando sobre isso.

 Voc quer dizer alm do fato que Harry no conhecia Sally na noite passada? Porque eu
sou seu amigo e me importo com voc. Eu quero que voc aproveite este vero. Eu quero
aproveitar este vero. Eu quero aproveitar Cassie.

 Ento saia com ela, depois.

 Como se fosse to fcil. Olha, na noite passada eu sugeri a mesma coisa. Mas Ashley
ficou to chateada que Cassie no queria deix-la.

Eu estou realmente triste por no dar certo.

Scott estava incerto.  Yeah, eu posso dizer.

Por aquele ponto, havia escorrido leo. Will pegou as latas e levantou-se enquanto Scott em
baixo para substituir o plug e despejar o leo usado no barril de reciclagem. Enquanto Will
abria a lata e ajeitava o funil, ele olhou para Scott em baixo.  Ei, por falar nisso, voc viu a
garota que parou a briga?, perguntou ele. A que ajudou o menino encontrar sua me?

Levou um momento para registrar as palavras.  Quer dizer a garota vampiro com a camisa
de desenho animado?

 Ela no  um vampiro.

 Sim, eu a vi. No pequeno lado, tinha uma feia camada roxa no cabelo dela, unha com
esmalte preto? Voc derramou refrigerante nela, lembra? Ela pensou que voc cheirou.

 O qu?

 Eu s estou dizendo, ele disse, pegando a lata.  Voc no notou sua expresso depois
que bateu nela, mas eu vi. Ela no podia ficar longe de voc o suficiente. Portanto, voc
provavelmente cheirou.

 Ela teve que comprar uma camisa nova.

 Ento?

Will acrescentou a segunda lata.  Eu no sei. Ela s me surpreendeu. E eu nunca a vi por
aqui antes.

 Repito: Ento?

A coisa era, Will no estava exatamente certo por que estava pensando na garota.
Especialmente considerando o quo pouco ele sabia sobre ela. Sim, ela era bonita - ele
notou logo depois, apesar do cabelo roxo e a mscara escura  mas a praia estava cheia de
garotas bonitas. Tambm no era o jeito que ela parou a briga depois. Em vez disso, ele
continuava voltando  forma como ela tratou o menino que tinha cado. Ele vislumbrou uma
ternura surpreendente de baixo da sua aparncia rebelde, e ela havia despertado sua
curiosidade.

Ela no era como Ashley em tudo. No era que Ashley era uma m pessoa, porque ela no
era. Mas havia algo superficial sobre Ashley, mesmo que Scott no acredite. No mundo de
Ashley, todos e tudo so separados em pequenas caixas organizadas: popular ou no, caro
ou barato, rico ou pobre, bonito ou feio. E ele finalmente cansou da superficialidade dela, de
seus julgamentos de valor e sua incapacidade de aceitar ou apreciar alguma coisa entre
eles.

Mas a menina com a listra roxa no cabelo... Ele sabia instintivamente que ela no era assim.
Ele no podia ter certeza absoluta,  claro, mas ele aposta nisso. Ela no coloca outras
pessoas em pequenas caixas organizadas porque no se coloca em nenhuma, e que lhe
pareceu refrescante e diferente, especialmente quando compara com as meninas que ele
tinha conhecido no Laney. Especialmente Ashley.

Embora as coisas da garagem estava o ocupando, os seus pensamentos sempre volta para
ela mais vezes do que ele esperava. No o tempo todo. Mas o suficiente para faz-lo
perceber por qualquer razo, que ele definitivamente queria conhec-la um pouco melhor, e
viu-se perguntando se ele iria v-la novamente.
Captulo 8 - Ronnie
Blaze levou Ronnie para o restaurante onde ela tinha visto em seu passeio pelo distrito
comercial, e Ronnie teve que admitir que ele tinha algum encanto, principalmente se voc
gostar dos anos 50. Havia um antiquado balco rodeado com banquinhos, o cho era preto
e branco, e cabines de vinil vermelho rachado que cobriam as paredes. Atrs do balco, o
cardpio foi escrito em um quadro negro, na medida que Ronnie olhava poderia dizer,  que
a nica mudana nos ltimos trinta anos foram os preos.

Blaze pediu cheeseburger, um shake de de chocolate, e batatas fritas; Ronnie no
conseguiu decidir e pediu apenas uma coca diet. Ela estava com fome, mas ela no sabia
exatamente que tipo de leo usavam na frigideira, e nem, aparentemente, foi mais ningum
no restaurante. Ser vegetariana nem sempre foi fcil, e houve momentos que ela queria
desistir dessa coisa toda. Como quando ela estava com a barriga roncando. Como agora.

Mas ela no queria comer aqui. Ela no podia comer aqui, no porque ela era uma
vegetariana no princpio, mas porque ela era vegetariana-porque-ela-no-quer-se-sentir-
doente. Ela no se importa com o que as outras pessoas comiam; era s que sempre ficava
pensando de onde vinha a carne, ela iria imaginar um p de vaca em um pasto ou o
porquinho Babe, e ela se sentia enjoada.

Embora, Blaze parecia feliz. Depois que acabou, ela recostou-se na cabine.  O que voc
acha do lugar?, ela perguntou.

  limpo. E  bem diferente.

 Eu tenho vindo aqui desde que eu era criana. Meu pai costumava me trazer todos os
domingos depois da Igreja para um shake de chocolate. Eles so os melhores. Comearam
seu sorvete em algum lugar minsculo, na Gergia, mas  incrvel. Voc deve comer um.

 Eu no estou com fome.

 Voc est mentindo., Blaze disse.  O que quer que seja, eu ouvi seu estmago roncar. O
prejuzo  seu. Mas obrigada por isso.

 No  grande coisa.

Blaze sorriu.  Ento, o que aconteceu ontem  noite? Voc ... famosa ou algo assim?

 Por que voc est perguntando isso?

 Por causa do policial e da maneira como ele escolheu voc e levou para fora. Tinha que
haver alguma razo.

Ronnie fez uma careta.  Eu acho que meu pai disse-lhe para me encontrar. Ele nem sabia
onde eu morava.

 Que saco ser voc. Quando Ronnie riu, Blaze pegou o saleiro. Depois de jogar na mesa
comeou a moldar com o dedo em uma pilha.

 O que voc achou do Marcus?, ela perguntou.
 Eu realmente no falei com ele. Por que?

Blaze parecia escolher suas palavras cuidadosamente.  Marcus nunca gostou de mim., ela
disse.  Quero dizer, foi aumentando. No posso dizer que gostava dele tambm. Ele era
sempre gentil... voc sabe o que significa? Mas ento, eu no sei, um par de anos atrs, as
coisas mudaram. E quando eu realmente precisava de algum, ele ficou comigo.

Ronnie assistiu a pilha de sal crescer. E?

 Eu apenas queria que voc soubesse.

 Tudo bem., ela disse.  Seja o que for.

 Voc tambm.

 Do que voc est falando?

Blaze raspou algumas unhas pintadas de preto.  Eu costumava competir na ginstica, e
possivelmente por quatro ou cinco anos, foi a coisa mais importante da minha vida. Acabei
desistindo por causa do meu treinador. Ele era um cara duro, sempre dizia o que voc fez
de errado, e nunca cumprimentava quando voc faz algo certo. Enfim, eu estava desfazendo
um novo exerccio, e ele marchou gritando para mim a maneira correta da posio e eu tinha
que congelar tudo e ouvir ele gritar cerca de um milho de vezes. Eu estava cansada de
ouvir isso, voc sabe? Ento eu disse,  Seja o que for, e ele agarrou meu brao com tanta
fora que deixou hematomas. Enfim, ele me diz:  Voc sabe o que est dizendo quando
voc diz: Seja o que for?  apenas uma palavra cdigo para a palavra com F, e seguido por
voc. E na sua idade, voc nunca, nunca deve dizer a qualquer um. Blaze recostou-se. 
Portanto, agora, quando algum diz isso para mim, eu digo Voc tambm. Logo em
seguida, a garonete chegou com sua comida, e ela colocou na frente delas um eficiente
florescer. Quando ela se foi, Ronnie pegou seu refrigerante.

 Obrigada pela histria de superao.

 Seja o que for.

Ronnie riu, gostava do seu senso de humor.

 Ento, qual foi a pior coisa que j fez?

 O qu?

 Estou falando srio. Eu sempre fao essa pergunta para as pessoas. Acho interessante.

 Tudo bem., rebateu Ronnie.

 Qual a pior coisa que voc j fez?

 Isso  fcil. Quando eu era pequena, eu tinha esta vizinha - Sr. Banderson. Ela no era a
senhora mais agradvel, mas no era uma bruxa. Quer dizer, no  como ela trancou as
portas no Dia das Bruxas ou nada. Mas ela realmente estava em seu jardim, entende? E seu
gramado. Quero dizer, se alguma vez ela atravessou nosso caminho para o nibus da
escola, ela vem atacada para fora, gritando que estvamos arruinando a grama. Enfim, na
primavera, ela plantou todas as flores em seu jardim. Centenas delas. Era lindo. Bem, l
estava o rapaz chamado Billy, ele no gostava muito da Sr Banderson, tambm, porque
uma vez ele tinha jogado uma bola e entrou em seu quintal , ela no queria devolv-la.
Ento, um dia, estvamos cutucando em torno de seu jardim, e nos deparamos com um
grande spray cheio de herbicida. O assassino da erva daninha? Bem, eu e ele depois de
uma noite escura pulverizamos todas as flores novas, no me pergunte o porqu. Acho que
no momento pensei que seria engraado. No era grande coisa. Basta apenas comprar
novas, certo? Voc no poderia dizer de imediato,  claro. Demora alguns dias para fazer
efeito. E Sr. Banderson estava l todo dia, regando e arrancando as ervas daninha e
comeou a perceber que todas as suas flores novas estavam murchando. Na primeira, eu e
Billy rimos disso, mas depois comecei a notar que ela estaria l fora, antes da escola
tentando descobrir o que havia de errado, e ela ainda estaria l quando voltasse da escola.
E at o final da semana, todas elas morreram.

 Isso  terrvel!, Ronnie gritou, apesar de estar rindo de si mesma.

 Eu sei. Eu ainda me sinto mal sobre isso.  uma daquelas coisas que eu gostaria de
desfazer.

 Alguma vez voc disse a ela? Ou ofereceu para substituir as flores?

 Meus pais teriam me matado. Mas eu nunca, nunca mais atravessei seu gramado de
novo.

Wow.

 Como eu disse,  a pior coisa que j fiz. Agora  a sua vez.

Ronnie pensou nisso.  Eu fiquei sem falar com meu pai durante trs anos.

 Eu j sei disso. E no  assim to mau. Como eu disse, eu tento no falar com meu pai. E
minha me no tem ideia de onde estou a maior parte do tempo.

Ronnie desviou o olhar. Em cima havia um jukebox* com uma foto de Bill Haley & His
Comets*.
*jukebox: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jukebox
*Bill Haley & His Comets: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Haley_&_His_Comets

 Eu costumava furtar., ela disse, submissa.  Muito. Nada grande. Era mais para sentir a
emoo de fazer isso.

 Para usar?

 Mais no. Eu pegava. Na verdade, eu pegava duas vezes, mas a segunda vez foi um
acidente. Fui para o Tribunal, mas as acusaes continuaram por um ano. Basicamente,
isso significa que se eu no ficar em apuros novamente, as acusaes sero anuladas.

Blaze baixou o hambrguer.  isso? Essa foi a pior coisa que voc j fez?
 Eu nunca matei flores de ningum, se  isso que voc quer dizer.E nunca vandalizei.

 Voc nunca trancou seu irmo no banheiro? Ou bateu o carro? Ou raspou o gato ou algo
assim?

Ronnie deu um pequeno sorriso.  No.

 Voc  provavelmente a adolescente mais chata do mundo.

Ronnie riu novamente antes de tomar um gole de seu refrigerante.  Posso lhe fazer uma
pergunta?

 V em frente.

 Por que voc no voltou para casa na noite passada?

Blaze pegou uma pitada de sal que tinha empilhado e colocou em suas fritas.  Eu no
quero.

 E sua me? Ser que ela no ficar maluca?

 Provavelmente., Blaze disse. De lado, a porta do restaurante se abriu e Ronnie virou-se
para ver Marcus, Teddy, e Lance andando para seu balco. Marcus vestia uma camiseta
estampada com uma caveira, e uma corrente pendurada no cinto da cala jeans.

Blaze fugiu para o outro lado, mas estranhamente, Teddy colocou um assento do lado dela
enquanto Marcus se espremia ao lado de Ronnie. Lance puxou uma cadeira de uma mesa
ao lado e capotou ao redor antes de se sentar, Marcus alcanou o prato de Blaze. Teddy e
Lance pegaram automaticamente suas batatas.

 Ei,  de Blaze., Ronnie gritou, tentando impedi-los.  Compre seu prprio.

Marcus passou de uma para outra.  Sim?

 Est tudo bem.,Blaze disse, empurrando seu prato para ele.  Realmente. Eu no vou
conseguir comer tudo de qualquer maneira.

Marcus pegou o ketchup, agindo conforme provou seu desgnio.  Ento o que vocs duas
estavam falando? Da janela, parecia intenso.

 Nada., Blaze disse.

 Deixe-me adivinhar. Ela estava falando a voc sobre o namorado sexy de sua me e seus
atos trapzios tarde da noite, certo?

Blaze se mexeu em seu lugar.  No seja grosseiro.

Marcus olhou franco para Ronnie.  Ela lhe contou sobre a noite que um dos namorados de
sua me entrou furtivamente em seu quarto? Ela era como,  Voc tem quinze minutos para
comear o inferno fora daqui.
 Cala a boca, certo? Isso no  engraado. E ns no estvamos falando sobre ele.

 Seja como for., disse ele, sorrindo.

Blaze pegou seu shake e Marcus comeou a comer o hambrguer. Teddy e Lance pegaram
mais fritas, e durante os prximos minutos, os trs devoraram o que estava no prato. Para o
espanto de Ronnie, Blaze no disse nada, e Ronnie perguntou sobre isso.

Ou, na verdade, ela no quis saber. Parecia bvio que Blaze no queria que Marcus ficasse
bravo com ela, assim ela tem que deix-lo fazer o que ele quiser. Ela j tinha visto isso
antes: Kayla, com todas as suas posturas difceis, era da mesma forma quando se tratava
de homens. E, em geral, a tratava como uma sujeira.

Mas ela no quis dizer isso aqui. Ela sabia que s pioraria as coisas. Blaze bebeu seu milk-
shake e colocou de volta a mesa.  Ento o que vocs vo fazer depois disso?

 Estaremos fora., Teddy resmungou.  O nosso velho homem precisa de mim e de Lance
para trabalhar hoje.

 Eles so irmos., Blaze explicou.

Ronnie os observou, no vendo nenhuma semelhana.  So?

Marcus terminou o hambrguer e empurrou o prato para o centro da mesa.  Eu sei.  difcil
de acreditar de como dois pais conseguiram ter dois filhos to feios, hein? De qualquer
forma,  um motel pedao-de-merda apenas sobre a ponte. Os canos tem centenas de
anos, e o trabalho de Teddy  mergulhar nos banheiros quando so entupidos.

Ronnie franziu o nariz, tentando imaginar.  Srio?

Marcus assentiu.  Grosseiro, huh? Mas no se preocupe com o Teddy. Ele  timo nisso.
Um verdadeiro prodgio. Ele realmente gosta disso. E Lance trabalha limpando os lenis
aps do meio-dia depois dos rolos das multides.

Ew., Ronnie disse.

 Eu sei.  totalmente nojento., Blaze acrescentou.  E voc deve saber que algumas
pessoas vo de hora em hora. Voc podia pegar uma doena apenas entrando no quarto.

Ronnie no tinha certeza que como responder a isso, em vez disso, voltou para Marcus.
Ento, o que voc faz?, perguntou ela.

 Tudo o que eu quero., respondeu ele.

 Como assim?, Ronnie desafiou.

 Por que voc se importa?

 Eu no., ela disse, mantendo a voz calma.  Eu estava s perguntando.

Teddy agarrou a ltima batata frita do prato de Blaze.  Isso significa que ele fica no motel
conosco. Em seu quarto.

 Voc tem um quarto no motel?

 Eu moro l., Ele disse.

A pergunta era bvia, ela esperou por mais, mas Marcus ficou quieto. Ela suspeita que ele
quer que ela tente burlar a informao para fora dele. Talvez ela estivesse vendo demais,
mas ela teve a sbita sensao que ele queria que ela se interessasse por ele. Queria que
ela gostasse dele. Mesmo Blaze estando l.

Suas suspeitas foram confirmadas quando ele pegou um cigarro. Depois que acendeu,
soprou a fumaa em direo de Blaze, e virou-se para Ronnie.

 O que voc vai fazer esta noite?, ele perguntou.

Ronnie deslocou-se do seu lugar, se sentindo desconfortvel. Parecia que todos, incluindo
Blaze, estava  espera de sua resposta.

 Por que?

 Ns estamos querendo ir para o Bower Point. No apenas ns. Um grupo de pessoas. Eu
quero que voc venha. Sem polcia na hora.

Blaze estudou a mesa, brincando com a pilha de sal. Quando Ronnie no respondeu,
Marcus levantou-se da mesa e dirigiu-se para porta sem volta.
Captulo 9 - Steve

 Ei, papai., Jonah chamou. Ele estava de p atrs do piano na alcova enquanto Steve
trouxe os pratos com espaguetes para mesa.   uma foto sua com a vov e com o vov?

 Sim, esses so minha me e meu pai.

 Eu no me lembro dessa foto. No apartamento, eu quero dizer.

 Durante muito tempo, ficou no meu escritrio na escola.

 Ah., Jonah disse. Ele se inclinou para fotografia, estudando-a.  Voc tem olhar como do
meu av.

Steve no sabia o que pensar sobre isso.  Talvez um pouco.

 Voc sente falta dele?

 Ele era meu pai. O que voc acha?

 Senti sua falta.

Enquanto Jonah chegava  mesa, Steve pensou que tinha sido um dia satisfatrio, bem
calmo. Eles passaram a manh na loja, onde Steve tinha ensinado Jonah a cortar vidro; eles
tinham comido sanduches na varanda e conchas coletadas no final da tarde. E Steve tinha
prometido que logo que anoitecesse, ele levaria Jonah para uma caminhada pela praia com
lanternas para ver centenas de caranguejos aranha entrando e saindo de suas tocas de
areia.

Jonah puxou a cadeira e sentou. Ele tomou o copo de leite, deixando um bigode branco.
Voc acha que Ronnie voltar para casa cedo?

Espero que sim.

Jonah limpou os lbios com as costas da mo. s vezes ela fica fora muito tarde.

Eu sei.

O policial vai trazer ela de volta para casa de novo?

Steve olhou para fora da janela; o crepsculo j estava chegando, e a gua estava ficando
opaca. Ele se perguntou onde ela estava e o que estava fazendo.

No., ele disse. No esta noite.

Depois de sua caminhada ao longo da praia, Jonah tomou banho antes de rastejar at a
cama. Steve puxou as cobertas e beijou sua bochecha.

Obrigado pelo grande dia., Steve sussurrou.
De nada.

Boa noite, Jonah. Eu te amo.

Eu tambm, papai.

Steve levantou-se e andou at a porta.

Ei, papai?

Steve virou-se. Sim?

Seu pai nunca te levou para procurar caranguejos aranha?

No., disse Steve.

Por que no? Isso foi incrvel.

Ele no era esse tipo de pai.

Que tipo ele era?

Steve analisou a questo. Ele era complicado., disse finalmente.

Ao piano, Steve se lembrou da tarde, seis anos antes, quando ele pegou a mo de seu pai
pela primeira vez em sua vida. Ele contou ao seu pai que ele sabia que tinha feito o melhor
para cri-lo, e que ele no culpa o pai por nada, e que acima de tudo, o amava.

Seu pai virou-se para ele. Seus olhos estavam concentrados, e apesar de suas doses altas
de morfina que tinha tomado, sua mente estava clara. Ele olhou para Steve por um longo
tempo antes de puxar a mo.

Voc parece uma mulher quando fala assim., disse ele.

Eles estavam em uma sala de enfermaria, no quarto andar do hospital. Seu pai tinha estado
l por trs dias. Quatro tubos serpenteavam fora de seus braos, e ele no tinha comido
comida slida em mais de um ms. Suas bochechas foram afundadas, e sua pele estava
translcida. De perto, Steve sentiu que o hlito de seu pai cheirava a decadncia, outro sinal
de que o cncer estava anunciando sua vitria. Steve virou-se em direo a janela. L fora,
ele no conseguia ver nada, mas o cu azul, uma claridade, formando uma bolha em torno
do quarto. Sem pssaros, sem nuvens, sem rvores visveis. Atravs dele, podia ouvir o bip
constante do monitor cardaco. Parecia forte e estvel, com o ritmo regular, fazendo parecer
que o pai iria viver mais vinte anos. Mas no foi seu corao que o estava matando.

Como ele est?, Kim perguntou mais tarde naquela noite, quando eles estavam falando ao
telefone.

No est bem., disse ele. Eu no sei quanto tempo ele tem, mas..., ele parou. Ele podia
imaginar Kim na outra extremidade, de p perto do fogo, mexendo a massa ou tomates em
cubo, o telefone encostado entre a orelha e o ombro. Ela nunca foi capaz de sentar-se
enquanto falava ao telefone.
Algum mais foi?

No., respondeu ele. O que ele disse foi que, segundo as enfermeiras, ningum mais havia
visitado.

Voc conseguiu falar com ele?, perguntou ela.

Sim, mas no por muito tempo. Ele ficou entrando e saindo a maior parte do dia.

Voc disse o que eu disse-lhe para dizer?

Sim., ele disse.

O que ele disse?, ela perguntou. Ele disse que amava voc, tambm? Steve sabia a
resposta que ela queria. Ele estava na casa de seu pai, inspecionando as fotografias sobre a
lareira: a famlia depois que Steve foi batizado, uma foto do casamento de Kim e Steve,
Ronnie e Jonah crianas. Os retratos estavam empoeirados, intocado  anos. Ele sabia que
tinha sido sua me, que colocou l, enquanto olhava para eles, ele quis saber o que seu pai
pensava quando olhava para eles, ou se ele mesmo viu todos, ou se ele nem mesmo
percebeu que estavam l.

Sim., ele finalmente disse. Ele disse que me amava.

Estou contente., ela disse. Seu tom ficou aliviado e satisfeito, como se a sua resposta
tivesse afirmado algo para ela sobre o mundo. Eu sei como era importante para voc.

Steve cresceu em uma casa branca ranch-style* , em um bairro de casas brancas ranch-
style do lado intracosteiro da ilha. Era pequena, com dois quartos, um nico banheiro e uma
garagem separada que abrigava ferramentas de seu pai e um permanente cheiro de
serragem. O quintal, sombreado por um carvalho nodoso vivo que realizou sua sada
durante o ano todo, no teve bastante sol, por isso sua me plantou a horta na frente.
*Ranch-Style: http://en.wikipedia.org/wiki/Ranch-style_house

Cresceu tomates e cebolas, nabos e feijo, repolho e milho, e no vero, era impossvel ver o
caminho da sala da frente. s vezes, Steve ouvia os vizinhos reclamando em voz baixa,
queixando-se sobre o declnio dos valores da propriedade, mas o jardim foi replantado a
cada primavera, e ningum nunca disse uma palavra diretamente a seu pai. Eles sabiam, o
bem que ele fez, e que no teria feito se no fizesse bem. Alm disso, eles gostavam de sua
esposa, e todos eles sabiam que precisariam de seus servios um dia.

Seu pai era um carpinteiro de guarnio pelo comrcio, mas ele tinha o dom de consertar
qualquer coisa. Ao longo dos anos, Steve tinha o visto consertar rdios, televises,
automveis e motores de cortadores de grama, tubos de escapes, telhados, janelas
quebradas, e uma vez, e at mesmo uma ferramenta de uma pequena fbrica hidrulica
perto da linha do estado. Ele nunca foi ao colgio, mas ele tinha uma compreenso nata da
mecnica e conceitos da construo civil.

 noite, quando o telefone tocava, o pai sempre atendia, j que normalmente era para ele.
Na maioria das vezes, ele falava pouco, escutava como uma emergncia ou descrevia, e em
seguida, Steve observava cuidadosamente para anotar o endereo em pedaos de papel de
rascunho rasgado de jornais velhos. Depois de desligar, o pai ia para garagem, encher sua
caixa de ferramentas, e saia, geralmente sem dizer para onde estava indo, ou quando
estaria de volta para casa. Na parte da manh, checava ordenadamente a esttua de Robert
E. Lee*, que seu pai havia esculpido a partir de um pedao de madeira, e sua me
esfregava suas costas. Sua me garantia o deposito no banco enquanto seu pai tomava
caf da manh. Notou o afeto regular entre os dois. Eles no discutiam e evitavam conflitos
como uma regra.
* Robert Edward Lee: http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Edward_Lee

Eles pareciam gostar da companhia um do outro quando estavam juntos, e uma vez, eles
ficavam de mos dadas enquanto assistia TV, nos dezoito anos que Steve morou com eles,
ele nunca viu seus pais se beijarem.

Se o seu pai teve uma paixo na vida, foi o poker. Nas noites que o telefone no tocava, seu
pai jogava nos alojamentos. Ele era um membro dos alojamentos, e no para camaradagem,
mas para os jogos. L, ele se sentava  mesa com uns maons, Elks, Shriners ou veteranos,
jogava Texas hold por horas.

O jogo o transfixava; ele amava calcular a probabilidade de tirar um fora honestamente ou
decidir blefar quando tudo que tinha realizado era um par de seis. Quando ele falou sobre o
jogo, ele descreveu como uma cincia, como se a sorte do sorteio no tivesse nada haver
com ganhar. O segredo  saber como mentir, ele costumava dizer, e saber quando
algum est mentindo para voc. Seu pai, Steve finalmente decidiu, que conheceu como a
mentira.

Nos seus cinqenta anos, com as mos quase aleijadas em mais de trinta anos de
carpintaria, seu pai parou de instalar sancas e molduras de portas personalizadas nas casas
 beira-mar que tinha comeado a surgir na ilha, ele tambm comeou a deixar o telefone
sem respostas  noite. De alguma forma, ele continuou a pagar suas contas, e at o final de
sua vida, ele teve mais do que o suficiente para pagar suas contas e para pagar seu plano
de sade. Ele nunca jogou poker no sbado ou no domingo. Sbados eram reservados para
as tarefas de casa, e enquanto o jardim em frente ao ptio incomodava os vizinhos, o interior
ainda mais. Ao longo dos anos, seu pai, acrescentou o molde de coroas e lambris; lavrou
lareiras minsculas a partir de dois blocos de maple. Ele construiu os armrios na cozinha e
pisos de madeira que estavam instalados no andar e certamente uma mesa de bilhar.
Reformou o banheiro, ento remodelando novamente oito anos depois. Todo sbado  noite,
ele colocava um palet e uma gravata e levava a mulher para jantar. Nos domingos, ele
reservava para si mesmo. Depois da igreja, ele consertava sua oficina, enquanto sua esposa
fazia tortas assadas ou legumes enlatados na cozinha.

Na segunda-feira, a rotina comeava tudo de novo.

Seu pai nunca lhe ensinou a jogar o jogo. Steve era inteligente o suficiente para aprender o
bsico por conta prpria, e gostava de pensar ansioso como blefar com algum. Ele jogou
algumas vezes com os colegas na faculdade e descobriu que ele era mediano, nem melhor
e nem pior do que os outros. Depois que ele se formou e se mudou para Nova York, ele
ocasionalmente voltou para visitar os pais. Na primeira vez, ele no tinha visto em dois anos,
e quando ele entrou pela porta, sua me abraou-o fortemente e o beijou na bochecha. Seu
pai apertou sua mo e disse: Sua me sentiu sua falta. Torta de ma e caf foram
servidos, e depois que terminou de comer, se pai levantou-se, pegando seu casaco e
chaves do carro. Era uma tera-feira, isto significava que ele estava indo para o Elks no
alojamento. O jogo terminou s dez e ele estaria em casa quinze minutos mais tarde. No...
no v esta noite., sua me pediu, com seu sotaque europeu como sempre. Steve mal
chegou em casa.

Lembrou-se de pensar que foi a nica vez que ele ouviu a me pedir ao pai para no ir jogar,
mas se ele ficou surpreso, seu pai no demonstrou. Ele parou na porta, e quando se virou,
seu rosto estava ilegvel.

Ou leve-o com voc., ela pediu.

Ele dobrou sua jaqueta no brao. Voc quer ir?

Claro.,Steve bateu os dedos sobre a mesa. Por que no? Isso soa como diverso.

Depois de um momento, a boca de seu pai contraiu-se, exibindo o menor e mais breve dos
sorrisos. Se tivesse sido na mesa de poker, Steve duvidava que ele teria mostrado ainda
que muito.

Voc est mentindo., ele disse.

Sua me faleceu repentinamente alguns anos depois daquele encontro, quando houve uma
ruptura na artria do crebro, e no hospital, Steve estava pensando em sua bondade
resistente quando seu pai acordou com um chiado baixo. Ele girou a cabea e viu Steve no
canto. Nesse ngulo, com o jogo de sombras em todos ngulos agudos de seu rosto, ele
deu a impresso de ser um esqueleto.

Voc ainda est aqui.

Steve mudou de posio e sentou na cadeira mais prxima. Sim, ainda estou aqui.

Por qu?

O que voc quer dizer com por qu? Porque voc est no hospital.

Estou no hospital, porque estou morrendo. E eu vou morrer com voc aqui ou no. Voc
deveria ir para casa. No h nada que voc possa fazer aqui para mim.

Eu quero ficar aqui., Steve disse. Voc  meu pai. Por qu? Voc no me quer aqui?

Talvez no queira que voc me veja morrer.

Vou sair se quiser.

Seu pai fez um rudo semelhante a um ronco. Olha, o problema  seu. Voc quer que eu
tome a deciso por voc. Esse sempre foi seu problema.

Talvez eu s queira passar um tempo com voc.

Voc quer? Ou a sua esposa que quer?
Isso importa?

Seu pai tentou sorrir, mas saiu uma careta. Eu no sei. Voc faz?

Em seu piano, Steve ouviu um carro se aproximando. Os faris passavam pela janela e
correu atravs das paredes, e por um instante pensou que Ronnie poderia ter pedido uma
carona para casa. Mas, a luz rapidamente do nada apagou-se , e Ronnie no estava aqui.

Foi depois da meia-noite. Ele questionou-se se deveria tentar encontr-la. Alguns anos
atrs, antes de Ronnie parar de falar com ele, ele e Kim tinham ido ver um conselheiro
matrimonial, cuja sede se localizava perto do Gramercy Park, em um edifcio renovado.
Steve lembrou sentado ao lado de Kim em um sof diante de uma mulher magra, mais ou
menos na casa dos trinta que vestia calas cinzas e gostava de pressionar a ponta dos
dedos juntos. Quando ela fez, Steve percebeu que ela no usava aliana de casamento.

Steve estava desconfortvel, a orientao tinha sido ideia de Kim, e ela j tinha ido sozinha.
Esta foi sua primeira consulta conjunta, e por meio de introduo, a conselheira disse que
Steve mantm seus sentimentos engarrafados dentro dele, mas que no era culpa dele. Ele
nem tinha crescido numa famlia que discutia seus problemas. Ele procurou a msica como
um modo de escapar, ela passou a dizer, e foi s com o piano que ele conseguiu aprender a
sentir alguma coisa.

Isso  verdade?, a conselheira perguntou.

Meus pais eram pessoas de bem., respondeu ele.

Isso no responde a pergunta.

Eu no sei o que voc quer que eu diga.

A conselheira suspirou. Certo, por que isso? Todos ns sabemos o que aconteceu e porque
est aqui. Acho que o que Kim quer  que voc conte a ela o que voc sente.

Steve analisou a questo. Ele desejou falar que toda essa conversa de sentimentos era
irrelevante. Que as emoes vem e vo e no podem ser controladas, por isso no h
motivo de se preocupar com eles. Que, no final, as pessoas deveriam ser julgadas por seus
atos, pois no fim, as aes eram todas definidas.

Mas ele no disse isso. Em vez disso, ele apertou seus dedos juntos. Voc quer saber
como eu me sinto.

Sim. Mas no me diga., ela apontou para esposa. Diga a Kim.

Ele encarou sua esposa, sentindo sua expectativa.

Eu sinto...

Ele estava em um escritrio com sua esposa e uma desconhecida, evolvido em uma
conversa, que ele nunca tinha imaginado participar. Foi poucos minutos depois das dez
horas da manh, e ele estava de volta, em Nova York por apenas alguns dias. Sua tour tinha
levado a vinte e algumas cidades diferentes, enquanto Kim trabalhou como assistente
jurdica em um escritrio de advocacia de Wall Street.

 Me sinto..., disse ele novamente.

Quando o relgio apontou uma hora da manh, Steve saiu e ficou na varanda de trs. A
escurido da noite, tinha dado a luz roxa da lua, fazendo o possvel para ver a subida e a
descida da praia. Ele no tinha a visto em dezesseis horas e estava aflito, no muito
preocupado. Ele confiou que ela era inteligente e cuidadosa o suficiente para cuidar de si
mesma.

Certo, talvez ele estivesse um pouco preocupado.

E averso de si mesmo, ele se perguntou se ela iria desaparecer amanh, da mesma forma
de hoje. E se seria a mesma histria dia aps dia, durante todo o vero.

Passar o tempo com Jonah tinha sido como achar um tesouro especial, e ele queria passar
um tempo com ela tambm. Ele virou-se da varanda e voltou para dentro.

Enquanto tomava o assento no piano, ele sentiu novamente a mesma coisa que ele disse a
conselheira quando estava sentando no sof.

Ele se sentia vazio.
Captulo 10  Ronnie

Por um tempo, um grupo grande se reuniu no Bower`s Point, mas um por um, tinham ido
embora, apenas os cinco habituais permaneceram. Alguns dos outros tinham ficado, um
casal do mesmo tipo era interessante, mas depois o licor e a cerveja comeou a fazer efeito,
e Ronnie e todos, pensaram que eles eram muito mais engraados do que realmente eram.
Depois de um tempo, ficou meio chato e familiar.

Ela estava sozinha na beira da gua. Atrs dela, perto da fogueira, Teddy e Lance fumavam,
bebiam e, ocasionalmente, jogavam bolas de fogo um para outro, Blaze arrastava suas
palavras e pendurada todinha em Marcus. Foi ficando tarde, tambm. No para os padres
de Nova York de voltar para casa, ela no aparecia nos clubes at meia-noite, mas
considerando o tempo que ela levantou-se, tinha sido um longo dia. Ela estava cansada.

Amanh, ela estava indo dormir. Quando chegou em casa, ela foi pendurar toalhas ou um
cobertor sobre a vara da cortina; inferno, ele pregou na parede, ele tinha que fazer isso. Ela
no tinha a inteno de passar o vero inteiro levantando-se com os agricultores, mesmo
que ela fosse passar o dia na praia com Blaze. Blaze a surpreendeu com a sugesto, e
pareceu realmente muito apelativo. Alm disso, no havia muito a fazer no contrrio. Mais
cedo, depois que saram da lanchonete, eles andaram pela a maioria das lojas das
proximidades  incluindo a loja de msica, que foi muito legal  e depois, eles tinham ido a
casa de Blaze para assistir The Breakfast Club, enquanto a me dela estava no trabalho.

Claro, era um filme dos anos 80, mas Ronnie ainda amava ele e tinha visto pelo menos uma
dzia de vezes. Mesmo que fosse datado, sentiu surpreendentemente real para ela. Mais
real que aconteceu aqui hoje ,especialmente desde que Blaze foi a que mais bebeu, mas ela
ignorou Ronnie e agarrou-se a Marcus.

Ronnie no gostava e nem confiava em Marcus. Ela tinha um radar muito bom quando o
assunto era rapazes, e ela percebeu que havia algo off sobre ele. Era como se faltasse
algo nos olhos de Marcus quando ele falou com ela. Ele disse coisas certas  no sugestes
loucas para ir para Flrida, pelo menos, e por falar nisso, o quanto ele era estranho?  mas
quanto mais tempo ela passava com ele, mais ele a arrastava para fora. E ela no gostava
de Teddy ou Lance, tampouco, Marcus... ela tem um jeito de agir normalmente
simplesmente um jogo que ele jogou para manipular as pessoas.

E Blaze... Era estranho estar em sua casa mais cedo, porque isso parecia to normal.

Estava em uma pacata rua sem sada e tinha persianas azuis brilhantes e uma bandeira
americana que vibrou desde a sacada. Dentro, as paredes foram pintadas de cores alegres,
e um vaso de flores frescas sobre a mesa de jantar. O local era limpo, mas no to
neuroticamente. Na cozinha, havia algum dinheiro na mesa, juntamente com um bilhete para
Blaze. Quando Ronnie viu Blaze colocando algumas notas no bolso e leu o bilhete, Blaze
mencionou que sua me sempre deixou dinheiro para ela. Era como ela sabia que Blaze
estava bem quando no voltava para casa.

Estranho.

O que realmente ela queria falar para Blaze era sobre Marcus, mas ela sabia que no
adiantaria nada. Ela sabia como ter algum dominando desde que Kayla  Kayla vivia
negando  mesmo assim, no fazia sentido. Marcus m influncia, e Blaze fica bem melhor
sem ele. Ela perguntou a Blaze porque ela no conseguia ver isso. Talvez amanh elas
falam sobre isso na praia. Ns estamos chateando voc?

Virando, ela viu Marcus de p atrs dela. Ele estava segurando uma bola de fogo, deixando-
a rolar atravs da parte traseira da sua mo.

Eu apenas quero cair na gua.

Voc quer que eu traga uma cerveja?

A propsito, ele perguntou, j sabendo o que ela iria dizer.

Eu no bebo

Por qu?

Porque isso faz as pessoas parecerem estpidas, ela poderia ter dito. Mas ela no disse. Ela
sabia que qualquer explicao s prolongaria a conversa. Eu apenas no quero. Isso 
tudo.

S no basta dizer no? , ele zombou.

Se voc disser o mesmo.

Na escurido, ele estava com um sorriso de fantasma, mas seus olhos permaneceram
poos sombrios. Voc acha que  melhor do que ns?

No.

Ento vamos l., ele fez um gesto para fogueira. Sente-se conosco.

Eu estou bem.

Ele olhou por cima do ombro. Atrs dele, Ronnie podia ver Blaze revirar o refrigerador
procurando outra cerveja, que era a ltima coisa que ela precisava. Suas pernas j estavam
trmulas.

Sem aviso, ele deu um passo em sua direo, pegando sua cintura. Apertou, puxando-a
para perto dele. Vamos andar na praia.

No., ela assobiou. Eu no estou no clima. E tire sua mo de cima de mim.

Permaneceu no local. Ela poderia dizer que Marcus estava gostando disso. Est
preocupada com o que Blaze vai pensar?

Eu s no quero, ok?

Blaze no vai se importar.

Ela deu um passo para trs, aumentando a distncia entre eles.
Eu sei. , ela disse.  E eu tenho que ir.

Ele continuou a olhar para ela. Yeah, voc faz isso. Ento, depois de uma pausa, ele falou
para que as pessoas pudessem ouvir. No, eu s vou ficar aqui. Mas obrigado por
perguntar.

Ela estava chocada de mais para dizer qualquer resposta. Em vez disso, ela comeou a
descer pela praia, sabendo que Blaze estava assistindo, de repente, pensando de no podia
fugir rpido o suficiente.

Em casa, seu pai tocava piano, e logo que ela entrou, ele espiou o relgio. Depois do que
aconteceu, ela no estava humor de lidar com ele, ento ela foi para o corredor, sem
nenhuma palavra. Ele deve ter visto alguma coisa em seu rosto, no entanto, porque ele
chamou por ela. Voc est bem?

Ela hesitou. Sim, eu estou bem., ela disse.

Voc tem certeza?

Eu no quero falar sobre isso.

Ele a estudou antes de responder. Certo.

H mais alguma coisa?

 quase duas da manh., ele ressaltou.

E?

Ele inclinou-se sobre o teclado. H algumas massas na geladeira se voc estiver com
fome.

Ela teve que admitir que ele a surpreendeu com isso. Sem sermo, sem ordens, sem
estabelecer lei. Muito razovel e o oposto de como sua me teria lidado com isso. Ela
balanou a cabea e caminhou para o quarto, perguntando se algum ou alguma coisa era
normal aqui. Ela esqueceu de pendurar cobertores sobre a janela, e o sol invadiu o quarto,
acordando-a depois que ela dormiu menos de seis horas.

Gemendo, ela virou e puxou o travesseiro em cima de sua cabea e se lembrou do que tinha
acontecido na praia na noite anterior. Ento, sentou-se sabendo que o sono j estava fora
de questo.

Marcus definitivamente arrasta para fora dela.

Seu primeiro pensamento foi que ela deveria ter dito algo na noite passada, quando ele
chamou ela para sair. Algo como, O que diabos voc est falando? Ou, Se voc acha que
eu iria a qualquer lugar sozinha com voc, pode tirar isso da sua cabea! Mas ela no disse,
e ela suspeita que simplesmente andar para longe foi a pior coisa que poderia ter feito.

Ela realmente, realmente tinha que falar com Blaze. Com um suspiro, ela saiu da cama e foi
para o banheiro. Rapidamente, ela tomou um banho e colocou suas roupas de banho por
baixo de suas roupas, e em seguida, encheu sua bolsa de toalhas e loes. No momento
que ela estava pronta, ela podia ouvir seu pai tocando piano. Novamente. Mesmo quando
ele voltou para o apartamento ele nunca tinha tocado tanto. Concentrando-se na msica, ela
percebeu que ele estava tocando umas das peas que ela apresentou no Carnegie Hall, a
mesma que do CD que sua me estava ouvindo no carro.

Se ela no tivesse o suficiente para fazer agora.

Ela precisava se encontrar com Blaze, para que ela possa explicar o que aconteceu. Claro,
como fazer isso sem fazer Marcus ser um mentiroso e um problema. Blaze iria querer
acreditar em Marcus, e que sabia o que o cara tinha dito depois que ela saiu. Mas ela cruzou
a ponte quando ela veio a isto; esperar deitada ao sol seria manter as coisas madura e que
poderia levar as coisas naturalmente.

Ronnie deixou seu quarto e andou pelo corredor com msica da sala de estar terminando,
apenas para seguir a segunda pea que ela tinha tocado no Carnegie Hall.

Ela fez uma pausa, ajustando a bolsa em seu ombro. Claro que ele faria isso. Sem dvida,
porque ele ouviu o chuveiro e sabia que ela estava acordada. Sem dvida, porque ele queria
encontrar um terreno em comum.

Bem, hoje no, papai. Desculpe, mas ela tinha coisas para fazer. Ela realmente no estava
com disposio para isso.

Ela estava prestes a atravessar a porta da frente quando Jonah surgiu na cozinha. Eu no
disse que faria algo bom para voc? Ouviu o pai perguntar.

Eu fiz.  uma torta de frango.

Eu estava pensando mais na linha dos cereais.

Isso tem acar. Jonah tinha uma expresso sria. Eu preciso da minha energia, papai.

Ela comeou a caminhar rapidamente pela sala, esperando e at a porta antes que ele
tentasse falar com ela.

Jonah sorriu. Oh, hey, Ronnie! disse.

Oi, Jonah. Tchau, Jonah. Ela alcanou a maaneta da porta.

Querida? Ouviu o pai dizer. Ele parou de tocar. Podemos falar sobre a noite passada?

Eu realmente no tenho tempo para falar agora. Ela disse ajustando sua bolsa.

Eu s quero saber onde estava o dia todo.

Em nenhum lugar. No  importante.

 importante.
No, papai. Ela disse, com voz firme. No . E eu tenho coisas para fazer, certo?

Jonah acenou para porta com sua torta de frango. Que coisas? Onde voc vai agora?

Esta era exatamente o tipo de conversa que ela queria evitar. No  da sua conta.

Por quanto tempo vai ficar fora?

Eu no sei.

Voc vai estar de volta para o almoo ou o jantar?

No sei. Ela bufou. Estou saindo.

O pai dela comeou a tocar piano novamente. Sua terceira pea do Carnegie Hall. Ele podia
tocar bem o CD da mame.

Vamos voar papagaios mais tarde. Eu e papai, quero dizer.

Ela parecia no ouvir. Em vez disso, ela virou-se para seu pai. Quer parar com isso? ela
estava mordida.

Ele parou de tocar de forma abrupta. O que?

A msica que voc est tocando! Voc acha que eu no reconheo essas peas? Eu sei o
que voc est fazendo, eu j te disse que no vou tocar.

Eu acredito em voc. Ele disse.

Ento por que continua tentando me fazer mudar de idia? Por que  que toda vez que eu
vejo voc, voc est sentando l martelando?

Ele realmente parecia confuso. No tem nada haver com voc.ele props.  s... que me
faz sentir melhor.

Bem, isso me faz sentir doente. Voc no entendeu? Eu odeio piano. Eu odiava ter que
tocar todos os dias! E eu odeio que eu ainda tenha que ver mais essa maldita coisa. Antes
que seu pai pudesse dizer outra palavra, ela virou-se, tirou Jonah e sua torta de frango da
sua mo, e saiu pela porta.

Demorou um par de horas antes de encontrar Blaze na mesma loja de msica que visitamos
ontem, um par de blocos do per. Ronnie no sabia o que imaginar quando visitaram a
primeira loja  parecia um tipo antiquado para os dias de hoje, na era dos iPods e downloads
 mas Blaze tinha garantido a ela que valeria a pena, e tinha sido.

Alm de CDs, havia recorde de discos de vinis reais  milhares deles, alguns provavelmente
de colecionadores, inclusive por abrir uma cpia de Abbey Road e uma enorme quantidade
de 45 anos de idade simplesmente pendurado na parede com assinaturas de gente como
Elvis Plesley, Bob Marley, e Ritchie Valens. Ronnie ficou surpresa de que eles no estavam
trancados com chaves. Eles tinham que ser valiosos, mas o cara que dirigia o lugar parecia
um retrocesso aos anos sessenta e parecia conhecer todos. Ele tinha cabelos longos cinza
puxado para trs em um rabo de cavalo que chegava a sua cintura, e seus culos eram do
mesmo tipo favorito do John Lennon. Ele usava sandlias e uma camisa havaiana, e apesar
de ter idade suficiente para ser av de Ronnie, sabia mais sobre msica do que qualquer um
que ela j conheceu, incluindo um monte de coisas do recente subsolo que ela nunca sequer
ouviu falar em Nova York. Ao longo da parede traseira estavam os fones de ouvido, onde os
clientes podiam ouvir discos e CDs ou baixar as msicas em seus iPods. Espreitando pela
janela esta manh, viu Blaze de p com uma mo no fone de ouvido para uma orelha, e os
outros batendo na mesa no ritmo que estava ouvindo. De maneira nenhuma ela estava
preparada para um dia na praia.

Ronnie respirou fundo e dirigiu para dentro. To ruim quanto isso soou  ela no pensou que
Blaze em primeiro lugar tinha ficado bbada  ela tinha esperana de que Blaze estava to
fora de si que ela tinha esquecido o que aconteceu. Ou melhor ainda, que ela tinha sido
sbria o suficiente para saber que Ronnie no tinha interesse em Marcus.

Assim que ela comeou a descer o corredor cheio de CDs, Ronnie percebeu que Blaze
estava esperando por ela. Ela virou-se e abaixou o volume do fone de ouvido, embora no
removeu eles de suas orelhas, e girou em volta. Ronnie ainda podia ouvir a msica, algo
barulhento e com raiva que ela no conhecia. Blaze recolheu os CDs.

Eu pensei que ramos amigas., comeou.

Ns somos., Ronnie insistiu. E eu tenho te procurado por toda a parte, porque eu no
quero que voc tenha uma idia errada sobre o que aconteceu ontem  noite.

A expresso de Blaze era gelada. Voc quer dizer sobre perguntar a Marcus para ir para
uma caminhada com voc?

No foi assim., Ronnie implorou. Eu no pedi a ele. Eu no sei que jogo foi...

O jogo dele? Seu jogo?, Blaze jogou seus fones de ouvido. Eu vi o jeito que voc estava
olhando para ele! Eu ouvi o que voc disse!

Mas eu no disse isso! Eu no pedi para ele ir caminhar em qualquer lugar.

Voc tentou beij-lo!

Sobre o que voc est falando? Eu no tentei beij-lo...

Blaze deu um passo a frente. Ele me disse!

Ento ele est mentindo!, Ronnie estourou, conservando seu fundamento. H algo de
muito errado com aquele cara.

No...no...no naquele lugar.

Ele mentiu para voc. Eu no o beijaria. Eu nem gosto dele. A nica razo de estar ali era
porque voc insistiu que ns fossemos.

Por um longo momento, Blaze no disse nada. Ronnie perguntou-se se ela finalmente
acreditou nela.

Seja como for., Blaze disse, seu tom fazendo seu significado perfeitamente claro. Ela
empurrou Ronnie passando, empurrando-a quando ela foi em direo a porta. Ronnie a
assistiu ir, sem saber se ela estava magoada ou irritada com a forma de que Blaze apenas
agiu antes de decidir ouvir um pouco dos dois. Atravs da janela, ela viu Blaze na ausente
tempestade.

Tentou tanto para melhorar as coisas.

Ronnie no tinha certeza do que fazer a seguir: ela no queria ir para praia, mas no queria
ir para casa tambm. Ela no tinha um carro, e ela sabia que absolutamente ningum. O que
significava... o qu? Talvez ela ia acabar passando o vero em algum banco onde ela iria
alimentar os pombos como alguns dos habitantes mais estranhos do Central Park. Talvez
ela ia acabar dando nomes a eles...

Na sada, seus pensamentos foram levados a uma pausa por causa de um disparo sbito de
um alarme, ela olhou por cima do ombro, primeiro por curiosidade e, em seguida, na
confuso foi que ela percebeu o que estava acontecendo. Havia apenas um caminho dentro
e fora da loja.

A prxima coisa que ela sabia,  que o homem de rabo de cavalo correu em sua direo.

Ela no tentou correr, porque ela sabia que no tinha feito nada de errado, quando o homem
de rabo de cavalo pediu a sua bolsa, ela no viu nenhuma razo para no dar a ele.
Obviamente, houve um erro, e no foi at o homem remover dos CDs e a meia dzia de 45
anos assinados na sua bolsa que percebeu que Blaze esperou encontrar Ronnie. Os CDs
eram os que Blaze estava segurando, e Blaze tinha pego os de 45 da parede. Em choque,
ela comeou a entender que Blaze tinha planejado tudo isso.

De repente, tonta, ela mal ouviu o gerente lhe dizer que a polcia j estava a caminho.
Captulo 11 - Steve


Depois de comprar os materiais que precisava, principalmente folhas dois-por-quatro de
madeira compensada*. Steve e Jonah passaram a manh fechando a alcova. No era bonito
 seu pai teria ficado mortificado  mas Steve pensou que isso seria sua obrigao. Ele
sabia que a casa de campo acabaria sendo demolida; de qualquer jeito, o terreno valia mais
sem isso. O bangal era ladeado por trs andares mini manses, Steve tinha certeza que os
seus vizinhos consideravam o local uma monstruosidade que deprimia seus prprios bens e
valores.
*Madeira compensada: http://pt.wikipedia.org/wiki/Madeira_compensada

Steve martelava em um prego, pendurando a fotografia de Ronnie e Jonah que tinha
removido da sala, e deu um passo para analisar a obra.

O que voc acha?, ele perguntou a Jonah.

Jonah torceu o nariz. Parece que ns construmos uma parede de madeira compensada
feia e penduramos uma foto sobre ela. E voc no pode mais tocar piano, tambm.

Eu sei.

Jonah inclinou a cabea de lado a lado. Eu acho que est torto, tambm. Tem tipo curvas
dentro e fora.

Eu no vejo nada.

Voc precisa de culos, pai. E primeiro lugar eu no vejo porque voc quis coloc-la.

Ronnie disse que no quer ver o piano.

Ento?

No h nenhum lugar para esconder o piano, ento eu coloquei uma parede no lugar.
Agora, ela no tem que ver isso.

Ah. Jonah disse pensando. Voc sabe, eu realmente no gosto de ter que fazer lio de
casa. Na verdade, eu nem gostaria de v-las empilhadas na minha mesa.

 vero. Voc no tem nenhum dever de casa.

Estou apenas dizendo que talvez eu devesse construir um muro ao redor da minha mesa na
minha sala.

Steve suprimiu uma risada. Voc tem que falar com a sua me sobre isso.

Ou voc pode.

Steve cedeu uma risada. Voc ainda est com fome?
Voc disse que amos empinar pipas.

Ns vamos. Eu s quero saber se voc quer almoar.

Eu acho que prefiro tomar um pouco de sorvete.

Eu acho que no.

Um biscoito? Jonah soava esperanoso.

Que tal um sanduche de manteiga de amendoim?

Tudo bem. Mas ento vamos empinar pipas, certo?

Sim.

A tarde toda?

O quanto voc quiser.

Tudo bem. Eu vou querer um sanduche. Mas voc tem que ter um tambm.

Steve sorriu, colocando seu brao no ombro de Jonah. De acordo. Foram para cozinha.

Voc sabe, a sala ficou muito menor agora. Jonah observou.

Eu sei.

E o muro est torto.

Eu sei.

E isso no combina com as outras paredes.

Aonde voc quer chegar?

O rosto de Jonah ficou srio. Eu s quero ter certeza de que voc no est maluco.


O tempo estava perfeito para empinar pipas. Steve sentou em uma duna depois de duas
casas da sua, observando o ziguezague em toda a asa no cu. Jonah, cheio de energia
como de costume, correu para cima e para baixo na praia. Steve o assistia com orgulho,
espantado ao lembrar que, quando ele fez a mesma coisa quando era criana, nenhum de
seus pais se juntou a ele.

Eles no eram pessoas ruins. Ele sabia disso. Eles nunca abusaram dele, ele nunca passou
fome, nunca argumentaram em sua presena. Ele visitou o dentista e o mdico uma ou duas
vezes por ano, tinha sempre muita coisa para comer, e ele sempre tinha uma jaqueta nas
manhs de inverno frio e sempre tinha dinheiro no bolso para poder comprar o leite na
escola. Mas se seu pai era estico*, sua me no era to diferente, e ele supunha que era a
razo que tivessem ficado casados por um longo tempo que tinham ficado. Ela era originria
da Romnia; seu pai tinha encontrado com ela enquanto estava na Alemanha. Ela falava um
pouco de ingls, quando eles eram casados nunca questionou a cultura na qual ela havia
crescido. Ela cozinhava, limpava e lavavas as roupas, na parte da tarde, trabalhava a tempo
parcial como costureira. At o final de sua vida, ele tinha aprendido um ingls razovel, o
suficiente para ir ao banco e ao supermercado, mas mesmo assim seu sotaque era forte o
suficiente para que s vezes ficava difcil dos outros compreend-la.
*Estico: Diz-se de um indivduo firme, senhor de si mesmo; inabalvel, impassvel, austero:
ter um comportamento estico na desgraa. O estico acha que se deve aproveitar a vida o
mximo possvel, porque ela tem uma limitao. No apresenta exteriormente nenhuma
comoo, nenhum sofrimento, nenhuma sensibilidade; calmo, fleumtico, frio, imperturbvel;
que manifesta indiferena e desprezo pelos males fsicos e morais, procurando aniquilar os
desejos e as paixes e viver conforme a Razo e a Virtude

Ela tambm era uma catlica devota, algo que era estranho em Wilmington naquele tempo.

Ela foi para as missas todos os dias e rezava o tero a noite e, apesar de Steve apreciar a
tradio das cerimnias das missas aos domingos, o padre sempre lhe pareceu um homem
que era frio e arrogante, mais interessado em regras da igreja do que o que era melhor para
seu rebanho. s vezes  muitas vezes, na verdade  Steve se perguntou como sua vida
teria ficado se no tivesse ouvido a msica que vinha da Primeira Igreja Batista, quando ele
tinha oito anos.

Quarenta anos mais tarde, os detalhes estavam vagos. Ele lembrava vagamente a p em
uma tarde ouvindo o Pastor Harris no piano. Ele sabia que o pastor deve ter feito ele se
sentir bem-vindo, desde que, obviamente, voltou novamente, e o Pastor Harris tornaram-se
seu primeiro professor de piano. Na poca, ele comeou a assistir  e depois mais tarde 
estudou o estudo bblico que a igreja oferecia. Em muitos aspectos, a igreja Batista se
tornou sua segunda casa e o Pastor Harris se tornou seu segundo pai.

Lembrou-se de que sua me no ficou feliz com isso. Quando se converteu, ela murmurava
em romeno, e durante anos, sempre que ele ia para igreja, ele ouvia palavras e frases
ininteligveis, enquanto ela fazia o sinal da cruz e forou-o a usar um escapulrio. Em sua
mente, ter um pastor lhe ensinando piano era semelhante a jogar amarelinha com o diabo.
Mas ela no o impediu, e isso era o suficiente. No importava para ele que ela nunca
participou de reunies com seus professores, ou que nunca leu para ele, ou que ningum
nunca convidou a famlia para festas e churrascos do bairro. O que importava era que ela
lhe permitiu no s encontrar sua paixo, mas a segui-la, mesmo que ela no confiasse na
razo. E que de alguma forma, ela manteve seu pai, que ridicularizou a idia de ganhar a
vida atravs da msica, e de interromp-lo tambm. E por isso, ele sempre a amou.

Jonah continuava correndo e voltando, apesar da pipa no necessita disso. Steve sabia que
o vento era forte o suficiente para mant-la no ar sem ajuda. Ele podia ver o contorno do
smbolo do Batman desenhado entre duas nuvens escuras acumuladas, que mostrava que a
chuva estava chegando. Embora que a tempestade de vero no iria durar muito  talvez
uma hora antes do cu ficar limpo de novo  Steve levantou-se para falar para Jonah que
poderia ser melhor ir outro dia. Ele andou apenas poucos passos antes de notar uma srie
de linhas fracas na areia que levava  duna atrs de sua casa, as linhas que j tinha visto
mais de uma dzia de vezes quando ele estava crescendo. Ele sorriu.

Hey, Jonah!, Gritou, seguindo as pistas. Vem aqui! H algo que eu acho que voc deveria
ver.
Jonah se movimentou em direo a ele, puxando a pipa no seu brao. O que  isso?

 um ninho de cabeuda. Respondeu Steve. Mas no chegue muito perto. E no toque.
Voc no quer perturbar.

O que  uma cabeuda?, Ele disse ofegante, lutando para controlar a pipa.

Steve pegou um pedao de madeira e comeou a marcar um grande crculo ao redor do
ninho.  uma tartaruga marinha. Elas esto em perigo. Eles vem a terra durante a noite
para colocar seus ovos.

Atrs da nossa casa?

Este  um dos lugares onde as tartarugas marinhas desovam. Mas a principal coisa que
voc tem que saber  que elas esto em perigo. Voc sabe o que isso significa?

Isso significa que elas esto morrendo. Jonah respondeu. Eu assisto Animal Planet , voc
sabe.

Steve completou o crculo e jogou o pedao de madeira de lado. Quando se levantou, sentiu
um lampejo de dor, mas ignorou. No exatamente. Isso significa que, se no ajudarmos e
no formos cuidadosos, as espcies poderiam ser extintas.

Como os dinossauros? Steve estava prestes a responder quando ouviu o telefone da
cozinha tocar. Ele deixou a porta traseira aberta para capturar qualquer brisa perdida, e ele
alternadamente caminhou e correu pela areia, at que atingiu o patamar de volta. Ele estava
ofegante quando atendeu ao telefone.

Pai? Ouviu do outro lado.

Ronnie?

Eu preciso que voc venha me pegar. Eu estou na delegacia.

Steve chegou at a esfregar a ponte do nariz. Tudo bem., disse ele. Estou indo.


Pete Johnson, o oficial, lhe disse o que tinha acontecido, mas ele sabia que Ronnie ainda
no estava preparada para falar sobre isso. Jonah, porm, no pareceu se importar.

Mame vai ficar louca. Jonah comentou.

Steve viu Ronnie cerrar a mandbula.

Eu no fiz isso. Ela comeou.

Ento quem fez?

Eu no quero falar sobre isso. Ela disse. Ela cruzou os braos e se encostou na porta do
carro.
Mame no vai gostar.

Eu no fiz isso! Ronnie repetiu, girou em direo a Jonah. E eu no quero que voc diga a
ela que eu fiz. Ela sabia que ele entendeu e ficou sria antes de encarar o rosto de seu pai.

Eu no fiz isso, papai., ela repetiu. Juro por Deus que no fiz. Voc tem que acreditar em
mim.

Ele ouviu o desespero na voz dela, mas no podia lembrar o desespero de Kim quando eles
falaram sobre a histria de Ronnie. Ele pensou na forma que ela agia desde que esteve aqui
e considerou os tipos de pessoas que ela tinha escolhido para fazer amizade.

Suspirando, ele sentiu que a energia que lhe restava estava acabando.  frente, o sol era
uma bola laranja quente e furiosa, e mais que tudo, sabia que sua filha precisava da
verdade.

Eu acredito em voc. Ele disse. No momento em que chegou em casa, o crepsculo j
estava formado. Steve saiu para verificar o ninho de tartaruga. Era uma dessas noites
maravilhosas tpico das Carolinas  uma brisa suave, o cu forrado de milhares de cores
diferentes  e apenas no mar, um grupo de golfinhos nadando alm do ponto de ruptura.

Eles passaram pela casa duas vezes por dia, e ele lembrou-se de dizer para Jonah prestar
ateno neles. Sem dvida ele ia querer nadar para ver se conseguia chegar perto o
suficiente para toc-los; Steve tentou a mesma coisa quando era jovem, mas nunca teve
uma vez que conseguiu.

Ele temia chamar Kim e dizer a ela o que aconteceu. L fora, ele sentou-se na areia ao lado
do ninho, olhando para o que restava dos rastros de tartaruga. Com o vento e as multides,
a maioria havia sido apagada. Com exceo de um recuo pequeno no local onde encontrou
a duna na praia, o ninho era praticamente invisvel, e os pares de ovos que ele podia ver
pareciam plidos, pedras lisas.

Um pedao de isopor tinha cado na areia, e quando se inclinou para pegar, ele percebeu
Ronnie se aproximando. Ela estava andando devagar, com os braos cruzados, cabea
baixa e assim que o cabelo escondeu maior parte do seu rosto. Ela parou a alguns metros
de distncia. Voc est bravo comigo? Ela perguntou.

Foi a primeira vez desde que veio para c que tinha falado com ele, sem uma pitada de raiva
ou frustrao.

No., ele disse. De jeito nenhum.

Ento o que est fazendo aqui?

Ele apontou para o ninho. Uma tartaruga cabeuda colocou seus ovos na noite passada.
Voc j viu uma?

Ronnie sacudiu a cabea, e Steve continuou. Elas so criaturas bonitas. Elas tm a casca
castanho-avermelhada, e podem pesar at oito quilos. Carolina do Norte  um dos poucos
lugares de nidificao. Mas de qualquer maneira, elas esto em perigo. Acho que um de
milhares delas vivem a maturidade, e no quero que os guaxinins ataquem o ninho antes
que eles nasam.

Como os guaxinins sequer sabem que o ninho  aqui?

Quando uma boa fmea pe seus ovos, ela urina. O guaxinim pode cheir-lo, e eles comem
cada um dos ovos. Quando eu era jovem, eu encontrei um ninho do outro lado do per. Um
dia, tudo estava bem, e no dia seguinte todos os ovos tinham sido arrombados. Foi triste.

Eu vi um guaxinim na nossa varanda outro dia.

Eu sei. Ele entrou no lixo. E em breve, vou deixar uma mensagem no aqurio. Esperemos
que eles mandem algum at amanh com uma gaiola especial que vai manter os bichos
longe.

E esta noite?

Eu acho que vamos ter que ter f.

Ronnie colocou um fio de cabelo atrs da orelha. Pai? Posso perguntar uma coisa?

Qualquer coisa.

Por que voc disse que acredita em mim?

De perfil, podia ver a menina que se tornou uma mulher jovem, ele lembrou-se.

Porque eu confio em voc.

 por isso que voc construiu um muro para esconder o piano? Ela olhou para ele apenas
indiretamente. Quando entrei, no foi difcil de entender.

Steve balanou a cabea. No. Eu fiz isso porque eu te amo.

Ronnie deu um sorriso breve, hesitando antes de sentar ao lado dele. Eles assistiram as
ondas de forma constante at a costa. A mar alta estaria aqui em breve, e a praia j estava
meio desaparecida.

O que vai acontecer comigo?

Pete vai falar com o proprietrio, mas eu no sei. Uns pares dos CDs eram de colees
reais. Eles so muito valiosos.

Ronnie sentiu-se mal do estmago. Voc j disse a mame?

No.

Voc vai contar?

Provavelmente.
Nenhum dos dois disse nada por um momento. Na beira da praia, um grupo de surfistas
passavam, segurando suas pranchas. De longe, as ondas foram subindo lentamente,
formando ondas que pareciam colidir imediatamente antes da re-formao.

Quando voc vai chamar o aqurio?

Quando eu voltar para dentro. Tenho certeza que Jonah ficar com fome mesmo. Eu
provavelmente deveria comear a jantar.

Ronnie olhou para o ninho. Com a barriga em ns, ela no podia imaginar comer. Eu no
quero que nada acontea com os ovos de tartaruga esta noite.

Steve virou-se para ela. Ento o que voc quer fazer?

Horas mais tarde, depois de colocar Jonah na cama, Steve saiu para varanda de trs para
ver Ronnie. Mais cedo, depois que ele deixou a mensagem no aqurio, ele tinha ido  loja
para comprar o que ele achava o que precisava: um saco de dormir, uma lanterna de
camping, um travesseiro barato, e algum spray contra insetos.

Ele no estava confortvel com a idia de Ronnie dormir fora, mas ela estava claramente
determinada e admirava seu impulso de proteger o ninho. Ela tinha insistido que ficaria muito
bem, e at certo ponto, ele confiou que ela estava certa. Como a maioria das pessoas que
cresceram em Manhattan, ela aprendeu a ter cuidado e que tinha visto e experimentado o
suficiente de que o mundo s vezes era um lugar perigoso. Alm disso, o ninho era inferior a
quinze metros da janela de seu quarto  ele tinha a inteno de mant-la aberta  ento
ficaria confiante que iria ouvir algo se Ronnie se metesse em confuso. Por causa da forma
das dunas pelo vento e a localizao do ninho, no era provvel que algum na praia
caminhando sequer saiba que ela estaria l.

Ainda assim, ela tinha apenas dezessete anos, e ele era seu pai, que significava que ele
provavelmente iria acabar de control-la a poucas horas. H chance de que ele no consiga
dormir durante a noite. A lua estava apenas em uma pequena parte, mas o cu estava claro,
e como mudou-se atravs das sombras, ele pensou na conversa passada. Ele questionou-
se como se sentia com o fato de ter escondido o piano. Ser que ela acordar amanh com
a mesma atitude que ela teve quando chegou pela primeira vez? Ele no sabia. Quando
chegou perto o suficiente para checar se Ronnie estava dormindo, o jogo de sombra e a luz
das estrelas a fez ambos parecerem mais jovens e mais velhos do que realmente eram. Ele
pensou novamente sobre os anos que ele tinha perdido e que nunca mais vai voltar.

Ele permaneceu o tempo suficiente para olhar de cima a baixo a praia. Tanto quanto ele
poderia dizer, ningum estava fora, ento ele se virou e voltou para dentro. Ele sentou-se no
sof e ligou a televiso, folheando os canais antes de deslig-lo. Finalmente, ele foi para seu
quarto e arrastou-se at a cama.

Ele adormeceu quase imediatamente, mas acordou uma hora mais tarde. Cuidadosamente
foi para fora outra vez, ele foi para verificar a filha que ele amava mais do que a prpria vida.
Captulo 12 Ronnie

O seu primeiro pensamento ao acordar foi que tudo doa. Suas costas estavam inflexveis, o
pescoo doa, e quando ela teve coragem de sentar-se, uma dor aguda percorria seu ombro.
Ela no podia imaginar como algum sempre escolhia dormir ao ar livre. Quando ela estava
crescendo, alguns de seus amigos exaltavam as alegrias do acampamento, mas ela pensou
que eram loucos. Dormindo no cho duro.

E assim, naturalmente, o sol se ps ofuscante. A julgar pelo fato de que ela tinha que
acordar com os agricultores desde que chegara, ela imaginou que hoje no seria diferente.
Provavelmente no eram ainda sete horas. O sol estava baixo pendurado sobre o oceano, e
algumas pessoas estavam passeando com seus cachorros ou caminhando na beira da
gua. Sem dvida, eles dormiram em camas. Ela no podia imaginar-se em p, muito
menos exercitar-se. Agora era difcil o suficiente para respirar sem passar mal.

Apunhalando ela mesma, lentamente, levantou-se antes de se lembrar em primeiro lugar o
porqu dela estar naquele lugar. Ela conferiu o ninho, notando com alvio que ele estava
intacto, e sempre devagar, as dores comearam a diminuir. Perguntou-se tolamente como
Blaze podia tolerar dormir na praia e, em seguida, de repente, lembrou-se do que Blaze fez
para ela. Presa por roubo. Furtos graves. Crime furtando.

Ela fechou os olhos, revivendo tudo: a forma de como o gerente da loja olhou para ela at o
oficial chegar, o desapontamento do Oficial Pete na delegacia, o telefone com uma chamada
terrvel que ela teve que fazer para seu pai. Ela tinha vontade de vomitar na volta para casa
de carro.

Se houve uma coisa boa em tudo que tinha acontecido, era que seu pai no tinha explodido
uma junta. E ainda mais incrvel, foi que ele disse que acredita que ela seja inocente. Ento,
novamente, ele ainda no tinha falado para mame. Rapidamente isso aconteceu,
terminando com todas as apostas. Sem dvida mame gritaria e gritaria at que papai
cedesse, ele ia acabar castigando ela, porque ele tinha prometido a mame. Aps o
incidente, a me dela tinha castigado ela por um ms, e este foi uma forma muito maior do
que apenas um incidente.

Ela sentiu-se mal novamente. Ela no poderia imaginar ter que passar um ms inteiro em
seu quarto, um quarto que ela tinha que partilhar, exceto, em um lugar que ela no queria
estar. Perguntou-se se as coisas poderiam ficar piores. Quando ela esticou o brao acima da
cabea, ela gemeu com a dor aguda no ombro. Ela baixou lentamente, estremecendo. Ela
passou os prximos minutos arrastando suas coisas de volta para varanda. Mesmo que o
ninho fosse atrs da casa dela, ela no queria que os vizinhos soubessem que ela dormiu
fora. Com base na grandiosidade de suas casas, ela afirmou que as pessoas eram do tipo
que queriam imagens de tudo perfeito quando estivessem nas suas varandas consumindo
seu caf no perodo da manh. O conhecimento de que algum estava dormindo ao lado de
sua casa, provavelmente, no se encaixava com a imagem da perfeio, a ltima coisa que
ela queria era ir  polcia mostrar-se novamente. Com a sua sorte, ela provavelmente seria
presa pro vadiagem. Crime de Vadiagem.

Levou duas viagens para carregar tudo  ela no tinha energia para realizar tudo de uma
vez  e ento ela percebeu que havia deixado para trs sua cpia de Anna Karenina*  um
livro. Ela destinou-se a l-lo ontem a noite, mas estava muito cansada e tinha que coloc-lo
sob um pedao de madeira para que o vento no arruinasse. Quando ela voltou para busc-
la, ela viu algum vestindo um macaco bege com publicidade Freios Blakelee, carregando
um rolo de fita amarela e um bando de paus. Ele parecia estar caminhando na praia em
direo a casa. Na hora que ela recuperou seu livro, o homem estava mais prximo e caou
em torno da duna. Ela comeou a ir em direo a ele, perguntar o que estava fazendo, e
ento ele virou-se em sua direo. Quando seus olhos se encontraram, foi uma das poucas
vezes que ela realmente sentiu sua lngua presa.

Ela o reconheceu imediatamente, apesar do uniforme. Ela lembrou da maneira que ele olhou
sem camisa, bronzeado e apto, o cabelo castanho molhado de suor, a pulseira de macram
em seu pulso. Ele era o cara na quadra de vlei, que tinha esbarrado com ela, o rapaz cujo
amigo quase entrou em uma luta com Marcus.

Chegando a frente dela, ele parecia no saber o que dizer, nem ela. Em vez disso, ele
apenas olhou para ela. Embora ela soubesse que era loucura, ela teve a impresso que ele
estava de alguma forma ter o prazer de correr para ela novamente. Ela podia v-lo em seu
alvorecer do reconhecimento, da maneira que ele sorriu para ela, nenhum deles fez qualquer
sentido. Hey,  voc., ele disse. Bom dia.

Ela no sabia ao certo o que pensar, a no ser para questionar o tom amigvel.

O que voc est fazendo aqui?, ela perguntou.

Recebi um telefonema do aqurio. Algum chamou ontem  noite para relatar um ninho de
cabeuda, e eles me pediram para vir aqui para dar uma olhada.

Voc trabalha para o aqurio?

Ele balanou a cabea. Eu apenas sou voluntrio de l. Eu trabalho na oficina do meu pai.
Voc no viu um ninho de tartaruga por aqui, no viu?

Ela sentiu-se relaxar um pouco.  l. Ela disse apontando.

Ei, isso  timo. Ele sorriu. Eu estava esperando que ele estivesse perto de uma casa.

Por qu?

Por causa das tempestades. Se as ondas de lavagem ficarem pelo ninho, os ovos no vo
viver.

Mas elas so tartarugas marinhas.

Ele levantou as mos. Eu sei. No faz sentido para mim, de qualquer jeito,  assim que a
natureza trabalha. No ano passado, perdemos um par de ninhos, quando uma tempestade
tropical passou por aqui. Foi realmente triste. Eles esto em perigo, voc sabe. S um em
um milho vivem a maturidade.

Sim, eu sei.

Voc? Ele parecia impressionado.
Meu pai me disse.

Ah. Ele disse. Ele acenou para praia amigavelmente. Voc mora por aqui?

Por que voc quer saber?

Apenas para conversar. Ele respondeu com facilidade. Meu nome  Will, para comear.

Oi, Will.

Ele fez uma pausa. Interessante.

O que?

Normalmente, quando algum se apresenta, a outra pessoa faz o mesmo.

Eu no sou a maioria das pessoas. Ronnie cruzou os braos, tomando cuidado para
manter distncia.

Eu j percebi isso. Ele esboou um sorriso rpido. Eu sinto muito ter corrido em cima de
voc no jogo de vlei.

Voc j me pediu desculpas, lembra?

Eu sei. Mas voc parecia estar furiosa.

Minha soda caiu em minha camisa.

Isso  muito ruim. Mas voc deve realmente tentar prestar mais ateno ao que est
acontecendo.

Desculpe-me?

 um jogo veloz.

Ela colocou as mos nos quadris. Voc est tentando dizer que a culpa foi minha?

Apenas tentando se certificar de que isso no acontea novamente. Como eu disse, senti-
me mal com o que aconteceu.

Com a sua resposta, ela tem a sensao de que ele estava tentando flertar com ela, mas ela
no sabia o porqu. No fazia sentido, ela sabia que no era o seu tipo e, francamente, ele
no era o seu tipo. Mas a esta hora cedo, ela no estava no humor para tentar descobrir. Em
vez disso, ela acenou para os itens que ele estava segurando, pensando que era
provavelmente melhor voltar ao assunto em mos. Como  que a fita pode supostamente
manter os guaxinins fora?

No faz. S estou aqui para marcar o ninho. Eu coloco a fita ao redor da duna para os caras
no colocarem a gaiola sem saber onde esto os ninhos.

Quando eles viro para coloc-lo?
Eu no sei. Ele deu de ombros. Talvez dentro de alguns dias.

Ela pensou na agonia que ela tinha experimentado ao acordar, e ela comeou a sacudir a
cabea. No, eu acho que no. Voc os chama e diz que eles tem que fazer algo para
proteger o ninho hoje. Diga-lhes que eu vi um guaxinim na noite passada que estava em
torno do ninho.

Voc?

Basta dizer-lhes, certo?

Assim que eu terminar, vou certificar-se de chamar. Eu prometo.

Ela piscou para ele, pensando que era muito fcil, mas antes que ela permanecer com ele
ainda, seu pai pisou na varanda atrs.

Bom dia, querida. Ele gritou. Eu fiz um pequeno almoo se voc estiver com fome.

Will olhou de Ronnie para o pai dela e de volta. Voc mora aqui?

Em vez de responder, ela deu um passo para trs. Apenas certifique-se de dizer as
pessoas do aqurio, certo?

Ela comeou a voltar para casa e tinha pisado na varanda quando ouviu Will cham-la.

Hey!

Ela virou-se.

Voc no me disse seu nome.

No. Ela disse. Eu creio que no disse.

Quando ela se dirigia para a porta, ela sabia que no devia olhar para trs, mas no podia
deixar de roubar uma espiada por cima do ombro. Quando ele levantou uma sobrancelha,
ela chutou-se mentalmente, feliz que ela no lhe disse seu nome.

Na cozinha, o pai dela estava de p sobre uma frigideira no fogo, mexendo com a esptula.
No balco ao lado dele havia um pacote de tortilhas, e Ronnie teve que admitir que o que ele
estava fazendo tinha um cheiro terrvel. Ento, novamente, ela no tinha comido nada desde
a tarde de ontem,

L. Disse ele sobre seu ombro. Com quem voc estava falando?

Apenas algum dos caras do aqurio. Ele estava aqui para marcar o ninho.O que voc est
fazendo?

Um almoo de burrito vegetariano.

Voc est brincando.
Tem arroz, feijo e tofu. Tudo vai  tortilha. Espero que seja boa. Achei a receita online, por
isso no posso saber se  boa.

Eu tenho certeza que ficar bom. Ela disse. Ela cruzou os braos, achando que ela poderia
muito bem acabar com isso. J falou para mame?

Ele balanou a cabea. No, ainda no. Eu falei com Pete esta manh, no entanto. Ele
disse que ainda no tinha sido capaz de falar com o proprietrio ainda. Ela est fora da
cidade.

Ela?

Parece que o homem que trabalha l  sobrinho da proprietria. Mas Pete disse que
conhece muito bem a proprietria.

Ah. Ela disse, se perguntando se faria alguma diferena. O pai dela bateu a esptula sobre
a panela. De qualquer forma, eu imaginei que poderia ser uma boa idia de aguardar o
telefonema de sua me at que eu tenha todos os detalhes. Eu odiaria preocup-la sem
necessidade.

Quer dizer que voc no vai falar para ela?

A menos que voc queira.

No, est tudo bem. Disse ela rapidamente. Voc est certo.  provavelmente melhor
esperar.

Tudo bem. Ele concordou. Aps a ltima mexida, ele desligou o fogo. Eu acho que isso
est quase pronto. Voc est com fome?

Faminta. Ela confessou. Quando ela se aproximou, ele pegou um prato do armrio e
acrescentou uma tortilha, em seguida, escavou algumas das misturas dentro. Ele ofereceu a
ela. Isso  o suficiente?

Bastante.

Quer caf? Eu vou pegar um copo. Ele pegou um copo de caf e entregou a ela. Jonah
mencionou que s vezes voc ia para a Starbucks, ento comprei isso. Pode no ser to
bom quanto o que eles fazem em suas lojas, mas  o melhor que eu posso fazer.

Ela pegou o copo olhando para ele. Por que voc est sendo to bom comigo?

Por que eu no deveria ser?

Porque eu no tenho sido muito agradvel para voc, ela poderia ter dito. Mas ela no disse.
Obrigada Em vez disso ela murmurou, pensar na coisa toda parecia algum estranho
episdio de Twilight Zone, onde seu pai tinha de alguma forma esquecido completamente os
ltimos trs anos.

Ela serviu-se do caf e sentou-se a mesa. Steve juntou-se a ela e um momento depois com
o seu prprio prato comeou a rolar seu burrito.

Como foi a noite passada? Voc dormiu bem?

Sim, quando eu dormia. Acordando no foi to fcil.

Percebi tarde demais que eu provavelmente deveria ter pego um colcho de ar.

Est tudo bem. Mas depois do almoo, eu acho que vou me deitar por um tempo. Eu ainda
estou cansada. Tem sido um longo par de dias.

Talvez voc no devesse tomar caf.

No importa. Acredite em mim, eu estarei esgotada.

Atrs deles, Jonah entrou na cozinha vestindo pijamas dos Transformers, cutucando seu
cabelo por toda parte. Ronnie no pode deixar de sorrir.

Bom dia, Jonah. Ela disse.

As tartarugas, certo?

Elas esto bem. Ela disse.

Bom trabalho. Ele disse. Ele coou suas costas enquanto caminhava at o fogo. O que
tem no pequeno almoo*?
*PEQUENO ALMOO:  caf da manh

Burritos. O pai respondeu.

Cautelosamente, Jonah estudou a mistura da panela, em seguida os itens sobre o balco.
No me diga que voc passou para o lado escuro, papai!

Steve tentou abafar o sorriso.  bom.

 tofu!  nojento!

Ronnie riu e se empurrou para trs da mesa. E se eu arranjar uma Pop-Tart em vez disso?

Ele parecia estar tentando decidir se isso era algum tipo de truque. Com o leite com
chocolate?

Ronnie olhou para seu pai. H muita coisa na geladeira. Ele disse.

Ela serviu-lhe um copo e colocou sobre a mesa. Jonah no se mexeu. Certo, o que est
acontecendo aqui?

O que voc quer dizer?

Isso no  normal. Ele disse. Algum tem que estar louco. Algum sempre fica louco no
perodo da manh.
Voc est falando de mim? Ronnie perguntou. Ela colocou dois Pop-Tarts na torradeira.
Eu sempre estou alegre.

Sim, claro. Ele disse. Ele piscou para ela. Tem certeza que as tartarugas esto bem?
Porque vocs esto agindo como se elas estivessem morrido.

Elas esto bem. Eu prometo. Ronnie assegurou-lhe.

Eu estou indo checar.

V em frente.

Ele a estudou. Aps o caf da manh. ,acrescentou.

Steve olhou para ela. Ento o que est na sua agenda de hoje? Ele perguntou.

Depois do cochilo?

Jonah alcanou seu leite. Voc nunca tira cochilos.

Eu tiro quando estou cansada.

No. Ele disse, balanando a cabea. Isso no est certo. Ele colocou o leite de volta na
mesa. Algo estranho est acontecendo e eu no vou sair daqui at descobrir o que .

Depois que ela terminou de comer  e uma vez que Jonah tinha se acalmado  Ronnie
retirou-se para seu quarto. Steve seguiu com algumas toalhas para colocar sobre a haste da
cortina, e Ronnie no precisava delas. Ela dormiu quase que imediatamente e acordou
suando no meio da tarde. Depois de uma longa ducha fria, ela parou na oficina para dizer a
seu pai e Jonah o que ela estava indo fazer. Seu pai ainda no falou de punio.

Era possvel,  claro, quando ela voltasse mais tarde, depois que ele conversasse com o
oficial ou a mame. Ou talvez ele estivesse dizendo a verdade, talvez ele tivesse acreditado
quando ela disse que era inocente.

No teria que haver alguma coisa?

De qualquer maneira, ela tinha que falar com Blaze, e ela passou as prximas horas
procurando por ela. Ela conferiu na casa da me de Blaze e no restaurante, e apesar dela
no entrar, ela espiou atravs das janelas da loja de msica, o corao bateu, quando o
gerente estava de costas viradas.

Blaze no estava l, tambm.

 p no per, ela andou de cima para baixo na praia, sem sorte. Era possvel,  claro, que
Blaze estivesse no Bower`s Point, que era um ponto de encontro preferido da turma de
Marcus. Mas ela no queria ir l sozinha. A ltima coisa que queria era v-lo, e muito menos
tentar falar com algum sentido com Blaze quando ele estava por perto. Ela estava quase
pronta para desistir e voltar para casa quando viu Blaze emergindo entre as dunas de uma
forma abaixo da praia. Ela correu de volta para o caminho, tomando cuidado para no a
perder de vista, em seguida, correu at a praia. Se Blaze percebeu que Ronnie estava
caminhando em sua direo, ela no deu nenhum sinal de carinho. Em vez disso, quando
Ronnie chegou perto, ela sentou-se sobre a duna e olhou por cima da gua.

Voc tem que dizer a polcia o que voc fez. Disse Ronnie sem rodeios.

Eu no fiz nada. E voc foi a nica que foi pega.

Ronnie sentiu vontade de sacudir ela. Voc colocou aqueles quarenta e cinco CDs na
minha bolsa!

No, eu no fiz.

Os CDs eram o que voc estava ouvindo! E a ltima vez que os vi voc ainda estava com
os fones de ouvido. Blaze recusou-se encar-la.

Ronnie sentiu o sangue comear a correr pela sua face. Isto  grave, Blaze. Esta  a minha
vida. Eu posso ser condenada por um crime! E eu lhe disse o que aconteceu antes!

Oh, bem.

Ronnie pressionou os lbios para no explodir. Por que voc est fazendo isso comigo?

Blaze levantou-se de seu lugar, tirou a areia de seu jeans. Eu no estou fazendo nada para
voc. Ela disse. Sua voz era fria e plana.  isso o que eu exatamente disse para polcia
esta manh?

Com descrena, Ronnie assistiu Blaze ir embora, atuando como se ela tivesse realmente
acreditado nisso.

Ronnie caminhou de volta para o per.

Ela no queria voltar para casa, sabendo que assim que seu pai falasse com o oficial Pete,
ele saberia o que Blaze tinha dito. Sim, talvez ainda estivesse calmo sobre essa coisa toda 
ser que ele no vai acreditar nela? E por que Blaze est fazendo isso? Por causa de
Marcus? Ou Marcus falou para ela que ele estava furioso com a forma que Ronnie havia
rejeitado ele na outra noite, ou Blaze acreditava que Ronnie estava tentando roubar o
namorado dela. Neste momento, ela estava acreditando que era a ltima, mas no final, isso
realmente no importa.

Seja qual for sua motivao, Blaze estava mentindo e mais do que disposta para arruinar a
vida de Ronnie. Ela no tinha comido desde o caf da manh, mas sua barriga estava dando
ns, e ela no estava com fome. Em vez disso, sentou-se no per at o sol se pr, assistindo
a transformao da gua azul para o cinza e, finalmente, carvo. Ela no estava sozinha: ao
longo do per, as pessoas estavam pescando, mas na medida em que ela podia dizer, nada
parecia ser fisgado. Uma hora atrs, um jovem casal tinha aparecido com sanduches e uma
pipa. Ela notou a forma afetuosa que se entreolhavam. Ela descobriu que eles estavam na
faculdade  eles eram apenas alguns anos mais velhos do que ela  mas era alm de uma
afeio fcil entre eles e que ela no tinha conhecimento em qualquer de suas prprias
relaes. Sim, ela teve namorados, mas nunca tinha sido amor, e s vezes ela duvidava de
que seria. Depois que seus pais se divorciaram, ela tinha sido cnica sobre essa coisa toda,
como a maioria dos seus amigos. A maioria de seus pais se divorciaram, assim, talvez por
isso tivessem algo em comum.

Quando os ltimos raios de sol foram desaparecendo do cu, ela comeou a caminho de
casa. Ela queria estar de volta hoje  noite em uma hora decente. Era o mnimo que podia
fazer para mostrar a seu pai que ela apreciava a compreenso que ele teve. E apesar de
sua soneca mais cedo, ela estava ainda cansada. Quando chegou no incio do per, ela
optou percorrer a rea de lojas em vez de ao longo da praia. Assim que ela virou a esquina,
perto da lanchonete, ela sabia que tinha tomado a deciso errada. Uma figura sombria
encostada no cap de um carro, segurando uma bola de fogo.

Marcus.

S que desta vez ele estava sozinho. Ela parou, sentindo sua respirao travar na garganta.

Ele se empurrou contra o carro e caminhou em direo a ela, o jogo de postes fazia com que
a metade de seu rosto ficasse na sombra. Ele rolou a bola sobre as costas de sua mo,
olhando para ela, antes que a bola acabasse por volta de seu punho. Ele apertou sua mo,
apagando-o, e comeou a andar em sua direo.

Oi, Ronnie. Ele disse. Seu sorriso fez parecer ainda mais assustador.

Ela permaneceu no local, desejando-lhe ver que ela no tinha medo dele. Apesar de parecer
que estava. O que voc quer? Ela perguntou, odiando o leve tremor em sua voz.

Eu vi voc andando e pensei em dizer oi.

Voc disse. Ela disse. Tchau.

Ela comeou a se mover por ele, mas ele saiu na sua frente.

Ouvi dizer que voc est tendo problemas com Blaze. Ele sussurrou.

Ela inclinou-se para trs, sua pele formigando. O que voc sabe sobre isso?

Eu sei o suficiente para no confiar nela.

Eu no estou no clima para isso.

Novamente ela virou-se, caminhando em torno dele, e desta vez ele a deixou passar antes
de cham-la.

No v embora. Eu vim para te encontrar, porque eu queria que soubesse que eu poderia
ser capaz de falar com ela sobre o que ela est fazendo com voc.

Com averso dela mesma, Ronnie hesitou. Na penumbra, Marcus olhou para ela.

Eu deveria ter avisado que ela fica bastante ciumenta.

E por que tentou tornar pior, hein?

Eu estava fazendo uma brincadeira naquela noite. Eu pensei que era engraado. Voc acha
que eu tinha alguma idia do que ela faria com voc?

Claro que sim, Ronnie pensou. E foi exatamente o que voc queria. Ento, corrija. Ela
disse. Fale com Blaze, faa o que voc tem que fazer.

Ele balanou a cabea. Voc no me ouviu. Eu disse que poderia ser capaz de falar com
ela sobre isso. Se...

Se o qu?

Ele fechou a distncia entre eles. Ela notou que as ruas estavam quietas. Ningum por
perto, nenhum carro no cruzamento.

Eu estava pensando que poderamos ser amigos...

Elas sentiu suas bochechas ruborizarem e, a palavra saiu antes que ela pudesse segurar. O
que?

Voc me ouviu. E eu posso ajeitar tudo acima.

Ela percebeu que ele estava perto o suficiente para toc-la, e ela deu um sbito passo para
trs. Fica longe de mim! Ela virou-se e fugiu, sabendo que ele iria seguir, conscientemente
de que ele conhecia a rea melhor do que ela, com medo de que ele fosse peg-la. Ela
podia seu corao batendo, podia ouvir sua prpria respirao frentica.

Sua casa no era longe, mas ela no estava em forma. Apesar do medo e da descarga de
adrenalina, ela podia sentir suas pernas cada vez mais pesadas. Ela sabia que no podia
continuar, e quando ela fez uma vez, ela por acaso olhou por cima do ombro.

E percebeu que ela estava sozinha na rua, ningum estava atrs dela em tudo.

De volta a sua casa, Ronnie no entrou imediatamente. A luz da sala estava acesa, mas ela
queria recuperar a compostura antes de encarar seu pai. Por alguma razo, ela no queria
que ele visse que ela estava com medo, ento ela sentou-se nos degraus da varanda da
frente. Acima dela, o cu estava cheio de estrelas, a Lua flutuava perto do horizonte. O
cheiro de sal e salmoura circulava sobre a nvoa do mar, um cheiro vagamente primordial.
Em outro contexto, ela poderia ter encontrado algo que a acalmasse; agora, se sentia to
estranha com tudo isso.

Primeiro Blaze. Em seguida, Marcus. Ela perguntou-se se todos eram loucos por aqui.

Marcus certamente era. Bem, talvez no tecnicamente, ele era inteligente, astuto e, na
medida que ela podia dizer, era completamente sem empatia, o tipo de pessoa que s pensa
em si mesmo e no que queria. No outono passado, em sua aula de ingls, ela teve que ler
um romance de um autor contemporneo, e que ela tinha escolhido O Silncio dos
Inocentes`. No livro, ela soube que o personagem principal, Hannibal Lecter, no era
psicopata, ele era sociopata, que foi a primeira vez que ela percebeu a diferena entre os
dois. Embora Marcus no assassinou canibal, ela teve a sensao de que ele e Hannibal
eram mais semelhantes do que diferentes, pelo menos na forma de que eles viam o mundo
e o seu papel nele.
Blaze, embora... era s... Ronnie no estava exatamente certa. Controlada por suas
emoes, certamente. Raiva e inveja, tambm. Mas no dia que passaram juntas, ela nunca
tinha tido a sensao que de que algo estava errado com a menina, alm de ser um
desastre emocional, um furaco de hormnios e imaturidade destrua o que deixava em seu
rastro.

Ela suspirou e passou as mos pelos cabelos. Ela realmente no queria ir para dentro. Em
sua mente, ela j podia ouvir a conversa.

Hey, querida, como foi?

No muito bem. Blaze est completamente sob o feitio de um sociopata manipulador e
mentiu para polcia esta manh, por isso estou indo para cadeia. E pelo caminho? O
sociopata no s decidiu que quer dormir comigo, mas seguiu-me e quase me matou de
susto. Como foi o seu dia?

No exatamente o agradvel bate-papo depois do jantar, que ele provavelmente queria ter,
mesmo que fosse verdade.

O que significava que ela teria que fingir. Suspirando, ela levantou-se dos degraus da
varanda e dirigiu-se para porta. Dentro, seu pai estava sentado no sof, ele girou uma
pgina da Bblia aberta a frente dele. Fechou quando ela entrou.

Ei, querida, como foi?

Figurou.

Ela forou um sorriso rpido, tentando agir indiferente possvel. Eu no tive a chance de
falar com ela. Ela falou.

Era difcil agir normalmente, mas de alguma forma ela parou. Assim que ela estava dentro,
seu pai encorajou a segui-lo at a cozinha, onde ele tinha feito outro prato de massa 
tomates, berinjela, abbora e abobrinha sobre penne*. Eles comeram na cozinha enquanto
Jonah montava um posto avanado de Lego Star Wars, algo que o Pastor Harris tinha
levado quando passou l para dizer Ol anteriores.
* Penne: http://pt.wikipedia.org/wiki/Penne_(massa)

Depois, ficaram na sala de estar, em sentir que ela no estava com vontade de falar, o pai
dela leu a Bblia, enquanto ela lia Anna Karenina, um livro que sua me jurava que ela
adoraria. Embora o livro parecesse bom, Ronnie no conseguia se concentrar nele. No s
por causa de Blaze e Marcus, mas porque seu pai estava lendo a Bblia. Pensando para
trs, ela percebeu que nunca tinha visto isso antes. Ento, novamente, pensou, que talvez
ele tinha e ela que nunca simplesmente notou. Jonah terminou de construir sua engenhoca
Lego e anunciou que estava indo para cama. Ela lhe deu alguns minutos, esperando que ele
j estivesse dormindo antes que ela entrasse no quarto, em seguida, colocou de lado seu
livro e levantou-se do sof.

Boa noite, querida. Seu pai disse. Eu sei que no tem sido fcil para voc, mas estou feliz
por voc estar aqui.

Ela fez uma pausa antes de atravessar a sala em direo a ele. Inclinando-se, e pela
primeira vez em trs anos, ela o beijou na bochecha.

Boa noite, papai.

No quarto escuro, Ronnie sentou em sua cama, sentindo-se esgotada. Embora ela no
quisesse chorar  ela odiava quando chorava  ela no conseguia conter a corrida das
emoes. Ela atraiu uma respirao irregular.

V em frente e chore. Ela ouviu Jonah sussurrar.

timo, ela pensou. Apenas o que ela precisava.

Eu no estou chorando. Ela disse.

Parece que voc est chorando.

Eu no estou.

Est tudo bem. Isso no me incomoda.

Ronnie fungou, tentando manter-se sob controle, e pegou de baixo do travesseiro o pijama
que ela escondeu mais cedo. Pressionando-o perto de seu peito, ela levantou-se e foi ao
banheiro trocar-se. No caminho, ela olhou para fora da janela. A lua tinha crescido no cu,
fazendo com que a praia ficasse com um brilho prata, e quando ela virou-se em direo ao
ninho de tartaruga, ela detectou um movimento brusco nas sombras.

Depois de cheirar o ar, o guaxinim estava indo em direo ao ninho, protegido apenas por
precauo por fitas amarelas.

Oh, merda!

Ela jogou seu pijama e correu para fora do quarto. Quando ela fugiu pela sala e cozinha, ela
vagamente ouviu seu pai gritar, O que h de errado? Mas ela j estava porta  fora antes
que ela pudesse responder. Alcanando a duna, ela comeou a gritar enquanto agitava os
braos.

No! Pare! V embora!

O guaxinim levantou sua cabea, em seguida, correu rapidamente se afastando. Ele
desapareceu sobre a grama da duna.

O que est acontecendo? O que aconteceu?

Voltando, ela viu seu pai e Jonah em p na varanda.

Eles no colocaram a gaiola!
Captulo 13 - Will

As portas dos Freios Blakelee haviam sido abertas a dez minutos, quando Will viu o
empurro pelas portas de entrada e indo em direo diretamente para o centro de servios.

Limpando as mos em uma toalha, ele comeou a andar em sua direo.

Hey. Ele disse, sorrindo. Eu no esperava v-la aqui.

Obrigada por nada. Ela repreendeu.

Do que voc est falando?

Eu lhe pedi para fazer uma coisa simples! Bastava avisar para colocarem a gaiola! Mas
voc no poderia mesmo fazer isso!

Espere... o que aconteceu? Ele piscou.

Eu disse que tinha visto um guaxinim! Eu lhe disse que um guaxinim estava rodeando o
ninho!

Aconteceu alguma coisa com o ninho?

Do jeito que voc cuida. Qual ? Ser que seu jogo de vlei te faz esquecer?

Eu s quero saber se o ninho est bem.

Ela continuou olhando para ele. Sim. Est bem. No obrigada a voc! Ela virou-se sobre os
calcanhares e foi em direo a sada.

Espere! Ele gritou. Espere!

Ela ignorou-o, deixando Will chocado e enraizado no lugar que ela saiu das pequenas
entradas e saiu pela porta da frente.

Que diabos foi aquilo?

Por cima do ombro, Will percebeu Scott que estava olhando para ele de trs do elevador.

Faa-me um favor. Will o chamou.

O que voc precisa?

Buscou as chaves do bolso e comeou a ir em direo do caminho que tinha estacionado
l atrs. Guarda para mim. Eu tenho que cuidar de algo.

Scott deu um passo rpido para frente. Espere! Do que voc est falando?

Estarei de volta assim que puder. Se meu pai chegar, diz que eu j volto. Mantenha as
coisas em ordem enquanto eu estiver fora.
Aonde voc vai? Scott chamou.

Na hora Will no respondeu, e Scott deu um passo em sua direo.

Vamos, cara! No quero fazer isso sozinho! Ns temos uma tonelada de carros para
trabalhar.

Will no se importava, e uma vez fora da entrada, ele se movimentou em direo a seu
caminho, ele sabia que precisava ir.

Encontrou-a na duna uma hora mais tarde, ao lado do ninho, ainda to irritada como quando
tinha aparecido na loja de freio. Vendo sua abordagem, ela colocou as mos nos quadris. O
que voc quer?

Voc no me deixou terminar. Eu os chamei.

Claro que voc fez.

Ele inspecionou o ninho. O ninho est timo. Qual  o problema?

Sim, est bem. No graas a voc.

Will sentiu uma onda de irritao. Qual o seu problema?

O meu problema  que eu tive que dormir fora de novo na noite passada porque o guaxinim
voltou. O guaxinim que eu te falei!

Voc dormiu fora?

Voc nunca escuta o que eu falo? Sim, eu tive que dormir fora. Duas noites seguidas,
porque voc no fez seu trabalho! Se eu no estivesse olhando pela janela exatamente no
momento certo, o guaxinim teria pegado os ovos. Ele no estava mais do que alguns metros
de distncia do ninho quando eu finalmente assustei para se afastar. E ento eu tinha que
ficar aqui, porque eu sabia que ele voltaria.  por isso que eu pedi para cham-los em
primeiro lugar! E eu suponho que at mesmo um vagabundo da praia como voc pode se
lembrar de fazer seu trabalho!

Ela olhou para ele, as mos nos quadris novamente, como se estivesse tentando aniquil-lo
com seu olhar de raio da morte.

Ele no podia resistir. Mais uma vez, ento eu tenho uma histria sem demora: Voc viu um
guaxinim, ento voc queria que eu os chamasse, ento voc viu um guaxinim novamente.
E voc acabou dormindo fora. Est certo?

Ela abriu a boca, em seguida, fechou-a. Em seguida, girou e afastou-se, fez um caminho
mais curto para a sua casa.

A primeira coisa de amanh  que eles viro. Ele gritou. E s para que voc saiba, eu os
chamei. Por duas vezes, na verdade. Um vez depois de colocar a fita, e mais uma vez
quando eu sa do trabalho.Quantas vezes eu vou ter que dizer isso para voc ouvir? Embora
ela tivesse parado, ela ainda no queria encar-lo. Ele continuou: E ento, esta manh,
depois que voc saiu, fui direto falar para o diretor do aqurio e falei com ele em pessoa. Ele
disse que o ninho ser sua primeira parada na parte da manh. Que teria vindo hoje, mas h
oito ninhos em Holden Beach.

Ela virou-se lentamente e o estudou, tentando decidir se ele estava dizendo a verdade.

Isso no ajuda as minhas tartarugas esta noite, no ?

Suas tartarugas?

Sim. Ela disse. O tom foi enftico. Minha casa. Minhas tartarugas.

E com isso, ela virou-se e voltou para casa, desta vez sem se importar se ele ainda estava
l.

Ele gostava dela, era simplesmente isso. No caminho de volta para o trabalho, ele ainda no
sabia ao certo por que ele gostava dela, mas nunca teve uma vez que ele deixou o trabalho
para perseguir Ashley. Toda vez que ele tinha a visto, ela conseguiu surpreend-lo. Ele
gostou do jeito que ela falava o que estava em sua mente, e ele gostava como ela era
imperturbvel ao lado dele. Ironicamente, ele ainda deixou uma boa impresso. Primeiro ele
tinha derramado refrigerante sobre ela, em seguida, esta manh, ela acreditava que ele era
ou um preguioso ou um idiota.

No tem problema,  claro. Ela no era amiga e ele realmente no sabia sobre ela... Mas
por alguma razo, ele se importava com o que ela pensava sobre ele. E no s ele liga, mas
louco como parecia, ele queria que ela tivesse uma boa impresso dele. Porque ele queria
que ela gostasse dele, tambm.

Foi uma experincia mpar, uma nova para ele, e no resto do dia na loja  trabalhando
durante o almoo para compensar o tempo que ele tinha perdido  ele encontrou o seu
pensamente retornar a ela. Ele sentiu que havia algo de verdadeiro na maneira como ela
falou e agiu, algo atenciosa e gentil sob a fachada de frgil. Algo que deixou saber, o quanto
ele tinha decepcionado a este ponto, houve, com ela, sempre uma chance de redeno.

Mais tarde naquela noite, ele encontrou-a sentada exatamente onde ele pensava que ela
estaria, em uma cadeira de praia com um livro aberto no colo, lendo  luz de uma lanterna
pequena. Ela olhou para cima quando ele se aproximou, em seguida, voltou para seu livro,
agindo como se no estivesse nem surpresa e nem satisfeita.

Eu imaginei que voc estaria aqui. Ele disse. Sua casa, suas tartarugas, e tudo.

Quando ela no respondeu, seu olhar desviou. No era muito tarde, e as sombras se
moviam por trs das cortinas da casa pequena que ela vivia.

Algum sinal do guaxinim?

Em vez de responder, ela virou uma pgina de seu livro.

Espere. Deixe-me adivinhar. Voc est me dando o gelo, certo?
Com isso, ela suspirou. Voc no devia estar com seus amigos, olhando para si mesmos no
espelho?

Ele riu. Isso  engraado. Vou ter que lembrar disso.

Eu no estou sendo engraada. Estou falando srio.

Ah, porque ns somos to bonitos, no ?

Em resposta, ela voltou para seu livro, mas Will poderia dizer que ela no estava realmente
lendo. Ele sentou-se ao lado dela.

As famlias felizes so todas iguais, cada famlia infeliz  infeliz  sua maneira` Ele citou,
apontando para seu livro.  a primeira linha do seu livro. Eu sempre achei que havia muita
verdade nisso. Ou talvez aquele meu professor de Ingls que disse. Eu no consigo lembrar.
Eu li no ltimo semestre.

Seus pais devem estar to orgulhosos que voc tenha lido.

Eles esto. Eles me compraram um pnei e tudo quando eu fiz um relatrio do livro sobre o
Gato no Chapu.

Isso foi antes e depois de alegadamente ter lido Tolstoy?

Ah, ento voc est ouvindo. Apenas para ter certeza. Abriu os braos em direo ao
horizonte.  uma noite bonita, no ? Eu sempre amei noites como esta. H algo relaxante
sobre as ondas de som no escuro, voc no acha? Ele fez uma pausa.

Ela fechou o livro. O que h com Full-court press*?
* Full-court press :  um termo de basquete que se refere a um estilo de defesa.

Eu gosto de pessoas que gostam de tartarugas.

Ento, v sair com os seus amigos do aqurio. Oh, espere, voc no pode. Porque eles
esto salvando outras tartarugas, e seus outros amigos esto pintando as unhas e
ondulando seus cabelos, certo?

Provavelmente. Mas eu percebi que voc pode querer alguma companhia.

Eu estou bem. Ela retrucou. Agora vai.

 uma praia pblica. Eu gosto daqui.

Ento, voc vai ficar?

Eu acho que sim.

Ento voc no se importa se eu entrar?

Ele endireitou-se e levou a mo ao queixo. Eu no sei se  uma boa idia. Quero dizer,
como voc pode confiar que eu vou ficar aqui a noite toda? E com esse maldito guaxinim...
O que voc quer comigo? Ele perguntou.

Para comear, como sobre o seu nome?

Ela pegou uma toalha, espalhando-a sobre suas pernas. Ronnie Ela disse.  a abreviao
de Vernica.

Ele reclinou um pouco, apoiando seus braos por trs dele. Tudo bem, Ronnie. Qual  a
sua histria?

Por que voc se importa?

D um tempo. Ele disse, voltando a encar-la. Estou tentando, certo?

Ele no tinha certeza do que pensar sobre isso, mas quando ela pegou seu cabelo em um
rabo de cavalo frouxo, ela parecia aceitar a idia e que ela no seria capaz de execut-la
facilmente para ele.

Tudo bem. Minha histria: Eu moro em Nova York com a minha me e meu irmo mais
novo, mas ela nos mandou para aqui para passar o vero com o nosso pai. E agora eu
estou presa como bab de ovos de tartaruga, enquanto um jogador de voleibol barra
macaco de graxa barra voluntrio do aqurio tenta atingir em mim.

No vou atingir voc. Ele protestou.

No?

Acredite, voc saberia se eu fosse atingir voc. Voc no seria capaz de parar mesmo de
sucumbir aos meus encantos.

Pela primeira vez que ele chegou, ouviu seu riso. Ele levou isso como um bom sinal e
passou.

Na verdade, eu vim aqui porque me senti mal sobre a gaiola, e eu no quero que voc fique
sozinha aqui fora. Como eu disse anteriormente,  uma praia pblica e voc nunca sabe o
que pode vir andando.

Como voc?

No  comigo que voc deve se preocupar. H pessoas ms em todo o lugar. Mesmo aqui.

E deixe-me adivinhar. Voc iria me proteger, certo?

Se vier aqui, eu vou proteg-la em um piscar de olhos.

Ela no respondeu, mas ele tinha a sensao de que ele a surpreendeu. A mar estava
chegando, e juntos eles assistiram as ondas de prata queimado que rolavam sempre e
lavavam em direo a costa. Atravs das janelas, as cortinas esvoaaram, como se algum
estivesse olhando-lhes.
Tudo bem. Ela disse finalmente, rompendo o silncio. Sua vez. Qual a sua histria?

Sou um jogador de voleibol barra macaco de graxa barra voluntrio do aqurio.

Ele ouviu-a rir de novo, com absoluta energia. Parecia contagiante.

Est tudo bem, se eu ficar com voc por um tempo?

 uma praia pblica.

Ele fez um gesto em direo a casa. Voc precisa dizer a seu pai que estou aqui fora?

Tenho certeza que ele j sabe que voc est aqui. Ela disse. Na noite passada, ele deve
ter vindo me ver a cada minuto.

Ele soa como um bom pai.

Ela parecia considerar algo antes balanando a cabea. Ento voc gosta de vlei, huh?

Isso me mantm em forma.

Isso realmente no responde a pergunta.

Eu gosto disso. Embora, eu no saiba se eu amo isso.

Mas voc gosta de bater nas pessoas, certo?

Isso depende de quem eu trombo. Mas alguns dias atrs, acho que tenho que dizer que me
sai muito bem.

Voc acha que me encharcar foi uma coisa boa?

Seu eu no tivesse encharcado voc, eu no estaria aqui agora.

E eu poderia estar desfrutando de uma noite tranqila na praia, em vez disso.

Eu no sei. Ele sorriu. Silncio, noites tranqilas so superestimadas.

Eu acho que no vou encontrar uma hoje a noite, huh?

Ele riu. Onde voc estuda?

Eu no. Ela disse. Formei-me h algumas semanas. E voc?

Eu sou graduado da Laney High School.  onde Michael Jordan ficou.

Aposto que todos da sua escola dizem isso.

No. Ele corrigiu. Nem todos. Apenas os que se formaram.

Ela revirou os olhos. Tudo bem. Ento o que voc vai fazer depois? Vai continuar
trabalhando para seu pai?

Apenas no vero. Ele pegou um pouco de areia e deixou escapar por entre os dedos.

E ento?

Eu estou receoso de que no posso contar a voc.

No?

Eu no te conheo bem o suficiente para confiar em voc com essa informao.

Que tal uma dica? Ela incitou.

Que tal voc primeiro? O que vai fazer depois?

Ela pensou sobre isso. Eu estou fortemente considerando uma carreira de guardar ninhos
de tartarugas. Parece que eu tenho um dom para isso. Quero dizer, voc tinha que ter visto
a maneira que o guaxinim foi embora. Era como se ele achasse que eu era o Exterminador
do futuro.

Voc fala como Scott. Ele disse. Vendo sua expresso em branco, ele explicou. Ele  o
meu parceiro no vlei, e o cara  o rei das referncias de filmes.  como se ele no
conseguisse terminar uma frase sem elas. Claro, ele normalmente as usa em algumas
insinuaes sexuais tambm.

Isso soa como um talento especial.

Ah, . Eu poderia lev-la para lhe dar uma demonstrao pessoal.

No, obrigada. Eu no preciso de quaisquer insinuaes sexuais.

Voc pode gostar dele.

Acho que no.

Ele segurou seu olhar brincalho, notando que ela era ainda mais bonita do que se
lembrava. Engraada e inteligente, tambm, e era ainda melhor.

Perto do ninho, viu a grama dobrando com a brisa e o som constante das ondas rodeando,
fazendo-o sentir em um casulo. Acima da praia, as luzes brilhavam nas casas  beira-mar.

Posso lhe fazer uma pergunta?

Eu no tenho certeza se conseguiria impedi-lo.

Ele empurrou seus ps para trs na areia. Quanto a voc estar com Blaze?

No silncio, ela endureceu um pouco. O que voc quer dizer?

Eu s estava perguntando por que voc estava saindo com ela na outra noite.
Oh. Ela disse. Embora ele no tivesse a menor idia de porque ela parecia aliviada. Na
verdade, nos encontramos quando derramou meu refrigerante em mim. Logo depois que
terminei a limpeza do que voc fez.

Voc est brincando.

No. Tanto quanto posso dizer que, soda derramada sobre as pessoas  o equivalente de
Oi, foi um prazer em conhec-la nesta parte do mundo. Francamente, acho as saudaes
padres funcionam melhor, mas o que eu sei? Ela deu um suspiro longo. De qualquer
forma, ela parecia legal e eu no conhecia ningum, s por isso... acabei saindo por um
tempo.

Ser que ela ficaria com voc na noite passada?

Ela balanou a cabea. No.

Qual ? Ser que ela no deseja salvar tartarugas? Ou, pelo menos , mant-la
companhia?

No contei a ela sobre isso. Ele poderia dizer que ela no queria falar mais, ento deixou
para l. Em vez disso, ele acenou para praia.

Voc quer ir caminhar?

Voc quer dizer um passeio romntico, ou apenas uma caminhada?

Eu quero dizer... apenas uma caminhada.

Boa escolha. Ela bateu as palmas juntas. Mas para voc saber, eu no quero ir muito
longe demais, sendo que os voluntrios do aqurio que no esto preocupados com o
guaxinim e os ovos ainda esto expostos.

Eles estavam definitivamente preocupados. Eu tenho autoridade para dizer que um
voluntrio do aqurio est ajudando a proteger o ninho agora.

Sim. Ela disse. Mas a verdadeira questo  por qu?

Eles caminharam na praia em direo ao per, passando por uma dzia de manses  beira-
mar, cada uma com enormes plataformas e escadas que levavam at a praia. Algumas
casas de baixo, um dos vizinhos estava hospedado em uma pequena reunio, todas as
luzes no terceiro andar estavam ligadas, e trs ou quatro casais se apoiavam no parapeito,
observando as ondas e o luar.

Eles no falavam muito, mas por algum motivo, o silncio no fez se sentirem
desconfortveis. Ronnie mantinha distncia apenas o suficiente para que no
acidentalmente roassem um no outro, por vezes, estudava a areia e em outras vezes
olhava para frente. Houve um momento que ele pensou ter visto um sorriso fugaz cruzar
seus traos, como se ela tivesse lembrado de uma histria engraada, e que ainda no tinha
compartilhado com ele. De agora ento, ela parou e inclinou-se para recuperar conchas que
estavam semi-enterradas na areia, e ele notou sua concentrao, ela examinou-as  luz da
lua antes de jogar a maioria delas de lado. As outras enfiou no bolso.

Havia tanta coisa que ele no sabia sobre ela em muitos aspectos, ela permaneceu sendo
uma interrogao para ele. De maneira, que ela era completamente o oposto de Ashley.
Ashley no era nada se no  segura  previsvel; ele conhecia profundamente o que ele
estava recebendo, mesmo que no fosse o que ele queria. Mas Ronnie era diferente, no h
dvidas sobre isso, e quando ela lhe ofereceu um sorriso subterrneo e inesperado, ele
tinha a sensao que era a intuio de seus pensamentos. O passeio aqueceu ele, e
quando finalmente viraram-se e fizeram o seu caminho de volta para o ponto perto do ninho
de tartaruga, houve um instante que ele imaginou-se a p ao lado dela na praia a cada noite
em um futuro distante.

Quando chegaram na casa, Ronnie entrou para conversar com seu pai enquanto Will
descompactou seu caminho. Ele pegou o seu saco de dormir e o material e colocou ao lado
do ninho de tartaruga, desejando que Ronnie pudesse ter ficado perto do ninho com ele.
Mas ela disse que no tinha nenhuma chance de seu pai estar de acordo. No mnimo,
porm, ele estava feliz, porque ela poderia dormir em sua prpria cama esta noite.

Sentindo-se confortvel, deitou-se, pensando que hoje tinha sido um comeo, e nada mais.
Qualquer coisa pode acontecer a partir daqui. Mas quando ela voltou, acenou sorrindo com
um boa noite da varanda, sentia algo saltando dentro na noo de que ela s poderia
imaginar que era o comeo de algo, tambm.

Quem  o forto?

Ningum. Apenas um amigo. V embora. Quando as palavras invadiram pelos lados
obscuros de sua mente, Will se esforou para se lembrar onde estava. Apertando os olhos
para o sol, ele percebeu que estava cara-a-cara com um menino.

Oh, hey. Will murmurou.

O garoto esfregou o nariz. O que voc est fazendo aqui?

Acordando.

Eu posso ver isso. Mas o que voc estava fazendo aqui na noite passada?

Will sorriu. O garoto agiu como se fosse to grave como um mdico legista, que parecia at
cmico dado a sua idade e estatura. Dormindo.

Uh-huh.

Will arrastou-se para trs, dando-se espao para sentar-se, e notou Ronnie de p ao lado.
Ela estava vestida com uma camiseta preta e jeans rasgados e usava a mesma expresso
divertida que tinha visto na noite anterior.

Eu sou Will. Ele ofereceu. E voc ?

O menino apontou para Ronnie. Eu sou o companheiro de quarto dela. Ele disse. Ns
voltamos a ser por um longo trajeto.
Will coou a cabea sorrindo. Estou vendo.

Ronnie deu um passo a frente, com os cabelos ainda midos de seu chuveiro. Este  meu
irmo intrometido, Jonah.

? Will perguntou.

Sim. Respondeu Jonah. Exceto pela parte do intrometido.

 bom saber.

Jonah continuou a olhar para ele. Acho que eu conheo voc.

Eu acho que no. Eu reconheceria, de maneira, que no me lembro de ter conhecido voc.

No, eu me lembro. Disse Jonah, comeando a sorrir. Voc foi o cara que disse a polcia
que Ronnie foi ao Bower`s Point!

A memria desta noite foi surgindo, e Will virou-se para Ronnie, observando com temor
quando a expresso dela mudou de curiosidade para perplexidade, e finalmente, para a
compreenso.

Oh, no.

Jonah ainda continuou. Sim, o oficial Pete a trouxe para casa, e ela e meu pai tiveram uma
grande luta, na manh seguinte...

Will viu a boca de Ronnie apertar. Resmungando, ela virou-se e invadiu sua casa.

Jonah parou no meio da frase, imaginando o que ele tinha dito.

Obrigado por isso. Will rosnou, em seguida, pulou em p e correu atrs de Ronnie.

Ronnie! Espere! Vamos. Desculpe-me! Eu no quis dizer para voc entrar em encrenca.

Ele estendeu o brao para alcanar o brao dela. Quando seus dedos estavam sobre sua
camisa, ela virou-se para enfrent-lo.

V embora!

Apenas me escute por um segundo.

Voc e eu no temos nada em comum! Ela rebateu. Entendeu?

Ento sobre a noite passada?

Suas bochechas estavam vermelhas. Deixe-me. Em. Paz.

Sua tese no funciona comigo. Ele disse. Por alguma razo, as suas palavras a manteve
calma o tempo suficiente para ir adiante. Voc parou a luta, mesmo quando todo mundo
queria sangue. Voc foi a nica que viu quando o garoto comeou a chorar, e eu vi o jeito
que voc sorriu quando o garoto saiu com a me dele. Voc Tolstoy no seu tempo livre. E
voc gosta de tartarugas marinhas.

Embora ela tivesse levantado o queixo acinte, ele sentiu que ele atingiu um nervo. Ento?

Ento eu quero lhe mostrar uma coisa hoje. Fez uma pausa, aliviado por ela no ter
respondido imediatamente que no. Mas ela disse sim, de qualquer jeito, antes que ela
pudesse de uma forma ou outra, ele andou um pequeno passo em frente.

Voc vai gostar. Ele disse. Eu prometo.

Will entrou no estacionamento vazio do aqurio e em seguindo o caminho de um servio de
pequeno porte que estava em volta. Ronnie sentou ao seu lado no caminho, mas no disse
muito no caminho. Enquanto caminhava em direo  entrada de empregados, ele poderia
dizer que mesmo ela concordando em vir, ela ainda no tinha formado em sua mente sobre
se deve ou no continuar a ficar irritada com ele.

Ele manteve a porta aberta para ela, sentindo o frescor que misturava com o ar quente e
mido de fora. Ele foi para um longo corredor, e passou por uma outra porta que dava para o
aqurio em si. Havia um punhado de pessoas trabalhando em seus escritrios, apesar de
que o aqurio no seria aberto ao pblico nessa hora. Will adorava estar aqui antes de abrir;
as luzes ofuscantes dos tanques e a ausncia de som o fazia sentir-se como se fosse um
esconderijo secreto. Muitas vezes, ele encontrava-se fascinado pelos espinhos venenosos
do Lionfish* de como eles mudam em circuitos de gua salgada, roando no vidro. Ele quis
saber se eles perceberam que o habitat tinha diminudo de tamanho, ou se o mesmo sabia
que ele estava l.
*LIONFISH: http://en.wikipedia.org/wiki/Lionfish

Ronnie caminhava ao lado dele, observando a atividade. Ela parecia contente em ficar
quieta enquanto passavam por um tanque de oceano enorme, casa de uma rplica de
submarino afundado alemo da Segunda Guerra Mundial. Quando chegaram ao tanque de
gua-viva lentamente ondulava e brilhava fluorescente sob a luz negra, ela parou e tocou no
vidro admirando. Aurelia Aurita. Will disse. Tambm conhecida como gelias da lua.

Ela assentiu, voltando seu olhar para o tanque, paralisando por seu movimento em cmera
lenta. Elas so to delicadas. Ela disse.  difcil de acreditar que as picadas podem ser
to dolorosas.

Seu cabelo tinha secado e estava mais encaracolado do que no dia anterior, fazendo-a
parecer um pouco com um moleque rebelde.

Diz isso pra mim. Acho que fui picado pelo menos uma vez por ano desde que eu era uma
criana.

Voc deveria tentar evit-las.

Eu tento. Mas elas me encontram de qualquer maneira. Acho que as atraio para mim.

Ela sorriu, virou-se e encarou-o diretamente. O que estamos fazendo aqui?

Eu disse que queria lhe mostrar algo.
Eu j vi peixe antes. E eu tambm j fui a um aqurio.

Eu sei. Mas este  especial.

Porque est sem ningum?

No. Respondeu ele. Porque voc vai ver algo que o pblico no v.

O qu? Voc e eu sozinhos perto de um tanque de peixes?

Ele sorriu. Ainda melhor. Vamos.

Em uma situao como essa, normalmente ele no hesitaria em pegar a mo de uma
garota, mas ele no podia levar-se a experimentar com ela. Ele fez um sinal com o polegar
em direo a um corredor no canto, escondidos cuidadosamente de modo a ser
praticamente imperceptvel. No final do corredor, ele parou diante de uma porta.

No me diga que lhe deram um escritrio. Ela disse.

No. Ele disse, abrindo a porta. Eu no trabalho aqui, lembra? Eu sou apenas um
voluntrio. Eles entraram em uma sala grande de bloco cinza atravessada por dutos de ar e
dezenas de canos expostos. Lmpadas fluorescentes zumbiam em cima, mas o som era
abafado pelos filtros de gua enormes que se alinhavam distante da parede. Um tanque
gigante aberto, cheio quase at o topo com gua do mar, emprestava no ar um cheiro de sal
e salmoura.

Will abriu o caminho para uma plataforma integrada de ao, que circulava no tanque e subiu
os degraus industriais. No outro lado do tanque estava uma janela de acrlico de tamanho
mdio. As luzes de cima providenciavam uma iluminao suficiente para ver uma criatura se
movendo lentamente.

Isso  uma tartaruga marinha?

Uma cabeuda, na verdade. Seu nome  Mabel.

Quando a tartaruga deslizou pela janela, as cicatrizes em seu escudo tornaram-se evidente,
assim como a nadadeira faltando. O que aconteceu com ela?

Ela foi atingida por uma hlice de barco. Ela foi resgatada cerca de um ms atrs, quase
morta. Um especialista do estado da NC* teve que amputar parte de sua nadadeira da
frente.
* NC : Carolina do norte.

No tanque, incapaz de permanecer na posio vertical, Mabel nadou em um ligeiro ngulo e
bateu no muro agora, ento comeou o seu circuito novamente.

Ser que ela vai ficar bem?

 um milagre ela ter vivido por tanto tempo, e espero que ela vai conseguir. Ela  mais forte
agora do que era. Mas ningum sabe se ela pode sobreviver no oceano.
Ronnie viu Mabel esbarrar na parede outra vez antes de corrigir seu rumo, em seguida,
virou-se para Will.

Por que voc quer que eu veja isso?

Porque achei que voc gostaria dela tanto como eu. Ele disse. Cicatrizes e tudo.

Ronnie parecia querer entender suas palavras, mas ela no disse nada. Em vez disso, ela
virou-se para ver Mabel em silncio por um tempo. Quando Mabel desapareceu nas
sombras atrs, ouviu o suspiro de Ronnie.

Voc no deveria estar no trabalho? Perguntou ela.

 o meu dia de folga.

Trabalhar para o pai tem suas vantagens, no ?

Pode-se dizer isso.

Ela bateu no vidro, tentando chamar ateno de Mabel. Aps um momento, ela virou-se para
ele novamente. Ento o que voc costuma fazer no seu dia de folga?

Apenas o que um bom e velho garoto do sul, huh? Ir pescar, observar as nuvens. Eu me
sinto como se voc devesse estar usando um chapu NASCAR e mascando tabaco.

Eles passaram mais meia hora no aqurio  Ronnie ficou especialmente encantada com as
lontras  antes Will a tinha levado para uma loja de iscas para pegarem alguns camares
congelados. De l, ele levou-a para um lote urbanizado no lado intra-costeiro da ilha, onde
ele tirou as ferramentas de pesca que estavam guardadas na traseira do caminho. Ento
ele levou-a  beira de um pequeno per, e sentou-se, com os ps balanando h poucos
metros acima da gua.

No seja esnobe. Ele repreendeu. Acreditando ou no, o Sul  grande. Ns temos gua
encanada e tudo. E nos finas de semana, temos que ir  lama.

Lama?

Ns dirigimos nossos caminhes na lama.

Ronnie falsificou uma expresso sonhadora. Isso soa to... intelectual.

Ele a cutucou de brincadeira. Yeah, me importune o quanto quiser. Mas  divertido. gua
suja em todo o pra-brisa, ficar preso, girando suas rodas para ensopar o cara atrs de
voc.

Acredite em mim, eu fico tonta s em pensar nisso. Disse Ronnie, inexpressiva.

Eu entendo que no  como voc gasta seus fins de semana na cidade.

Ela balanou a cabea. Uh... no. No exatamente.
Aposto que voc nunca deixaria a cidade, no ?

Claro que eu sairia da cidade. Eu estou aqui, no estou?

Voc sabe o que eu quero dizer. Nos fins de semana.

Por que eu iria querer sair da cidade?

Talvez s para estar sozinha agora e depois?

Eu posso estar sozinha no meu quarto.

Aonde voc iria se voc quisesse sentar-se debaixo de uma rvore e ler?

Eu iria ao Central Park. Ela rebateu facilmente. Existe uma grande colina atrs da Tavern
on the Green*. E eu poderia at comprar um caf expresso ao virar a esquina.
*TAVERN ON THE GREEN: http://en.wikipedia.org/wiki/Tavern_on_the_Green

Ele balanou a cabea fingindo lamentar. Voc  uma garota da cidade. Voc sabe mesmo
como pescar?

No  to difcil. Isca no anzol, lana a linha, ento segura o plo. Como eu estou indo at
agora?

Certo, se acha que isso  tudo. Mas voc tem que saber que isca boa suficiente para lanar
exatamente onde voc quer. Voc tem que saber que isca atrai para usar, elas dependem
de tudo, desde o tipo de peixe at o tempo e a clareza da gua. E depois, claro, voc tem
que definir o gancho. Se voc jogar cedo de mais ou tarde demais, voc vai perder o peixe.

Ronnie pareceu considerar o seu comentrio. Ento por que escolheu o para usar com
camaro?

Porque estava  venda. Ele respondeu.

Ela riu e, em seguida, roando levemente contra ele. Espertinho. Ela disse. Mas eu acho
que merecia isso.

Ele ainda podia sentir o calor do seu toque em seu ombro. Voc merece o pior. Ele disse.
Acredite em mim, a pesca  como uma religio para algumas pessoas por aqui.

Voc tambm.

No. A pesca  contemplativa... d-me tempo para pensar, sem interrupo. E, alm disso,
eu gosto de ver as nuvens, enquanto eu coloco meu chapu NASCAR e mastigo tabaco.

Ela franziu o nariz. Voc realmente no masca tabaco, no ?

No. Eu meio que gosto da idia de no perder meus lbios por cncer de boca.

Bom. Ela disse. Ela balanou as pernas para trs e para frente. Nunca tive a oportunidade
de conhecer algum que mascava tabaco.

Est dizendo que estamos em uma oportunidade?

No. Isto definitivamente no  uma oportunidade. Isto  pesca.

Voc tem muito que aprender. Quer dizer, isso...  o que  a vida.

Ela pegou uma lasca de madeira da doca. Voc parece um comercial de cerveja. Um
osprey* deslizou sobre elas assim quando a linha mergulhou uma vez e depois uma
segunda vez. Will empurrou a vara para cima, quando a linha ficou apertada. Ele ficou de p,
e comeou a girar o carretel, a vara estava dobrada. Aconteceu to rpido que Ronnie mal
teve tempo para descobrir o que estava acontecendo.
* um pssaro

Voc pegou um? Ela perguntou, saltando para cima.

Chegue mais perto. Ele insistiu, continuando a girar. Ele forou a vara para ela. Aqui! Ele
gritou. Pegue isso!

Eu no posso! Ela gritou, recuando.

No  difcil! Basta pegar e continuar girando o carretel!

Eu no sei o que fazer!

Eu te disse. Ele disse. Ronnie deu um passinho a frente, e ele praticamente forou a vara
em suas mos. Agora continue girando o carretel!

Ela viu a vara embaixo e comeou a girar o carretel.

Levante! Mantenha a linha firme!

Estou tentando! Ela chorou.

Voc est indo muito bem! O peixe espirrou perto da superfcie  um pequeno red drum*,
ele percebeu  e Ronnie gritou, fazendo cena. Quando ele comeou a rir, ela comeou a rir
tambm, pulando em um p. Quando o peixe salpicou de novo, ela gritou pela segunda vez,
com um salto ainda maior, mas desta vez com uma expresso de determinao feroz.
* um peixe

Era, ele pensava, uma das coisas mais engraadas que ele tinha visto em muito tempo.

Basta continuar fazendo o que voc esta fazendo. Ele incentivou. Quando chegar mais
perto do per eu cuido do resto. Pegando uma rede, ele se abaixou, esticou o brao sobre a
gua e Ronnie continuou rodando o carretel. Com um movimento rpido, ele capturou o
peixe na rede, ento se levantou. Quando ele tirou da gua, o peixe caiu no per, Ronnie
continuou a deter o carretel, danando ao redor do peixe quando Will pegou da linha.

O que voc est fazendo? Ela gritou. Voc tem que coloc-lo de volta na gua!
Ele vai ficar bem...

Ele est morrendo!

Ele agachou-se e pegou o peixe, prendendo-o no gancho. No, no vai.

Voc tem que tir-lo do gancho. Ela gritou novamente.

Ele pegou o gancho e comeou a arranc-lo. Estou tentando! Apenas me d um segundo!

Ele est sangrando! Voc feriu-o! Ela girou freneticamente em torno dele. Ele a ignorou,
ele comeou a tirar do gancho. Ele podia sentir a cauda se movendo para trs e para frente,
batendo contra as costas de suas mos. Era pequeno, talvez trs ou quatro quilos, mas era
surpreendemente forte.

Voc est demorando demais! Ronnie chorou.

Ele libertou cuidadosamente do gancho, mas segurou o peixe preso contra o doca. Voc
tem certeza que no quer lev-lo para casa para jantar? Voc pode conseguir alguns filetes
por fora.

Sua boca abriu e fechou na descrena, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Will
jogou o peixe de volta na gua. Com um toque, ele mergulhou e desapareceu. Will pegou
uma toalha e limpou o sangue de seus dedos.

Ronnie continuou a olhar para ele com um olhar acusador, o rosto vermelho de excitao.
Voc teria comido ele, no ? Se eu no estivesse aqui?

Eu teria jogado de volta.

Por que eu no acredito em voc?

Porque voc est provavelmente certa. Ele sorriu para ela antes de pegar a vara. Agora,
voc que uma isca para prxima pesca ou no?


Ento, minha me est ficando louca tentando planejar o casamento da minha irm para
ficar tudo perfeito. Will disse. Est um pouco tenso l em casa...

Quando  o casamento?

Dia nove de agosto. E no ajuda os assuntos que minha irm quer ter em casa. Que,
naturalmente, s acrescenta ao esforo da minha me.

Ronnie sorriu. Quem sua irm gosta?

Smart. Vive em Nova York. Tem um pouco de esprito livre. Muito parecido com uma outra
irm mais velha, eu sei. Isso pareceu satisfaz-la. Enquanto passeavam na praia, o sol
estava se pondo e Will poderia dizer que Ronnie estava se sentindo mais relaxada. Eles
acabaram pescando trs peixes e soltando e antes ele a tinha levado para Wilmington no
centro da cidade, onda haviam apreciado o almoo em um restaurante com a vista para o
Cape Fear River. Olhando para um ponto na margem oposta, ele apontou para um USS
Carolina do Norte, um navio de guerra desativado da Segunda Guerra Mundial. Assistiu
Ronnie inspecion-lo, Will surpreendeu-se de como era fcil passar o tempo com ela. Ao
contrrio de outras garotas que ele conhecia, ela no ficava fazendo jogos estpidos. Ela
tinha um senso de humor que ele gostava, mesmo quando se dirigia a ele. Na verdade, ele
gostava de tudo sobre ela.

Quando eles se aproximaram de sua casa, Ronnie correu na frente para buscar o ninho na
base da duna. Ela fez uma pausa na gaiola feita de arame garantida na duna de areia por
estacas longas e quando ele juntou-se a ela na duna, ela virou para ele com dvida.

Isso vai manter o guaxinim longe?

Dizem que sim.

O estudou. Como as tartarugas vo sair? Elas no podem passar pelos arames, podem?

Will balanou a cabea. Os voluntrios do aqurio removero a gaiola antes da ecloso dos
ovos.

Como eles sabem quando vo nascer?

Eles se baseiam atravs da cincia. Os ovos demoram cerca de sessenta dias de
encubao antes de chocar, mas isso pode variar dependendo do clima. Quando mais
quente a temperatura de todo o vero, mais rpido eles vo nascer. E tenho em mente que
este no  o nico ninho na praia, e no  o primeiro, tampouco. Uma vez que um ninho fica
limpo, os outros seguem, geralmente, dentro de uma semana ou outra.

Voc j viu uma ninhada nascer?

Ele balanou a cabea. Quatro vezes.

Como ?

Na verdade,  um pouco louco. Ao aproximar-se do tempo, ns removemos a gaiola, e
ento cavamos uma trincheira rasa do ninho  beira da gua, tornando-o mais suave o
possvel, mas alto o suficiente nos lados para que as tartarugas s podero seguir em uma
direo. E  estranho, porque de primeira um par de ovos se movem, mas  como se seu
movimento fosse suficiente para definir todo o ninho, e antes para que voc saiba, o ninho 
como uma colmia louca de esterides. As tartarugas vo subindo umas sobre as outras
para sair do buraco, e ento batem na areia e seguem em direo a gua desfilando como
um pequeno caranguejo.  incrvel.

Quando ele descreveu, ele sentiu que Ronnie estava tentando imaginar a cena. Ento, ela
notou seu pai pisando na varanda de volta, e ela acenou.

Will acenou para a casa. Este  o seu pai? Perguntou ele.

Sim.

Voc no quer me apresentar?
No.

Eu prometo ter boas maneiras.

Isso seria bom.

Ento, por que no vai me apresentar?

Porque voc ainda no me levou para conhecer seus pais.

Por que voc tem que conhecer meus pais?

Exatamente. Ela disse.

Eu no estou certo de acompanhar o que voc quer dizer.

Ento, como na terra, voc nunca fez isso atravs do Tolstoy?

Se ele estava confuso antes, ele estava completamente confuso agora. Ela comeou a
caminhar lentamente pela praia, e ele deu alguns passos rpidos para acompanh-la.

Voc no  exatamente fcil de descobrir.

E?

E nada. Apenas anotando para o registro.

Ela sorriu para si mesma, olhando para o horizonte.  distncia, um arrasto de camares
estavam fazendo seu caminho para a escotilha. Eu quero estar aqui quando isso
acontecer. Ela disse.

Quando o qu acontecer?

Quando os filhotes de tartarugas nascerem. O que voc acha que eu estava falando?

Ele balanou a cabea. Oh, ns estamos de volta a isso. Bom, quando voc vai voltar para
Nova York?

No final de agosto.

Fica perto. S  esperar um longo e quente vero.

 um bom comeo. Eu estou fervendo.

Isso  porque voc est vestindo preto. E calas jeans.

Eu no sabia que passaria a maior parte do dia fora.

Caso contrrio, voc teria usado biquni, no ?
Eu que acho que no. Ela disse.

Voc no gosta de biqunis?

Claro que eu gosto.

S no perto de mim?

Ela balanou a cabea. No hoje.

E se eu prometer te levar para pescar de novo?

Voc no est ajudando a si mesmo.

Caar patos?

Isso a parou. Quando ela finalmente encontrou sua voz, era de desaprovao. Voc
realmente no mata patos, no ? Quando Will no disse nada, Ronnie prosseguiu. Fofos,
criaturas de penas docinhos, patinho voando em direo a lagoa, apenas cuidando de seus
prprios negcios? E voc os explode fora do cu?

Will considerou a questo. S no inverno.

Quando eu era uma garotinha, meu animal de pelcia favorito era um pato. Eu tinha um
papel de parede de pato.Eu tinha um hamster chamado Patolino. Eu amo patos.

Eu tambm. Ele disse.

Ela no se preocupou em esconder seu ceticismo. Will respondeu contando com as pontas
dos dedos quando ele continuou. Eu os amo fritos, assados, grelhados, com um lado doce
e molho azedo.

Ela lhe deu um empurro, derrubando-o de equilbrio de um a dois passos. Isso  terrvel!

 engraado!

Voc  apenas um homem malvado.

s vezes. Ele disse. Fez um gesto em direo a casa. Ento, se voc no quer ir para
casa, no entanto, que vir comigo?

Por qu? Voc est planejando me mostrar ou me dizer sobre outra forma de matar animais
pequenos?

Eu tenho um jogo de voleibol logo e quero que voc venha.  divertido.

Voc vai derramar refrigerante em mim de novo?

S se voc trouxer uma lata de refrigerante.

Ela se debateu por um instante, em seguida, caiu no passo com ele, na direo do per. Ele
a cutucou e ela empurrou- o de volta.

Eu acho que voc tem problemas. Ela falou para ele.

Que problemas?

Bem, para comear, voc  um assassino mal de patos

Ele riu antes de olhar em seus olhos. Ela olhou para a areia, ento at a praia, finalmente,
em direo a ele. Ela balanou a cabea, incapaz de suprimir um sorriso, como se
maravilhasse o que estava acontecendo entre eles e curtindo todo momento.
Captulo 14 -Ronnie

Se ele no fosse to bonito nada disto teria acontecido.

Enquanto ela observava Will e Scott disputando em torno da praia, ela refletiu sobre a srie
de coisas que a trouxe aqui. Se ela no tivesse ido realmente pescar hoje cedo? E se no
assistissem a uma tartaruga ferida nadando em torno de um tanque oito horas da manh?
Ela balanou a cabea, tentando no focalizar Will com seus msculos visveis perseguindo
a bola na areia. Resistente a ignorar, j que ele no estava mais usando camisa.

Talvez o resto do vero no seria to terrvel, afinal.

Claro, ela tinha pensado a mesma coisa depois que conheceu Blaze, e olhou como tudo
est de cabea para baixo agora. Ele no era realmente seu tipo, mas assistindo o jogo, ela
comeou a se perguntar se isso era uma coisa to m. Ela no teve a menor sorte quando
se tratou de escolher caras no passado, Rick sendo o principal exemplo. Reconheceu que
Will foi mais esperto do que qualquer outro cara que ela conheceu, e mais do que isso, ele
parecia estar fazendo algo em sua vida. Ele trabalhava, era voluntrio, e ele era um atleta
muito bom; ele era junto com sua famlia. E mesmo que ele gostasse de jogar as coisas fora
com um Ah, besteira desse tipo, ele no tinha tarefa simples. Quando ela o testou, ele
apelou a ela  mais uma vez, de fato  e ela teve que admitir que gostava disso.

Se houve uma coisa que lhe fez parar, foi isso: Ela no sabia por que ele gostava dela. Ela
no era qualquer coisa como as meninas que ela tinha visto na noite do festival e com toda a
honestidade, ela no tinha certeza se ele iria querer v-la depois de hoje. Ela o viu correr
para a linha do jogo, em seguida, olhou em direo a ela, obviamente satisfeito porque ela
estava olhando. Ele moveu-se facilmente atravs da areia, e quando ele preparava para
pegar a bola, ele sinalizou algo para Scott, que parecia jogar o jogo como se sua vida
dependesse disso. Assim que Scott virou-se para rede, Will revirou os olhos, tornando-se
claro que ele descobriu a intensidade de que seu amigo era mais alto.  apenas um jogo, ele
parecia dizer, e ela descobriu que era animador. Ento, depois de jogar a bola no ar
duramente, ele correu em direo ao lado da quadra para manter o bola. Quando ele
sacrificou se corpo, mergulhando para a bola e enviando uma nuvem de areia, ela
perguntava se o que tinha visto no momento anterior tinha sido apenas uma iluso, mas
depois que seu remate foi largo e Scott levantou as mos em frustrao com brilho furioso,
Will ignorou. Depois de d uma piscadinha a Ronnie, ele se preparou para o prximo saque.

Voc e o Will, huh?

Surpreendida, Ronnie no tinha percebido que algum tomo seu assento ao lado. Voltando,
ela reconheceu a loira que estava saindo com Will e Scott, na noite do festival.

Desculpe-me?

A loira passou a mo pelos cabelos e mostrou os dentes perfeitos. Voc e Will. Eu vi vocs
dois caminhando l em cima.

Ah. Ronnie disse. Seu instinto lhe dizia que era melhor no dizer muito.

Se a loira tomou conhecimento da reao desconfiada de Ronnie, ela no mostrou.
Balanou a cabea com habilidade praticada, ela mostrou os dentes novamente. Ela
definitivamente devia ter usado branqueador, Ronnie decidiu.

Eu sou Ashley. E voc ...

Ronnie

Ashley continuou a olhar para ela. E voc est de frias? Quando Ronnie olhou para ela,
ela sorriu novamente. Eu saberia se voc fosse daqui. Eu conheo Will deste que ramos
crianas.

Uh-huh. Ronnie disse novamente, tentando soar evasiva.

Eu acho que vocs se conheceram quando ele derramou soda em voc, hein? Conhecendo
ele, provavelmente ele fez isso de propsito.

Ronnie piscou. O qu?

No  a primeira vez que vi ele fazendo isso. E deixe-me adivinhar. Ele te levou para
pescar, certo? Na doca um pouco do outro lado da ilha?

Desta vez, Ronnie no podia ocultar sua surpresa.

Isso  o que ele faz quando ele comea a conhecer uma garota. Bem,  isso ou ele a leva
para o aqurio.

Quando Ashley continuou, Ronnie olhou para ela, incrdula, sentindo o mundo ao redor, de
repente comear a diminuir. De que voc est falando? Rosnou para fora, sua voz a
abandonando.

Ashley enrolou seus braos em volta de suas pernas. Menina nova, nova conquista? No
fique brava com ele. Ela disse.  apenas a forma de como ele . Ele no pode melhorar
isso.

Ronnie sentiu o sangue escorrer em seu rosto. Ela disse a si mesma para no escutar, para
no acreditar, isso no era assim. Mas as palavras ecoavam em sua mente...

Deixe-me adivinhar. Ele te levou para pescar, certo?

Ou  isso ou ele te levou para o aqurio...

E se ela tivesse realmente o calculado mal? Parecia que ela estava errada sobre todos que
tinha conhecido aqui. O que fazia sentido, considerando de que ela nunca quis vir para c.
Quando ela deu um longo suspiro, ela notou que Ashley estava a estudando.

Voc est bem? Ela perguntou, suas sobrancelhas perfeitamente em forma unida em
preocupao. Eu disse algo que te incomodou?

Eu estou bem.

Porque voc parecia que estava prestes a ficar doente.
Eu disse que estou bem. Ronnie rosnou.

Ashley abriu a boca e fechou antes de sua expresso suavizar. Oh, no. No me diga que
voc estava realmente caindo nisso?

Nova garota, nova conquista?  apenas a forma que ele ...

As palavras no paravam de tocar na cabea dela, e Ronnie ainda no tinha respondido 
responderia. No silncio, Ashley disse com sua voz simptica. Bem, no se sinta muito
ruim, porque ele  muito bonito e o cara mais charmoso do mundo quando ele quer ser.
Confie em mim, eu sei, porque eu me apaixonei por ele, tambm. Ela acenou para a
multido. E assim temos a metade das outras garotas que voc pode ver por aqui. Ronnie
instintivamente pesquisou a multido, tendo diante dos olhos meia dzia de garotas bonitas
de biquni, e todos os seus olhares fixos em Will. Ela se sentia incapaz de falar. Enquanto
isso, Ashley continuava.

Eu imaginei que voc seria capaz de ver atravs dele... Quer dizer, voc parece um pouco
mais sofisticada do que as outras meninas por aqui. Eu pensei 

Eu tenho que ir. Ronnie anunciou, seu tom de voz mais constantes do que seus nervos.

Ela sentiu suas pernas trmulas ligeiramente quando andava. Na quadra, Will deve ter visto
seu caminho, porque virou-se para ela sorridente, agindo...

Como o cara mais charmoso do mundo...

Ela virou-se, com raiva dele, mas mesmo com muita raiva de si mesma por ter sido to
estpida. Ela no queria nada mais do que para ter o inferno fora deste lugar. Em seu
quarto, ela jogou a mala sobre a cama e foi empurrando as roupas dentro quando a porta se
abriu atrs dela. Por cima do ombro, viu seu pai em p na porta. Ela hesitou apenas
brevemente antes de cruzar o guarda-roupa e pegar mais de suas coisas.

Dia difcil? Seu pai perguntou. Sua voz era suave, mas ele no esperou por uma resposta.
Eu estava na oficina com Jonah quando eu vi voc chegar  praia. Voc no parecia muito
legal.

Eu no quero falar sobre isso.

Seu pai continuou no local, mantendo a distncia. Vai para algum lugar?

Ela respirou furiosa, enquanto continuava a embalar. Eu vou embora daqui, certo? Eu vou
chamar mame e vou para casa.

Isso  ruim, huh?

Ela virou-se me direo a ele. Por favor, no me faa ficar. Eu no gosto daqui. Eu no
gosto das pessoas daqui. Eu no caibo aqui. Eu no perteno aqui. Eu quero ir para casa.

Seu pai no disse nada, mas viu a decepo em seu rosto.
Sinto muito. Ela acrescentou. No  com voc, certo? Se voc chamar, eu vou falar com
voc. E voc pode vir me ver em Nova York e ns passaremos algum tempo juntos, certo?

Seu pai continuou a observ-la em silncio, o que a fez sentir ainda pior. Ela examinou o
contedo de sua mala antes de adicionar o resto de suas coisas.

Eu no tenho certeza de que posso deixar voc ir.

Ela sabia que isso aconteceria, e internamente estava tensa. Papai...

Ele levantou as mos. No  pela razo que voc pensa. Eu te deixaria ir embora, se
pudesse. Eu chamaria sua me agora. Mas o que aconteceu no outro dia na loja de
msica...

Com Blaze, ela respondeu para ela mesma. E a priso...

Seus ombros encolheram. Na sua raiva, ela tinha esquecido os bens roubados.

Claro que ela tinha esquecido eles. Em primeiro lugar ela no tinha roubado! Sua energia de
repente evaporou, e ela virou-se para apoiar-se na cama. Isso no era justo. Nada disto era
justo.

O pai dela ainda no tinha se movido no quarto. Eu posso tentar falar com Pete  Oficial
Johnson  e ver se ficaria tudo bem. Eu no vou poder ach-lo at amanh, no entanto, e eu
no quero entrar em mais problemas. Mas se ele disser que est tudo bem voc ir, no vou
fazer voc ficar.

Voc promete?

Sim. Ele disse. Mesmo que eu prefira que voc fique, eu prometo.

Ela balanou a cabea, apertando os lbios. Ser que voc ir para Nova York para me
ver?

Se eu puder. Ele disse.

O que significa isso?

Antes que seu pai pudesse responder, houve um sbito bater  porta, alto e insistente. O pai
dela olhou por cima do ombro. Eu acho que  provavelmente o rapaz que estava com voc
hoje. Ela se perguntou de como ele sabia, e lendo sua expresso ele acrescentou. Eu vi
ele agir desta mesma maneira quando eu cheguei para encontrar voc. Voc quer eu lide
com isso?

No fique brava com ele.  apenas a forma que ele . Ele no pode se ajudar.

No. Ela disse. Eu vou lidar com isso.

Seu pai sorriu, e por um instante, ela pensou que ele parecia mais velho do que apenas um
dia antes. Como se seu pedido o tivesse feito envelhecer.
Mas mesmo assim, ela no pertence aqui. Este era o lugar dele, e no dela.

A batida na porta soou novamente.

Ei, papai?

Sim?

Obrigada. Ela disse. Eu sei que voc quer que eu realmente fique, mas eu no posso.

Tudo bem, querida. Embora ele tivesse sorrido, as palavras saram feridas. Eu entendo.

Ela levantou a costura de seu jeans antes de se levantar. Quando ela chegou na porta, ela
colocou as mos nas costas e ela fez uma pausa. Ento, fortalecendo-se, ela foi at a porta
e puxou-a abrindo, ressaltando-se que a mo de Will estava pendurada no ar. Ele pareceu
surpreso quando ela abriu.

Ela olhou para ele, perguntando-se de como ela pode ter sido to estpida em confiar nele.
Ela devia ter ouvido seus instintos.

Oh, hey... Ele disse, abaixando a mo. Voc est aqui. Por um segundo eu 

Ela bateu a porta, s para ouvi-lo imediatamente comear a bater novamente, com sua voz
suplicante.

Vamos, Ronnie! Espere! Eu s quero saber o que aconteceu! Por que voc saiu?

V embora! Ela gritou.

Ela puxou a porta abrindo novamente. Eu no quero jogar o seu jogo!

Que jogo? Do que voc est falando?

Novamente, ela bateu a porta. Will comeou a bater de novo.

Eu no vou sair at que voc fale comigo!

O pai dela fez um sinal para a porta. Problemas no paraso?

No  o paraso.

 o que parece. Ele disse. Voc quer que eu cuide dele? Ele ofereceu novamente. As
batidas comearam novamente.

Ele no vai ficar por muito tempo.  melhor simplesmente ignor-lo.

Depois de um momento, ele pareceu aceitar isso e acenou para a cozinha. Voc est com
fome?

No. Ela disse automaticamente. Em seguida, ela colocou as mos no estmago, e mudou
de idia. Bem, talvez um pouco.
Eu encontrei uma boa receita. Esta tem cebolas, cogumelos e tomate cozido no azeite,
servido sobre o macarro, e joga-se o queijo parmeso. Ser que soa bom?

Eu no acho que Jonah v gostar.

Ele queria um cachorro-quente.

Agora estou surpresa. Ele sorriu assim que a batida na porta soou novamente. Quando
isso continuou, viu alguma coisa em seu rosto porque ele abriu os braos.

Sem pensar, Ronnie caminhou em direo a ele e sentiu ele segur-la perto. Havia alguma
coisa... Suave e agressiva, em seus braos, algo que ela tinha perdido h anos. Era tudo
que podia fazer para parar as lgrimas de vir e antes disso ela se afastou.

Quer que eu te d uma mo para o jantar?


Ronnie tentou mais uma vez absorver o contedo da pgina que ela acabara de ler. O sol
tinha ido uma hora atrs, e depois de surfar sem parar por um punhado de canais na TV de
seu pai, ela desligou e pegou seu livro. Mas como ela poderia fazer, se ela no conseguia ler
um nico captulo, uma vez que Jonah tinha parado perto da janela por quase uma hora... O
que forou a pensar sobre o que estava fora da janela, ou melhor, quem estava fora. Will.
Fazia quatro horas, e o cara ainda no tinha ido. Ele tinha parado de bater h um tempo e
simplesmente sentou-se um pouco alm da crista da duma, de costas para a casa.
Tecnicamente, ele estava na praia pblica, por isso nem ela e nem eu pai podiam fazer
qualquer coisa, exceto ignor-lo. Era o que ela e seu pai  que estranhamente, estava lendo
a Bblia novamente  estavam tentando fazer.

Jonah, por outro lado, simplesmente no podia ignor-lo. Ele parecia encontrar a viglia de
Will transfixante, como um pouso de UFO* perto do per ou um Bigfoot* caminhando pela
areia. Embora ele estivesse vestindo o pijama dos Transformers e deveria ter ido para cama
meia hora mais cedo, ele implorou a seu pai para deix-lo ficar acordado por mais um
pouco, porque, em suas palavras, Se eu ir para cama cedo de mais, eu posso molhar a
cama.
* UFO : Objeto voador no identificado.
* Bigfoot: Tambm conhecido como Sasquatch,  uma suposta criatura que supostamente
habita as florestas, principalmente na Pacific Northwest regio da Amrica do Norte. Bigfoot
 geralmente descrito como um grande e peludo bpede humanide.

Satisfatrio.

Ele no fazia xixi na cama desde que ele era uma criana que comea a andar, e ela sabia
que seu pai no acreditava em uma palavra dele. Sua aquiescncia provavelmente tinha
haver com o fato de ter sido a primeira noite com todos passando juntos desde que ela
chegou e, dependendo do que o Oficial Johnson disser a eles amanh, talvez seja a ltima.
Ela descobriu que seu pai simplesmente quis prolongar a experincia.

Que era compreensvel,  claro, e tipo a fez sentir-se mal por todo quero-ir-embora de
qualquer jeito. Fazer o jantar com ele tinha sido mais divertido do que ela pensava, pois no
tinha lanado s suas perguntas com insinuaes da forma de como sua me fazia
recentemente. Ainda assim, ela no tinha inteno de permanecer por mais tempo do que
ela tinha, mesmo sendo dura com seu pai. O mnimo que podia fazer era tentar fazer de hoje
uma noite agradvel.

O quanto possvel,  claro.

Quanto tempo voc acha que ele vai ficar l fora? Jonah murmurou. Por sua conta, ele
tinha feito essa mesma pergunta, pelo menos, cinco vezes, embora nem ela e nem seu pai
tivesse respondido. Desta vez, porm, seu pai colocou a Bblia de lado.

Por que voc no vai perguntar a ele. Sugeriu.

Sim, claro. Jonah bufou. Ele no  meu namorado.

Ele no  meu namorado, tambm. Ronnie acrescentou.

Ele est agindo como seu namorado.

Ele no , certo? Ela virou uma nova pgina.

Ento por que ele est sentando l fora? Ele balanou a cabea, tentando resolver o
enigma. Quero dizer,  apenas estranho, no acha? Sentado l fora, por hora, esperando
para voc falar com ele. Quero dizer, estamos falando da minha irm. Minha irm.

Tem o direito de interrogar. Ronnie disse. Nos ltimos vinte minutos, ela descobriu que
releu a mesma pgina umas seis vezes.

Eu apenas estou dizendo que  estranho. Pensou Jonah, soando como um cientista
perplexo. Por que ele iria esperar por minha irm l fora?

Ronnie olhou para cima, vendo como seu pai tentou e no conseguiu reprimir um sorriso.

Ela retornou para seu livro e comeou a trabalhar com um nmero de determinao
renovado, e para os prximos dois minutos houve silncio na sala.

Alm do som de Jonah remexendo e resmungando pela janela. Ela tentou ignor-lo. Ela
puxou-se para baixo, empoleirando os ps em cima no final da mesa, e se forou a
concentrar-se nas palavras. Por um minuto ou outro, ela foi capaz de bloquear tudo ao seu
redor e estava prestes a voltar a cair na histria quando ela ouviu a voz de Jonah
novamente.

Quanto tempo voc acha que ele vai ficar l fora? Jonah murmurou.

Ela bateu o livro fechando. timo! Ela chorou, pensando novamente que seu irmo sabia
exatamente que botes apertar para deix-la louca. Eu vou! Eu vou!

Uma brisa soprava forte, trazendo consigo o cheiro de sal e de pinho, quando Ronnie saiu
da varanda e dirigiu-se a Will. Se ele ouviu a porta fechar, ele no deu nenhum sinal, em vez
disso, ele parecia contente em lanar pequenas conchas de caranguejos aranha que
estavam correndo para seus buracos. Uma camada de neblina marinha cobrindo as estrelas,
tornando a noite mais fria e mais escura do que antes. Ronnie cruzou os braos, tentando
manter o frio afastado. Will, ela notou, estava com os mesmos shorts e camiseta que usava
todos os dias. Ela se perguntou se ele estava com frio, ento forou o pensamento longe.
No era importante, ela lembrou-se quando ele virou-se em direo a ela. No escuro, ela
no podia ler sua expresso, mas quando ela olhou para ele, ela percebeu que estava com
menos raiva dele do que exasperada pela sua persistncia.

Voc colocou meu irmo de cabeleira em p. Afirmou Ronnie, ela esperava que fosse uma
voz autoritria. Voc deveria ir.

Que horas so?

So depois das dez.

Voc demorou um longo tempo para vir aqui.

Eu no deveria ter quer vir aqui. Eu lhe disse para ir mais cedo. Ela olhou para ele.

Sua boca estava tensa em uma linha reta. Eu quero saber o que aconteceu. Ele disse.

Nada aconteceu.

Ento me diga o que Ashley disse a voc.

Ela no disse nada.

Eu vi vocs duas conversando! Ele acusou.

Foi por isso que ela no queria vir aqui em primeiro lugar, isto era o que ela queria evitar.
Will...

Por que voc saiu depois que conversou com ela? E por que voc demorou quatro horas
para vir aqui fora para finalmente falar comigo?

Ela balanou a cabea, recusando-se admitir que estava se sentindo queimar. No 
importante.

Em outras palavras, ela disse-lhe algo, no foi? O que ela disse? Que ainda estvamos ns
encontrando? Porque ns no estamos. Est tudo acabado entre ns.

Levou um momento para Ronnie perceber o que ele quis dizer. Ela era sua namorada?

Sim. Ele respondeu. Por dois anos.

Quando Ronnie no disse nada, ele levantou-se e deu um passo para mais perto dela. O
que exatamente ela disse para voc? Mas Ronnie mal ouviu sua voz. Em vez disso, ela
voltou a pensar na primeira vez que ela tinha visto Ashley, na primeira vez que tinha visto
Will. Ashley estava vestida com seu biquni perfeito, olhando para Will...

Vagamente, ela ouviu Will continuar. O qu? Voc no est mesmo falando comigo? Voc
vai me fazer sentar aqui por horas e nem vai responder a minha pergunta com uma resposta
simples?
Mas Ronnie mal ouviu. Em vez disso, ela lembrou-se da maneira que Ashley tinha olhando
nesse dia na margem. Posando bonita, batendo palmas... Querendo que Will a notasse?

Por qu? Ashley estava tentando reconquist-lo de volta? E temia que Ronnie estivesse no
caminho?

Com isso, as coisas comearam a clicar em seu lugar. Mas antes que ela pudesse pensar
no que dizer, Will balanou a cabea.

Eu pensei que voc fosse diferente. Eu s pensei... Ele olhou para ela, seu rosto misturava
raiva e decepo, antes de repente, virando-se e indo para praia. Inferno, eu no sei o que
eu pensei. Ele disse por cima do ombro.

Ela deu um passo a frente prestes a cham-lo depois que percebeu um raio de luz perto
borda da gua. A luz subiu e caiu, como se algum estivesse arremessando uma...

Bola de fogo, ela percebeu. Ela sentiu sua respirao parar na garganta, sabendo que
Marcus estava l, e deu um passo involuntrio para trs. Ela tinha uma imagem repentina
dele perto do ninho enquanto ela dormia fora. Ela queria saber o quo perto ele tinha
chegado. Por que no a deixou sozinha? Ele estava perseguindo ela?

Ela tinha visto histrias nos jornais falando de coisas como essa. Embora que ela pensasse
que ela saberia o que fazer e poderia tratar de qualquer situao, isso era diferente. Porque
Marcus era diferente.

Porque Marcus dava medo nela.

Will j estava h algumas casas de distncia, e sua figura estava desaparecendo na noite.
Pensou em cham-lo atrs e dizer-lhe tudo, mas a ltima coisa que ela queria era ficar fora
mais tempo do que ela queria. Nem ela quer que Marcus saiba que ele tem ligao com Will.
De qualquer jeito, no existe ela e Will. De qualquer maneira, no mais. Agora era s ela.

E Marcus.

Em pnico, ela deu mais um passo para trs, ento se forou a parar. Se ele sabia que ela
estava com medo, podia piorar as coisas. Em vez disso, ela se forou a ir para dentro do
crculo de luz da varanda deliberadamente se virou para olhar na direo de Marcus. Ela no
podia v-lo  apenas com a cintilao da luz, que subia e descia. Marcus, ela sabia, queria
que ela ficasse com medo, que ele quer colocar dentro dela. Continuando a olhar para ele,
ela colocou as mos nos quadris e ergueu o queixo desafiando a sua direo. O sangue
dela bateu no peito, mas ela manteve sua posio, mesmo com a bola de fogo constante na
mo dele. Um momento depois, a luz se apagou e ela sabia que Marcus havia fechado o
punho anunciando sua aproximao.

Ainda assim, ela recusou-se a mover-se. Ela no tinha certeza do que ela faria se ele de
repente aparecesse a apenas alguns metros de distncia, mas como o segundo tornou-se
em um minuto e depois em outro, ela sabia que ele tinha decidido que era melhor ficar
longe. Cansada de esperar a sua mensagem, ela virou-se satisfeita e voltou para dentro.
Foi s quando ela encostou na porta depois de fech-la que ela percebeu que suas mos
tremiam.
Captulo 15 - Marcus


Eu quero comer algo no restaurante antes de ir. Blaze disse.

Ento v. Disse Marcus. Eu no estou com fome.

Blaze e Marcus estavam no Bower`s Point, junto com Teddy e Lance, que tinha pegado duas
das garotas mais feias que Marcus j tinha visto e eles estavam no processo de ficarem
bbados. Marcus tinha se aborrecido por encontr-los aqui, em primeiro lugar e, em seguida
Blaze o tinha perseguido pela ltima hora, perguntando aonde ele tinha ido o dia inteiro.

Ele teve a sensao de que ela sabia que tinha algo haver com Ronnie, porque Blaze no
era estpida. Blaze sabia o tempo todo de que Marcus estava interessado nela, que explica
o porqu de ter colocado os CDs na bolsa de Ronnie. Foi a soluo perfeita para fazer
Ronnie ficar longe... O que significava de que Marcus no teria a chance de ver Ronnie
quando quisesse.

Isso o irritou. E depois de encontr-la aqui, reclamando que est com fome e se pendurando
em cima dele e lhe importunando com perguntas...

Eu no quero ir sozinha. Ela gemeu novamente.

Voc no me ouve? Ele rosnou. Voc nunca ouve uma nica coisa que digo? Eu disse
que no estou com fome.

Eu no estou dizendo que voc tem que comer alguma coisa... Blaze murmurou,
subjugada.

Voc quer calar a boca um pouco?

Isso a deteve. Pelo menos por alguns minutos, de qualquer maneira. Ele podia dizer que
pela forma de como ela fazia beicinho ela queria lhe pedir desculpas por alguma coisa. Sim,
bem, isso no aconteceria. Passando pela gua, ele acendeu a bola de fogo, irritado com o
fato de que ela ainda estava aqui. Com raiva de que Teddy e Lance estavam aqui, quando
ele queria um pouco de paz e tranqilidade. Irritado pelo plano de Blaze tinha funcionado
para afastar Ronnie e especialmente irritado era que estava irritado com nada sobre isso.
No era com ele,  que ele odiava o jeito que se sentia. Ele queria bater em alguma coisa, e
quando ele olhou para Blaze e viu seu beicinho, ela entrou no topo da lista. Ele virou-se,
desejando poder beber cerveja e voltar a msica e pensar apenas sozinho por um momento.
Sem todas essas pessoas o cercando.

Alm disso, ele no estava realmente irritado com Blaze. O inferno, quando ele ouviu pela
primeira vez o que ela tinha feito, ele tinha um tipo de prazer sobre isso, pensando que ela
poderia facilitar o caminho entre ele e Ronnie. Voc coa minhas costas, e eu coo as suas,
esse tipo de coisa. Mas quando ele sugeriu isso a Ronnie, ela preferia morrer a chegar perto
dele. Mas ele no era do tipo de desistir, e ele descobriu que ela eventualmente iria perceber
que ele era seu nico caminho para sair desta confuso. Ento, ele tinha ido a sua casa
para uma pequena visita, esperando uma chance para falar. Ele decidiu que vai reduzir o
ato, em vez de ouvir com simpatia quando ela falou a coisa terrvel que Blaze tinha feito.
Eles poderiam ir passear e talvez acabar sobre o per, ento o que acontecer, aconteceu.
Certo? Mas quando chegou a sua casa, Will estava l. De todas as pessoas, Will, sentado
em uma duna, esperando para falar com ela. E Ronnie finalmente foi para fora para falar
com ele. Na verdade, eles pareciam discutir, mas pela forma como estavam agindo, havia
claramente algo entre eles, o que irritou tambm. Porque isso significava que eles se
conheciam. Porque significa que eles provavelmente tiveram algo.

O que significava que ele tinha lidado errado com ela.

E ento? Oh, isso era um coice. Depois que Will saiu, Ronnie percebeu que ela tinha dois
visitantes, no, apenas um. Quando ela o notou olhando para ela, ele sabia que uma das
duas coisas iriam acontecer. Ou ela sairia e falaria com ele na esperana de conseguir que
Blaze falasse a verdade, ou ela agiria com medo que tinha tido antes e correr para dentro.
Ele gostou do fato de que ele poderia assust-la. Ele poderia usar a sua vantagem.

Mas ela no fez nenhuma dessas coisas. Em vez disso, ela olhou em sua direo, como se
dissesse, o que o traz. Ela estava na varanda, sua linguagem corporal sinalizava desafiante
e irritada, at que finalmente voltou para casa.

Ningum fez isso para ele. Especialmente as meninas. Quem diabos ela acha que ? Pouca
maioria ou no, ele no gostou. Ele no gostava nada disso.

Blaze interrompeu seus pensamentos. Voc tem certeza de que no quer vir?

Marcus virou-se para ela, sentindo uma sbita necessidade de limpar sua mente, para se
refrescar. Ele sabia exatamente o que ele precisava e sabia que ela daria a ele.

Venha aqui. Ele disse. Ele forou um sorriso. Sente-se ao meu lado. Eu no quero que v
ainda.
Captulo 16  Steve


Steve olhou para cima quando Ronnie entrou. Embora ela tenha esboado um sorriso,
tentando mostrar que estava tudo bem, ele no pde deixar de notar sua expresso
enquanto pegava seu livro e ia para a cama.

Algo definitivamente estava errado. Ele s no tinha certeza do que era. Ele no saberia
dizer se ela estava zangada, ou triste ou assustada e enquanto ele debatia a idia de tentar
conversar com ela, ele teve a certeza de que fosse l o que estivesse acontecendo, ela
queria lidar com aquilo sozinha. Ele sups que era normal. Ele no havia passado muito
tempo com ela recentemente, mas ele ensinou adolescentes durante anos e ele sabia que
quando as crianas queriam falar algo  quando tinham algo importante a dizer  era quando
seu estomago comeava a doer.

Hei, Pai disse Jonah.

Enquanto Ronnie estava do lado de fora, ele proibiu Jonah de ficar olhando pela janela.
Pareceu  coisa certa a se fazer, e Jonah percebeu que era melhor no discutir. Ele
encontrou Bob Esponja passando em algum canal, e passou os ltimos dez minutos
assistindo tranquilamente.

Sim?

Jonah levantou-se, sua expresso sria. O que  que tem um olho, fala francs e adora
comer biscoitos antes de dormir? 

Steve considerou a questo. Eu no fao idia.

Jonah tapou um olho com a mo e chegou mais perto. Moi.*
* eu em Francs

Steve riu enquanto levantava do sof, e colocava sua Bblia de lado. O garoto o tinha feito
gargalhar. Vamos, eu tenho alguns Oreons* na cozinha.
* marca de biscoito

Eu acho que Ronnie e Will brigaram

Este  o nome dele?

No se preocupe, eu o verifiquei

Ah Steve disse. E porque voc acha que eles brigaram?

Eu podia ouvi-los. Will parecia chateado

Steve franziu a testa Pensei que voc estava assistindo desenho

Eu estava, mas eu podia ouvi-los mesmo assim, Jonah disse naturalmente.
Voc no deveria ouvir a conversa dos outros Steve repreendeu Jonah.

Mas  interessante, s vezes

Continua sendo errado

A mame tenta ouvir as conversas de Ronnie quando ela est no telefone. E ela pega o
celular de Ronnie enquanto ela esta no banho para ler suas mensagens de texto.

Ela faz isso? Steve tentou no parecer muito surpreso.

Claro. De que outra maneira ela teria controle sobre Ronnie?

No sei... Talvez elas pudessem conversar

Ah claro Jonah Bufou Nem mesmo Will consegue conversar com ela sem discutir. Ela
enlouquece as pessoas.

Quando Steve tinha doze anos, ele tinha poucos amigos. Entre ir  escola e praticar piano,
ele tinha um tempo livre, e a pessoa com quem ele mais se via conversando era o Pastor
Harris. Naquele momento da sua vida, o piano se tornou uma obsesso, e muitas vezes
Steve praticava de quatro a seis horas por dia, perdido em seu prprio mundo de melodias e
composies. Neste tempo, ele venceu inmeras competies locais e nacionais. Sua me
havia participado apenas da primeira, e seu pai nunca foi em nenhuma. Ao invs deles, ele
encontrava a si mesmo sentado no banco da frente do carro, ao lado do Pastor Harris,
enquanto viajavam para Raleigh, ou Charlotte, ou Washington.

Eles passavam horas conversando e embora o pastor fosse um homem religioso, que usava
a palavra de Cristo na maioria das vezes, as conversas soavam to natural como algum de
Chicago comentando a inutilidade dos jogos de baseball. Pastor Harris era o tipo de homem
que levava uma vida atormentada. Ele levou a srio seu chamado, e quase todas as noites,
ele cuidava de seu rebanho, em um hospital, ou em uma casa funerria, ou na casa de
membros da igreja que ele passou a considerar como amigos.

Ele ministrava casamentos e batizados aos fins de semanas. Ele tinha comunho nas noites
de quarta feira, e coro as quintas e teras feiras. Mas em todo entardecer, uma hora antes
do crepsculo, no importando como o clima estivesse ele reservava uma hora para andar
na praia sozinho. Quando ele voltava, Steve se pegava pensando com freqncia que
quela hora de solido era exatamente o que o pastor precisava. Tinha algo tranqilo e
pacfico em sua expresso sempre que ele retornava dessas caminhadas. Steve sempre
presumiu que era isso que o pastor fazia em busca de um pouco de solido  at que
perguntou a ele.

No o pastor disse Eu no ando na praia para ficar sozinho, pois isto no seria possvel.
Eu caminho e converso com Deus.

Voc quer dizer rezar?

No, eu digo conversar, Nunca se esquea que Deus  seu amigo. E como todos os
amigos, Ele anseia para ouvir o que est acontecendo em sua vida. Bom ou ruim, se voc
est triste ou com raiva, e mesmo quando voc questiona sobre as coisas terrveis que
acontecem... Ento, eu converso com ele.

E o que voc fala?

Sobre o que voc fala com seus amigos?

Eu no tenho amigos Steve deu um sorriso torto. Pelo menos, nenhum com quem eu
possa conversar

O pastor colocou uma mo em seu ombro, tranqilizando-o. Voc tem a mim. Quando ele
no respondeu, o pastor deu uma leve sacudida no ombro Ns conversamos da mesma
maneira que eu e voc

E Ele responde? Steve foi ctico.

Sempre

Voc o escuta?

Sim ele disse mas no com meus ouvidos. Ele colocou a mo em seu peito  aqui que
escuto Suas respostas.  aqui que sinto Sua presena.


Depois de beijar Jonah na bochecha e coloc-lo na cama, Steve parou na porta para
observar sua filha. Surpreendendo a ele, Ronnie estava dormindo quando eles entraram no
quarto, e o que quer que fosse que estava aborrecendo-a, no estava mais em evidncia.

Sua expresso estava relaxada, seu cabelo caia em cascata pelo travesseiro e tinha os dos
braos dobrados prximo ao peito. Ele pensou se deveria dar um beijo de boa noite, mas
decidiu por no interromp-la em seus sonhos, os deixando irem onde deveriam. Ainda
assim, ele no conseguia ir. Tinha algo de relaxante em observar seus filhos dormirem, e
enquanto Jonah rolava para fora da luz do corredor, ele imaginou quanto tempo fazia desde
que ele havia dado um beijo de boa noite em Ronnie.

Cerca de um ano antes dele se separar de Kim, Ronnie atingiu a idade onde essas coisas
tornavam-se embaraosas. Ele recordava-se nitidamente da primeira noite que ele disse que
iria em seu quarto e ela respondeu: No precisa, eu ficarei bem. Kim olhou para ele com
uma expresso de tristeza: ela sabia que ela estava crescendo, mas mesmo assim, o fim da
infncia dela deixava-a com dor no corao. Ao contrrio de Kim, Steve no lamentava o
fato de que Ronnie estava crescendo. Pensou em sua vida, com a mesma idade, e lembrou-
se de tomar suas prprias decises. Lembrou-se de formar suas prprias opinies sobre o
mundo, e seus anos como professor apenas reforaram a idia de que mudar no s era
inevitvel, mas que tambm trazia suas recompensas.

Houve momentos em que ele se encontrava com algum aluno na sala de aula, e ouvia sobre
a luta da criana com seus pais, sobre como sua me tentou ser sua amiga, ou como seu
pai tentou control-lo. Os outros professores pareciam achar que ele tinha uma afinidade
natural com os estudantes, e ele ficou surpreso ao descobrir que os estudantes tambm se
sentiam assim. Ele no sabia o porqu. Na maioria das vezes, ele ouvia em silncio, ou
reformulava as perguntas deles, forando-os a tirarem suas prprias concluses, confiante
de que na maioria das vezes, estas eram as corretas. Mesmo quando sentia necessidade de
dizer algo, eram comentrios genricos, do tipo de psiclogo no div.  claro que sua me
quer ser sua amiga, ele dizia, ela est comeando a ver voc como um adulto e quer saber
mais sobre isso. Ou Seu pai sabe que cometeu erros na vida, e no quer que voc faa o
mesmo. Pensamentos comuns de um homem comum, mas para seu espanto, s vezes os
alunos voltavam-se para a janela, absortos em pensamentos, como se Steve tivesse dito
algo realmente profundo. Algumas vezes, ele chegou a receber ligaes de pais de
estudantes, para agradec-lo por falar com seus filhos, notando que a criana estava em
melhor estado de esprito ultimamente.

Quando desligava o telefone, ele tentava lembrar do que havia dito, na esperana de notar
que havia sido mais perspicaz do que achava, mas no conseguia enxergar nada demais.

No silncio do quarto, Steve ouviu a respirao de Jonah comear a abrandar, e sabia que
seu filho tinha adormecido. O sol e o ar fresco pareciam cans-lo de uma maneira que
Manhattan nunca poderia.

Quanto a Ronnie, ele estava aliviado de que o sono havia apagado a tenso dos ltimos
dias. Seu rosto estava sereno, quase angelical, e de alguma forma lembrava da expresso
do pastor Harris aps suas caminhadas na praia. Observou-a na quietude absoluta do
quarto, desejando novamente um sinal da presena de Deus. Ronnie poderia estar
deixando-o amanh, e com este pensamento, deu um passo hesitante em direo a ela. A
luz das estrelas distantes cintilou, como se Deus estivesse anunciando sua presena em
outro lugar. De repente, ele se sentiu cansado. Ele se sentiu sozinho, ele sempre seria
sozinho. Curvou-se sobre Ronnie e lhe beijou suavemente no rosto, sentindo novamente a
intensidade de seu amor por ela, uma alegria to intensa quando a dor.

Antes do amanhecer, ele acordou com o pensamento  mais um sentimento, na verdade 
de que ele sentia falta de tocar piano. Ele sentiu necessidade de correr a sala e perder-se
em sua musica. Ele se perguntava quando teria a oportunidade de tocar de novo. Agora ele
se arrependia de no ter amigos na cidade; Ele podia ver a si mesmo sentando no banco do
piano, enquanto seus amigos assistiam da cozinha ou da varanda, e ele comearia a tocar
algo que levaria seus amigos s lagrimas, algo que ele tinha sido incapaz de tocar durante
todo o tempo em que esteve na turn.

Ele sabia que era uma fantasia ridcula, mas sem sua msica, ele estava sem rumo.
Levantando-se da cama, ele afastou esses pensamentos escuros. O pastor Harris havia lhe
dito que um novo piano tinha sido ordenado para a igreja, e que Steve era bem vindo para
toc-lo assim que chegasse. Mas isto no aconteceria at o fim de julho, e ele no tinha
certeza se poderia faz-lo at l. Em vez disso, ele sentou em uma cadeira e colocou as
mos em cima da mesa da cozinha. Com bastante concentrao, ele seria capaz de ouvir a
msica em sua mente. Beethoven comps a Eroica quando era completamente surdo,
certo?

Talvez ele pudesse ouvir tudo em sua cabea, assim como Beethoven. Ele escolheu o
concerto que Ronnie havia tocado no Carnegie Hall, fechou os olhos e se concentrou. As
cepas foram fracas quando ele comeou a mover seus dedos. Gradualmente, as notas e
acordes tornaram-se claras e distintas, e mesmo que isso no fosse to satisfatrio como
tocar piano, ele sabia que era assim que teria que fazer. Com as frases finais do concerto
reverberando em sua mente, ele abriu os olhos devagar, e encontrou-se sentado em sua
cozinha semi-escura. O sol nasceria no horizonte em alguns minutos, e por algum motivo,
ele ouviu o som de uma nica nota acenando para ele. Ele sabia que era s imaginao,
mas o som da nota se demorou, e ele se viu desesperado por caneta e papel. Ele rabiscou
um esboo antes de pressionar o dedo sobre a mesa novamente. Mais uma vez soou, e
desta vez seguido por mais algumas notas. Ele rabiscou novamente.

Ele escreveu musicas durante toda sua vida. Isto talvez no tenha sido muito, mas agora ele
sentia-se aquecido e pronto para o desafio. E se ele fosse capaz de compor algo inspirador?
Algo que seria lembrado por muito tempo depois que ele fosse esquecido?

A fantasia no durou muito tempo. Ele tentou e falhou no passado, e ele no tinha duvidas
de que falharia novamente. Mesmo assim, ele se sentiu bem sobre o que tinha acontecido.
Havia algo mgico em criar algo do nada. Embora ele no tenha ido muito longe na melodia
 depois de muito trabalho, ele decidiu voltar as primeiras notas e recomear  ele sentia-se
satisfeito.

Como o sol na crista das dunas, Steve refletiu sobre seus pensamentos da noite anterior e
decidiu ir a um passeio na praia. Mais do que tudo, ele queria voltar para casa com o
mesmo olhar de paz que tinha visto no rosto de Pastor Harris, mas como ele se arrastava
pela areia, ele no poderia deixar de se sentir como um amador, algum que procura as
verdades de Deus como uma criana procura por conchas.

Teria sido bom se ele tivesse sido capaz de detectar um sinal evidente da sua presena,
mas em vez disso ele tentou se concentrar no mundo em torno dele: o sol se levantando do
mar, o gorjeio dos pssaros da manh, o nevoeiro persistente em cima da gua. Ele se
esforou para absorver a beleza sem pensamentos conscientes, tentando sentir a areia
debaixo dos seus ps e a brisa que acariciou sua bochecha. Apesar de seus esforos, ele
no sabia se ele estava ficando mais perto de sua resposta do que quando ele comeou.
O que foi, pensou pela centsima vez, que permitiu que o pastor Harris ouvisse as
respostas em seu corao?

O que ele quis dizer quando ele disse que sentiu a presena de Deus? Steve sups que ele
poderia perguntar diretamente, mas ele duvidava que iria fazer algum bem. Como algum
poderia explicar uma coisa dessas? Seria como descrever as cores para um cego de
nascena: As palavras podem ser entendidas, mas o conceito permaneceria misterioso e
privado.

Era estranho para ele tais pensamentos. At recentemente, ele nunca tinha sido afetado por
tais perguntas, mas ele figurou suas responsabilidades dirias que sempre o mantiveram
ocupado o suficiente para evitar pensar sobre elas, pelo menos at que ele voltou para
Wrightsville Beach. Aqui, o tempo tinha abrandado com o ritmo de sua vida.

Como ele continuou a caminhar pela praia, ele refletiu novamente sobre a fatdica deciso
que ele tinha feito para tentar a sorte como um pianista de concerto.  verdade que ele
sempre quis saber se ele poderia ter tido sucesso, e sim, ele sentiu que o tempo estava se
esgotando. Mas como aqueles pensamentos adquiriram tal urgncia, ao mesmo tempo?

Por que ele tinha estado to disposto a deixar sua famlia por meses? Como, ele perguntou,
ele poderia ter sido to egosta? Em retrospecto, provou que no foi uma deciso sbia para
nenhum deles. Ele pensou que sua paixo pela msica tinha forado a deciso, mas agora
ele suspeitava que ele realmente foi  procura de maneiras de preencher a vazio que s
vezes sentia dentro dele.
E como ele andou, ele comeou a se perguntar se foi nesta constatao de que ele teria
eventualmente encontrar sua resposta.
Captulo 17 -Ronnie


Quando Ronnie acordou, ela olhou para o relgio, aliviada, pois era a primeira vez que ela
conseguia dormir desde que havia chegado ali. No estava tarde, mas enquanto saia da
cama, ela sentiu-se descansada. Ela podia ouvir a televiso na sala, e imediatamente,
pensou em Jonah. Ele estava deitado no sof, de cabea para baixo, olhando fixamente
para a tv. Seu pescoo, exposto como se estivesse indo para a guilhotina, estava coberto de
farelo de Pop-Tart. Ela observou enquanto ele dava outra mordida, jogando mais migalhas
sobre ele e o tapete.

Ela no queria perguntar. Ela sabia que a resposta na faria sentido, mas mesmo assim, ela
no pde evitar.

O que voc esta fazendo?

Eu estou assistindo TV de cabea para baixo, ele respondeu. Ele estava assistindo
aqueles desenhos japoneses, com criaturas de olhos grandes, que ela nunca entendia.

Por qu?

Porque eu quero

E eu pergunto de novo: por qu?

Eu no sei

Ela sabia que no deveria ter perguntando. Ento, olhou em direo  cozinha. Onde est o
papai?

Eu no sei

Voc no sabe onde o papai est?

Eu no sou a bab dele. Ele soava irritado.

Quando ele saiu?

Eu no sei

Onde ele estava quando voc se levantou?

Uhm Seu olhar no desviou da TV em nenhum momento Ele falou algo sobre a janela

E ento...

Eu no sei

Voc est dizendo que ele simplesmente desapareceu no ar?
No, estou dizendo que depois disso, o pastor Harris passou aqui e eles foram conversar l
fora

E por que voc no me disse isso?, perguntou Ronnie, exasperada.

Porque eu estou tentando assistir ao meu desenho de cabea para baixo, e  muito difcil
falar enquanto meu sangue est correndo para minha cabea

Ele ajeitou-se  Talvez voc devesse ficar de cabea para baixo com mais freqncia, ento
 Ronnie pensou, mas no disse. Porque ela estava de bom humor. Porque ela tinha
conseguido dormir dentro de casa. E o melhor de tudo, porque ela estava ouvindo um
vozinha dentro dela que sussurrava: Voc pode estar indo para casa hoje. Sem mais Blaze,
sem mais Marcus ou Ashley, sem acordar cedo toda manh.

Sem mais Will tambm... O pensamente a fez parar. De tudo por tudo, ele no havia sido to
ruim. Na verdade, ela tinha passado um dia divertido com ele, ontem, at o final, pelo
menos. Ela realmente deveria ter contado a ele o que Ashley havia dito. Ela devia ter se
explicado. Mas com Marcus aparecendo daquele jeito...

Ela realmente, realmente, queria dar o fora daquele lugar o mais rpido possvel. Afastando
as cortinas, ela olho pela janela. Seu pai e o pastor Harris estavam conversando na entrada
da garagem, e ela percebeu que no via o pastor Harris desde que era uma criana. Ele
havia mudado desde ento: estava apoiado em uma bengala, e seu cabelo e sobrancelha
to memorveis, agora estavam brancos. Ela sorriu, lembrando quo gentil ele havia sido no
funeral de seu av.

Ela sabia o porqu seu pai gostava tanto dele. Havia algo infinitamente bom nele, e ela
recordou-se de que aps os servios funerrios, ele havia oferecido a ela um copo de
limonada que era mais doce do que qualquer soda. Eles pareciam estar conversando com
mais algum na garagem, algum que ela no podia ver. Ela foi ate a porta e a abriu, para
ter uma viso melhor. Levou apenas um minuto para que ela reconhecesse a viatura.

O oficial Pete Johnson estava dentro do carro, com a porta aberta, se preparando para ir
embora. Ela pode ouvir o carro ligando, e enquanto descia as escadas da varanda, seu pai
parecia estar tentando. O oficial Pete balanou a porta, fechando-a, deixando Ronnie com
um sentimento de derrota.

Quando ela alcanou seu pai e o pastor Harris, o oficial Pete j estava saindo da garagem, o
que s confirmou o pressentimento de Ronnie de que vinham ms notcias.

Voc est de p seu pai disse Eu dei uma olhada em voc a pouco tempo atrs e voc
estava morta para o mundo. Ele acenou com seu polegar. Voc se lembra do pastor
Harris?

Ronnie estendeu sua mo. Lembro sim. Ol de novo.  bom v-lo

Quando o pastor Harris pegou sua mo, ela notou cicatrizes brilhantes cobrindo seus braos
e mos. Eu no acredito que est  a mesma senhorita que eu tive o prazer de conhecer
tanto tempo atrs. Voc est crescida agora. Ele sorriu. Voc parece sua me
Ela vinha ouvindo bastante isso ultimamente, mas no sabia o que fazer com essa
informao. Isto queria dizer que ela parecia velha? Ou que sua me parecia nova? Era
difcil dizer, mas ela sabia que ele tinha dito isso como um elogio. Obrigada. Como a Sra.
Harris est?

Ele ajeitou sua bengala. Ela est me mantendo na linha, como sempre fez. E eu tenho
certeza que ela adoraria v-la assim to bem. Se voc tiver tempo de passar l em casa, eu
vou garantir que tenha uma jarra de limonada caseira para voc

Isso queria dizer que ele se recordava tambm.

Ele se virou para Steve Obrigado novamente por se oferecer para fazer a janela. Est
ficando linda

Ele acenou, O senhor no tem o que agradecer

Claro que eu tenho. Agora eu realmente tenho que ir. As irms Towson esto no comando
do estudo da Bblia, esta manh, e se voc as conhece, voc sabe que  imperativo que eu
no as deixe sozinhas. Elas adoram Daniel e o Apocalipse, e parece que esqueceram que
Corntio tambm  um bom captulo Ele virou-se para Ronnie Foi maravilhoso v-la
novamente, minha jovem. Espero que seu pai no esteja lhe causando muitos problemas
esses dias. Voc sabe como os pais podem ser.

Ela sorriu. Ele  legal

Bom. Mas se ele lhe trouxer algum problema, venha falar comigo, e eu farei o meu melhor
para coloc-lo na linha. Ele costumava ser arteiro quando criana, ento posso imaginar o
quo frustrada voc pode estar.

Eu no era arteiro seu pai protestou Tudo que eu fazia era tocar piano

Lembre-me de te contar da vez em que ele colocou corante vermelho na gua benta de um
batizado

Ele pareceu mortificado. Eu nunca fiz isso!

Pastor Harris parecia estar se divertindo. Talvez no, mas o meu ponto no  este. No
importa como seu pai apresente a si mesmo, ele no era perfeito

Com isso, ele se virou para ir embora. Ronnie observou-o indo, divertida. Qualquer um que
podia fazer seu pai sofrer  de um jeito inofensivo,  claro  era algum que ela
definitivamente gostaria de conhecer melhor. Especialmente se ele sabia historias sobre seu
pai. Histrias divertidas. Boas histrias. A expresso de seu pai enquanto o via ir embora era
inescrutvel. Entretanto, quando ele se virou para ela, ele pareceu voltar a ser o pai que ela
conhecia, e se lembrou que o oficial Pete estava ali alguns minutos atrs.

O que foi que aconteceu? ela perguntou Com o oficial Pete

Porque no tomamos caf da manh primeiro? Aposto que est faminta. Voc mal jantou
ontem  noite
Ela cruzou os braos. Apenas me diga logo, pai

Seu pai hesitou, lutando para encontrar as palavras certas, mas no havia nenhuma maneira
de adoar a verdade. Voc no vai poder voltar para Nova York, pelo menos at semana
que vem. Os donos da loja vo prestar queixa.


Ronnie sentou na duna, menos irritada do que assustada com o que estava acontecendo
dentro da casa. Fazia uma hora desde que seu pai tinha lhe passado o que o oficial Pete
havia dito, e ela estava sentada do lado de fora desde ento. Ela sabia que seu pai estava l
dentro falando com sua me ao telefone, e Ronnie apenas podia imaginar qual seria a
reao dela. Essa era a nica coisa boa em estar aqui.

Exceto por Will...

Ronnie balanou sua cabea, perguntando-se o porqu ela continuava pensando nele. Eles
haviam terminado, isso assumindo algo que eles nem haviam comeado. Por que ele tinha
estado interessado nela? Ele tinha ficado com Ashley por um longo tempo, o que queria
dizer que ele gostava do tipo dela. Se havia uma coisa que ela tinha aprendido,  que as
pessoas no mudam. Eles gostam do que gostam, mesmo que no entendam o motivo. E
ela no era nada parecida com Ashley.

Sem discusso, sem debate. Porque se ela fosse como Ashley, ela poderia muito bem
comear a nadar em direo ao horizonte, ate que toda possibilidade de resgate no
existisse mais. Ela poderia terminar com isto agora.

Ainda assim, no era isso que a incomodava mais. O que a incomodava era sua me. Ela
estava ouvindo, sem duvida nenhuma, sobre a priso, j que seu pai estava no telefone
neste momento. A idia a fez se encolher. Sua me estaria, sem duvidas, gritando. Assim
que ela desligasse com papai, iria ligar para sua irm ou sua me, para contar as novidades
sobre a nova coisa horrvel que Ronnie havia feito. Elas estavam por dentro de todas as
coisas pessoas de Ronnie, com exagero excessivo de sua me, fazendo-a parecer mais
culpada do que era possvel. Sua me sempre negligenciava os porns, e neste caso, o
mais importante porm era de que ela no tinha culpa!

Mas isso importava? Claro que no. Ela podia sentir a raiva de sua me,e a coisa estava lhe
causando dor no estomago. Talvez fosse uma boa coisa que ela no pudesse ir para a casa
hoje. Atrs dela, ela ouviu seu pai se aproximando. Ela olhou por cima do ombro, e ele
hesitou. Ela sabia que ele estava tentando descobrir se ela queria ficar sozinha. Ele sentou
cuidadosamente ao lado dela, e no disse nada de imediato. Parecia estar assistindo a uma
pesca de camaro em um barco ancorado no horizonte.

Ela estava zangada?

Ela j sabia a resposta, mas no pode evitar perguntar.

Um pouco ele admitiu.

S um pouco?

Eu tenho quase certeza que ela deu uma de Godzilla na cozinha enquanto conversvamos
Ronnie fechou os olhos, tentando imaginar a cena. Voc disse a ela o que realmente
aconteceu?

Claro que sim. E eu garanti a ela que eu tenho certeza de que voc esta falando a verdade
Ele colocou um brao ao redor dos ombros dela, abraando-a. Ela vai superar. Ela sempre
supera

Ronnie assentiu. Em silencio, ela podia sentir seu pai estudando-a.

Sinto muito que voc no possa ir para casa hoje Sua voz era macia. Eu sei o quanto
voc odeia isso aqui

Eu no odeio isso aqui Ela disse, automaticamente. Surpreendendo a si mesma, ela
percebeu que mesmo que estivesse tentando se convencer do contrario, ela estava falando
a verdade.  que eu no perteno a este lugar

Ela lanou-lhe um sorriso melanclico. Se serve de consolo, enquanto eu crescia, tambm
sentia que no pertenci aqui. Eu sonhava em ir para Nova York. Mas  estranho, quando eu
finalmente escapei desse lugar, acabei sentindo mais falta daqui do que achei que sentiria.
Tem algo no oceano que me chama.

Ela virou-se para ele. O que vai acontecer comigo? O oficial Pete disse algo mais?

No. Disse apenas que os donos sentiram-se na obrigao de prestar queixa, pois os itens
eram valiosos e ela poderia ter muitos problemas com roubos, depois

Mas eu no os roubei Ronnie choramingou.

Eu sei disso, e ns vamos acertar tudo. Vamos achar um bom advogado e comear da

Advogados so caros?

Os bons, so ele disse.

E voc pode bancar isso?

No se preocupe. Eu vou dar um jeito Ele se calou. Posso te fazer uma pergunta? O que
voc fez para deixar Blaze to chateada? Voc nunca me contou

Se fosse sua me perguntando, ela nunca responderia. Ela tambm no teria respondido
seu pai, se fosse dois dias atrs. Agora, ela no via nenhuma razo para no responder.

Ela tem esse namorado esquisito e assustador, e ela acha que eu quero roub-lo dela. Ou
algo semelhante

O que voc quer dizer com estranho e assustador?

Ela ficou quieta por um momento. Na beira da gua, as primeiras famlias foram chegando,
carregando toalhas e brinquedos. Eu o vi na noite passada. Ela apontou para baixo, na
praia. Ela estava parado bem ali, enquanto eu conversava com Will
Seu pai no tentou esconder a preocupao Mas ele no tentou se aproximar...

Ela balanou a cabea. No, mas tem algo estranho nele... Marcus...

Talvez voc deva manter distancia desses dois. Blaze e Marcus.

No se preocupe. Eu no estava planejando falar com nenhum dos dois novamente.

Voc quer que eu ligue para Pete? Sei que voc no teve uma boa experincia com ele...

Ronnie balanou a cabea. Ainda no. E acredite ou no, eu no estou chateada com Pete.
Ele esta apenas fazendo seu trabalho, e na verdade, ele vem sendo bastante compreensvel
com a coisa toda. Acho que ele sente pena de mim

Ele me disse que acredita em voc. E esse foi o motivo pelo qual ele foi falar com os donos

Ela sorriu, pensando em como era bom falar com seu pai assim. Por um instante, ela
imaginou quo diferente sua vida poderia ter sido se ele no tivesse ido embora. Ela hesitou,
pegando um bocado de areia e deixando escorrer pelos seus dedos.

Porque voc nos deixou, pai? ela perguntou E eu sou velha o suficiente para a verdade,
ok?

Seu pai esticou as pernas, obviamente tentando comprar tempo. Ele parecia estar lutando
com algo, tentando descobrir o quanto dizer a ela e por onde comear, antes de comear
com o bvio.

Depois que parei de ensinar em Julliard, eu fiz todos os shows que eu podia. Era meu
sonho, sabe? Ser um pianista famoso. Enfim... Acho que eu deveria ter pensado mais sobre
a realidade da situao antes de tomar a deciso. Mas no. Eu no percebi como seria difcil
para sua me Ele olhou seriamente para ela. No fim, nos acabamos nos afastando.

Ela observou-o enquanto ele falava, tentando ler entre as linhas.

Tinha um outro algum, no tinha? A voz dela era inflexvel.

Seu pai no respondeu, e seu olhar se afastou. Ronnie sentiu um peso dentro dela. Quando
ele finalmente falou, ele parecia cansado. Eu sei que deveria ter tentado mais para salvar o
casamento, e eu sinto muito sobre isso. Mais do que voc pode imaginar. Mas eu quero que
voc saiba algo, ok? Eu nunca deixei de acreditar em sua me. Eu nunca deixei de acreditar
na resistncia do nosso amor. Mesmo que no tenha dado certo do jeito que eu e voc
gostaramos, eu vejo voc e Jonah e penso o quo sortudo eu sou por ter vocs como filhos.
Em uma vida cheia de erros, vocs dois so as melhores coisas que aconteceram para
mim.

Quando ele terminou, ela encheu a mo de areia outra vez, deixando escorrer pelos seus
dedos, sentindo-se cansada novamente. O que eu vou fazer?

Voc fala de hoje?

Eu falo de tudo
Ela sentiu seu pai descansar a mo gentilmente em suas costas. Eu acho que seu primeiro
passo deveria ser conversar com ele

Quem?

Will ele disse Voc se lembra de quando vocs passaram pela casa ontem? Quando eu
estava parado na varanda? Eu estava observando vocs, pensando em quo natural vocs
dois parecem quando esto juntos

Voc nem mesmo o conhece Ronnie disse, sua voz uma mistura de surpresa e maravilha.

No ele disse. Ele sorriu afetuosamente. Mas eu conheo voc, e voc estava feliz ontem

E se ele no quiser falar comigo?

Ele quer

E como voc sabe?

Porque eu estava observando, e ele parecia feliz tambm.

Para na entrada da Blakelee Brakes, ela conseguia pensar que no queria fazer aquilo. Ela
no queria encar-lo. S que ela meio que queria sim, e sabia ento que no tinha outra
opo. Ela sabia que no tinha sido justa com ele e ele merecia saber o que Ashley havia
dito. Ele tinha esperado fora da casa dela por horas, certo?

Alm do mais, ela tinha que admitir que seu pai tinha razo. Ela se divertia muito com Will,
pelo menos o mximo de diverso que se podia conseguir em um lugar como aquele. E
tinha algo sobre ele que o fazia diferente dos garotos que ela conhecia. No s porque ele
jogava vlei, ou porque tinha o corpo de um atleta e era mais inteligente do que aparentava.

Ele no tinha medo dela. Tantos rapazes simplesmente rodavam esses dias, pois achavam
que ser bons era tudo que importava. E importava sim, mas no se o cara igualava ser legal
com ser um capacho. Ela gostou de como ele tinha levado-a para pescar, mesmo que ela
no quisesse. Foi o jeito com que ele falou com ela, "Esse  quem eu sou, e isso  o que eu
gosto, e de todas as pessoas que eu conheo,  com voc que quero aproveitar". Muitas
vezes, quando um garoto a chamava para sair, ia busc-la sem a menor idia de para onde
iriam, normalmente forando-a a escolher um lugar. Isso era to sem graa. Will era tudo,
menos sem graa, e ela no podia evitar gostar dele por causa disso.

O que siginificava,  claro, que ela tinha que consertar as coisas. Preparando-se para o caso
dele ainda estar com raiva, ela entrou na loja. Will e Scott estavam trabalhando debaixo de
um elevador para carros. Scott disse algo para Will, que se virou e a viu, mas no sorriu. Ao
invs disso, ele limpo suas mos em um pano e foi em sua direo. Ele parou a um passo
dela. De perto, sua expresso era ilegvel. "O que voc quer?"

No era exatamente a abertura que ela queria, mas tambm no era inesperado.

"Voc estava certo", ela disse. "Ontem, eu sa do jogo porque Ashley disse que eu era sua
mais recente conquista. Ela tambm insinuou que eu no era a primeira, que nosso dia
juntos - e todas as coisas que fizemos e lugares onde fomos - eram truques que voc usava
com todas as garotas."

Will continuava encarando-a. "Ela mentiu"

"Eu sei"

"Ento porqu voc me deixou esperando fora de sua casa por horas? E porqu voc no
disse nada ontem?"

Ela colocou uma mecha do cabelo atrs da orelha, sentindo a vergonha subir em seu peito,
mas tentando no demonstrar. "Eu estava com raiva e chateada. E eu ia falar para voc,
mas voc foi embora e eu nao tive como"

"Voc est dizendo que  minha culpa?"

"No, de jeito nenhum. Tem muitas coisas que esto acontecendo que no tem nada a ver
com voc. Os ltimos dias tem sido difcieis". Ela passou a mo pelos cabelos. Estava to
quente ali dentro.

Will levou um momento para absorver o que ela tinha dito. "Porqu voc acreditaria nela, em
primeiro lugar? Voc nem a conhece"

Ela fechou os olhos. Porqu? Ela se perguntou. Porque eu sou uma idiota. Porque eu
deveria ter confiado em meus instintos sobre ela. Mas ela no disse essas coisas. Ela s
sacudiu a cabea. "Eu no sei"

Quando ela no parecia mais disposta a falar nada, ele enfiou as mos no bolso. "Isso 
tudo que voc veio dizer? Porque eu tenho que voltar ao trabalho"

"Eu tambm vim me desculpar", ela disse, com a voz deprimida, "Sinto muito. Eu exagerei"

"Sim, voc exagerou", Will rebateu, "Voc foi completamente irracional. Algo mais?"

"E eu tambm queria que voc soubesse que eu tive um timo dia ontem. Bem, pelo menos
at o final"

"Ok"

Ela no tinha certeza do que ele quis dizer, mas quando ele lanou-lhe um breve sorriso, ela
comeou a relaxar.

"'Ok'?  isso?  tudo que voc vai me dizer depois de eu ter vindo at aqui pedir desculpas?
Ok'?"

Em vez de responder, Will deu um passo em direo a ela, e ento, tudo aconteceu to
rpido que nem fez sentido. Um segundo atrs ele estava distante dela, e ento, ele colocou
uma mo no quadril dela e a puxou para perto. Inclinando-se, ele a beijou. Seus lbios eram
macios, e ele era surpreendentemente gentil. Talvez tenha sido porque ele a pegou de
surpresa, mas ela se viu retribuindo o beijo. O beijo no durou muito, e no foi um beijo de
sacudir-a-terra ou de destruir-a-alma como os do filmes; mesmo assim, ela estava feliz de
ter acontecido, e qualquer que fosse o motivo, ela percebeu que era exatamente isso que
ela queria que ele fizesse.

Quando ele se afastou, Ronnie sentiu o sangue esquentar em suas bochechas. Sua
expresso era meio sria, e no tinha nada de sem graa nisso.

"Na prxima vez que voc estiver chateada, voc fala comigo", ele disse. "No me afaste.
Eu no gosto de joguinhos. E eu tive um timo dia tambm."

Ronnie ainda sentia-se um pouco sem equilbrio enquanto caminhava para casa.

Relembrando o beijo mil vezes, ela ainda no tinha certeza de como tinha acontecido. Mas
ela tinha gostado. E muito. Ele deveriam ter feitos planos de quando se veriam novamente,
mas com Scott os observando de boca aberta, pareceu mais fcil dar um rpido beijo nele e
deix-lo voltar ao trabalho. Mesmo assim, ela tinha certeza de que eles se veriam
novamente, provavelmente logo.

Ele gostava dela. Ela no tinha certeza porque ou como tinha acontecido, mas ele gostava.
O pensamento era maravilhoso, e ela desejou que Kayla estivesse ali para conversarem. Ela
sups que deveria ligar para ela mas no seria o mesmo, e alm do mais, ela nao teria
certeza do que falar. Ela imaginou que apenas queria algum para ouvi-la. Enquanto ela se
aproximava da casa, a porta da oficina se abriu e Jonah saiu em direo a casa.

"Hei Jonah", ela chamou.

"Oh, oi Ronnie", Jonah virou e comeou a caminhar em direo a ela. Quando chegou perto,
ele parecia estar astudando-a. "Posso te fazer uma pergunta?"

"Claro"

"Voc quer um biscoito?"

"O qu?"

"Um biscoito. Tipo, um Oreon. Voc quer um?"

Ela no tinha ideia de para onde isto ia chegar, pela simples razo de que o crebro do seu
irmo corria em linhas perpendiculares, e no paralelas, para ela. Ela respondeu com
cuidado. "No"

"Como voc pode no querer um biscoito"

"Eu s no quero"

"Ok, tudo bem", ele disse, acenando, "Vamos dizer que voc queira um biscoito. Vamos
dizer que voc est morrendo por um biscoito, e h varios deles dentro da lata. O que voc
faria?"

"Eu comeria um biscoito?" Ela sugeriu

Jonah estalou o dedo. "Exatamente.  disso que estou dizendo"
"O que voc est dizendo?"
"Que se as pessoas querem biscoito, elas deveriam ter o biscoito.  o que as pessoas
fazem"

Aha, ela pensou. Agora tudo fazia sentido. "Deixe-me adivinhar. Papai no deixou voc
comer biscoito?"

"No. Mesmo eu estando morrendo de fome, ele nem considerou. Ele disse que tenho que
comer um saduche primeiro"

"E voc no acha isso justo"

"Voc mesmo disse que se voc quer um biscoito, voc teria um. Ento porque eu no
posso? Eu no sou uma criana pequena. Eu posso tomar minhas prprias decises." Ele a
encarou seriamente.

Ela colocou um dedo no queixo. "Hmm. Posso ver o porque isso te incomoda tanto"

"No  justo. Se ele quer um biscoito, ele pode ter um biscoito. Se voc quer um biscoito,
voc pode ter o biscoito. Mas se eu quero um biscoito, as regras no valem. Como voc
disse, no  justo"

"E ento, o que voc vai fazer?"

"Eu estou indo comer um sanduche. Porque eu tenho que comer. Porque o mundo no 
justo para quem tem dez anos."

Ele saiu sem esperar resposta. Ela teve que sorrir enquanto o via indo. Talvez mais tarde,
ela pensou, ela o levaria para tomar um sorvete. Por um momento, ela pensou se deveria
segui-lo ate a casa, ento mudou de idia e foi at a oficina. Ela imaginou que j era hora de
ver a janela de qual tanto ouvira falar.

Da porta, ela podia ver seu pai soldando algum ferro.

"Ol querida. Entre"

Ronnie entrou pela primeira vez na oficina. Ela franziu o nariz para os animais nas
prateleiras, e seu olhar foi at a mesa, onde ela viu a janela. O que ela podia dizer  que
eles tinham um logo caminho a percorrer. No tinha nem um quarto da janela completo, e se
um padro estivesse sendo seguido, ainda haviam muitos pedaos faltando.

Depois de terminar com um dos pedaos, seu pai ficou em p e ajeitou os ombros. "Esta
mesa  um pouco baixa para mim, vou ficar dolorido depois"

"Voc quer um Tylenol?"

"No, estou apenas ficando velho. Tylenol no pode fazer muito por isso, n?"
Ela sorriu antes de se afastar da mesa. Pregado na parede, ao lado de um artigo sobre o
incndio, estava uma foto da janela. Ela se aproximou para observar, antes de se virar para
ele. "Eu conversei com ele", ela disse, "Eu fui at a oficina onde ele trabalha"

"E?"

"Ele gosta de mim"

"Ele deveria. Voc  um bom partido"

Ronnie sorriu, sentindo-se agradecida. Ela tentou, mas no conseguiu lembrar se ele
sempre foi to legal. "Por que voc est fazendo a janela para a igreja?  o porqu o pastor
Harris deixou voc ficar na casa?"

"No, eu teria feito de qualquer maneira..." Ele se calou. Ronnie olhava para ele com
expectativa. " uma longa histria. Tem certeza que quer ouvi-la?"

Ela acenou.

"Eu tinha seis ou sete anos quando entrei na igreja do pastor Harris pela primeira vez. Eu me
refugiei da chuva l - era um temporal e eu estava ensopado. Quando ouvi que ele estava
tocando piano, lembro-me de ter pensando que ele no me deixaria ficar. Mas ele deixou, e
me trouxe um cobertor e uma caneca de sopa, e ligou para minha me para que ela fosse
me buscar. Antes dela chegar, ele me deixou tocar piano. Eu era apenas uma criana
batendo nas teclas, mas... Enfim, eu acabei voltando l no dia seguinte e ele se tornou meu
primeiro professor de piano. Ele tinha um grande amor pela msica e costumava me dizer
que uma bela cano era semelhante a anjos cantando. Eu ia a igreja todos os dias e tocava
por horas embaixo da janela original, com a luz celestial caindo em cascata ao redor de mim.
Essa  a imagem que eu sempre vejo quando me lembro das horas que passei l. Essa bela
inundao de luz. H alguns meses atrs, quando a igreja pegou fogo..."

Ele apontou o artigo na parede. "O pastor Harris quase morreu naquela noite. Ele estava l
dentro fazendo uma reviso de ltimo minuto em seu sermo, e ele quase no saiu. A
igreja... queimou e em um minuto estava no cho. Pastor Harris esteve no hospital durante
um ms, e desde ento ele vem mantendo seus servios em um antigo armazm que
algum est deixando-o usar.  sujo e escuro, mas eu descobri que  apenas temporrio,
at que ele me disse que o seguro s cobria metade do dano, e no havia nenhuma maneira
de arcar com uma nova janela. Eu no consegui imaginar isso. A igreja no seria o mesmo
lugar que eu me lembro e no seria direito. Ento eu vou terminar", ele limpou a garganta,
Eu preciso terminar

Enquanto ele falava, Ronnie se pegou tentando imaginar seu pai quando criana, sentado
ao piano da igreja, seu olhar flutuando dele para o recorte na parede.

Voc est fazendo uma boa coisa

, bem... Vamos ver como fica quando terminar. Mas Jonah parece estar gostando de
trabalhar nisso

Por falar em Jonah, ele est bastante chateado com a fato de voc no deix-lo comer
biscoitos
Ele precisava almoar primeiro

Ela sorriu. Eu no estou discutindo. Eu achei divertido

Ele te disse que j comeu dois biscoitos hoje?

Acredito que ele no tenha mencionado isso

Imaginava, ele colocou suas luvas sobre a mesa. Voc quer almoar com a gente?

Sim. Acho que sim

Eles foram para a porta juntos. A propsito, eu terei a chance de conhecer o jovem rapaz
que gosta da minha filha?

Ela passou por ele, em direo ao sol. Provavelmente

Que tal convid-lo para jantar? E depois ns poderamos fazer... voc sabe, o que
costumamos fazer.

Ronnie pensou sobre isso. Eu no sei pai. Pode estar muito quente

Ok, vou deixar voc decidir.
Captulo 18 - Will


Vamos l, cara, voc tem que manter sua cabea no jogo. Se voc fizer isso, ns vamos
detonar Landry e Tyson no torneio

Will jogou a bola de uma mo para outra, enquanto ele e Scott continuavam na areia,
suando pelo torneio de vlei. J era o finalzinho da tarde. Eles haviam terminado na
garagem s trs horas e correram at a praia para uma disputa com umas duplas da
Gergia que estavam passando a semana na rea. Todos estavam se preparando para o
torneio, que iria acontecer no fim de agosto, em Wrightsville Beach. .

Eles ainda no perderam esse ano. E eles acabaram de ganhar o Nacional Juniores

Ns no estvamos l. Eles venceram um monte de idiotas

Na humilde opinio de Will, o Torneio Nacional de Juniores no continham um monte de
idiotas. No mundo de Scott, entretanto, qualquer um que perdia era um idiota.

Eles nos venceram ano passado

, s que ano passado voc era pior do que  hoje. Eu tive que carregar a carga sozinho

Obrigado

Estou s comentando. Voc  inconsistente. Como ontem, depois que a garota de Lost
Boys* foi embora. Voc jogou o resto do jogo como se estivesse cego.
* filme de vampiros

Ela no  a garoto do Lost Boys. Seu nome  Ronnie

Que seja. Voc sabe qual  o seu problema?

Sim Scott, por favor, me diga qual meu problema, Will pensou. Eu estou morrendo de
vontade de saber o que voc pensa.

Scott continuou alheio aos pensamentos de Will.

Seu problema  que voc no est focado. Uma coisinha acontece e voc est viajando na
Terra do Nunca. Oh, eu derramei soda na Elvira ontem, ento devo perder cinco treinos. Oh,
Vampira ficou chateada com Ashley, ento devo faltar duas partidas...

Voc quer parar?, Will interrompeu.

Scott pareceu confuso. Parar com o que?

De cham-la de nomes

Voc v?  exatamente disso que estou falando. Eu no estou falando dela e sim de voc e
sua ausncia de foco. Sua inabilidade de se concentrar em um jogo.
Ns acabamos de ganhar dois sets, e eles s fizeram sete pontos no total. Ns acabamos
com eles. Will protestou.

Mas eles no deveriam ter feito nem cinco pontos. Ns deveramos t-los humilhados. Sim,
estou. Eles no so to bons

Mas ns vencemos. Isso no  suficiente?

No, se voc pode vencer por mais. Ns deveramos ter quebrado seu esprito, assim,
quando eles nos encontrassem no torneio, eles desistiriam antes mesmo de jogar. Isso se
chama Psicologia.

Achei que isso se chamasse conseguir uma boa pontuao`

Bem,  s porque voc no est pensando direito, se no, no estaria se agarrando com
Cruela de Vil.

Elvira, Vampira e agora, Cruela de Vil. Pelo menos, ele pensou, ele no estava usando
material reciclado.

Eu acho que voc est com cimes, Will disse.

No. Pessoalmente, acho que voc deveria sair com Ashley, para que eu possa sair com
Cassie.

Voc continua pensando nisso?

Oi? Em quem mais eu deveria estar pensando? Voc tinha que t-la visto de biquni ontem

Ento chame ela para sair

No posso, Scott franziu a testa, consternado.  como se elas tivessem feito um pacto, ou
algo assim. No entendo isso

Talvez ela te ache feio

Scott o encarou antes de forar uma risada falsa. Ha-ha. Isso  to engraado. Voc
deveria tentar ir ao Letterman*. Seu olhar permaneceu fixo em Will.
* comediante dos EUA

S estou comentando

No comente. E o que est rolando entre voc e...

Ronnie?

Sim, o que est acontecendo? Ontem voc passou o seu dia de folga todo com ela, e hoje
ela apareceu de manh e voc a beijou. Voc est srio com ela, ou algo assim?

Will ficou em silncio.
Scott balanou a cabea, enquanto levantava um dedo, enfatizando seu objetivo. V,  a
que pega. A ltima coisa que voc precisa  se envolver com uma garota. Voc tem que se
concentrar no que  importante. Voc tem um trabalho de tempo integral, se voluntariou para
tentar salvar os golfinhos, as baleias ou as tartarugas ou o que seja, e voc sabe o quanto
temos que praticar at ficarmos prontos para o torneio. Voc no tem tempo suficiente para
isso tudo.

Will no disse nada, mas podia sentir o pnico de Scott crescendo enquanto os segundos
iam passando.

Ah cara, por favor, no faa isso comigo. O que voc viu nessa garota?

Will no disse nada.

No, no, no, Scott repetiu como um mantra, Eu sabia que isso ia acontecer. Por isso
que falei para voc sair com Ashley, assim voc no se envolveria de novo. Voc sabe o
que vai acontecer. Voc vai se transformar em um eremita. Voc vai dispensar seus amigos
para poder sair com ela. Confie em mim, a ltima coisa que voc precisa  ficar srio com...

Ronnie, Will completou.

Que seja, Scott rebateu, voc est perdendo o ponto

Will sorriu. Voc j percebeu que tem mais opinies sobre minha vida do que a sua
prpria?

Isso  porque eu no estrago as coisas como voc

Will se contraiu involuntariamente, lembrando-se da noite do incndio e se perguntando se
Scott era mesmo assim to ftil.

Eu no quero falar sobre isso, mas Will reparou que Scott no estava ouvindo. Ao invs
disso, seu olhar estava fixo em algum ponto acima do ombro de Will, em direo a praia.

S pode ser brincadeira, Scott resmungou.

Will se virou e viu Ronnie se aproximando. De jeans e camiseta preta,  claro, parecendo to
deslocada quanto um crocodilo na Antrtica. Um grande sorriso se espalhou por seu rosto.
Ele foi em direo a ela, olhando em seus olhos, perguntando-se de novo em que ela estaria
pensando. Ele adorava o fato de que no podia decifr-la por completo.

Ol, ele disse chegando perto.

Ela parou, fora de alcance. Sua expresso era sria. No me beije. Apenas escute, ok?

Sentada ao lado dele na caminhonete, Ronnie parecia to enigmtica como sempre. Ela
olhava pela janela, com um sorriso tranqilo, e parecia gostar do que estava vendo.

Ronnie pegou a mo de Will e juntou com a sua em seu colo. Quero que saiba que meu pai
no vai se importar se voc estiver de short e camiseta.
S vou levar alguns minutos

Mas  para ser um jantar casual

Eu estou sujo e suado. Eu no vou aparecer na sua casa para jantar com seu pai vestido
como um vagabundo

Mas eu acabei de dizer que ele no se importa

Eu me importo. Ao contrario de algumas pessoas, eu gosto de causar uma boa impresso

Ronnie se irritou. Voc est falando de mim?

Claro que no. S para constar, todos que eu conheo adoram conhecer pessoas com
cabelo roxo

Embora soubesse que ele estava brincando, seus olhos se arregalaram, para depois se
estreitarem. Voc no parece ter nenhum problema com isso

Sim, mas isso  porque eu sou especial

Ela cruzou os braos e o encarou. Voc vai agir assim a noite inteira?

Assim como?

Como algum que pode nunca, nunca mais me beijar?

Ele riu e virou-se para ela. Desculpe-me, eu no tive a inteno. Atualmente, eu gosto de
coisas roxas.  quem voc 

, bem, voc tem que tomar cuidado com o que vai falar na prxima vez

Enquanto falava, ela abriu o porta-luvas e comeou a remexer dentro.

O que voc est fazendo?

S olhando. Por qu? Est escondendo alguma coisa?

Sinta-se a vontade para mexer em tudo. E aproveite que est ai e arrume um pouco para
mim

Ela pegou um projtil e levantou para que ele pudesse ver. Ento  com isso que voc mata
os patos?

No, este  para os veados.  grande demais para patos. O pato seria despedaado com
isso ai

Voc tem srios problemas, sabe?

J ouvi falar
Ela riu antes de se calar novamente. Eles estavam entrando no outro lado da ilha. Nos
espaos entre as casas, ela conseguia ver o sol refletindo na gua. Ela fechou o porta-luvas
e baixou a viseira. Reparou em uma fotografia de uma linda loira, puxou para fora e
examinou.

Ela  bonita

Sim, ela 

Aposto que voc postou isso na sua pgina no Facebook

Voc perdeu.  minha irm

Ele viu quando seu olhar cintilou, indo da foto para a pulseira de macram (uma forma de
artesanato com rede).

Qual  a dos braceletes combinando?, ela perguntou.

Eu e minha irm fizemos

Para apoiar uma causa digna, sem dvidas

No, ele disse, e quando no falou mais nada, ele teve a impresso de que ela percebeu
que ele no queria falar mais nada. Ento, ela colocou a foto cuidadosamente de volta na
viseira.

O quo longe  sua casa?, Ronnie perguntou.

Ns j estamos quase l, Will garantiu.

Se eu soubesse que era to longe assim, eu teria ido andando para casa. Desde que
estamos indo cada vez mais longe da minha casa, quero dizer.

Mas a voc teria perdido minha brilhante conversa

 disso que voc a chama?

Voc planeja me insultar ainda mais?, ele olhou para ela, Eu s preciso saber se sim ou
no, para eu ligar o radio e no te ouvir mais

Voc no deveria ter me beijado mais cedo. No foi exatamente romntico, Ronnie
rebateu.

Eu achei bem romntico

Ns estvamos em uma garagem, suas mos estava sujas de graxa, e seu amigo estava
nos assistindo, embasbacado

Um cenrio perfeito, ele disse.
Enquanto diminua o carro, ele abaixou sua viseira. Depois de fazer a volta, ele parou e
pressionou um controle remoto. Dois portes de ferro se abriram lentamente, e a
caminhonete andou novamente. Excitado com a idia de jantar com a famlia de Ronnie
naquela noite, Will nem pareceu perceber que Ronnie tinha se calado.
Captulo 19  Ronnie



Ok, ela pensou, isso  ridculo. No s o terreno com roseiras esculpidas, e sebes e
esttuas de mrmore, ou a enorme manso Georgiana apoiada por elegantes colunas, ou os
carros exticos e caros que estavam sendo encerados a mo em um lugar prprio para isso
 mas tudo aquilo.

No era apenas ridculo, estava alm disso.

Sim, ela sabia que existiam pessoas ricas em Nova York, com apartamentos de vinte e trs
quartos na Park Avenue e casa nos Hamptons, mas no era como se ela passasse seu
tempo com essas pessoas ou que fosse convidada  casa deles. O mais prximo que ela
tinha estado disso era vendo revistas, em fotos tiradas por paparazzis.

E aqui estava ela, de camiseta e jeans rasgado. timo. Ele pelo menos, deveria ter alertado-
a.

Ela continuou a encarar a casa enquanto a picape subia a rampa, parando em frente a casa.
Ela virou-se para ele, prestes a perguntar se ele realmente vivia ali, quando percebeu que
isso era estpido.  claro que ele vivia ali. A essa altura, ele j estava saindo do carro.
Seguindo-o cautelosamente, ela saiu do carro. Os dois homens lavando o carro sorriram
para ela rapidamente antes de voltarem ao trabalho.

Como eu disse, eu s vou tomar um banho rpido. No vai demorar

Tudo bem, ela disse. Realmente no havia mais nada que ela pudesse dizer. Era a maior
casa que ela j tinha visto na vida.

Ela o seguiu pelos degraus at o porto e parou momentaneamente na porta, tempo o
suficiente para ler uma placa em bronze na porta escrito: Os Blakelees.

Como em Blakelee Brakes. Como na cadeia nacional de automveis. Como o pai de Will
no comeou uma simples franquia, mas provavelmente comeou todo o negocio.

Ela ainda estava tentando processar o fato simples como Will empurrou a porta e levou-a em
uma entrada macia cercada por uma grande escadaria. A biblioteca de Dark-painis
chamou  sua direita, enquanto uma espcie de sala de msica abriu para a esquerda.

Diretamente  sua frente estava uma sala enorme, repleta de sol, e, alm disso, ela viu as
guas cristalinas do Intracoastal Waterway. Voc no me disse o seu sobrenome era
Blakelee," Ronnie murmurou.

Voc no perguntou." Ele deu um indiferente encolher de ombros. "Vamos" Ele levou-a
escadaria passada em direo ao quarto grande. Na parte de trs da casa, viu uma macia
varanda coberta, perto da gua, ela avistou o que s poderia ser descrito como um iate de
mdio porte estacionado no cais. Ok, ela admitiu. Ela se sentiu fora de lugar aqui, e o fato de
que todos provavelmente sentiram fora de lugar a primeira vez que vieram aqui no foi
nenhum consolo. Ela poderia muito bem ter aterrado em Marte.
Posso pegar-lhe algo para beber enquanto eu me preparo?"

Um, no, eu estou bem. Obrigada", disse ela, tentando no ficar de boca aberta em seu
entorno.

Voc quer me mostrar-lhe o primeiro?"

Estou bem." Algum lugar a frente e para o lado, ouviu uma voz chamando.

"Ser? Eu o ouvi entrar? "Ronnie se virou para ver uma mulher atraente em seus cinquenta
e poucos anos, vestindo uma roupa cara , terninho e segurando uma revista de casamento,
passo a vista.

"Ei, me", disse ele. Ele jogou as chaves do caminho em uma tigela pousado sobre a mesa
de entrada, ao lado do vaso de lrios frescas.

"Eu trouxe algum. Esta  a Ronnie. E Esta  a minha me, Susan. "

Ah. Ol, Ronnie, "disse Susan friamente.Embora Susan tentou escond-lo, Ronnie poderia
dizer que ela no estava satisfeito em ter sido surpreendido pelo convidado inesperado Will.
O seu desagrado, Ronnie no pude deixar de pensar, tinha menos a ver com a parte
inesperada do que a parte do convidado. Ou seja, ela.

Mas se Ronnie percebeu a tenso, Will obviamente no. Talvez, Ronnie pensamento, que
era uma de coisa mulher para ser capaz de sentir as coisas assim, porque Will continuou
conversando com sua me com facilidade casual. "Est meu pai por a?", Perguntou ele.

"Eu acredito que ele est em seu escritrio."

"Antes de eu ir, eu preciso falar com ele".

Susan passou a revista de um lado para o outro. "Voc est indo embora?"

Eu vou jantar esta noite com a famlia de Ronnie".

"Oh," ela disse. "Isso  maravilhoso."

"Voc vai gostar disso. Ronnie  um vegetariana. "

"Oh," disse Susan novamente, voltando-se para examinar Ronnie. " mesmo?"

Ronnie sentiu como se estivesse encolhendo. "Sim".

"Interessante", disse Susan. Enquanto Ronnie podia ver que ela no era nada interessante
para Susan, Will permaneceu indiferente.

Ok, ento eu apenas estou indo la em cima por alguns minutos. Eu volto logo. "

Apesar da vontade de Ronnie dizer-lhe para se apressar, ela no fez. "Ok," ela ofereceu em
seu lugar.
Com um par de longo prazo, os passos de galope, ele estava dirigindo a escada, deixando
Ronnie e Susan enfrentando-as umas as outras. No silncio que se seguiu, Ronnie era
extremamente consciente do fato de como eles tinham pouco em comum, eles estavam
unidos em sua infelicidade em ser deixada sozinha com os outros.

Ronnie senti como se estrangulando Will. O mnimo que ele poderia ter feito foi avis-la.

"Ento", disse Susan, forando um sorriso. Ela parecia quase plstico. "Voc  o nico com
o ninho de tartaruga atrs de sua casa? "

"Sou eu."

Susan concordou. Ela, obviamente, esgotar-se de coisas para dizer, ento Ronnie esforou
para preencher a silncio. Ela apontou para o saguo. "Voc tem uma bela casa."

"Obrigado." Com isso, Ronnie estava em uma perda de palavras, e por um longo momento,
eles se enfrentaram desajeitadamente. Ela no tinha idia do que teria acontecido se as
duas tivessem permanecido sozinhas. Mas, felizmente, eles estavam unidos por um homem
de cinquenta ou sessenta e poucos anos, vestido casualmente em Dockers e um Polo.

"Eu pensei que eu ouvi algum entrar", disse ele, caminhando em direo a eles. Seu
comportamento foi amigvel, quase jocoso, como ele se aproximou. "Eu sou Tom, tambm
conhecido como o pai de Will, e voc  Ronnie, certo? "

" um prazer conhec-lo", ela respondeu.

"Estou contente por finalmente ter uma chance de conhecer a menina que ele est falando."

Susan pigarreou. "Will vai ser juntar a Ronnie e sua famlia para o jantar."

Tom virou-se para Ronnie. "Eu espero que voc no faa nada demais. O garoto vive em
pepperoni pizza e hambrgueres."

"Ronnie  uma vegetariana", acrescentou Susan. Ronnie no pode deixar de notar que
Susan disse isso da mesma forma que outra pessoa poderia ter dito que era um terrorista.
Ou talvez no. Ronnie no poderia dizer exatamente. Will realmente, realmente deveria ter
avisado a ela sobre o que esperar, assim ela poderia ter sido, pelo menos preparado. Mas
Tom, como Will, no parece notar

."A srio? Isso  timo. Pelo menos ele vai comer saudvel para uma mudana. "Fez uma
pausa. "Eu sei voc est esperando pelo Will, mas voc tem alguns minutos? Eu quero lhe
mostrar uma coisa. "

"Tenho certeza que ela no est interessado em seu avio, Tom," Susan protestou.

"Eu no sei. Talvez ela esteja ", disse ele. Voltando-se para Ronnie, perguntou: "Voc gosta
de avies? "
Claro, ela pensou, por que no a famlia ter um avio? Vamos apenas acrescentar a
equao. Essa confuso toda foi culpa de Will. Ela estava indo para mat-lo, logo que ela
sa daqui. Mas que escolha tinha ela?

"Sim", disse ela. "Claro que gosto de avies."

Ela supe que ela tinha uma imagem na mente, um Learjet ou Gulfstream estacionado em
um hangar pessoal do outro lado da propriedade, mas era uma imagem difusa, uma vez que
o nico jatos privados que j tinha visto eram em fotografias. Ainda assim, isso no foi o que
ela esperava a todos: a viso de algum mais velho que seu pai voar um avio de brinquedo
de controle remoto e concentrando-se nos controles.

O avio lamentou que saia acima das rvores, swooping baixos ao longo dos Intracoastal
Navegvel.

Eu sempre quis uma dessas coisas, e eu finalmente quebrou e tenho um. Na verdade,esta
 a segunda. O primeiro acabou acidentalmente na gua. "

"Isso  muito ruim", Ronnie simpatizava.

"Sim, mas ela me ensinou que eu provavelmente deveria ler todos os sentidos da prxima
vez."

"Voc quis esmaga-lo?"

"No, ela correu para fora do gs." Ele olhou para ela. "Voc quer tentar?"

" melhor eu no", Ronnie objetou. "No sou boa em coisas desse tipo."

"No  muito difcil," Tom garantiu a ela. "Este  um dos avies novato.  suposto ser 
prova de idiota. Evidentemente, o ltimo foi, tambm, ento o que  que te disse? "

"Isso talvez voc deve ter lido as instrues?"

"Direita", disse ele. Havia alguma coisa sobre a maneira como ele disse que que o fez soar
apenas como Will.

"Voc e Susan falaram sobre o casamento?", Perguntou ele.

Ronnie sacudiu a cabea. "No. Will mencionou algo sobre ele, embora "

"Eu tive que passar duas horas hoje no florista, olhando para arranjos florais. Voc j
passou duas horas olhando para arranjos de flores? "

"No."

"Considere-se sortuda."

Ronnie riu, aliviada por estar aqui com ele. S ento Will veio por trs dela, recm banhado
e vestido ordenadamente em uma camisa plo e bermuda. Tanto a marca, mas ela supunha
que ela deveria ter esperado isso.
"Voc tem que perdoar o meu pai. Ele s vezes se esquece que ele  um adulto, "Will
brincou.

"Pelo menos eu sou honesto. E eu no queria v-lo competir em casa para ajudar. "

"Eu tinha um jogo de vlei."

"Sim, eu tenho certeza que foi o motivo. E eu tenho que dizer a voc, Ronnie aqui  um
conjunto muito mais bonita que voc deixe em ".

Apesar de Ronnie sorriu com prazer, se encolheu. "Papai ..."

" verdade", Tom acrescentou rapidamente. "No seja envergonhado." Depois de fazer o
avio se foi voar em linha reta novamente, ele olhou para Ronnie. "Ele fica muito
embaraado. Ele costumava ser o mais tmido garoto no mundo. Ele no podia nem sentar-
se perto de uma menina bonita sem rosto ficando vermelho brilhante. "

Will, entretanto, foi sacudindo a cabea em descrena. "Eu no posso acreditar que voc
est dizendo isto, Papai. Bem em frente dela. "

"Qual  o problema?" Tom olhou para Ronnie. "Isso te incomoda?"

"De modo nenhum".

"Viu?" Ele bateu no peito de Will, como se ele provou seu ponto. "Ela no se importa."

"Obrigado por isso." Ele fez uma careta.

"Quais so os paizinhos para? Ei, voc quer dar um giro esta coisa? "

"Eu realmente no posso. Era para eu levar Ronie para casa para que possamos ter o
jantar. "

"Oua-me. Mesmo se servir em rutabaga berinjela com tofu, eu quero que voc coma o que
colocar na frente de voc e, em seguida, certifique-se de elogi-los sobre a refeio ", Tom
admoestou.

"Ser provavelmente apenas macarro," Ronnie disse, sorrindo.

"Srio?" Tom pareceu desapontado. "Ele vai comer isso".

"O qu? Voc no quer que eu coma? "

" sempre bom experimentar coisas novas. Como  que foi na loja hoje? "

"Isso  o que eu precisava falar com voc. Jay disse que h um problema com o computador
ou o software, tudo continua a imprimir duas vezes. "

"Apenas na emblemtica ou em qualquer lugar?"
"Eu no sei".

Tom suspirou. "Acho que  melhor eu verific-la, ento. Assumindo, claro, que eu possa
aterrizar esta coisa. E vocs dois tm um tempo bom, okay? "

Poucos minutos depois, aps entrar no caminho, Will tilintou suas chaves antes de iniciar o
motor. "Desculpe por tudo isso. Meu pai diz s vezes as coisas mais loucas ".

''No precisa desculpar. Eu gosto dele. "

"E eu no era to tmido, por sinal. Minhas bochechas nunca ficaram vermelho brilhante."

"Claro que no."

"Estou falando srio. Eu estava sempre bem. "

"Tenho certeza que voc estava", disse ela, atingindo mais de afago seu joelho. "Mas
escuta. Sobre esta noite. Minha famlia tem essa tradio estranha. "


"Voc est mentindo!" Will gritou. "Voc ficou deitado toda a noite e estou cansado disso."

"No v at l!" Ronnie gritou. "Voc  a pessoa que est mentindo!"

Os pratos do jantar h muito tempo tinha sido limpos - pai tinha servido espaguete e molho,
como previsto, com Will certificando-se de limpar seu prato e eles foram - agora, sentados
na mesa da cozinha segurando cartas de jogar a sua testa em um jogo de poker mentiroso.
Will estava segurando um oito de copas, Steve um trs de copas, e Jonah um dos nove
espadas. Pilhas de mudana foram empilhados em frente de cada uma delas, e as apostas
no meio transbordavam de moedas e moedas.

"Vocs dois esto mentindo", Jonah acrescentou. "Nenhum de vocs sabe como dizer a
verdade."

Will ofereceu Jonah enfrentar o seu jogo e chegou  sua pilha de mudana. "Um quarto diz
que voc no sabe o que voc est falando ".

Seu pai comeou a sacudir a cabea. "M mudana, meu jovem.  demais. Eu vou ter que
aumentar cinqenta centavos ".

"Eu vou ver isso!" Ronnie chorou. Tanto Jonas e imediatamente seguiu o exemplo.

Eles fizeram uma pausa, todos eles olhando um ao outro antes de golpear as suas cartas na
mesa. Ronnie, vendo que ela estava segurando um oito, acredita que todos eles tinham
perdido para Jonah. Novamente. "Vocs so todos mentirosos!", Disse ele. Seus ganhos, ela
notou, foram duas vezes mais que qualquer outra pessoa, e como ela assistiu seu irmo
arrastar a pilha de mudana em direo a ele, ela observou que, pelo menos at este ponto,
a noite tinha ido muito bem. Ela no sabia o que esperar quando ela trouxe mais de Will,
pois foi a primeira vez que ela j trouxe um menino para encontrar seu pai. Ser que ele
tenta dar-lhes espao, escondendo-se na cozinha? Ser que ele tenta se tornar amigos com
Will? Ser que ele vai fazer ou dizer algo embaraado dela? Na ida para a casa dela, ela j
comeou a pensar em planos de fuga, ela poderia usar, logo que terminou o jantar.

To logo entrou, no entanto, tinha um sentimento bom. Para comear, a casa foi apanhada,
Jonas era, obviamente, sob as ordens de no se apegar a seus lados ou questo ser como
um promotor de justia, e seu pai conheceu Will com um simples e descontraido aperto de
mo. " um prazer conhec-lo." Will que estava em seu melhor comportamento,  claro,
respondeu s perguntas com "Sim, senhor" e "No, senhor", que lhe pareceu simptico em
um tipo do sul do caminho. A conversa do jantar foi fcil, o pai dela fez algumas perguntas
sobre o trabalho de Will fez na garagem e no aqurio, e Jonas foi to longe para colocar o
guardanapo no colo. O melhor de tudo, o pai no disse nada constrangedor, e ainda trouxe o
fato de que ele usou para ensinar na Juilliard, ele no voluntrio que tinha sido seu professor
ou que tinha jogado uma vez no Carnegie Hall ou que tinham canes escritas juntas, nem
tinha mencionado o fato de, at h poucos dias, ele e Ronnie havia sido completamente
alienado.

Quando Jonas pediu para biscoitos depois que ele terminou, ambos Ronnie e seu pai
estouraram a rir, fazendo Will saber o que era to engraado. Juntos, os quatro deles
acamparam-se em limpar a mesa e, quando Jonas sugeriu que eles jogam poker mentiroso,
Will tinha concordado com entusiasmo. Quanto  vontade, ele era apenas o tipo de cara que
sua me queria que Ronnie casasse: educado, respeitoso, inteligente, e melhor de todas
sem tatuagens... Poderia ter sido bom ter sua me l, se apenas a garantir-lhe que sua filha
no tinha ido completamente para fora da extremidade profunda. Por outro lado, sua me
provavelmente teria sido to animada sobre a coisa toda que ela teria tentado adotar Will no
local ou falar a Ronnie um milho de vezes depois que ele se foi sobre o que um homem
jovem e bonito ele era, o que s teria feito Ronnie querer terminar tudo antes que sua me
ficasse muito elevada. Seu pai faria nenhuma dessas coisas, ele parecia confiar no
julgamento de Ronnie e estava disposto a deixar que ela fizesse suas prprias decises sem
inserir suas prprias opinies.

Que foi realmente estranho, considerando que ele estava apenas comeando a conhec-la
novamente, e tambm um pouco triste ao mesmo tempo, porque ela estava comeando a
pensar que ela cometeu um grande erro, evitando-lhe, nos ltimos trs anos. Poderia ter
sido bom para conversar com ele quando a me dela estava dirigindo a loucura dela.

Tudo em tudo, ela estava feliz por ela ter convidado Will . Para ele certamente foi mais fcil
encontrar com o pai dela do que tinha sido de Ronnie para atender Susan. A mulher
assustada The Living Daylights (?) fora dela. Bem, talvez, que foi um exagero, mas ela
estava definitivamente intimidada. A mulher fez muito claro que ela no gostou de Ronnie ou
no gostou do fato de que o filho gostava de Ronnie.

Normalmente, ela no teria se importado que pai de algum pensava nela, e ela no teria
dado um segundo pensamento ao modo como ela estava vestida. Ela era quem ela era,
afinal ... Esta foi a primeira vez no que pareceu uma eternidade que ela sentiu no medir-se,
e tinha se incomodado muito mais do que ela pensava que seria.

Enquanto a escurido caiu e o jogo do poker mentiroso comeou a enrolar para baixo, ela
sentiu Will olhando para ela. Ela devolveu o olhar com um sorriso. "Estou quase no fim",
anunciou, dedilhando sua pilha de mudana.

"Eu sei. Eu estou, tambm. "
Ele olhou para a janela. "Voc acha que estaria tudo bem se ns fomos para uma
caminhada?"

Desta vez, ela sabia com certeza que ele estava perguntando porque ele queria passar um
tempo sozinho com ela, porque ele se preocupava com ela, mesmo que ele no tinha
certeza se ela se sentia da mesma maneira.

Ela conheceu os seus olhos diretamente. "Eu adoraria ir para um passeio."
Captulo 20  Will



A praia se estendia por quilmetros, separada de Wilmington pela ponte sobre a Intracoastal
Waterway*. Mudou,  claro, desde que Will era uma criana, ficando mais cheio durante o
vero, pequenos bangals como a casa de Ronnie sendo transformados em manses a
beira-mar, mas ele ainda amava o mar  noite. Quando ele era uma criana, costumava
andar de bicicleta pela praia, na esperana de ver algo interessante, e ele quase nunca se
desapontava. Ele tinha visto grandes tubares, castelos de areia to intricados, que
poderiam ter ganhado qualquer competio nacional, e uma vez ele viu uma baleia, nem a
cinqenta metros da costa, um pouco alm das ondas de surf.
* Um tipo de rodovia.

Esta noite, a praia estava deserta, e enquanto ele e Ronnie passeavam descalos pela
areia, ele foi pego pelo pensamento de que esta era a garota com quem ele gostaria de
enfrentar o futuro.

Ele sabia que era muito jovem para tais pensamentos e no estava considerando se casar,
mas ele sentiu que se ele conhecesse Ronnie dez anos mais tarde, ela poderia ser aquela.

Ele sabia que Scott no entenderia a idia  Scott parecia incapaz de imaginar um futuro
que fosse alm do prximo fim de semana  mas ento, Scott no era to diferente da
maioria. Era como se as mentes deles corressem em diferentes faixas: Will no estava atrs
de ficadas de uma noite s, ele no estava buscando marcar pontos s para provar que
podia, ele no estava sendo charmoso o suficiente para conseguir o que queria e depois
trocar por algum mais atraente. Ele no era assim. Ele nunca foi desse jeito.

Quando conhecia uma garota, a primeira pergunta que fazia a si mesmo no era se ela seria
boa para alguns encontros; era se ela seria o tipo de garota que ele se imaginaria passando
um tempo ao longo do tempo. Ele desconfiava que isto tivesse algo a ver com seus pais.

Eles haviam se casado h trinta anos, e comearam lutando como muitos outros casais, e
atravs dos anos construram negcios e criaram uma famlia. Atravs disto tudo, eles
haviam amado muito bem um ao outro, celebrando o sucesso e apoiando-se durante as
dificuldades. Nenhum deles era perfeito, mas Will cresceu com a certeza de que eram um
time, e lentamente, ele foi aprendendo a lio.

Era muito fcil pensar que havia passado dois anos com Ashley porque ela era linda e rica, e
ele estaria mentindo se dissesse que a beleza dela era irrelevante, isso era menos
importante do que as outras coisas que ele pensou que havia nela. Ela ouvia-o apenas como
ele ouvi-a e ele acreditou que podia contar qualquer coisa a ela e vice-versa. Mas com o
passar do tempo ele sentia-se cada vez mais decepcionado com ela, especialmente quando
ela, em lgrimas, admitiu ter ficado com outro cara em uma festa.

As coisas no foram as mesmas depois disso. No porque ele se preocupasse que ela
fizesse algo assim novamente  pessoas cometem erros, e havia sido s um beijo  mas o
acontecimento o ajudou a clarear seus pensamentos a respeito do que ele queria das
pessoas prximas a ele. Ele comeou a reparar como ela tratava as outras pessoas, e ele
no tinha certeza se gostava do que via. Sua incessante bisbilhotice  algo que ele
considerava inofensivo  comeou a irrit-lo, assim como as longas esperas que o fazia
sofrer quando iam sair  noite. Ele se sentiu mal por eventualmente terminar com ela, mas
consolou a si mesmo com o fato de que ele s tinha quinze anos quando comeou a sair
com ela, e que ela tinha sido sua primeira namorada. No fim, ele sentiu como se no tivesse
mais escolha. Ele sabia quem ele era e o que era importante para ele, e no viu nada disso
refletido em Ashley. Ele decidiu ento que era melhor terminar o relacionamento antes que
as coisas ficassem mais difceis.

Sua irm, Megan, era como ele neste ponto. Linda e inteligente, ela intimidava os garotos
com quem saa. Durante um tempo, ela havia mudado de namorados com rapidez, mas sem
nunca perder a vaidade ou sendo leviana. Quando Will perguntou a ela o porqu ela parecia
incapaz de sossegar, sua resposta foi simples: H caras que crescem pensando que vo
sossegar apenas em um futuro distante, e h caras que esto prontos para casar assim que
conhecem a garota certa. O primeiro me deixa entediada, principalmente porque  pattico;
o segundo, falando francamente,  muito difcil de achar. Eu estou interessada em um tipo
srio, e leva tempo para encontrar um que eu esteja interessada. Quero dizer, se um
relacionamento no pode sobreviver um longo tempo, porque eu perderia meu tempo e
minha energia investindo em um relacionamento curto?.

Megan. Ele sorriu pensando nela. Ele viveu sua vida de acordo com suas prprias regras.
Ela deixou a me louca nos ltimos seis anos com sua atitude, e  claro, porque ela havia
eliminado rapidamente todos os indivduos da cidade cuja famlia a me aprovaria. Mas ele
tinha que admitir que Megan tinha se dado bem, e que felizmente, havia encontrado em
Nova York um cara que satisfazia todas suas exigncias.

De uma maneira estranha, Ronnie o lembrava Megan. Ela era excntrica, pensadora, e
obstinadamente independente tambm. Superficialmente, ela era diferente de qualquer uma
que ele poderia achar atraente, mas... Seu pai era timo, seu irmo era agitado, e ela era
inteligente e solidria de um jeito que ele nunca tinha visto. Quem mais acamparia durante a
noite para proteger a ninhada de uma tartaruga? Quem mais impediria uma briga para
ajudar uma criana? Quem mais lia Tolstoy em seu tempo livre?

E quem mais, pelo menos nesta cidade, se apaixonaria por Will sem saber nada sobre sua
famlia? Isto, ele tinha que admitir, era muito importante para ele, tanto quando ele desejava
que no fosse. Ele amava seu pai e o nome de sua famlia, e ele tinha orgulho dos negcios
que seu pai tinha construdo. Ele apreciava as vantagens que essa vida tinha dado a ele,
mas... ele queria ser ele mesmo. Ele queria que as pessoas o conhecessem primeiramente
como Will, no como Will Blakelee, e no existia ningum no mundo com quem ele podia
falar sobre isso, a no ser sua irm. No era como se ele morasse em Los Angeles, onde
voc podia encontrar crianas celebridades em qualquer escola, ou em um lugar como
Andover, onde todos praticamente conhecem algum que vem de alguma famlia famosa.

No era to fcil em um lugar como esse, onde todo mundo se conhecia, e de acordo com
que ele crescia, ele teve que ter cuidado com suas amizades. Ele estava disposto a falar
com todas as pessoas, mas aprendeu a erguer um muro invisvel, ate ter certeza de que sua
famlia no tinha nada a ver com a nova amizade ou ser a razo de uma garota estar
interessada nele. E se ele no tinha certeza de que Ronnie no sabia sobre sua famlia, ele
teria se convencido quando estacionou em frente sua casa.

No que voc est pensando?, ele ouviu-a perguntando. Uma leve brisa sacudiu seu
cabelo, enquanto ela tentava em vo prender um rabo de cavalo. Voc est calado.
Eu estava pensando no quanto eu gostei de ter vindo

Para nossa pequena casa?  um pouco diferente do que voc est acostumado

Sua casa  tima. Assim como seu pai e Jonah. Mesmo que ele tenha acabado comigo no
poker

Ele sempre vence, mas no me pergunte como. Quer dizer, desde quando ele era
pequeninho. Eu acho que ele trapaceia, mas eu ainda no descobri como.

Talvez voc precise aprender a mentir melhor

Oh, voc quer dizer como voc me contando que trabalha para seu pai?

Eu trabalho para meu pai, Will disse.

Voc sabe do que estou falando

Como eu j disse, eu no sabia que isso importava. Ele parou de andar e virou para ela.
Importa?

Ela parecia estar escolhendo as palavras cuidadosamente.  interessante e ajuda a explicar
um monte de coisa sobre voc, mas se eu te dissesse que minha me trabalha como
paralegal* em um escritrio de advocacia na Wall Street, seus sentimentos mudariam em
relao a mim? 

Isso, ele sabia, ele podia responder sendo completamente honesto. No. Mas  diferente

Por qu?, ela questionou. Por que sua famlia  rica? Uma declarao como essa s faz
sentido para algum que pensa que dinheiro  tudo que importa

Eu no disse isso

Ento, o que voc quis dizer? ela o desafiou, mas ento, sacudiu a cabea. Olha, vamos
deixar as coisas claras. Eu no me importo se seu pai  o Sulto de Brunei. Aconteceu de
voc nascer em uma famlia privilegiada. O que voc faz com isso s diz respeito a voc. Eu
estou aqui porque quero estar com voc. Mas se eu no quisesse, nenhum dinheiro do
mundo ia mudar meus sentimentos sobre voc

Enquanto ela falava, ele observou-a ficando mais animada. Por que tenho a impresso de
que voc j usou esse discurso antes?

Porque eu j falei isso antes. Ela parou de andar e se virou para encar-lo Venha para
Nova York e voc entender o porqu eu aprendi a dizer o que penso. Em alguns lugares,
tudo que voc encontra so pessoas esnobes, e eles s se importam com quem  sua
famlia e o quanto eles fizeram... Isso me chateia. Eu fico l parada e tudo que quero dizer 
Que timo que os outros de sua famlia fizeram algo, mas e quanto a voc? Mas no digo
nada, porque eles no entenderiam. Eles acham que so escolhidos, e nem adianta se
chatear por causa disso, porque isso tudo  ridculo. Agora, se voc acha que eu te convidei
aqui por causa da sua famlia...
Eu no acho ele disse, cortando-a Isso nem me passou pela cabea

Ele sabia que ela estava considerando se ele estava dizendo a verdade ou estava falando
somente aquilo que ela queria ouvir. Esperando colocar um fim  discusso, ele se virou e
acenou para trs, em direo a oficina perto da casa.

O que  aquele lugar?

Ela no respondeu imediatamente, e ele percebeu que ela ainda estava decidindo se
acreditava nele ou no.

Isso veio com a casa disse ela, finalmente Meu pai e Jonah esto fazendo vitrais esse
vero.

Seu pai faz janelas?

Ele faz agora

Ele sempre fez?

No ela respondeu Como eu te disse no jantar, ele costumava dar aulas de piano. Ela fez
uma pausa para limpar algo de seu p, e ento mudou de assunto O que voc vai fazer em
seguida? Vai continuar trabalhando para seu pai?

Ele hesitou, resistindo a tentao de beij-la novamente. Eu vou continuar at o fim de
Agosto. Vou para Vanderbilt (Universidade em Nashville) no outono.

De uma das casas na beira da praia ouvia-se uma msica fraca. Forando sua viso, Will
pde ver um grupo reunido na varanda de trs da casa. A msica era algo dos anos oitenta,
mas ele no pode identific-la.

Deve ser divertido

Acho que sim

Voc no parece muito animado

Will pegou a mo de Ronnie e recomearam a caminhada.  uma tima faculdade, e o
campus  muito bonito, ele disse desajeitado.

Ela o estudou Mas voc no quer ir para l?

Ronnie parecia ler todos seus pensamentos e sentimentos, o que era ao mesmo tempo
desconcertante e uma fonte de alvio. Pelo menos ele podia ser sincero com ela.

Eu queria ir para outro lugar, e fui aceito em uma faculdade que tem um incrvel programa
de cincia ambiental, mas minha me quis que eu fosse para Vanderbilt. Ele podia sentir a
areia deslizando entre os dedos enquanto andava.

Voc sempre faz o que sua me quer?
Voc no entende, ele disse, balanando a cabea.  uma tradio de famlia. Meus avs
estudaram l, meus pais estiveram l e minha irm tambm. Minha me est no Conselho,
e... e ela... 

Ele lutou para encontrar as palavras certas. Ele podia sentir Ronnie o observando, mas no
consegui encontrar seu olhar.

Eu sei que ela pode parecer um pouco distante quando voc a encontra pela primeira vez.
Mas depois que a conhece, ela  a pessoa mais verdadeira do mundo. Ela faria qualquer
coisa  qualquer coisa mesmo  por mim. Mas os ltimos anos tm sido realmente difceis
para ela.

Ele parou para pegar uma concha da areia. Depois de examin-la, atirou-a nas ondas
fazendo um arco. Voc se lembra de quando perguntou sobre o bracelete?

Ronnie acenou, esperando que ele continuasse.

Minha irm e eu usamos o bracelete em memria ao nosso irmozinho. Seu nome era
Mike, e ele era um timo carinha... O tipo de criana que era mais feliz quando estava com
outras pessoas. Ele tinha essa risada contagiosa, e voc no podia evitar rir com ele quando
algo engraado acontecia . Ele fez uma pausa, observando o mar. Enfim, h quatro anos
atrs, Scott e eu tnhamos um jogo de basquete e era a minha vez de nos levar, e ento,
como sempre, Mike foi conosco. Tinha chovido o dia todo, ento muitas estradas estavam
escorregadias. Eu deveria estar prestando mais ateno, mas Scott e eu estvamos jogando
misericrdia`* no banco de trs. Voc conhece esse jogo? Onde voc tenta dobrar o pulso
da outra pessoa na direo contrria at que um desista e pea misericrdia?
*foi o mais perto que consegui chegar para o nome do jogo

Ele hesitou, parecendo juntar foras para terminar aquilo que precisava dizer.

Ns estvamos realmente tentando ganhar um do outro  remexendo e chutando a parte de
trs do assento  e minha me ficava dizendo para que ns parssemos, mas ns a
ignoramos. No final, eu consegui pegar Scott, usando toda minha fora, e ento ele gritou.

Minha me olhou para trs para ver o que estava acontecendo e s isso foi o necessrio.

Ela perdeu o controle do carro e... Ele engoliu em seco, sentindo o choque das palavras.

Enfim, Mike no conseguiu. Que inferno, sem Scott, provavelmente eu e minha me no
teramos conseguido tambm. Ns atravessamos a grade e camos direto na gua.
Acontece que o Scott  um excelente nadador, cresceu na praia e tudo isso  e ele
conseguiu puxar ns trs para fora, mesmo s tendo doze anos na poca. Mas Mikey... Will
mexeu no nariz. Mikey morreu no impacto. Ele no tinha terminado nem o primeiro ano do
jardim de infncia.

Ronnie pegou sua mo. Eu sinto muito

Eu tambm. Ele piscou atravs das lgrimas que ainda vinham quando ele pensava nesse
dia.
Voc sabe que foi um acidente, certo?

Sim, eu sei. E minha me sabe, tambm. Mas mesmo assim, ela se culpa por ter perdido o
controle do carro, como eu sei que h uma parte nela que me culpa tambm. Ele balanou
a cabea. Depois disso, ela sente necessidade de estar sempre no controle das coisas.
Inclusive de mim. Eu sei que ela est s tentando me manter a salvo, de impedir coisas ruins
de acontecerem, e parte de mim realmente acredita nisso. Quer dizer, olha s o que
aconteceu. Minha me perdeu o controle no funeral e eu odiei a mim mesmo por ter feito isto
com ela. Eu me senti responsvel. E eu prometi a mim mesmo que faria o possvel para
recompens-la. Mesmo que eu saiba que eu no vou poder

Enquanto ele falava, ele comeou a mexer no bracelete.

O que as letras significam? EMPS? (no original IMTF)

Em meus pensamentos sempre. Foi idia da minha irm. Ela me contou logo aps o
funeral, mas eu mal a ouvi. Quero dizer, foi to apavorante estar na igreja naquele dia. Com
minha me gritando, meu irmozinho no caixo, e meu pai e minha irm chorando... Eu jurei
que nunca mais iria a um funeral
* (In my thoughts forever)

Pela primeira vez, Ronnie parecia sem palavras. Will se endireitou sabendo que era muito
para assimilar, e se perguntando o porqu tinha contado tudo isso  ela. Desculpe-me. Eu
no deveria ter te contado tudo isso

Tudo bem, ela disse rapidamente, apertando a mo dele, estou feliz por ter contado

No  a vida perfeita que voc provavelmente imaginou

Eu nunca assumi que sua vida  perfeita

Ele no disse nada, e Ronnie impulsivamente se inclinou para frente e o beijou na bochecha.
Eu gostaria que voc no tivesse que ter passado por tudo isso

Ele deu um longo suspiro e continuou a caminhada.  importante para minha me que eu
v para Vanderbilt. Ento  para l que eu vou

Tenho certeza que voc vai se divertir. Eu ouvi que  uma tima faculdade

Ele enlaou seus dedos nos dela, pensando no quo macio eles pareciam comparados a
sua mo calejada. Agora  sua vez. O que eu no sei sobre voc?

No h nada como o que voc me contou, ela balanou a cabea, nem se compara

No precisa ser importante. S precisa explicar quem voc 

Ela olhou para a casa. Bem... Eu no falei com meu pai durante trs anos. Na verdade, eu
voltei a falar com ele h dois dias. Depois que ele e minha me se separaram, eu estava...
com raiva dele. Eu sinceramente esperava nunca ter que v-lo novamente, e a ltima coisa
que eu queria era passar o vero aqui
E agora?. Ele notou a luz da lua brilhando pelo olhar dela. Voc est feliz por ter vindo?

Talvez, ela respondeu.

Ele riu e lhe deu uma cotovelada. Como era quando voc era uma criana?

Tedioso, ela disse, tudo que eu fazia era tocar piano

Eu gostaria de ouvir voc tocar

Eu no toco mais, ela disse rapidamente, um toque de obstinao em sua voz.

Nunca?

Ela balanou a cabea, e mesmo sabendo que havia mais, ela claramente no queria falar
sobre isso. Ao invs disso, ele ouviu sobre seus amigos em Nova York, e como ela passava
seus fins de semana, sorrindo em suas historias sobre Jonah. Era to natural passar seu
tempo com ela, to fcil e verdadeiro. Ele contou a ela coisas que nunca discutiu nem
mesmo com Ashley. Ele sups que ele queria que Ronnie conhecesse seu verdadeiro eu,
e de alguma maneira, ele confiou que ela saberia como responder.

Ela no era como ningum que ele tivesse conhecido antes. Ele estava certo de que nunca
ia querer soltar sua mo; seus dedos pareciam se encaixar da maneira certa  apertados,
mas sem esforo, como perfeitos complementos.

Fora a casa que estava dando a festa, eles estavam completamente sozinhos. Os acordes
da musica eram suaves e distantes, e quando ele olhou para cima, ele pegou o brilho de
uma estrela cadente passando sobre suas cabeas. Quando ele se virou para Ronnie, ele
soube pela sua expresso que ela tinha visto tambm.

O que voc desejou? ela perguntou, sua voz um sussurro. Mas ele no podia responder.

Ao invs, ele levantou a mo e colocou seu brao a redor dela. Ele a encarou, sabendo com
certeza que ele estava se apaixonando. Ele a puxou para mais perto, beijando-a sob um
manto de estrelas, querendo saber como que ele tinha tido a chance de encontr-la.
Captulo 21  Ronnie



Ok, ela admitiu que poderia se acostumar a viver assim: relaxando no trampolim da piscina
no quintal de casa, um copo de ch gelado ao seu lado, uma tigela de frutas na cabana, que
foi servida pelo chefe, junto com uma folha de hortel.

Ainda assim, ela no conseguia imaginar como deve ter sido para Will crescer em um
mundo assim. Mas, como ele nunca conheceu nada diferente, talvez ele nem notasse mais.
Como ela estava tomando sol no trampolim, ela pde v-lo levantando-se e saindo da
cabana, se preparando para pular. Ele se ajeitou como um ginasta, e mesmo  distncia, ela
pde ver os msculos se flexionando em seus braos e em sua barriga.

Hei ele chamou, Observe meu salto

Um salto?  s isso? Voc vai subir tudo isso para dar somente um salto?

O que h de errado com um salto? ele perguntou.

Eu s estou dizendo que qualquer um consegue dar um salto, ela debochou, At eu
consigo dar um salto

Isso eu gostaria de ver, ele disso, ceticismo em sua voz.

Eu no quero me molhar

Mas eu te convidei para nadar

 assim que eu nado.  conhecido tambm como bronzeamento`

Ele riu. Na verdade,  realmente uma boa idia que voc pegue um sol. O sol no brilha
muito em Nova York, n?

Voc est dizendo que sou plida? Ela franziu os olhos.

No, ele disse, balanando a cabea, Esta no  a palavra que eu usaria. Eu acho que
sem cor`  um pouco mais apropriado

Nossa, que charme. Isso me faz questionar o que eu costumava ver em voc

Costumava?

Sim e eu preciso dizer que se voc continuar usando palavras como sem cor` para me
descrever, eu no vejo muito futuro para ns, tambm

Ele parecia avali-la. E se eu der dois saltos? Voc me perdoa?
S se voc terminar os dois saltos com um mergulho perfeito. Mas se dois saltos e uma
entrada desastrosa  tudo que voc pode fazer, eu pretendo ficar maravilhada, contanto que
voc no me molhe

Ele levantou uma sobrancelha antes de recuar alguns passos e em seguida, deu um grande
passo para se lanar no ar. Ele pulou, girou duas vezes e caiu na gua, braos primeiro,
ento o corpo, reto, sem causar ondulaes.

Agora isso, ela pensou, foi impressionante, se no completamente surpreendente, levando
em considerao a forma graciosa que ele se move na quadra de vlei. Quando ele nadou
at a borda do trampolim, espirrando gua, ela sabia que ele estava satisfeito consigo
mesmo.

Aquilo foi legal, ela disse.

S legal?

Eu daria um 4.6

De 5?

De 10, ela respondeu.

Aquilo daria pelo menos um oito!

 claro que voc pensa assim.  por isso que sou eu que julgo

Como eu apelo?, ele disse, chegando mais perto da beira.

Voc no pode apelar.  oficial

Mas e se eu no estiver feliz

Ento talvez voc devesse pensar melhor antes de usar palavras como sem cor`

Ele riu e ento comeou a sair da piscina. Ronnie se agarrou ao trampolim.

Hei, pare... Pare, no faa isso, ela o alertou.

Voc quer dizer... isso? ele disse, se aproximando mais.

Eu te disse que no quero me molhar, Ronnie gritou.

E eu quero que voc venha nadar comigo!. Sem nenhum aviso, ele agarrou seu brao e a
puxou para baixo. Chiando, ela caiu na gua. Enquanto ela subia buscando por ar, ele
tentou beij-la, mas ela se afastou.

No, ela gritou, rindo, saboreando a vivacidade da gua, e a sensao da pele dele contra
a dela. Eu no te perdo
Enquanto ela lutava inutilmente com ele, ela viu que Susan observava tudo da varanda da
casa. Pela expresso dela, ela no estava nem um pouco feliz.

Naquela tarde, indo para a praia verificar o ninho de tartarugas, eles pararam para tomar
sorvete. Ronnie andava ao lado de Will, lambendo seu sorvete e pensando o quo
impressionante era que eles s tivessem tido seu primeiro beijo no dia de ontem. Se a noite
passada tinha sido quase perfeita, ento hoje tinha sido ainda melhor. Ela adorava como
era fcil mudar de um assunto srio para algo mais leve, e ele adorava provoc-la assim
como era fcil provoc-lo.

 claro, ele tinha a empurrado para dentro da piscina, e foi por isso que ela precisou de
tempo para planejar o troco. No foi difcil, j que ele no sabia o que estava por vir, mas
assim que ele encostou o sorvete em seus lbios, ela deu uma cotovelada na casquinha,
espalhando sorvete por todo o rosto dele. Rindo, ela escapou dobrando a esquina...

Diretamente nos braos de Marcus.

Blaze estava com ele, assim como Teddy e Lance.

Ora, veja se no  uma tima surpresa, Marcus disse apertando seus braos.

Me solte, ela reclamou, odiando o tom de pnico em sua voz.

Deixe ela ir, Will disse atrs dela. Sua voz estava decidida. Sria. Agora

Marcus parecia quase divertido. Voc deveria olhar por onde anda, Ronnie

Agora! Will ordenou, com raiva.

Relaxe, Riquinho*. Ela tropeou em mim. Eu s a estava impedindo de cair. Por falar nisso,
como vai Scott? Ele tem brincado com foguetes ultimamente?
* personagem do filme que todo mundo viu, rs

Para surpresa de Ronnie, Will congelou. Sorrindo, Marcus voltou seu olhar para ela. Ele
apertou seus braos com fora ao redor dela, antes de finalmente solt-la. Enquanto Ronnie
dava um passo vacilante para trs, Blaze acendeu uma bola de fogo, sua expresso
indiferente.

Estou feliz de ter sido capaz de te impedir de cair, Marcus disse. No ia ser bonito se voc
aparecesse toda machucada na corte na tera-feira, seria? Voc no quer que o juiz pense
que voc  violenta, alm de ladra

Ronnie s pde olhar para ele, sem palavras, at que Marcus fosse embora. Enquanto eles
iam embora, ela viu Blaze atirar a bola de fogo para ele, que pegou com facilidade, e a atirou
de volta para a garota.

Sentado na duna fora da casa de Ronnie, Will permaneceu em silencio enquanto ela
contava tudo que aconteceu, desde que ela havia chegado ali, inclusive os eventos na loja
de musica. Quando terminou, ela torcia as mos em seu colo.
E isso  tudo. Quanto aos furtos que cometi em Nova York, eu nem sei o porqu peguei
aquelas coisas. No era como se eu precisasse. Foi algo que eu fiz por que meus amigos
tambm estavam fazendo. Quando fui  corte, eu admiti tudo por que sabia que estava
errada e porque nunca mais iria fazer de novo. E eu no fiz  nem l e nem aqui. Mas a no
ser que as queixas sejam retiradas ou Blaze admita o que fez, eu no s vou entrar em
problemas aqui, mas tambm quando voltar para casa. Eu sei que isso parece loucura e
tenho certeza que voc no vai acreditar em mim, mas eu no estou mentindo

Ele cobriu as mos dela com as suas. Eu acredito em voc, ele disse, e acredite em mim,
nada me surpreende quando se trata de Marcus. Ele  louco desde que era criana. Minha
irm era da mesma classe que ele e ela disse que uma vez a professora achou um rato
morto em sua gaveta. Todo mundo sabia quem tinha feito, mas no tinham como provar,
sabe? Ele continua fazendo seus truques, mas agora ele tem Teddy e Lance para comprar o
barulho. Eu tenho ouvido coisas assustadoras sobre eles. Mas Galadriel... Ela costumava
ser uma garota legal. Eu a conheo desde pequenininha, e eu no sei o que est
acontecendo com ela ultimamente. Eu sei que seus pais se divorciaram e que ele no
aceitou isso muito bem. Eu no sei o que ela v em Marcus, ou o porque ela est disposta a
arruinar a prpria vida. E costumava sentir pena dela, mas o que ela fez com voc foi
errado.

De repente, Ronnie sentia-se cansada. Eu tenho que ir  corte na prxima semana

Voc quer que eu v?

No. Eu no quero que voc me veja sentada na frente de um jri.

Isso no importa - 

Vai importar se sua me descobrir. Tenho quase certeza que ela no gosta de mim

Por que voc est dizendo isso?

Porque eu vi o jeito que ela estava olhando para mim mais cedo ela poderia ter dito.  s
uma impresso

Todo mundo se sente assim quando a v pela primeira vez, ele assegurou. Como eu
disse, uma vez que voc a conhece, ela se solta

Ronnie no tinha tanta certeza. Atrs dela, o sol descia, pintando o cu de uma tonalidade
laranja. O que est rolando entre Scott e Marcus?, ela perguntou.

Will endureceu. Do que voc est falando?

Voc se lembra daquela noite, no festival? Depois de fazer seu show, Marcus parecia muito
presunoso sobre algo, ento eu tentei manter distncia dele... Era como se ele estivesse
pesquisando a multido, e quando viu Scott, ele ficou com aquele... olhar estranho em seu
rosto, como se tivesse achado o que estava procurando. A prxima coisa que vi foi Marcus
tacando suas batatas em Scott

Eu estava l tambm, se lembra?
Mas voc lembra o que ele disse? Foi estranho. Ele perguntou a Scott se ele ia tacar um
foguete nele. E quando ele disse quase a mesma coisa para voc h um tempo atrs, voc
meio que congelou

Will desviou o olhar. No  nada, ele insistiu, apertando as mos dela. E eu no teria
deixado nada acontecer com voc. Ele se afastou e se apoiou nos cotovelos. Posso te
fazer uma pergunta? Fugindo do assunto totalmente?

Ronnie arqueou uma sobrancelha, insatisfeita com a resposta, mas decidindo deixar para l.
Por que tem um piano atrs de uma madeira de parede na sua casa?. Quando ela pareceu
surpresa, ele riu. D para ver pela janela, e a madeira no combina exatamente com o resto
da casa

Foi a vez de Ronnie afastar o olhar. Ela soltou as mos e as enterrou na areia. Eu disse ao
meu pai que no queria mais ver o piano, ento ele ergueu a parede

Will piscou. Voc odeia o piano tanto assim?

Sim, ela respondeu.

Porque seu pai era seu professor?, ela ergueu os olhos, surpresa, enquanto Will
prosseguia. Ele costumava ensinar na Julliard, certo? S faz sentido que ele tenha te
ensinado a tocar. E eu estou disposto a apostar que voc era tima, pois antes de voc
odiar algo, voc precisa amar primeiro

Para um jogador de vlei que vivia sujo de graxa, ele era bastante perspicaz. Ronnie
afundou seus dedos na areia, onde era mais frio.

Ele me ensinou a tocar quando eu comecei a andar. Eu tocava por horas, sete dias na
semana, durante anos. Ns at compusemos algumas musicas juntos. Era algo que ns
compartilhvamos, sabe? Era algo s entre ns dois, e quando ele saiu do apartamento...
Eu senti como se ele no tivesse trado s a famlia. Eu sentia como se ele estivesse me
traindo, pessoalmente, e eu estava com tanta raiva de tudo que eu jurei que nunca mais ia
tocar ou compor outra cano novamente. Ento quando eu cheguei aqui e vi o piano, e
percebi que ele estava sempre tocando quando eu estava por perto, eu no pude evitar
sentir que ele estava tentando fazer com que tudo aquilo no importasse. Como se ele
pensasse que ns poderamos recomear. Mas ns no podemos. Voc no pode desfazer
o passado

Voc pareceu amigvel com ele na outra noite, Will observou.

Ronnie retirou as mos da areia lentamente. , ns estamos nos dando bem nos ltimos
dias. Mas isso no significa que eu vou voltar a tocar, ela disse.

No  da minha conta, mas se voc era assim to boa, voc s esta se machucando.  um
dom, certo? E quem sabe? Talvez voc possa ir para Julliard

Eu sei que posso. Eles ainda me inscreveram. Eles prometeram que vo arrumar meu
quarto caso eu mude de idia. Ela sentiu uma onde de irritao.

Ento por que voc no vai?
Isso importa tanto assim para voc?, ela o encarou. Que eu no seja quem voc pensou
que eu fosse? Que eu tenha um talento especial? Isso me faz ser boa o suficiente para
voc?

De maneira alguma, ele disse. Voc continua sendo a pessoa que eu pensei que fosse.
Desde quando nos conhecemos. E no h nenhum jeito de voc ser melhor do que j  para
mim

Assim que ele disse isso, ela se sentiu envergonhada por sua exploso. Ela sentiu a
sinceridade em suas palavras e soube que ele disse exatamente o que sentia. Ela lembrou a
si mesma de que eles s se conheciam h alguns dias, e ainda assim... Ele era fofo, e
inteligente ela j sabia que ele a amava. Como se lesse os pensamentos dela, ele se
aproximou. Inclinando-se, ele a beijou nos lbios suavemente, e ela teve a certeza de que
no queria nada mais do que estar presa nos braos dele por horas sem fim.
Captulo 22  Marcus



Marcus assistiu a distncia. Ento era assim que seria, n?

Dane-se. Dane-se ela. Era hora do show.

Teddy e Lance j tinham pego as bebidas, e as pessoas j estavam chegando. Mais cedo
ele tinha visto uma famlia de veranistas, em sua porcaria de min-van, com seus ces feios e
crianas mais feias ainda em uma das casas prximas a procaria da casa de Ronnie. Ele
estava ao redor por tempo o suficiente para saber que o aluguel no duraria muito, no
mximo at amanh, e ento o pessoal da limpeza viria, e tudo que eles tinham que fazer
era entrar e o lugar seria deles durante a noite.

No seria to difcil, levando em considerao que ele tinha a chave e o cdigo de
segurana. Veranistas nunca trancavam a porta quando iam para a praia. Por que
trancariam? No  como se eles trouxessem alguma coisa alm de comida e talvez um
video game para as frias, at porque a maioria ficava apenas uma semana. E os
proprietrios que moravam fora da cidade, provavelmente em Charlotte, cansados de
receberem ligaes no meio da noite da companhia de segurana quando os idiotas que
alugavam a casa disparavam o alarme no meio da noite, simplesmente colocaram o cdigo
de segurana em cima do teclado de segurana na cozinha. Inteligente. Muito inteligente.

Com um pouco de pacincia, ele sempre achava uma casa ou duas para abrigar suas
festas, mas o segredo era no abusar de suas oportunidades. Teddy e Lance sempre
queriam fazer festa nesses lugares, mas ele sabia que se fizessem com tanta frequncia, as
pessoas suspeitariam. Os donos mandavam pessoas para checarem o lugar, e avisavam
aos proprietrios que a polcia fazia rondas a noite. Quando isso acontecia, eles estariam
onde? No Bower's Point, como sempre.

Uma vez no ano. Uma vez no vero. Essa era a regra, e era o suficiente, a no ser que ele
queimasse a casa depois. Ele sorriu. Faa isso e problema est resolvido. Ningum nunca
suspeitaria que tinha tido uma festa ali. No h nada como fogo, porque as chamas estavam
vivas. Incndios, especialmente os grandes, se movem e danam e destrem e devoram.
Ele se lembrou de ter ateado fogo  uma granja quando tinha doze anos, e de ter ficado
sentado observando por horas, pensando que nunca tinha visto algo to incrvel. E ento,
ele causou um outro, desta vez em um armazm abandonado. Durante os anos, ele
provocou vrios incndios. No existia nada melhor; nada o fazia se sentir mais alto (tipo
chapado) do que estar com fogo nas mos.

Mas ele no faria isso. No essa noite, porque seu passado no era algo que ele queria que
Teddy e Lance ficassem sabendo. Alm do mais, a festa ia ser boa. Drogas, alcool e msica.
E garotas. Garotas bbadas. Ele teria Blaze primeiro, e depois mais algumas depois dela, se
ela ficasse bbada o suficiente para desmaiar. Ou talvez ele desse um amasso em uma
gostosa idiota qualquer, mesmo que Blaze estivesse sbria para perceber o que estava
acontecendo. Isso poderia ser divertido. Sim, ele sabia que ela faria uma cena, mas ele tinha
Teddy e Lance para coloc-la para fora. Ele sabia que ela voltaria. Ela sempre voltava,
chorando e implorando.
Ela era to previsvel. E ela choramingava a droga do tempo todo.

No era como Ronnie.*
* Marcus usa a expresso Miss Tigh Little Body, que eu no consegui traduo adequada ou
que fizesse sentido, ento usei apenas o nome da Ronnie mesmo

Ele estava tentando muito no pensar em Ronnie. Ento, ela no gostava dele e queria
passar seu tempo com o Riquinho, o prncipe dos freios. Ela provavelmente no ia se abrir
mesmo. Ela provavelmente era uma frgida.

Ainda assim, ele no conseguia imaginar onde tinha errado com ela ou como ela conseguia
ver atravs dele.

Ele estava melhor sem ela. Ele no precisava dela. Ele no precisava de ningum, o que o
fez perguntar o porqu ele continuava a observ-la e porqu se importava, ainda que nas
sombras, que ela se encontrasse com Will.

Claro, isso fazia as coisas mais interessantes, pois ele sabia tudo sobre o ponto fraco de
Will.

Ele poderia se divertir com isso. Assim como se divertiria essa noite.
Captulo 23 - Will
Para Will, o vero estava passando rpido demais. Entre passar os dias trabalhando na
oficina e depois ficar o restante do tempo quase todo com Ronnie, os dias pareciam voar. De
acordo com que agosto se aproximava, ele se encontrou extremamente ansioso pelo
pensamento de que em algumas semanas ela estaria voltando para Nova York e ele estaria
indo para Vanderbilt.

Ela tinha se tornado parte da vida dele - de muitas maneiras, a melhor parte. Mesmo que ele
nem sempre a entendesse, suas diferenas pareciam fazer o relacionamento deles, de
alguma maneira, mais forte. Eles haviam conversado sobre a oferta dele acompanh-la 
corte, e ela recusou, inflexvel, mas ele a surpreendeu esperando por ela do lado de fora do
tribunal com um buqu de flores. Ele sabia que ela estava chateada porque as queixas no
haviam sido retiradas - sua prxima audincia estava marcada para dia 28 de agosto, trs
dias aps ele partir para a universidade - mas soube que tinha feito a coisa certa em
aparecer quando ela aceitou o buqu com um tmido beijo.

Ela o surpreendeu arrumando um emprego de meio expediente no aqurio. Ela no contou
nada sobre seus planos, nem perguntou se ele poderia indic-la. Sinceramente, ele nem
havia percebido que ela queria um emprego. Quando ele perguntou a ela sobre isso depois,
ela explicou, "Voc trabalha durante o dia, e meu pai e Jona esto fazendo os vitrais da
janela. Eu precisava fazer alguma coisa, e alm do mais, eu quero pagar pelo advogado.
No  como se meu pai tivesse muito dinheiro". Quando ele a buscou aps seu primeiro dia
de trabalho, ele notou que sua mo tinha assumido um tom esverdeado. "Eu tive que
alimentar lontras", ela confessou. "Alguma vez voc teve que enfiar a mo em um balde de
peixe morto?  nojento!"

Eles conversavam, infinitamente. No parecia ter tempo o suficiente para que
compartilhassem tudo que queriam. As vezes, simplesmente falavam para preencher os
momentos de tranquilidade - quando eles debatiam sobre seus filmes favoritos, por exemplo,
ou quando ela contou a ele que apesar de ser vegetariana, ela ainda no tinha decidido se
ovos e leite contavam.

Mas em outras vezes, a conversa se tornava sria. Ela contou a ele mais de suas memrias
de quando tocava piano e seu relacionamento com o pai; ele admitiu que em alguns
momentos sentia-se ressentido com o fato de ter que sentir a presso de se tornar o tipo de
pessoa que me queria que ele fosse. Eles conversaram sobre o irmo dela, Jan, e a irm
dele, Megan, e especularam e sonharam sobre onde a vida deles os levariam. Para ele, o
futuro parecia planejado: quatro anos em Vanderbilt, e aps a graduao ele ganharia
experincia trabalhando em outra firma, e depois voltaria para assumir os negcios do pai.

Ainda assim, enquanto contava seus planos a ela, ele pode ouvir a voz de sua me
sussurrando sua aprovao, e encontrou-se perguntando a si mesmo se era isso que ele
realmente queria. Quanto a Ronnie, ela admitiu que no tinha muita certeza do que poderia
acontecer. A incerteza no parecia assust-la, o que o fez admir-la ainda mais. Depois,
enquanto refletia sobre seus respectivos planos, ele foi pego pela realizao de que deles
dois, ela estava mais no controle de seu destino do que ele.

Apesar das gaiolas que foram colocadas nos ninhos de tartaruga por toda a praia, os
guaxinins passaram por baixo da cerca de arame e destruram seis ninhos. Assim que
Ronnie soube o que havia acontecido ela insistiu que eles fizessem turnos para guardar o
ninho que estava atrs de sua casa. No tinha nenhum motivo para que os dois ficassem l
fora durante toda a noite, mas eles passavam a maioria das noites abraados, beijando-se, e
conversando silenciosamente at muito depois de meia noite.

Scott,  claro, no conseguiu entender isso. Mais de uma vez, Will se atrasou para o treino e
quando chegou, viu um Scott andando agitado, perguntando-se o que tinha acontecido com
seu amigo. No trabalho, nas raras circunstncias que Scott perguntava como as coisas
estavam indo com Ronnie, Will no lhe dava muita informao - ele sabia que Scott no
estava perguntando por interesse genuno. Scott fez o seu melhor para manter a ateno de
Will focada no torneio de vlei que estava chegando, geralmente agindo como se mais cedo
ou mais tarde Will fosse recuperar o juzo e tudo voltaria ao normal como se Ronnie no
existisse.

E por si mesmo,  claro, por falhar em cham-lo  realidade.

Exceto pela preocupao de Ronnie em sua prxima apario no tribunal, a nica
preocupao no longo vero idlico* deles era a presena contnua de Marcus.
* Maravilhoso, ideal: descrio idlica.

Apesar de quase sempre conseguirem evit-lo, s vezes era impossvel. Quando se
cruzavam, Marcus sempre parecia achar uma maneira de provocar Will, normalmente
fazendo referncias  Scott. Will sentia-se paralisado. Se ele reagisse, Marcus talvez fosse 
polcia; se ele no fizesse nada, ele se sentiria envergonhado. Aqui estava ele, namorando
uma garota que iria assumir sua culpa, e o fato de que ele no conseguia criar coragem para
fazer o mesmo comeou a atorment-lo. Ele tentou falar com Scott para deix-lo livre e ir a
polcia, mas Scott rejeitou a idia. E sempre indiretamente, ele nunca deixou Will esquecer o
que ele tinha feito por ele e sua famlia naquele horrvel dia em que Mikey morreu. Will
assumia que Scott tinha sido um heri, mas de acordo com que o vero avanava, ele
comeou a se perguntar se uma boa ao significava uma ruim, posteriormente, e se
deveria ser completamente ignorada - e em seus momentos mais sombrios, se ele poderia
suportar o verdadeiro preo pela amizade de Scott.

Uma noite, no comeo de agosto, Will concordou em levar Ronnie a praia para caar
caranguejos aranhas*.
* http://www.cbpds.com.br/html//crustac9.html

"Eu te disse que no gosto de caranguejos!" Ronnie guinchou, agarrada nos braos de Will

Ele riu. "So s caranguejos aranhas. Eles no vo te machucar"

Ela enrugou o nariz. "Eles so horrveis. Insetos nojentos do espao"

"Voc est se esquecendo que fazer isso foi idia sua"

"No, foi idia do Jonah. Ele disse que isso era divertido. Isso  o que d ouvir algum que
aprende sobre a visa assistindo desenhos"

"Eu pensaria que algum que serve peixe estragado para lontras no se incomodaria com
alguns caranguejos inofensivos na praia". Ele girou sua lanterna, iluminando os rpidos
movimentos das criaturas.
Ela examinou a areia freneticamente, vendo um caranguejo prximo ao seu p.

"Primeiramente, no so alguns caraguenjos inofensivos. So centenas deles. Segundo, se
eu soubesse que  isso que acontece na praia a noite, eu teria feito voc dormir ao lado do
ninho todas as noites. Ento, estou um pouco brava por voc ter escondido esse fato de
mim. E terceiro, no  s porque eu trabalho em um aqurio que eu gosto de caranguejos
andando pelos meus ps"

Ele fez seu melhor para manter a expresso neutra, mas era muito difcil. Quando ela olhou
para cima, percebeu sua expresso.

"Pare de sorrir. No  engraado"

"Na verdade,  sim... Quer dizer, devem ter mais de vinte crianas com seus pais fazendo a
mesma coisa que ns"

"No  minha culpa que os pais deles perderam o bom senso"

"Voc quer voltar?"

"No, est tudo bem", ela disse. "Voc j me arrastou para o meio da infestao."

"Voc sabe que ns temos andado bastante pela praia"

"Eu sei. Ento de novo, obrigada por trazer a lanterna e arruinar as lembranas"

"timo', ele disse, desligando-a.

Ela cravou suas unhas nos braos dele. "O que voc est fazendo? Ligue de novo"

"Voc deixou perfeitamente claro que no gosta da lanterna"

"Mas se voc desligar, eu no vou v-los"

"Exatamente"

"O que significa que eles devem estar me cercando nesse exato momento. Ligue
novamente", ela implorou.

Ele ligou e eles comearam a descer a praia, ele riu. Um dia, eu vou desvendar voc.

Eu no acho que v. Se voc no conseguiu ainda, ento isso est alm do seu alcance

 Pode ser verdade, ele admitiu. Ele jogou um brao ao redor dela. Voc ainda no me
disse se voc vai vir para o casamento da minha irm.

 porque no decidi ainda.

Eu quero que voc conhea Megan. Ela  tima.
No  com sua irm que estou preocupada. Eu s acho que sua me no quer que eu v.

E da? O casamento no  dela. Minha irm quer voc l.

Voc j falou com ela sobre mim?

 claro.

O que voc disse?

 A verdade.

Que voc acha que sou sem cor?

Ele piscou para ela. "Voc ainda est pensando sobre isso?

No. Esqueci tudo sobre isso. "

Ele bufou. "Ok, respondendo a sua pergunta. No, eu no disse que voc era sem cor. Eu
disse que voc costumava ser sem cor. Ela lhe deu uma cotovelada nas costelas, e ele
fingiu implorar por misericrdia. "Eu estou brincando, estou brincando... Eu nunca diria isso".

"O que voc disse a ela, ento?

Ele parou, virando-a para encar-lo. "Como eu disse, eu disse a verdade pra ela. Que voc 
inteligente, engraada e fcil de ficar perto e bonita.

"Oh, bem, isso  bom, ento."

Voc no vai dizer que me ama tambm?

"No tenho certeza se posso amar um cara to carente", ela provocou. Ela deslizou os
braos em volta dele. "Ou voc pode tomar esse comentrio como retorno para deixar
caranguejos correr sobre meus dedos. Claro que eu te amo.

Eles se beijaram antes de retomarem a caminhada. Eles j estavam quase chegando ao per
e estavam para fazer a volta quando viram Scott, Ashley e Cassie se aproximando pela
outra direo. Ronnie ficou tensa em seus braos quando Scott desviou de seu caminho
para encontr-los.

"A est voc, cara", Scott chamou enquanto se aproximava. "Eu te mandei mensagens a
noite toda"

Will apertou seus braos ao redor de Ronnie. "Desculpe, eu deixei meu telefone na casa de
Ronnie. O que houve?"

Enquanto ele respondeu, ele pode sentir Ashley encarando Ronnie  distncia.

"Eu recebi ligaes de cinco equipes que vo estar no torneio, eles esto querendo fazer um
pr-torneio. So todos muito bons, e querem fazer um mini-campo de treinamento em
conjunto, para que todos estejamos prontos para enfrentarmos Landry e Tyson. Muito
treinamento, muitos exerccios, muitos jogos. Ns estvamos at pensando em trocar
nossas duplas agora para melhorar o tempo de nossas reaes, j que todos temos estilos
diferentes. "

"Quando eles vem?"

"Assim que estivermos prontos, mas estvamos pensando nessa semana mesmo"

"Quanto tempo eles vo ficar?"

"Eu no sei. Trs ou quatro dias? Quase certeza de que eles vo ficar at o torneio. Eu sei
que voc tem as coisas do casamento e os ensaios, mas ns podemos trabalhar isso"

Ele pensou novamente que seu tempo com Ronnie estaria chegando ao fim logo. "Trs ou
quatro dias?"

"Vamos, cara.  exatamente isso que precisamos para nos prepararmos"

"Voc no acha que j estamos prontos?"

"O que deu em voc? Voc sabe quantos treinadores da Costa Oeste esto vindo para
assistir o torneio." Ele apontou o dedo para Will. "Voc pode no precisar de uma bolsa de
vlei para entrar na faculdade, mas eu preciso. E esta  a nica oportunidade que eles vo
ter de me ver jogando"

Will hesitou. "Deixe-me pensar sobre isso, ok?"

"Voc quer pensar sobre isso?"

"Eu tenho que conversar com meu pai primeiro. Eu no posso concordar em ficar fora do
trabalho por quatro dias sem perguntar a ele. Tambm no acho que voc possa."

Scott olhou para Ronnie. "Voc tem certeza que  o trabalho  tudo que te impede?"

Will reconheceu o tom de desafio, mas no queria discutir com Scott naquele momento.
Scott tambm pareceu achar que era melhor recuar. "Ok, tudo bem. Fale com seu pai. Que
seja", ele disse. "Talvez voc encontre um jeito de encaixar em sua programao"

Com isso, ele foi embora, lanando um olhar de lado para eles. Will, incerto do que deveria
fazer, comeou a andar de volta a casa de Ronnie. Quando eles j estavam fora do campo
de audio de Scott, Ronnie apertou seus braos na cintura de Will e perguntou, "Eles
estava falando do torneio que voc me contou?"

Will acenou. "Na prxima semana. No dia depois do casamento de minha irm"

"Em um domingo?"

Ele assentiu. " um torneio de dois dias, mas as mulheres jogam no sbado"

Ronnie pensou sobre isso. "E ele precisa de uma bolsa de vlei para entrar na faculdade?"
"Ajudaria, definitivamente"

Ela o forou a parar. "Ento arrume tempo para esse campo de treinamento. Treine e faa
os exerccios. Faa o que voc tem que fazer para se preparar. Ele  seu amigo, certo? Ns
arrumaremos tempo para ficarmos juntos. Mesmo que ns dois tenhamos que sentar ao lado
do ninho de tartarugas. Eu posso trabalhar cansada"

Enquanto ela falava, Will s podia pensar em quo linda ela era e quanto ele sentiria sua
falta.

"O que vai acontecer conosco, Ronnie? Quando o vero chegar ao fim?" Ele procurou pelo
rosto dela.

"Voc vai para a faculdade", Ronnie respondeu, afastando o olhar. "E eu vou voltar para
Nova York"

Ele levantou o rosto dela em direo ao seu. "Voc sabe o que eu quis dizer"

"Sim", ela disse. "Eu sei exatamente o que voc quis dizer. Mas eu no sei o que voc quer
que eu diga. Eu no sei se ns podemos dizer alguma coisa"

"Que tal: Eu no quero que tenha um fim?"

Seus olhos eram verde como o oceano, e pareciam preocupados. "Eu no quero que tenha
um fim", ela repetiu suavemente.

Apesar de ser aquilo que ele queria ouvir, e ela foi realmente sincera, ele percebeu o que ela
j sabia: que pronunciar em voz alta, mesmo que fosse verdade, tinha pouco poder para
mudar o inevitvel ou mesmo faz-lo sentir-se melhor.

"Eu vou em Nova York te visitar", ele prometeu.

"Eu espero que sim"

"E quero que voc v ao Tenessee"

"Eu acho que posso suportar outra longa viagem se eu tiver um bom motivo"

Ele sorriu enquanto eles comeavam a descer pela praia. "Vou te dizer uma coisa. Eu fao
tudo que Scott quiser para nos preparamos para o torneio se voc concorda em ir comigo ao
casamento da minha irm"

"Em outras palavras, voc vai fazer o que voc faria de qualquer maneira, e em troca, voc
ganha o que quer"

No foi exatamente o que ele tinha dito. Mas ela tinha razo. "", ele disse. "Acho que  por
a"

"Algo mais? J que voc est sofrendo com essa barganha?"

"Agora que voc mencionou, tem algo mais sim. Eu quero que voc tente falar com Blaze"
"Eu j tentei falar com ela"

"Eu sei, mas quando foi isso? Seis semanas atrs? Ela tem nos visto juntos, ento ela sabe
que voc no est interessada em Marcus. E ela teve tempo para superar isso"

"Ela no vai falar a verdade", Ronnie o contrariou. "Isso significa coloca-la em problemas"

"Como? Do que ela ser acusada? O ponto  que eu no quero que voc entre em
problemas por algo que voc no fez. O dono no vai te ouvir, o promotor no vai te ouvir, e
eu no estou dizendo que Blaze v, mas eu no vejo outra opo para voc tentar sair
disso"

"No vai funcionar", Ronnie insistiu.

"Talvez no. Mas eu acho vlido tentar. Eu a conheo h muito tempo, e ela nem sempre foi
assim. Talvez haja algo l no fundo que a diga que o que ela est fazendo  errado e tudo
que ela precisa  de um bom motivo para melhorar."

Apesar de no concordar, ela no discordou, eles fizeram o caminho para casa dela em
silncio. Quando eles se aproximaram, Will pde ver que a luz inundava a garagem.

"Seu pai est trabalhando na janela esta noite?"

"Parece que sim", ela disse.

"Posso ver?"

"Porqu no?"

Juntos, eles se dirigiram  garagem. Uma vez l dentro, Will viu uma lmpada pendurada em
um cabo de extenso, sobre uma grande mesa de trabalho no centro.

"Acho que ele no est aqui", Ronnie disse, olhando ao redor.

"Esta  a janela?", Will perguntou, aproximando-se da mesa. " enorme"

Ronnie foi para o lado dele. " impressionante, no ?  para a igreja que esto
reconstruindo"

"Voc no me disse isso." A voz dele soou estranha, mesmo para seus prprios ouvidos.

"Eu no achei que fosse importante", ela disse automaticamente. "Porqu? Isso 
importante?"

Will afastou de sua mente as imagens de Scott e os fogos. "No, na verdade", ele disse
rapidamente, fingindo inspecionar o vidro. "Eu no sabia que seu pai tinha habilidade para
fazer algo to intricado"

"Eu no sabia tambm. Nem mesmo ele sabia, at comear. Mas ele me disse que 
importante para ele, ento talvez tenha algo a ver com isso"
"Porqu  to importante para ele?"

Enquanto Ronnie relatava a histria que seu pai tinha contado a ela, Will encarava a janela,
lembrando-se do que Scott tinha feito. E,  claro, o que ele no havia feito. Ela devia ter visto
algo em seu rosto, pois quando terminou, ela pareceu estar estudando-o.

"No que voc est pensando?"

Ele passou sua mo no vidro antes de responder. "Voc j se perguntou o que significa a
amizade?"

"Eu no tenho certeza do que voc quer dizer"

Ele olhou para ela. "At onde voc iria para proteger um amigo?"

Ela hesitou. "Eu acho que depende do que o amigo tenha feito. E quo srio seria." Ela
colocou a mo nas costas dele. "O que voc no est me contando?"

Quando ele no respondeu, ela se aproximou dele rapidamente. "No fim, voc deve sempre
fazer a coisa certa, mesmo que seja difcil. Eu sei que isso pode no ajudar, e nem sempre 
fcil de descobrir qual a coisa certa. Pelo menos, na superfcie. Mesmo que eu estivesse
justificando para mim que roubar no era grande coisa, eu sabia que era errado. E isso fazia
com que eu me sentisse... Obscura por dentro". Ela aproximou seu rosto do dele, e ele pde
sentir o cheiro de areia e do mar que estava na pele dela. "Eu no lutei contra as acusaes,
porque eu sabia que o que eu estava fazendo era errado. Algumas pessoas sabem viver
com isso, contanto que esqueam. Eles vem sombras cinzas onde eu vejo preto e branco.
Mas eu no sou esse tipo de pessoa... E eu no acho que voc seja tambm."

Seu olhar deslizou para longe dela. Ele queria contar a ela, ansiava em dizer tudo, desde
que sabia que ela estava certa, mas ele parecia no encontrar palavras. Ela o entende de
maneiras que ningum mais entendia. Ele podia aprender com ela. Ele seria uma pessoa
melhor com ela ao seu lado. De muitas maneiras, ele precisava dela. Quando ele forou-se
a voltar a real, ela encostou sua cabea em seu ombro.

Quando eles finalmente saram do barraco, ele estendeu a mo para det-la antes que ela
voltasse para a casa. Ele a puxou para perto e comeou a beij-la. Primeiro seus lbios,
depois suas bochechas, e ento, seu pescoo. Sua pele estava como fogo j que ela havia
passado horas deitada no sol, e quando ele beijou seus lbios novamente, ela envolveu seu
corpo no dele. Ele enterrou suas mos nos cabelos dela e continuou beijando-a, enquanto,
lentamente, a encostava na parede da oficina. Ele a amava, ele a queria, e enquanto
beijavam-se, sentiu as mos dela em suas costas e ombro. O toque dela era eltrico contra
sua pele, e ele sentiu-se escorregando para um lugar onde era controlado somente por seus
sentidos.

Suas mos estavam passeando pelas costas e barriga dela, quando sentiu Ronnie colocar
suas mos em seu peito e o afastar.

Por favor, ela respirou, ns temos que parar.

Porque?
Porque eu no quero que meu pai nos pegue. Ele podia estar nos observado da janela
agora.

Ns estamos s nos beijando.

Yeah. E ns meio que gostamos um do outro, tambm. Ela riu.

Um sorriso frouxo espalhou-se pelo seu rosto. O que? Ns no estvamos s nos
beijando?

Estou apenas dizendo o que parecia que.. o que ns estvamos fazendo era caminhar para
algo mais, ela disse, arrumando sua camisa.

E qual o problema?

A expresso dela disse-lhe para parar de jogar, e ele sabia que ela tinha um ponto, mesmo
que no fosse o que ele queria. Voc est certa Ele suspirou, jogando as mos em volta de
um crculo frouxo ao redor de sua cintura. Eu vou tentar me controlar.

Ela o beijou na bochecha. Tenho total confiana em voc.

Poxa, obrigada, ele gemeu.

Ela piscou. Eu vou ver meu pai, ok?

Ok. Eu tenho que estar no trabalho cedo amanh de qualquer forma.

Ela sorriu. Muito triste. Eu no tenho que estar no trabalho at s 10.

Eles ainda esto alimentando as lontras?

Elas tinham fome sem mim. Eu sou bastante indispensvel agora.

Ele riu. J te disse que acho que voc  uma tima protetora?

Eu no acho que ningum tenha me dito isso. Mas s para voc ficar sabendo, voc no 
to ruim de se ter por perto, tambm.
Captulo 24 - Ronnie


Ronnie assistiu Will ir embora antes de fazer o caminho de volta para casa, pensando nas
coisas que ele disse e se perguntando se ele estava certo sobre Blaze. A data programada
da corte foram pesando sobre ela o vero todo: Ela s vezes se perguntava se a
antecipao de uma possvel punio foi pior do que o castigo em si.  medida que a
semana ia passando, ela foi acordando no meio da noite e no encontrando jeito possvel de
voltar a dormir. No era que ela tinha pavor de ir para a priso, ela duvidava de que seria
presa, mas ela temia que esses crimes iriam segui-la para sempre. Ser que ela teria que
revelar sua histria a uma faculdade que ela poderia participar? Ser que ela tem para dizer-
lhe futuros empregadores? Estaria capaz de obter um emprego como professora? Ela no
sabia se ela iria querer ir  faculdade ou at mesmo queria se tornar uma
professora, mas o medo permaneceu. Ser que isso ir assombr-la para sempre?

O advogado dela no pensava assim, mas ela no iria prometer nada.

E o casamento. Foi fcil para o Will pedir-lhe para vir, para admitir que ele no era grande
coisa. Mas ela sabia que Susan no queria que ela existe, e a ltima coisa que ela queria
era ser uma espcie de distrao. Deveria ser o dia da Megan.

Atingir o patamar de volta, ela estava prestes a entrar quando ouviu o barulho da cadeira de
balano. Ela saltou para trs com medo, s para simplesmente ver Jonas .

"Isso. Era. Assim. Grosseiro "

"O que voc est fazendo aqui?" Ela perguntou, seu corao ainda acelerado.

"Vendo voc e Will. Como eu disse, que era realmente grave. "Ele fez um ponto a tremer.

"Voc estava espionando a gente?

"Foi meio difcil no. Voc estava l pela oficina com Will. Parecia que ele estava
te esmagando praticamente at a morte. "

"Ele no estava" Ronnie assegurou-lhe.

"Eu s estou dizendo como ele estava."

Ela sorriu. "Voc vai entender quando voc ficar um pouco mais velho."

Jonas balanou a cabea. "Eu entendo exatamente o que estavam fazendo. Eu vi filmes. Eu
s acho que  grosseiria. "

"Voc j disse isso", ressaltou.

Que parecia det-lo por um segundo. "Onde  que ele vai?"

"Casa dele. Ele tem que trabalhar amanh. "
"Voc vai assistir ao ninho de tartaruga hoje  noite? Porque voc no precisa. Papai disse
que ns poderamos v-lo esta noite. "

"Est convencido de que o pai vai dormir l fora?"

"Ele quer. Ele acha que vai ser divertido. "

Duvido, ela pensou. "Melhor para mim."

"Minhas coisas j esto prontas. Saco de dormir, lanterna, sucos, sanduches, uma caixa de
biscoitos Ritz, marshmallows, batatas fritas, bolachas e uma raquete de tnis. "

"Voc vai jogar tnis?"

"No caso, se o guaxinim ver. Voc sabe. Se ele tenta nos atacar ".

"Isso no vai atac-lo."

"Srio?" Ele parecia quase decepcionado.

"Bem, talvez seja uma boa idia", Ronnie concordou. "S por precauo. Voc nunca sabe. "

Ele coou a cabea. "Isso  o que eu pensei, tambm."

Ela apontou para a oficina. "A janela parece bonita, a propsito".

"Obrigado", disse Jonas. "Papai quer certificar-se de cada pedao seja perfeito. Ele me faz
fazer algumas peas de duas ou trs vezes. Mas eu estou ficando muito bom. "

"Parece que sim."

"Mas ele fica quente. Especialmente quando ele  executado no forno.  como um forno ".

 um forno, ela pensou. Mas ela no quis corrigi-lo. "Isso  muito ruim. Como est indo a
guerra de cookie? "

"Tudo bem. Eu apenas tenho que com-los quando ele est dormindo. "

"Papai no cochila".

"Ele faz agora. Todas as tardes, por um par de horas. s vezes tenho que sacudilo muito
forte para acord-lo. "

Ela olhou para seu irmo, antes olhando pela janela para dentro de casa. "Onde est o pai,
pelo caminho? "

"Ele est na igreja. Pastor Harris veio mais cedo. Ele est vindo muito ultimamente. Ele e
meu pai gostam de conversar. "

"Eles so amigos".
"Eu sei. Mas acho que ele acabou de usar isso como desculpa. Acho que meu pai passou a
tocar piano. "

"Que piano?" Ronnie perguntou, intrigado.

"Ele ficou entregue  igreja na semana passada. Papai tem ido l para tocar. "

"Ele tem, hein?"

"Espere", disse ele. "Eu no tenho certeza se era para dizer isso. Talvez voc deve-se
esquecer o que eu disse "

"Por que voc no deveria me dizer?"

"Como voc pode gritar com ele novamente."

"Eu no vou gritar com ele," Ronnie protestou. "Quando foi a ltima vez que eu gritei com
ele?"

"Quando ele estava tocando o piano. Lembra?

Ah, sim, ela pensou. O garoto tinha uma memria incrvel. "Bem, eu no vou gritar com ele."

"Bom. Porque eu no quero que voc grite com ele. Supostamente ns iremos para Fort
Fisher amanh, e eu quero que ele esteja de bom humor. "

"H quanto tempo ele esta na igreja?"

"Eu no sei. Parece que horas.  por isso que eu estava aqui fora. Eu estava esperando por
ele. E ento voc mostrou-se com vontade e comearam as preliminares"

"S estvamos ns beijando!"

"No, eu no penso assim. Voc estava fazendo definitivamente as preliminares ", disse
Jonas com convico.

"Voc j jantou?", Perguntou ela, ansiosa para mudar de assunto.

"Eu estava esperando o pai."

"Voc quer me fazer um par de cachorro-quente?"

"Com apenas ketchup?" Ele apertou.

Ela suspirou. "Claro."

"Eu pensei que voc no gostasse."

"Sabe,  engraado, mas eu tenho mexido muito com peixes mortos recentemente, para um
cachorro-quente no me parece muito mais nojento".
Ele sorriu. "Voc vai me levar para o aqurio um dia para que eu possa ver voc alimentar
as lontras?

"Se voc quiser, eu poderia at ser capaz de deixar voc aliment-los."

"Srio?" A voz de Jonas levantou-se com entusiasmo.

"Eu acho que sim. Vou ter que pedir,  claro, mas eles deixaram alguns dos grupos de
estudantes faz-lo, ento eu acho que no seria um problema. "

Sua face pouco iluminada. "Uau. Obrigado." Ento, levantando-se da cadeira de balano, ele
acrescentou," Oh,a proposito, voc me deve dez dlares."

"Por qu?"

"Ol? Para no dizer para meu pai sobre o que  que voc estava fazendo. Duh ".

"Voc est falando srio? Mesmo que eu vou fazer o jantar? "

"Qual . Voc trabalha e eu sou pobre ".

" bvio que acho que vou ganhar muito mais do que voc. Eu no tenho dez dlares. Tudo
o que eu ganhei foi para ajudar a pagar o meu advogado. "

Ele pensou sobre isso. "Que tal cinco, ento?

"Voc leva cinco dlares de mim que eu apenas lhe disse que no tenho sequer dez dlares
para o meu nome? "Ronnie fingida indignao.

Ele pensou sobre isso. "Que tal dois?"

"Que tal um?"

Ele sorriu. "fechado".

Depois de fazer seu jantar -Jonas queria o cachorro-quente fervido e no no microondas-
Ronnie dirigiu-se para baixo da praia, em direo  igreja. No era longe, mas estava no
sentido oposto da via que ela normalmente andava, e ela mal reparou nas poucas vezes que
ela passou. Como ela se aproximou, viu os contornos da silhueta da flecha contra o cu da
noite. Exceto que, a igreja desapareceu em seu entorno, principalmente porque era muito
menor do que qualquer uma das casas de acompanhamento e que no tinha nenhum dos
detalhes caro. As paredes eram feitas de tapume de tbuas, e apesar da construo nova, o
lugar parecia que resistiu. Ela teve que passar por cima da duna para chegar ao parque do
estacionamento no lado da rua, e aqui houve mais uma prova de atividade recente: uma
lixeira transbordando, uma nova pilha de madeira compensada pela porta, e uma grande
van estacionada perto da entrada. A porta da frente foi aberta, iluminado por um cone de luz
suave, embora o resto do edifcio parecia escuro. Ela caminhou em direo  porta e entrou.

Olhando em volta, ela podia ver que o lugar tinha um longo caminho a percorrer. O cho era
de concreto, o drywall* parecia apenas meio-completo, e no havia assentos ou bancos.
Poeira revestindo cada dois-por-quatro exposto, mas sempre em frente, onde Ronnie
poderia imaginar o Pastor Harris pregando aos domingos, o pai estava sentado atrs de um
piano novo que parecia totalmente fora do lugar.

Uma lmpada velha de alumnio ligada a um cabo de extenso, desde que a unica
iluminao.

Ele no tinha ouvido ela entrar, e ele continuou a tocar, embora ela no reconheceu a
cano. Ele parecia quase contemporneo, ao contrrio da msica que ele tocava
normalmente, mas mesmo para os ouvidos soou ... inacabado de alguma forma. Seu pai
pareceu perceber a mesma coisa, porque ele parou por um momento, parecia pensar em
algo novo, e comeou tudo do comeo.Desta vez, ela ouviu as variaes sutis que ele fez.
Elas eram uma melhoria, mas a melodia ainda no estava certa. Ela sentiu uma onda de
orgulho que ela ainda tinha a capacidade no s de interpretar a msica, mas de imaginar
variaes possveis. Quando era mais nova, era esse talento acima de tudo que havia
espantado o pai dela.

Comeou mais uma vez, fazendo mais mudanas, e como ela o viu, ela sabia que ele estava
feliz.

Embora a msica no fazia mais parte da vida dela, tinha sido sempre parte da dele, e de
repente ela se sentia culpada por tirar isso dele. Olhando para trs, lembrou-se indignada
com o pensamento de quando ele tentava lev-la para tocar, mas se ele tivesse sido
realmente tentado fazer isso? Se tivesse sido realmente sobre ela? Ou teria ele tocado
porque era um aspecto essencial de quem ele era?

Ela no tinha certeza, mas olhando para ele, sentia-se comovida com o que tinha feito. A
forma grave que ele considerava cada nota e da facilidade com que ele fez as alteraes
feitas a perceber o quanto ele tinha dado como um resultado de sua demanda infantil. Como
ele tocou, ele tossiu uma vez, ento, novamente, antes de parar a msica. Ele tossiu um
pouco mais, o som grosso e molhado e quando ele continuou inabalvel, ela saiu correndo
para alcan-lo.

"Pai?" Ela gritou. "Voc est bem?"

Ele olhou para cima, e por alguma razo, a tosse comeou a diminuir. At o momento ela
abaixou-se prximo a ele, foi apenas ligeiramente ofegante.

"Estou bem", disse ele, com a voz fraca. "H tanta poeira aqui, s fica pior para mim depois
de um tempo. Isso acontece o tempo todo. "

Ela olhou para ele, pensando que ele parecia um pouco plido. "Voc tem certeza que 
isso?"

"Sim, eu tenho certeza." Ele acariciou a mo dela. "O que voc est fazendo aqui?"

"Jonas me disse que voc estava aqui."

"Eu acho que voc me pegou, hein?"

Acenou. "Tudo bem, papai.  um presente, certo? "
Quando ele no respondeu, ela acenou para o teclado, lembrando todas as msicas que
tinha escrito junto. "O que foi que voc estava tocando? Voc est escrevendo uma nova
msica? "

"Ah, isso", disse ele. "Tentando escrever uma  mais parecido certo.  apenas algo que eu
estava trabalhando. No  um grande negcio ".

"Foi muito bem ..."

"No, no foi. Eu no sei o que h de errado comigo. Voc pode, voc sempre foi melhor na
composio do que eu era, mas eu simplesmente no consigo acertar.  como se eu estive-
se fazendo tudo para trs. "

"Foi bom", ela insistiu. "E foi ... mais moderna do que aquilo que voc costuma tocar."

Ele sorriu. "Voc notou, hein? Ele no comeou dessa forma. Para ser honesto, eu no sei o
que est acontecendo comigo. "

"Talvez voc tenha ouvindo meu iPod."

Ele sorriu. "No, eu posso garantir que eu no tenho."

Ela olhou ao seu redor. "Ento, quando a igreja vai ser terminada?"

"Eu no sei. Acho que eu lhe disse que o seguro no cobriu todos os prejuzos, esta
paralisada no momento. "

"E a janela?"

"Eu ainda estou para termin-la." Ele apontou para um compensado coberto na parede atrs
dele.

" onde ela vai, mesmo que eu tenho que instal-la eu mesmo."

"Voc sabe como fazer isso?" Ronnie perguntou, incrdulo.

"Ainda no".

Ela sorriu. "Por que h um piano aqui? Se a igreja no est terminada? Voc no est
preocupado se vai ser roubado? "

"No era para ser entregue at a igreja for terminada, e tecnicamente, no  para estar aqui.
Pastor Harris tinha esperanas de encontrar algum que esteja disposto a armazen-lo, mas
sem data de concluso em vista, no  to fcil como parece. "Virou-se para espreitar para
fora da porta e parecia surpreso pela noite que tinha cado. "Que horas so?"

" um pouco depois das nove."

"Oh deus,", disse ele, comeando a subir. "Eu no percebi o tempo. Era para eu acampar
com Jonas hoje  noite. E eu provavelmente devo comear a fazer algo para comer. "
"J cuidamos disso"

Ele sorriu, mas como ele recolheu a sua partitura e apagou a luz na igreja,Ela foi atingida
pela forma cansada e frgil que aparentava.
Captulo 25 - Steve


Ronnie estava certa, ele pensou. A cano foi definitivamente moderna.

Ele no estava mentindo quando ele disse a ela que no tinha comeado dessa maneira. Na
primeira semana, ele tentou algo aproximado de Schumann; por alguns dias, depois disso,
ele havia se inspirado mais por Grieg.

Depois disso, foi Saint-Sans, ouviu em sua cabea. Mas no final no sentiu nada certo,
capturou o mesmo sentimento que ele teve quando ele tinha gravado as primeiras notas de
um simples pedao de papel.

No passado, ele trabalhou para criar msica que ele fantasiava viver por geraes. Desta
vez, no. Em vez disso, ele experimentou. Ele tentou deixar a msica se apresentar, e
pouco a pouco, ele percebeu, parou de tentar fazer eco dos grandes compositores e estava
satisfeito por finalmente confiar em si mesmo. No que ele tivese l muito bem, porque ele
no estava. No estava certo e havia uma possibilidade de que ele nunca seria certo, mas
alguma forma, ele sentia-se bem com ele.

Ele se perguntou se isso tinha sido o seu problema o tempo todo, que ele passou a vida
imitando o que tinha trabalhado para os outros. Ele tocou a msica escrita por outras
centenas de anos antes, ele procurou por Deus durante seus passeios na praia, porque
tinha trabalhado para o Pastor Harris. Aqui e agora, com seu filho sentado ao lado dele em
uma duna de fora de sua casa e olhando atravs de um par de binculos, apesar do fato de
que ele mais provavelmente no iria ver nada, ele se perguntou se ele tinha feito as
escolhas certas porque pensou que os outros tinham as respostas e mais porque ele estava
com medo de confiar em seus instintos. Talvez os professores se tornaram muleta, e no
final, ele tinha medo de ser ele mesmo.

"Ei, papai?"

"Sim, Jonas."

"Voc vai vir nos visitar em Nova Iorque?"

"Nada me faria mais feliz."

"Porque eu acho que Ronnie vai falar com voc agora."

"Eu espero que sim."

"Ela mudou muito, voc no acha?"

Steve largou o binculo. "Eu acho que todos ns temos mudado muito neste vero."

"Sim", disse ele. "Eu acho que estou mais alto."

"Voc est definitivamente. E voc j aprendeu a fazer um vitral ".
Ele parecia pensar sobre isso. "Ei, papai?"

"Sim?"

"Acho que quero aprender a ficar de cabea para baixo."

Steve hesitou, perguntando-se sobre a terra onde veio isso. "Posso perguntar por qu?"

"Eu gosto de estar de cabea para baixo. Eu no sei porqu. Mas eu acho que eu preciso de
voc para segurar as minhas pernas. Pelo menos no comeo ".

"Eu ficaria feliz em ajudar".

Eles ficaram em silncio por um longo tempo. Foi uma agradvel, noite estrelada, e como
ele refletiu sobre a beleza de seu entorno, Steve sentiu uma onda repentina de
contentamento. Sobre passar o vero com seus filhos, sentado sobre a duna com seu filho e
falar sobre nada de importante. Ele havia se acostumado a dias como esse e temido o
pensamento de que logo ir termina.

"Ei, papai?"

"Sim, Jonas?"

" meio chato aqui fora."

"Eu acho que  pacfico", respondeu Steve.

"Mas eu mal posso ver nada."

"Voc pode ver as estrelas. E ouvir as ondas. "

"Eu posso ouvi-las o tempo todo. Elas soam todos os dias. "

"Quando voc quer comear a praticar ficar de cabea para baixo?"

"Talvez amanh."

Steve colocou o brao em volta do seu filho. "O que h de errado? Voc parece meio triste. "

"Nada." Voz de Jonas era quase inaudvel.

"Voc tem certeza?"

"Posso ir para a escola aqui?", Perguntou ele. "E viver com voc?"

Steve sabia que ele teria que pisar com cuidado. "E sua me?"

"Eu amo a mame. E eu sinto falta dela, tambm. Mas eu gosto daqui. Eu gosto de passar o
tempo com voc. Voc sabe, fazendo a janela, as pipas. S saindo por ai.Eu me diverti
muito. Eu no quero que acabe. "
Steve o aproxima. "Adoro estar com voc, tambm. O melhor vero da minha vida. Mas se
voc estiver na escola, no  como se ns estaramos juntos como estamos agora. "

"Talvez voc possa dr aula em casa para mim."

A voz de Jonas era suave, quase com medo, e Steve, ele realmente tocou a sua idade. A
realizao fez sua garganta apertar. Ele odiava o que ele tinha para dizer em seguida,
apesar de que ele no tinha escolha. "Eu acho que a sua me sentiria muita saudade se
voc ficase comigo. "

"Talvez voc possa voltar. Talvez voc e mame se casem novamente. "

Steve respirou fundo, odiando isso. "Eu sei que isto  difcil e no parece justo. Gostaria que
houvesse uma maneira que pudese mudar isso, mas eu no posso. Voc precisa estar com
sua me. Ela te ama tanto, e ela no sabe o que fazer sem voc. Mas eu tambm te amo.
Eu nunca quero que voc esquea isso. "

Jonas balanou a cabea, como se esperava a resposta de Steve. "Ainda estamos indo para
Fort Fisher amanh? "

"Se voc quiser. E depois, talvez possamos ir para o toboguas".

"H toboguas l?"

"No. Mas h um lugar no muito longe de l. Ns s temos que lembrar de levar nossos
ternos".

"Tudo bem", disse Jonas, soando mais animado.

"Talvez ns iremos a Chuck E. Cheese 's, tambm."

"Srio?"

"Se voc quiser. Ns podemos fazer isso acontecer. "

"Tudo bem", disse ele. "Eu quero".

Jonas ficou quieto novamente antes de finalmente pegar o refrigerador. Quando ele tirou um
saco plstico de cookies, Steve sabia o suficiente para no dizer nada.

"Ei, papai?"

"Sim?"

"Voc acha que as tartarugas chocaro hoje  noite?"

"Eu acho que eles no esto completamente prontos ainda, mas no deve demorar."

Jonas trouxe os lbios, mas no disse nada, e Steve sabia que seu filho estava pensando
em sair novamente. Ele apertou-lhe algo um pouco mais, mas por dentro sentia-se quebrar
alguma coisa, ele sabia que nunca iria curar completamente.

De manh cedinho, Steve olhou para a praia, sabendo que se ela andou, ele iria
simplesmente desfrutar da manh.

Deus, ele veio a perceber, no estava l. Pelo menos para ele, de qualquer maneira. Mas
isso fazia sentido, agora que ele pensou nisso. Se identificar com a presena de Deus foi
realmente muito simples, ento supostamente as praias ficariam mais lotados no perodo da
manh. Elas seriam preenchidas com pessoas sobre as suas prprias misses, ao invs de
pessoas jogando ou passeando com seus cachorros ou surfando.

A busca da presena de Deus, ele entendeu agora, era tanto um mistrio como o prprio
Deus, e o que era Deus, se no mistrio?

Engraado, porm, que ele levou tanto tempo para v-lo dessa forma.

E le passou o dia com Jonas, da mesma forma que tinha planejado na noite anterior. O forte
foi, provavelmente, mais interessante para ele do que para Jonas, pois ele entendia um
pouco da histria da guerra entre os Estados e sabia que Wilmington era o ultimo porto
importante no funcionamento da Confederao. Os toboguas, no entanto, eram muito mais
excitante para Jonas do que eles foram para Steve. Todo mundo estava encarregado de sua
prpria esteira at o alto,e quando Jonas foi suficientemente forte para as primeiras vezes,
Steve logo teve que assumir.

Ele honestamente sentiu como se ele fosse morrer.

Chuck E. Cheese 's, uma pizzaria com dezenas de jogos, Jonas esteve ocupado por um
par de horas. Eles jogaram trs jogos de hquei, acumulou algumas centenas de bilhetes do
jogos e, depois de descontar os bilhetes, saiu com duas pistolas de gua, trs bolas
saltitantes, um pacote de lpis de cor e duas borrachas. Ele nem sequer pensou em quanto
tinha custado.

Foi um dia bom, um dia de risos, mas cansativo. Depois de passar algum tempo com
Ronnie, ele foi para a cama. Exausto, ele adormeceu em poucos minutos.
Captulo 26  Ronnie


Aps o dia de folga que seu pai e Jonah tiraram, Ronnie foi procurar por Blaze, antes de
cumprir sua obrigao no aqurio. Ela descobriu que nao tinha nada a perder. O pior que
poderia acontecer era Blaze mand-la se ferrar ou simplesmente ignor-la, o que a levaria
para o mesmo lugar onde ela estava agora. Ela no esperava que Blaze de repente
mudasse de idia e no queria criar esperana, mas era difcil resistir. Will tinha um ponto
quando dizia que Blazer no era como Marcus, que era completamente sem noo, e ela
tinha que estar sentindo um pouquinho de culpa, certo?

No demorou muito para que Ronnie a encontrasse. Blaze estava sentada em uma duna
prxima ao per, observando os surfistas. Ela no disse nada enquanto Ronnie se
aproximava.

Ronnie no tinha certeza de como comear, ento optou pelo bvio.

"Oi, Blaze", ela disse.

Blaze no disse nada, e Ronnie encontrou-se continuando a conversa.

"Eu sei que voc provavelmente no quer falar comigo..."

"Voc est parecendo um ovo de pscoa."

Ronnie olhou para a roupa que era obrigada a usar no aqurio: uma camiseta turquesa, com
a logo do aqurio, short e sapatos brancos.

"Eu tentei mudar o uniforme para preto, mas eles no permitiram"

"Que pena. Preto  a sua cor." Blaze lanou um sorriso rpido. "O que voc quer?"

Ronnie engoliu em seco. "Eu no estava atrs de Marcus naquela noite. Ele veio at a mim,
e eu no sei o porqu ele te disse o que disse, talvez ele quisesse te deixar com cimes.
Tenho certeza que voc no acredita em mim, mas eu quero que voc saiba que eu nunca
faria algo parecido com voc. Eu no sou esse tipo de pessoa."

Tudo tinha sado em um mpeto, mas agora j estava dito.

Blaze ficou quieta por um momento, e ento disse "eu sei".

No era a resposta que Ronnie esperava. "Ento porque voc colocou aquelas coisas em
minha bolsa?", ela perguntou abruptamente.

Blaze lanou-lhe um olhar da lado. "Eu estava zangada com voc. Porque  bvio que ele
gosta de voc"

Ronnie segurou uma resposta que teria colocado um rpido fim na conversa, a fim de deixar
Blaze prosseguir. Blaze focou nos surfistas novamente.
"Eu reparei que voc tem passado bastante tempo com Will esse vero"

"Ele disse que vocs dois costumavam ser amigos"

", ns ramos", ela disse. "H muito tempo atrs. Ele  legal. Voc tem sorte." Ela esfregou
as mos em sua cala. "Minha me vai se casar com o namorado dela. Depois que ela me
contou, ns brigamos feio e ela me expulsou de casa. Ela trocou as fechaduras e tudo"

"Eu sinto muito por ouvir isso", Ronnie disse, e realmente sentia.

"Eu vou sobreviver"

O comentrio dela fez Ronnie pensar nas semelhanas que haviam nas vidas delas -
divrcio, raiva, rebelio, pais casando novamente - e apesar dessas coisas, no eram o
mesmo tipo de pessoa. Blaze havia mudado desde o comeo do vero. Ela no tinha o
mesmo entusiasmo pela vida que Ronnie percebeu quando se conheceram, e Blaze parecia
mais velha tambm, mesmo que a diferena de idade delas fosse de apenas semanas. Mas
no de um jeito bom. Havia bolsas embaixo de seus olhos, e sua pele estava amarelada. Ela
tinha perdido peso tambm. Muito peso. De uma maneira estranha, era como se Ronnie
estivesse vendo a pessoa que ela mesmo poderia ter se transformado.

"O que voc fez comigo foi errado", Ronnie disse. "Mas voc ainda pode fazer o certo"

Blaze sacudiu sua cabea lentamente. "Marcus no deixaria. Ele disse que no falaria
comigo novamente"

Ouvindo o tom robtico de sua voz, Ronnie teve vontade de sacud-la. Blaze pareceu sentir
o que Ronnie estava pensando, e suspirou antes de continuar.

"Eu no tenho nenhum outro lugar para ir. Minha me ligou para todos os parentes e disse
para que eles no me aceitem. Ela me disse que foi difcil para ela, mas que eu precisa de
um 'amor firme' nesse momento. Mas eu no tenho dinheiro para comer, e a menos que eu
queira dormir na praia todas as noites para o resto da minha vida, eu tenho que fazer o que
Marcus manda. Quando ele est zangado comigo, ele no me deixa tomar banho na casa
dele. E ele no me d nenhum dinheiro quando vamos a shows, ento eu no posso comer
tambm. Ele me trata como um cachorro s vezes, e eu odeio isso. Mas quem mais eu
tenho"

"Voc tentou conversar com sua me?"

"Qual o sentido? Ela pensa que eu sou uma causa perdida, e me odeia"

"Eu tenho certeza que ela no te odeia"

"Voc no a conhece como eu"

Ronnie lembrou-se da vez que foi na casa de Blaze e viu o dinheiro dentro do envelope. No
soava como a mesma me, mas Ronnie no quis falar disso. Em silncio, Blaze levantou-se
e parou. Suas roupas estavam sujas e amassadas, e parecia que ela estava usando as
mesmas roupas h pelo menos uma semana. O que era provavelmente verdade.
"Eu sei o que voc quer que eu faa", Blaze disse. "Mas eu no posso. E no  porqu eu
no goste de voc. Eu gosto. Eu acho que voc  legal, e eu no deveria ter feito o que fiz.
Mas eu estou em uma armadilha, como voc. E eu acho que Marcus no terminou com
voc, tambm"

Ronnie endureceu. "O que voc quer dizer?"

Blaze hesitou. "Ele tem falado de voc novamente. Mas no de um jeito bom. Eu ficaria
longe de mim, se fosse voc"

Antes que Ronnie pudesse responder, Blaze saiu andando.

"Hey, Blaze", ela chamou.

Blaze virou-se calmamente,

"Se voc precisar de algo para comer ou um lugar para ficar, voc sabe onde eu moro"
Por um momento, Ronnie pensou ter visto mais do que um flash de gratido em seu olhar,
mas tambm um pouco da garota esperta e cheia de vida que ela conheceu em junho.
"E mais uma coisa," Ronnie acrescentou. "Aquilo que voc faz com o fogo com Marcus 
loucura"

Blaze lanou-lhe um sorriso triste. "Voce realmente acha que  mais louco do que qualquer
outra coisa em minha vida?"

Na tarde que se seguiu, Ronnie ficou parada em frente ao seu guarda-roupa, sabendo que
ela no tinha absolutamente nada para usar. Mesmo que ela decidisse ir ao casamento - e
ela no tinha certeza absoluta ainda se iria - ela no tinha nada nem remotamente
apropriado para usar, a menos que fosse um casamento do Ozzy Osbourne e seu cl.

Mas era um casamento formal, com traje black tie. Smokings e vestidos eram obrigatrios
para os convidados. Ela nunca imaginou que iria a um lugar assim quando estava fazendo
suas malas em Nova York. Ela nem mesmo trouxe o par de scarpin preto que sua me havia
lhe dado no Natal passado, aqueles que ainda estavam na caixa.

Ela realmente no entendi o porque Will queria que ela fosse. Mesmo que ela achasse uma
maneira de ficar apresentvel, ela sabia que no teria ningum com quem conversar. Will
estaria na festa, tirando fotos enquanto ela estivesse indo para a recepo, e ele teria que
sentar na mesa dos noivos, ento eles nem estariam juntos para a refeio. Ela
provavelmente sentaria na mesa com um governador ou senador ou uma famlia que tinha
seu prprio jatinho... Por falar em estranho. Acrescente o fato que Susan odiava-a, a coisa
toda era uma pssima idia. Uma idia realmente ruim, terrvel de todas as maneiras.
Por outro lado...

Quando ela teria a oportunidade de ser convidada para um casamento assim de novo?

Supostamente, a casa passou por uma grande transformao nas ltimas semanas. Uma
plataforma temporria tinha sido erguida sobre a piscina, tendas tinham sido levantadas,
dezenas de milhares de flores haviam sido plantadas, e no s as luzes tinham sido
alugadas de um estdio de filmes em Wilmington, mas os funcionrios tinham vindo e
armado tudo. O buffet - de caviar a champange Cristal - tinha sido fornecido por trs
diferentes restaurantes de Wilmington, e quem tinha supervisionado toda a operao tinha
sido um chef que Susan conhecia de Boston, que supostamente tinha sido o chef de cozinha
da Casa Branca. Tudo era do melhor, certamente nada do que ela queria para o casamento
dela - algo como uma praia no Mxico, com uma dzia de pessoas como convidados era
mais o estilo dela - mas ela sups que isso era parte da atrao da festa. Ela nunca iria em
um casamento assim em toda sua vida.

Assumindo,  claro, que ela pudesse encontrar algo para usar. Honestamente, ela nem
sabia o porqu ela estava procurando no closet. Ela no podia fazer mgica e transformar
seus jeans em um vestido, ou fingir que uma nova cor em seu cabelo iria fazer com que
ningum reparasse em suas camisetas de concerto. A nica roupa decente que ela tinha, a
nica que Susan poderia talvez no achar repugnante caso ela estivesse indo simplesmente
ao cinema, era a roupa que ela usava no aqurio, a que a fazia parecer um ovo de pscoa.

"O que voc est fazendo?"

Jonah estava parado na porta do quarto, encarando-a.

"Estou procurando algo para vestir", ela disse.

"Voc vai sair?"

"No.  para ir ao casamento"

Ele inclinou a cabea. "Voc vai se casar?"

"Claro que no;  o casamento da irm de Will"

"Qual nome dela?"

"Megan"

"Ela  legal?"

Ronnie sacudiu a cabea. "Eu no sei. Eu no a conheo"

"Ento porque voc vai ao casamento dela?"

"Porqu Will me pediu que fosse.  assim que funciona", ela explicou. "Ele pode levar um
convidado. E eu sou a convidada dele"

"Oh", ele disse. "O que voc vai vestir?"

"Nada. Eu no tenho nada"

Ele deu uma volta ao redor dela. "O que voc est usando  legal".

A roupa de ovo de pscoa. Claro.

Ela deu um puxo em sua camisa. "Eu no posso usar isso.  um casamento formal. Eu
devo usar um vestido"
"Voc tem algum a no closet?"

"No"

"Ento porque voc est parada ai?"

Certo, ela pensou, fechando a porta. Ela se jogou na cama.

"VOc est certo", ela disse. "Eu no posso ir. Simples assim."

"Voc quer ir?", Jonah perguntou, curioso.

Em segundos, os pensamentos dela mudaram de Claro que no para Talvez e finalmente,
para Sim, eu quero. Ela sentou-se em cima das pernas. "Will quer que eu v. Isso 
importante para ele. E ser algo bom de se ver"

"Ento porque voc no compra um vestido?"

"Porque eu no tenho dinheiro", ela disse.

"Oh", ele disse. "Isso  fcil de resolver." Ele foi at sua coleo de brinquedos no canto.
Encravado no fim da pinha estava um modelo de avio, ele o pegou e desapertou o bico do
avio. Quando ele comeou a despejar o contedo na cama, o queixo de Ronnie se abriu
vendo a quantidade de dinheiro que ele tinha acumulado. Deveria ter ali pelo menos uns
duzentos dlares.

" meu banco", ele disse. Ele franziu o nariz. "Eu venho guardando h um tempo"

"Onde voc conseguiu isso tudo?"

Jonah apontou para um nota de dez dlares. "Essa foi por no dizer ao papai que te vi no
festival". Agora ele apontava aleatoriamente. "Essa foi por no dizer ao papai que voc
estava dando uns amassos com Will. Esse  do cara com o cabelo azul, e este foi jogo de
pquer. Esse aqui foi de quando voc escapou de casa aps seu toque de recolher - ..."

"Entendi", ela disse. Mas ainda assim... Ela piscou. "Voc guardou tudo isso?"

"O que mais eu deveria fazer com isso?", ele perguntou; "Mame e papai me compram tudo
que eu preciso. Tudo que eu tenho que fazer  pedir por um tempo.  bem fcil conseguir o
que quero. Voc s tem que saber como. Com mame, eu preciso chorar, mas papai s me
faz explicar o porqu eu mereo"

Ela sorriu. Seu irmozinho, um chantagista manipulador. Impressionante.

"Ento eu realmente no preciso. E eu gosto de Will. Ele faz voc feliz"

Sim, ela pensou, ele faz.

"Voc um timo irmozinho, sabia?"
"SIm, eu sei. E voc pode ter tudo isso, com uma condio"

A vem, ela pensou. "Sim?"

"Eu no vou com voc ao shopping.  entediante"

No demorou muito para ela tomar uma deciso. "Feito"

Ronnie olhou para si mesma, dificilmente reconhecendo a imagem no espelho. Era a manh
do casamento, e ela tinha passado os ltimos quatro dias experimentando todos os vestidos
da cidade, andando para cima e para baixo em vrios pares de sapatos novos, e sentada
por horas em um salo de beleza.

Levou quase uma hora para que ela enrolasse o cabelo do jeito que a menina do salo tinha
ensinado a ela. Quando Roonie sentou-se naquela cadeira, ela tambm pediu dicas sobre
maquiagem, e a garota tinha dado algumas sugestes que Ronnie tinha seguido
minuciosamente. O vestido - ela no tinha visto muita coisa boa, apesar do nmero de lojas
que tinha visitado - com um grande decote em V e lantejoulas presas, era algo muito
distante daquilo que ela costumava usar. Na noite anterior, ela tinha feito as unhas sozinha,
levando todo o tempo do mundo, e encantada por no ter borrado nenhuma delas.

Eu no te conheo, Ronnie disse para seu reflexo. Eu nunca vi vo antes. Ela puxou o
vestido, ajeitando-o ligeiramente. Ela parecia muito bem, ela tinha que adimitir. Ela sorriu.
Definitivamente, ela estava boa o bastante para o casamento.

Ela escorregou em seus novos sapatos a caminho da porta, e atravessou o corredor at a
sala. O pai dela estava lendo a Bblia de novo, e Jonah estava assistindo desenhos, como
sempre. Quando seu pai e seu irmo olharam para cima, eles visivelmente, deram uma
segunda olhada.

"Oh droga", Jonah disse.

Seu pai olhou para ele. "Voc no deveria dizer essa palavra"

"Desculpe pai", Jonah disse, inocentemente. "Eu quis dizer, caramba", ele tentou de novo.

Ronnie e seu pai riram, e Jonah encarou os dois. "O qu?"

"Nada", seu pai disse. Jonah levantou-se para inspecion-la mais de perto.

"O que aconteceu com o roxo em seu cabelo?", ele perguntou. "Sumiu"

Ronnie sacudiu seus cachos. "Temporariamente", ela disse. "Est legal?"

Antes que seu pai pudesse responder, Jonah disparou. "Voc parece normal de novo. Mas
voc no  nada parecida com minha irm"

"Voc est maravilhosa", seu pai disse, rapidamente.

Surpreendendo a si mesma, Ronnie deu um suspiro de alvio. "O vestido est bonito?"
"Est perfeito", seu pai respondeu.

"E meus sapatos? Eu no tenho certeza se eles combinam com o vestido"

"Eles esto combinando perfeitamente"

"Eu tentei fazer minha maquiagem e minhas unhas..."

Antes mesmo dela terminar, seu pai sacudiu a cabea. "Voc nunca esteve to linda", ele
disse. "Na verdade, eu no sei se existe algum to bonita em todo o mundo"

Ele costumava dizer a mesma coisa a centenas de anos atrs. "Pai -"

"Ele est falando srio", Jonah interrompeu. "Voc est maravilhosa. Eu estou sendo
honesto. Eu mal reconheci voc"

Ela o encarou com uma falsa indignao. "Ento voc est dizendo que no gosta de como
eu sou normalmente?"

Ele encolheu os ombros. "Ningum gosta de cabelos roxos. Exceto pessoas esquisitas"
Quando ela riu, ela pegou seu pai sorrindo para ela.

"Uau", foi tudo que ele pode dizer.

Meia hora depois, ela estava passando pelos portes da casa dos Blakelle, seu corao
disparado. Eles tinham acabado de passar pelo desafio de mostrar suas identidades para os
patrulhas no lado de fora, e agora estavam sendo parados por homens de terno que queriam
estacionar o carro. Seu pai tentou explicar calmamente que s estava deixando-a l, mas
sua resposta no fez nenhum sentido para os trs seguranas - eles no conseguiam
compreender como um convidado do casamento no possua seu prprio carro.

E a decorao...

Ronnie teve que admitir que o lugar estava to espetacular como um set de filmes. Havia
flores em todos os lugares, a sebe tinha sido aparada com perfeio, e cada tijolo e parede
que cercavam a casa tinha sido pintada recentemente.

Quando eles finalmente foram capazes de fazer o retorno, seu pai encarou a xasa, que
estava crescendo no fundo. Eventualmente, ele virou-se para ela. Ela no estava
acostumada a ver seu pai sendo pego de surpresa por nada, mas ela podia ouvir isso em
sua voz.

"Essa  a casa de Will?"

",  sim", ela disse. Ela sabia o que ele diria: era enorme, ou que ele no sabia quo rica a
famlia dele era, ou mesmo se ela sentia que pertencia a um lugar como esse.

Ao invs disso, ele sorriu, sem nenhum trao de egosmo.

"Que lugar adorvel para um casamento"
Ele dirigiu cuidadosamente, no atraindo ateno extra para o velhor carro que eles
estavam. Era atualmente o carro do Pastor Harris, um velho Toyota Sedan, com uma mala
que tinha sado de moda assim que o carro foi lanado, em 1990; mas andava, e neste
momento, isso era bom o suficiente. Seu p j estava doendo. Como algumas mulheres
usavam sandlias assim todos os dias, estava alm da compreenso dela. Mesmo que
estivesse sentada, ela sentia como se fosse um instrumento de tortura. Ela deveria ter
coberto seus ps com Band-Aids. E obviamente, seu vestido no tinha sido desenhado para
usar sentada; estava apertando suas costelas, dificultando sua respirao. Mas tambm,
talvez ela estivesse apenas nervosa demais para respirar.

Seu pai fez o caminho ao redor da casa, com o olhar fixo na estrutura como ela na primeira
vez que tinha ido l. Apesar de saber que ela j deveria estar acostumada com isso agora, o
lugar ainda parecia opressor para ela. Adicione isso aos convidados - ela nunca tinha visto
tantos smokings e vestidos na vida - e ela no podia evitar de sentir-se desconfortvel, como
se no pertencesse ali.

 frente, um homem em um terno escuro estava sinalizando para os carros, e antes que ela
percebesse, era a vez dela sair. Enquanto o homem abria a porta e oferecia sua mo para
ajud-la a sair, sei pai estendeu a mo e a acariciou.

"Voc pode fazer isso", ele sorriu. "E divirta-se"

"Obrigada, pai"

Ela se olhou no espelho mais uma vez antes de sair do carro. Uma vez do lado de fora, ela
arrumou seu vestido, percebendo que era mais fcil para ela respirar agora que estava de
p. A varanda estava decorada com lilases e tulipas, e enquanto ela subia os degraus em
direo a porta, a mesma abriu-se repentinamente.

Em seu smoking, Will no parecia nada com o jogador de vlei sem camisa. ou o tranquilo
garoto do sul que tinha levado-a para pescar; de um jeito, era como se ela estivesse tendo
um vislumbre do bem sucedido e sofisticado homem que ele seria daqui a uns anos. De
algum jeito, ela no esperava v-lo to... refinado, e ela estava prestes a fazer uma piada
sobre como ele havia se limpado muito bem, quando reparou que ele no tinha dito nem 'oi'
ainda.

Por um longo tempo, tudo que ele fez foi encar-la. No silncio que se estendeu, as
borboletas em seu estmago pareciam pssaros, e ela s conseguia pensar que poderia ter
feito algo errado. Talvez ela estivesse chegado muito cedo, ou talvez ela tivesse exagerado
na maquiagem e na roupa. Ela no tinha certeza do que pensar e estava comeando a
imaginar o pior quando Will finalmente sorriu.

"Voc est... incrvel", ele disse, e com aquelas palavras, ela sentiu-se relaxando. Bem, pelo
menos um pouco. Ela ainda no tinha visto Susan, e at l, ela no estava fora de perigo.
Ainda assim, ela estava encantada por Will ter gostado do que viu.

"Voc no acha que est demais?"

Will chegou mais perto e repousou suas mos na cintura dela. "Definitivamente, no"

"Mas tambm no est de menos, no ?"
"Na medida certa", ele sussurrou.

Ela se aproximou, ajeitando a gravata borboleta dele, e ento jogou seus braos ao redor do
pescoo dele. "Eu tenho que admitir que voc no parece mal tambm"

No foi to ruim como ela pensava que seria. Ela descobriu que j tinham tirado a maioria
das fotos com a noiva antes que os convidados chegassem, ento ela e Will tinham algum
tempo para ficarem juntos antes da cerimnia. NA maior parte do tempo, eles caminharam
pelos jardins, Ronnie de boca aberta com todos os arranjos. Will no estava brincando: a
parte de trs da casa tinha sido completamente reestruturada, e a piscina havi sido coberta
com um deck temporrio, que parecia qualquer coisa, menos temporrio.

Dezenas de cadeiras brancas estavam espalhadas pela superfcie, de frente para uma tenda
branca onde Megan e seu noivo iam trocar seus votos. Novas caladas foram construdas
no quintal, o que facilitou o acesso a algumas mesas, onde seria o jantar, sob a enorme
abbada de uma outra tenda branca. TInham cinco ou seis esculturas de gelo,
intrinsicamente elaboradas, grandes o suficiente para ficarem na mesma forma, sem derreter
por horas. Mas o que realmente prendeu o interesse dela foram as flores. O terreno era um
mar de brilhantes de glaudiolos* e lilases.
* http://www.veronicas.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/09/gladiolo1.jpg

Os convidados eram aquilo que ela j esperava. Alm de Will , o nico convidado que ela
conhecia era Scott, Ashley e Cassie, e nenhum deles estava ansioso para v-la. No que
isso importasse muito. Uma vez que as pessoas ocuparam seus lugares, todo, com exceo
talvez de Will, estavam focados na iminente chegada de Megan. Will parecia contente em
fixar seu olhar em Ronnie.

Ela queria ser mais discreta o possvel, ento escolheu sentar-se nas fileiras de trs e longe
do corredor. At agora, ela no tinha visto Susan, que estava provavelmente preocupando-
se com Megan, e ela rezou para que Susan no a notasse at o fim da cerimnia. Se ela
seguisse seu caminho, Susan provavelmente no a notaria, mas tambm era imprvavel, j
que ela passaria muito tempo com Will.

"Com licena", ela ouviu algum dizendo. Olhando para cima, ela viu um homem mais velho
e sua esposa tentando passar por ela para sentarem nos lugares vazios ao lado dela.

" mais fcil se eu chegar para l", ela ofereceu.

"Voc tem certeza?"

"Sem problemas", ela disse, movendo-se para o ltimo assento vazio para abrir caminho. O
homem parecia-lhe vagamente familiar para ela, mas a nica conexo que veio-lhe a mente
foi o aqurio, e no parecia ser o caso.

Antes que ela pudesse imaginar mais, um quarteto iniciou os primeiros acordes da Marcha
Nupcial. Ela olhou por cima do ombro em direo  casa, junto com todo mundo. Ela ouviu
um audvel som de admirao. Megan apareceu no alto dos degraus da varanda. Enquanto
ela descia, seu pai a esperava l embaixo. Ronnie fez uma deciso instntanea de que
Megan era a noiva mais deslumbrante que ela j havia visto.
Ocupada pela viso que era a irm de Will, ela mal registrou que o homem mais velho ao
lado dela estava mais ocupado em observ-la do que a Megan.
Captulo 27 - Marcus


Retrocedendo na areia em Bower 's Point, Marcus sabia que deveria estar aproveitando a
confuso que ele causou na noite anterior. Tudo seguiu exatamente o caminho que ele
planejou. A casa foi decorada com preciso com os artigos de jornal com detalhes
interminveis, e solta a estacas no-todo o caminho, apenas o suficiente para garantir que
puxaria livre quando ele bateu nas cordas, tinha sido fcil de fazer quando todo mundo
estava comendo jantar. Ele tinha ficado emocionado ao ver Ronnie andar at ao cais, Will ao
seu lado, eles no o decepcionaram. E bom antigo tinha confiana desempenhou o seu
papel perfeitamente, se no era um cara mais previsvel em todo o mundo, Marcus
ficaria chocado. Aperte o boto X e Will faria uma coisa; boto Y e Will faria outro. Se no
tivesse sido to divertido, que teria sido chato.

Marcus no foi como as outras pessoas, ele sabe h muito tempo. Crescendo acima, nunca
se sentiu culpado por qualquer coisa, e ele gostou sobre si mesmo. No havia poder na
capacidade de fazer o que quisesse, sempre que ele quisesse fazer isso, mas o prazer era
geralmente de curta durao.

Na noite passada, ele se sentia mais vivo do que ele tinha sido em meses, a corrida tinha
sido incrvel. Normalmente, depois que ele tirou um dos seus "projetos", como ele gostava
de pensar deles, ficaria satisfeito por semanas. Uma coisa boa tambm, desde a sua insta,
deixou desmarcada, acabaria por lev-lo pego. Ele no era burro. Ele sabia como as coisas
funcionavam, razo pela qual ele sempre foi muito, muito cuidadoso.

Agora, porm, ele era atormentado pelo sentimento de que ele cometeu um erro. Talvez ele
empurrou sua sorte muito longe de fazer o Blakelees o alvo de seu mais recente projeto.
Eles eram a coisa mais prxima  realeza em Wilmington, afinal, eles tinham o poder, eles
tinham ligaes, e eles tinham dinheiro. E ele sabia que se descobrissem que ele esteve
envolvido, eles parariam em nada para coloc-lo afastado por tanto tempo quanto possvel.
Ento ele ficou com uma dvida incmoda: Will tinha coberto Scott no passado, mas o que
ele iria faz-lo mesmo  custa do casamento de sua irm?

Ele no gostava dessa sensao. Sentiu-se quase como ... medo. Ele no queria ir para a
priso, no importa o quo curta  a frase. Ele no podia ir para a priso. Ele no pertencia
ali. Ele era melhor do que isso. Ele foi mais esperto do que isso, e ele no poderia imaginar
que est sendo bloqueado em uma gaiola e ser ordenado em torno de um bando de lacaios
da guarda prisional ou tornar-se o interesse amoroso de um alimento de trezentos quilos
neo-nazista ou comer porcaria barata polvilhada com ou a qualquer dos outros horrores que
ele poderia facilmente imaginar.

Os edifcios que tinha queimado e as pessoas que ele tinha machucado significava
absolutamente nada para ele, mas o pensamento da priso o fez ... doente. E nunca teve
medo de sentir mais perto do que ele tinha desde a noite passada.

At agora, as coisas estavam calmas, ele lembrou a si mesmo. Obviamente, no havia sido
identificado, porque se tivesse, Bower 's Point estaria cheio de policiais. Ainda assim, ele
precisava colocar baixo por um tempo. Real baixa. Nenhuma das partes em casas de praia,
no h incndios em armazns, e ele no iria a qualquer lugar perto de qualquer vontade ou
Ronnie. Passou sem dizer que ele no pronunciava uma nica palavra ou Teddy ou Lance
ou mesmo Blaze. Era melhor deixar as memrias das pessoas desaparecem.

A menos que Will mudou de idia.

A possibilidade de acert-lo como um golpe fsico. Sempre que ele uma vez tinha o poder
total sobre Will, seus papis foram invertidos, de repente ... ou pelo menos empatou.

Talvez, pensou ele, seria melhor se ele simplesmente deixasse a cidade por um tempo.
Dirija para o sul ou para Myrtle Beach Miami ou Fort Lauderdale at o casamento acabar
completamente.

Parecia que era a deciso certa, mas para isso, ele precisava de dinheiro. Um monte de
dinheiro. E em breve. O que significava que ele precisava para fazer alguns shows na frente
de algumas grandes multides. Felizmente, o torneio de vlei de praia era a partir de hoje.
Ser que estaria competindo, sem dvida, mas no havia nenhuma razo, ele teve que ir em
qualquer lugar perto dos tribunais. Ele faria seu show no cais ... um grande show.

Atrs dele, Blaze estava sentada ao sol, vestindo apenas jeans e suti, a blusa estava
enrolado perto da fogueira.

"Chama", ele gritou: "vamos precisar de nove bolas de hoje. No vai ser uma grande
multido, e temos de fazer algum dinheiro. "

Ela no lhe respondeu, mas seu suspiro audvel definir seus dentes na borda. Ele estava
doente e cansado dela. Desde que sua me havia chutado para fora, ela tinha sido nada,
mas no dia taciturno e dia fora. Ele assistiu a sua ascenso a partir de seu ponto e peguou o
frasco de fluido de isqueiro. Bom. Pelo menos ela estava trabalhando um pouco para ganhar
seu sustento.

Nove bolas de fogo. Nem todos, ao mesmo tempo,  claro, pois eles normalmente utilizados
seis no decurso de um show. Mas, adicionando mais uma aqui e ali, alguma coisa
inesperada, pode ser suficiente para levantar o dinheiro que precisava. Em alguns dias, ele
estaria na Flrida. S ele. Teddy e Lance e Blaze estariam por conta prpria por um tempo,
que estava bem pra ele. Ele estava doente de todos eles.

J est planejando sua viagem, ele mal percebeu como bolas de pano embebido de Blaze
com fluidos de isqueiro, diretamente acima da camisa que ela viria a usar no show.
Captulo 28  Will



Ganhar o jogo da primeira rodada foi extremamente fcil, Will e Scott mal suaram. Na
segunda rodada, o jogo ficou ainda mais fcil, seus adversrios marcando apenas um nico
ponto. Na terceira rodada, ele e Scott tiveram que trabalhar duro. Embora o placar parecia
desequilibrado, Will saiu do tribunal pensando que a equipe que tinha vencido apenas foi
muito melhor do que a pontuao indicada.

Comearam as quartas de final em duas horas, a final foi marcada para seis. Como sempre,
descansou as mos sobre os joelhos,  espera de servio da equipe adversria, ele sabia
que seu jogo foi hoje. Eles foram at 01:55, mas ele no estava preocupado. Ele se sentiu
bem, sentiu-se rpido, e cada tiro ele colocou enviou a bola a voar para exatamente o ponto
que queria. Mesmo que seu adversrio jogou a bola no ar para iniciar seu servio, Will sentiu
inatacvel.

A bola veio arco sobre a rede com topspin pesados, antecipando sua queda, ele se mexeu
para a frente e girou a bola com perfeio. Com timing impecvel, Scott correu e pulou antes
da cravao crosscourt bola, voltando a servir a seu lado. Eles venceram os prximos seis
pontos em uma linha antes de a outra equipe tem a servir para trs, e como ele se instalou
na posio, ele rapidamente digitalizados os estandes para Ronnie. Ela estava sentada na
arquibancada em frente de seus pais e Megan, provavelmente uma boa idia.

Ele odiava que ele no poderia dizer a sua me a verdade sobre o Marcus, mas o que ele
poderia fazer? Se a me sabia que tinha feito, ela iria para o sangue ... que s poderia
conduzir a retribuio. Ele tinha certeza a primeira coisa que faria se Marcus preso seria
comear sua pena reduzida em troca de "informao til" sobre o outro, mais grave o crime
de Scott. Isso poderia causar problemas para Scott em um momento crtico em sua busca
bolsa de estudos, para no mencionar ferir os pais do Scott, que tambm passaram a ser
amigos ntimos de seus prprios pais. Ento, ele mentiu e, infelizmente, sua me tinha
escolhido jogar a culpa da coisa toda sobre Ronnie.

Mas ela tinha mostrado esta manh e disse-lhe que o amava mesmo assim. Eles falariam
mais tarde, ela havia prometido. E ela disse-lhe que mais do que tudo, ela queria que ele
jogue o seu melhor no torneio, que foi exatamente o que ele ia fazer.

Como os adversrios sacando novamente, Will correu toda a quadra para fazer a tiro; Scott
seguiu com um conjunto perfeito, e Will cravado em casa. Daquele ponto em diante, os seus
adversrios marcou apenas mais um ponto antes de o jogo terminou, no jogo seguinte,
marcou apenas duas vezes.

Ele e Scott avanaram para as semifinais, e na arquibancada, ele podia ver Ronnie torcendo
por ele.

A partida semifinal foi mais difcil ainda, que havia vencido o primeiro jogo facilmente,
apenas para perder o segundo jogo de desempate.

Will estava de p sobre a linha de servio,  espera do funcionrio para sinalizar o incio do
terceiro jogo, quando o seu olhar vagou primeira para a arquibancada e depois para o cais,
observando que a multido era trs vezes maior do que tinha sido no ano anterior . Aqui e
ali, viu grupos de pessoas que ele tinha conhecido na escola e outros que ele tinha
conhecido crescendo. No havia um assento aberto na arquibancada.

Ao sinal do rbitro, Will jogou a bola no ar e tomou uma srie de passos rpidos. Lanando-
se no ar, ele enviou uma bolada para baixo da linha de base, apontando para um local a
cerca de trs quartos do caminho de volta. Ele desembarcou, pronto para disputa na
posio, mas ele j sabia que no era necessrio. Ao dividir o rgo, tanto de seus
adversrios tinham congelado por um instante demasiado longo, a bola deconduo enviou
uma nuvem de areia antes de patinar fora da quadra.

Um a zero.

Ser servido sete vezes em uma fileira, colocando Scott e confortavelmente  frente dele, e
eles acabaram alternando os pontos a partir de ento, levando a uma vitria relativamente
fcil. Andar a p fora da quadra, Scott bateu as costas.
"It's over", disse ele. "Ns estamos pegando fogo hoje, ento vamos Tyson e Landry V em
frente!"

Tyson e Landry, um par de dezoito anos de idade vieram de Hermosa Beach, Califrnia, foi
a equipe jnior dominante no mundo. Um ano atrs, eles classificaram em dcimo primeiro
no mundo global, o que teria sido bom o suficiente para representar praticamente todos os
outros pases nos Jogos Olmpicos. Eles estavam jogando juntos desde que tinham doze
anos de idade e no tinham perdido um jogo em dois anos. Scott e Will tinha encontrado
apenas uma vez antes no ano passado nas semifinais do mesmo torneio, e eles saram da
quadra com o rabo entre as pernas. Eles no tinham mesmo feito um jogo dele.

Mas hoje a histria foi diferente: Eles venceram o primeiro jogo por trs pontos; Tyson e
Landry ganharam o jogo seguinte, exatamente a mesma margem, e no final do jogo, eles
foram amarrados s sete.

Ser que tinha sido fora do sol durante nove horas. Apesar dos litros de gua e Gatorade
que tinha consumido, o sol e o calor devia ter colocado ele para baixo, pelo menos, um
pouco, e talvez ele tinha. Mas no sintia isso. Agora no. No quando ele percebeu que
realmente tinha uma chance de ganhar a coisa toda.

Eles tiveram o saque, sempre em desvantagem no vlei de praia, uma vez que os pontos
foram marcados em cada vlei e da equipe retornar a servir tinha a chance de definir
e aumento na bola, mas Scott enviou uma knuckleball sobre a rede que forou Tyson fora de
posio. Tyson foi capaz de alcanar a bola no tempo, mas mandou tudo voando na direo
errada. Landry cobrado e de alguma forma tem a mo na bola, mas isso s piorou as coisas,
que subiu para a multido, e Will sabia que seria pelo menos um minuto at que a bola
estava de volta no jogo. Quando isso aconteceu, ele e Scott estaria conduzindo por um
ponto.

Como de costume, ele se virou em direo a primeira Ronnie e viu sua onda com ele, ento,
de frente para o outro jogo das arquibancadas, ele sorriu e acenou para a sua famlia. Alm
deles, no cais, ele podia ver a multido embalada na rea mais prxima aos tribunais, mas
estava claro um pouco mais longe. Ele questionou sobre isso at que ele viu uma bola de
fogo de arco atravs do ar.
A pontuao foi amarrada em doze anos quando isso aconteceu.

A bola tinha disparado contra a multido, desta vez por causa de Scott, e como Will voltou
ao seu lugar na quadra, ele encontrou-se olhando para o cais, porque ele sabia que Marcus
estava l.

O fato de que Marcus estava to perto fez tensa com a mesma raiva que ele sentia na noite
anterior.

Ele sabia que deveria deix-lo ir, assim como Megan tinha avisado a ele. Ele sabia que no
deveria ter incomodado ela com toda a histria na noite passada, foi o seu casamento,
afinal, e os pais dele tinha reservado uma sute no Hotel histrico Wilmingtonian para ela e
Daniel. Mas ela insistiu, e ele desabafou. Embora ela no criticasse sua deciso, ele sabia
que ela tinha ficado desapontada que ele permaneceu em silncio sobre o crime de Scott.
Ela tinha sido inequivocamente favorvel esta manh, no entanto, e enquanto esperava o
rbitro a apitar, ele sabia que estava jogando tanto quanto para sua irm como para si
mesmo.

No cais, ele avistou as bolas de fogo danando no ar. A multido tinha desaparecido de
perto da grade, e ele pode apenas ver por fora Teddy e Lance danando, como de costume.
O que surpreendeu foi a viso de Blaze fazendo malabarismos com bolas de fogo com
Marcus. Ela iria pegar uma, ento envi-la voando de volta para Marcus. Para os olhos de
Will, as bolas de fogo estavam se movimentando trs mais rapidamente do que o habitual.
Blaze foi recuando lentamente, provavelmente tentando retardar as coisas, at que,
finalmente atingiu o parapeito do cais.

A sacudida provavelmente a fez perder a concentrao, mas as bolas de fogo continuaram a
voar em sua direo, e calculando mal a direo das bolas de fogo, uma delas acabou
batendo contra sua camisa. Com outra bola de fogo logo aps, ela estendeu a mo para que
pudesse segurar, enquanto outra batia em seu corpo. Em poucos segundos,  frente de sua
camisa se tornou uma folha de fogo, alimentado pelo excesso de fluido de isqueiro.

Em pnico, ela tentou golpear as chamas, obviamente, esquecendo que ela ainda segurava
a bola de fogo ...

Um instante depois, as mos estavam em chamas tambm, e seus gritos abafados todos os
outros rudos no estdio. A multido em torno do show de incndio deve entrado em choque,
porque ningum fez um movimento em direo a ela. Mesmo  distncia, Will podia ver as
chamas consumindo-a como um ciclone.

Instintivamente, ele correu pra fora da quadra, correndo pela areia em direo ao cais.
Sentindo os ps deslizam, ergueu os joelhos para aumentar sua velocidade, os gritos de
Blaze estavam no ar.

Ele correu no meio da multido, ziguezagueando de uma abertura para a prxima e
rapidamente atingindo os passos, ele levou trs de cada vez, agarrar-se uma das pilastras
que ele no iria mais devagar, ento chicoteado em torno, logo que ele atingiu o cais.

Ele enfiou no meio da multido, incapaz de ver Blaze at chegou  clareira. At ento, um
homem estava agachado ao lado dela se contorcendo, gritando, no havia nenhum sinal de
Marcus ou Teddy ou Lance ...
Will parou olhando para a camisa Blaze, derretidas em sua pele, crua e empolada. Ela
estava chorando e gritando incoerentemente agora, ainda ningum ao seu redor parecia ter
a menor idia do que fazer a seguir.

Will sabia que tinha que fazer alguma coisa. Uma ambulncia levaria pelo menos quinze
minutos para atravessar a ponte e ao longo da praia, mesmo sem a enorme multido.
Quando Blaze gritou em agonia, mais uma vez, ele inclinou-se e recolheu-a delicadamente
em seus braos. Seu caminho estava por perto, ele tinha sido um dos primeiros a chegar
na parte da manh, e comeou a carreg-la nesse sentido. Atordoados com o que acabaram
de testemunhar, ningum tentou impedi-lo.

Blaze foi desaparecendo dentro e fora da conscincia, e ele andou to rpido quanto pde,
cuidando para no abalar seu corpo desnecessariamente. Ronnie veio correndo na direo
para onde estava carregando Blaze, ele no tinha idia de como ela foi capaz de descer da
arquibancada e alcan-lo to rpido, mas ficou aliviado ao v-la.

"As chaves esto no pneu traseiro!", Gritou ele. "Ns precisamos estica-la no banco de trs
e enquanto estou dirigindo, ligue para o pronto-socorro e diga-lhes que estamos a caminho
para que eles possam esperar por ns!"

Ronnie correu em frente ao caminho e foi capaz de conseguir abrir a porta antes de Will
chegar. No foi fcil a manobra de Blaze no banco, mas eles conseguiram isso, e em
seguida saltou atrs do volante. Indo para fora, ele dirigiu para o hospital, j certo de que ele
estava violando algumas dezenas de leis de trfego ao longo do caminho.

A sala de emergncia do hospital estava lotada. Will estava sentado perto da porta, olhando
fixamente para fora na noite escura. Ronnie sentou ao lado dele. Seus pais, junto com
Megan e Daniel, vieram brevemente, mas j tinham ido horas antes.

Nas ltimas quatro horas, Will contou a histria vrias vezes para inmeras pessoas
diferentes, incluindo a me de Blaze, que estava na parte de trs com ela agora. Quando ela
correu para a sala de espera, Will tinha visto claramente o medo escrito em seu rosto antes
de uma das enfermeiras a levaram para longe.

Alm de escutar que ela tinha feito uma cirurgia s pressas, Will no tinha ouvido nada. A
noite estendeu  frente deles, mas no podia se imaginar saindo. Suas memrias mantidas
levaram-no de volta  forma como ela estava quando eles se sentaram lado a lado na
terceira srie e, em seguida, avanar para a imagem da criatura devastada que tinha tido em
seus braos, mais cedo naquele dia. Era um estranho agora, mas ela tinha sido uma amiga
uma vez, e isso foi suficiente para ele.

Ele questionou se a polcia iria voltar. Eles chegaram com seus pais, e ele disse-lhes o que
sabia, mas tinha sido mais interessados no porqu ele tinha trazido Blaze para o hospital,
em vez de permitir que os paramdicos o fazer. Ser que tinha sido verdadeiro, ele no se
lembrava que estavam no local, e ele podia ver que ela precisava ir ao hospital
imediatamente, e, felizmente, eles tinham entendido isso. Ele pensou que tinha visto at
mesmo oficial Johnson cabeceamento ligeiramente e Will tinha a sensao de que na
mesma situao, oficial Johnson teria feito a mesma coisa.

Toda vez que a porta para alm da estao das enfermeiras abria, Will procurava por um
dos enfermeiros que tinham ido l para receber Blaze. No carro, Ronnie, de algum modo foi
capaz de chegar at o hospital, e uma equipe de trauma estava esperando, dentro de um
minuto, Blaze estava em uma maca e sendo levado embora. Levou quase dez minutos antes
de ele ou Ronnie conseguissem pensar em nada para dizer uns aos outros. Em vez disso,
ficou imvel, de mos dadas, tremendo com a lembrana de Blaze gritando no caminho.

A porta do hospital abriu novamente, e Will reconheceu Blaze me enquanto ela caminhava
na direo deles.

Ambos levantaram. Quando ela estava perto, Will podia ver as linhas de tenso ao redor da
boca. "Uma das enfermeiras disse-me que ainda estavam aqui. Eu quis descer para
agradecer pelo que voc fez. "Sua voz falhou, e Will engoliu, percebendo sua garganta tinha
ido seco.

"Ser que ela vai ficar bem?", Ele conseguiu coaxar fora.

"Eu no sei ainda. Ela ainda est em cirurgia. "Me Blaze incidiu sobre Ronnie. "Estou
Conway Margaret. Eu no sei se Galadriel nunca falou de mim. "

" Eu sinto muito, Sra. Conway. "Ronnie gentilmente estendeu a mo para tocar-lhe o brao.

A mulher cheirou, tentando e no conseguindo ficar composto. "Estou, tambm," ela
comeou. Sua voz se tornou mais spera que ela passou. "Eu lhe disse cem vezes para ficar
longe de Marcus, mas ela no ouvia, e agora a minha menina..."

Ela rompeu, incapaz de conter os soluos. Ele viu, paralisado, como Ronnie avanou para
abra-la, ambas chorando nos braos uma da outra.

Quando Will dirigiu pelas ruas de Wrightsville Beach, tudo se destacava em foco brilhante.
Ele estava dirigindo rpido, mas sabia que ele poderia dirigir ainda mais rpido. Num relance
frao de segundo, ele foi capaz de perceber detalhes que normalmente teria escapado: o
halo suave neblina ao redor do revrbero, virou um lixo no beco ao lado do Burger King, o
dente pequeno perto da placa de um creme Nissan Sentra.

Ao lado dele, Ronnie estava observando ansiosamente, mas no tinha dito nada. Ela no
tinha perguntado onde estavam indo, mas ela no precisa. Assim como a me Blaze havia
deixado a sala de espera, Will tinha ficado sem dizer uma palavra e perseguido furiosamente
de volta para o caminho. Ronnie tinha seguido e entrou no banco do passageiro.

 frente, o semforo ficou amarela, mas ao invs de diminuir o carro, ele continuou dirigindo.
O motor do caminho em alta rotao, em direo Bower 's Point.

Ele sabia que o caminho mais rpido e facilmente navegado as voltas, deixando a rea de
negcios, o caminho rugiu ltimos casas  beira-mar calmo. O cais estava prximo e, em
seguida casa de Ronnie, ele no diminuiu. Em vez disso, ele empurrou o carro para os
limites de segurana.

Prximo a ele, Ronnie foi segurando o punho como ele fez a ltima curva em um parque de
estacionamento do cascalho quase escondido pelas rvores. O caminho derrapou em uma
parada no saibro como Ronnie finalmente encontrado a coragem de falar.
"Por favor, no faa isso."

Ele a ouviu e sabia o que ela queria dizer, mas ele pulou para fora do caminho de qualquer
forma. Bower Point 's no foi longe. Acessados apenas pela praia, ele estava ao virar da
esquina, um casal de cem metros aps o stand vigiada.

Ele quebrou em uma corrida. Ele sabia que Marcus estaria aqui, ele sentiu. Ele comeou a
correr de forma plana, flashes de imagens em sua mente: o fogo na igreja, a noite no
carnaval, a forma como ele agarrou pelos braos Ronnie ... e Blaze, em chamas.

Marcus no tinha tentado ajud-la. Ele havia fugido quando ela precisava dele, quando ela
poderia ter morrido.

Ser que no se importava o que poderia acontecer com ele. Ele no se importava com o
que poderia acontecer com Scott. Ele foi alm do que agora. Desta vez, Marcus tinha ido
longe demais. Quando ele virou a esquina, ele viu-os  distncia, sentados em pedaos de
madeira flutuante em torno de uma fogueira pequena.

Fogo. Bolas de fogo. Blaze ...

Ele acelerou, roubando-se para o que estava por vir. Ele aproximou o suficiente para fazer
as garrafas de cerveja vazias espalharem ao redor do fogo, mas ele sabia que a escurido
impediu de v-lo.

Marcus estava levantando uma garrafa de cerveja aos lbios quando Will abaixou o ombro e
bateu nele pelas costas, logo abaixo de seu pescoo. Sentiu Marcus vacilar, sob o impacto,
o som de s um suspiro doloroso quando Will o levou para a frente na areia.

Will sabia que tinha de mover-se rapidamente, a fim de alcanar Teddy antes que ele ou seu
irmo conseguissem reagir. A viso de Marcus de repente ser conduzido para o cho
parecia paralis-los, embora, e depois dirigiu Will um joelho nas costas de Marcus, ele
rosnou para Teddy, as pernas movendo-se como pistes, dirigindo-o para trs ao longo dos
troncos. Ele aterrizou em cima de Teddy, mas ao invs de usar seus punhos, ele recuou e
bateu a testa para baixo no nariz Teddy.

Sentiu que o nariz foi achatado sob o impacto. Will levantou-se rapidamente, ignorando a
viso de Teddy rolando no cho, mos no rosto e sangue jorrando entre seus dedos, seus
gritos abafados parcialmente pelo som dos engasgos dele.

Lance j estava em movimento de carga quando Will deu um passo grande para trs,
mantendo a distncia. Lance estava quase sobre ele e indo baixo quando de repente levou o
seu joelho para cima, sentiu quando bateu o joelho no de Lance. Lance de cabea para trs
e chicoteado, ele estava inconsciente antes que ele caiu no cho.

Dois para baixo, um para ir.

At ento, Marcus ficou surpreendentemente sobre os ps. Ele pegou um pedao de
madeira e se afastou quando Will avanou. Mas a ltima coisa que queria Will era que
Marcus podesse posicionar os ps antes de balanar. Marcus balanou a madeira, mas a
batida do lado foi fraca antes de esmagamento no peito de Marcus. Ele passou os braos
em torno dele, prendendo-os e levantando, utilizando a dinmica de conduo Marcus de
volta. Era uma imagem perfeita do combate, e Marcus foi batido nas costas dele.

Ele trouxe seu peso total em cima de Marcus, e como ele tinha feito com Teddy, deu a
Marcus uma cabeada to dura como pde.

Sentiu a triturao dos ossos, mas desta vez ele no parou por a. Em vez disso, ele
despedaou Marcus com seu punho. Ele bateu-lhe novamente e novamente, cedendo 
raiva, desencadeando sua fria na impotncia que sentira desde o incndio. Ele bateu
Marcus na orelha, em seguida, bateu no seu ouvido novamente. Os gritos de Marcus s o
enfureceram ainda mais. Ele balanou novamente, desta vez apontando para o nariz que ele
j tinha quebrado, quando de repente sentiu algum agarrar seu brao.

Ele virou-se, pronto para Teddy, mas era Ronnie segurando seu brao, com uma expresso
de pavor no rosto. "Pare! Ele no vale a pena ir para a priso! ", Ela gritou. "No estrague
sua vida por ele!"

Ele mal ouviu ela falar, mas ele registrou sua mo puxando quando ela comeou a tentar
retir-lo.

"Por favor, Will," ela disse, com voz trmula. "Voc no gosta dele. Voc tem um futuro. No
jogue tudo fora. "

Quando ela gradualmente afrouxou seu aperto, ele sentiu o dreno de sua energia. Ele se
esforou para ficar de p, mas a falta da adrenalina estava deixando-o frgil e
desequilibrado. Ronnie deslizou um brao ao redor de sua cintura, e lentamente comeou a
caminhar de volta para o caminho.

Na manh seguinte, ele foi trabalhar com a mo doendo, s para descobrir Scott esperando
por ele no vestirio pequeno. Como Scott puxou seu macaco, ele olhou para Will antes de
encolher a uma pea sobre os ombros.

"Voc no tem que parar o jogo", disse ele, puxando para cima o zper. "Os paramdicos
estavam l o tempo todo."

"Eu sei", disse Will. "Eu no estava pensando. Eu tinha visto eles antes, mas eu esqueci.
Sinto muito por ter de desistir do jogo. "

"Sim, bem, eu tambm", Scott agarrou. Ele pegou um pano e enfiou-o em seu cinto.
"Poderamos ter vencido tudo, mas voc tinha que apressar-se para jogar heri."

Scott, o homem, ela precisava de ajuda "

"Yeah? E por que  que tem que ser voc? Por que voc no pode esperar por ajuda? Por
que voc no liguou para o 911? Por que voc tem que puxar-lhe a palavra em seu
caminho? "

Eu te disse, eu esqueci os paramdicos estavam l. Eu pensei que iria demorar muito para
que uma ambulncia chegar ... "

Scott bateu com o punho contra o armrio. "Mas voc no gosta dela mesmo!", Gritou ele.
"Voc nem sabe mais dela! Sim, se fosse Ashley e Cassie ou mesmo Ronnie, eu poderia
entender. Inferno, se fosse um estranho, eu poderia entender. Mas Blaze? Chama? A
mesma garota que vai enviar a sua namorada para a cadeia? A garota que sai com
Marcus?" Scott deu um passo em direo a ele. "Voc acha que por um segundo, ela teria
feito o mesmo por voc? Se voc foi ferido e precisava de ajuda? No  um acaso!

" apenas um jogo:" Ele se ops, sentindo sua prpria raiva comeando a chegar a
superfcie.

"Para voc!" Scott gritou. "Para voc  um jogo! Mas para voc, tudo  um jogo! Voc no
tem isso? Porque nada importa para voc! Voc no precisa de ganhar coisas como essa,
porque mesmo se voc perde, voc ainda receber a vida entregue a voc numa bandeja de
prata! Mas eu precisava disso!  o meu futuro na linha, homem! "

"Sim, bem, era a vida de uma garota na linha," Will disse com a mos amarradas para trs.
"E se voc pudesse parar de ser to egocntrico, por uma vez, voc ver que a vida de
algum  mais importante do que sua bolsa de vlei precioso!"

Scott balanou a cabea em desgosto. "Voc  meu amigo h muito tempo ... mas voc
sabe, sempre foi em seus termos. Tudo tem sido sempre o que voc quer. Voc quer romper
com Ashley, voc quer sair com Ronnie, que pretende explodir a prtica durante semanas a
fio, voc quer brincar de heri. Bem, voc sabe o qu? Voc estava errado. Eu conversei
com os paramdicos. Eles me disseram que voc estava errado. Que, ao puxar ela para o
carro do jeito que voc fez, voc poderia ter feito coisas piores. E que voc conseguiu? Ela
te agradecer? No, claro que ela no fez. E ela no vai. Mas voc est perfeitamente
disposto a por um amigo sobre o parafuso porque o que voc quer fazer  mais importante. "

As palavras de Scott foram como golpes para seu estmago, mas eles s alimentou a raiva.

"Supere-se, Scott," Will disse. "Desta vez, no  tudo sobre voc."

"Voc devia me!" Scott gritou, batendo o armrio novamente. "Eu pedi uma coisa simples!
Voc sabe o quanto isso significou para mim! "

"Eu no devo nada a voc," Will disse com fria silenciosa. "Eu estive cobrindo para voc
durante os ltimos oito meses. Estou cansado de Marcus jogar conosco. Voc precisa fazer
a coisa certa. Voc precisa dizer a verdade. As coisas mudaram ".

Will virou-se e caminhou at a porta. Como ele empurrou, ele ouviu Scott por trs dele. "O
que voc fez?"

Will virou-se, segurando a porta semi-aberta e encontro o olhar de Scott com a inteno de
ao. "Como eu disse,  preciso dizer a verdade."

Ele esperou at Scott absorveu as palavras dele, em seguida, saiu, deixando a porta se
fechar atrs dele. Como ele fez o seu caminho no passado, os carros elevadores, ele podia
ouvir Scott chamando por ele.

"Voc quer arruinar a minha vida? Voc quer que eu v para a priso por um acidente? Eu
no vou fazer isso! " Mesmo quando ele se aproximava da entrada, ele ainda podia ouvir
Scott batendo a mo na Guarda.
Captulo 29  Ronnie



A semana que seguiu foi tensa para ambos. Ronnie no estava confortvel com a violncia
que ela tinha visto Will usar, nem estava totalmente confortvel com a maneira que a fez
sentir. Ela no gostava de brigas, no gostava de ver pessoas se machucando, e ela sabia
que isso dificilmente ia melhorar a situao. Sim, ela poderia forar a si mesma a ficar brava
com Will pelo que ele tinha feito. Por mais que no quisesse condenar o que tinha
acontecido, ver Will desmontar trs deles fez com que ela se sentisse mais segura com ele.

Mas Will estava estressado. Ele tinha certeza que Marcus ia reportar o que tinha acontecido
e que a polcia viria bater em sua porta a qualquer minuto, mas Ronnie sentia que tinha mais
alguma coisa chateando-o, algo que ele no estava contando. Por alguma razo ele e Scott
no estavam se falando, e ela se perguntava se isso tinha algo a ver com o mal-estar de
Will.

E ento,  claro, havia a famlia. Particularmente, a me de Will. Ronnie tinha visto-a duas
vezes aps o casamento: uma quando ela estava esperando na caminhonete do lado de
fora da casa de Will enquanto ele ia la dentro pegar uma camisa limpa, e outra no
restaurante onde Will tinha levado-a. Quando eles tomaram seus lugares, Susan entrou com
um grupo de amigas. Ronnie tinha uma vista perfeita da entrada, mas Will estava olhando
em outra direo. Nas duas ocasies, Susan tinha, prontamente, virado as costas para
Ronnie.

Ela no havia contado a Will nenhuma das duas ocasies. Enquanto Will estivesse perdido
em seu mundo de castigos e preocupaes, Ronnie notou que Susan parecia acreditar que
ela era a pessoa responsvel pela tragdia que caiu sobre Blaze.

Do seu quarto, ela podia ver a figura adormecida de Will ao longe. Ele estava enrolado perto
do ninho das tartarugas; porque alguns dos ovos tinham comeado a rachar, eles tinham
retirado a gaiola esta tarde e o ninho estava completamente exposto. Nenhum dos dois
sentiu-se bem em deixar o ninho abandonado durante a noite, e porque ele estava passando
cada vez menos tempo em casa ultimamente, ele se voluntariou para para vigiar.

Ela no queria pensar nos problemas recm descobertos deles, mas ela encontrou-se
repassando em sua mente tudo que tinha acontecido nesse vero. Ela mal podia lembrar-se
daquela garota que ela era quando chegou  praia. E o vero no tinha acabado ainda, e em
alguns dias, ela completaria dezoito anos, e aps mais uma semana juntos, Will iria partir
para a faculdade. Sua prxima audincia na corte estava marcada para alguns dias aps a
partida de Will, e ai ela teria que voltar para Nova York. Tanto que ela j tinha feito, e tanto
que ela deixaria por fazer...

Ela sacudiu a cabea. Quem era ela? E de quem era a vida que ela estava levando? Mais
que isso, onde isso ia lev-la?

Esses dias, nada e tudo parecia real, mais real que qualquer coisa que ela tinha conhecido:
seu amor por Will, seu vnculo crescente com seu pai, a maneira com que o ritmo de sua
vida parecia estar diminuindo, to simples e completa. Tudo isso, as vezes, parecia estar
acontecendo com outra pessoa, algum que ela ainda estava conhecendo. Nunca em um
milho de anos ela consideraria a idia de que uma cidade pacata em algum lugar do Sul a
preencheria muito mais... do que a vida e o drama de Manhattan.

Sorrindo, ela teve que admitir que com algumas excees, no tinha sido tudo ruim. Ela
estava dormindo em um quarto com seu irmozinho, separada somente por um vidro do
rapaz que amava, um rapaz que a amava tambm. Ela questionou se havia algo mais
maravilhoso na vida. E apesar de tudo que tinha acontecido, talvez por causa disso, ela
nunca esqueceria o vero que eles passaram juntos, no importando o que o futuro
trouxesse.

Deitada na cama, ela comeou a adormecer. Seu ltimo pensamento consciente  que ainda
tinha mais pela frente. Embora a sensao de que poderia acontecer o pior, ela sabia que
isso no poderia ser possvel, no depois de tudo que eles tinham passado.


Porm, de manh, ela acordou sentindo-se ansiosa. Como sempre, ela estava agudamente
consciente de que mais um dia havia passado, significando um dia a menos com Will. Mas
enquanto ela estava deitada l, tentanto descobrir o motivo de seu mal-estar, ela percebeu
que no era s isso. Will estaria indo para a faculdade na prxima semana. At mesmo
Kayla estava indo para a faculdade. Ela ainda no tinha idia do que fazer. Sim, ela faria
dezoito anos, e sim, ela lidaria com o que a corte decidisse, mas ento o qu? Ela iria morar
com sua me para sempre? Ela deveria arrumar um emprego na Starburcks? Por um
momento ela visualizou uma imagem de si mesma segurando uma p e seguindo elefantes
em um zoolgico. Era a primeira vez que ela confrontava seu futuro to precisamente. Ela
sempre teve a crena de que tudo ficaria bem, independente do que ela decidisse. E ficaria,
ela sabia... por um tempo. Mas ela ainda gostaria de estar morando com sua me aos
dezenove anos? Ou aos vinte um? Ou, pelo amor de Deus, vinte e cinco?

E como, pelo amor de Deus, algum deveria ganhar o suficiente por conta prpria - e se dar
o luxo de viver em Manhattan - sem um diploma universitrio?

Ela no sabia. O que ela sabia com certeza  que ela no estava pronta para o fim do vero.

Ela no estava pronta para voltar para casa. Ela no estava pronta para pensar em Will
vagando pelas quadras verdes de Vanderbilt, caminhado ao lado de lderes de torcida. Ela
no queria pensar em nada disso.



"Est tudo bem? Voc est meio quieta", Will disse.

"Me desculpe", ela disse. " s que eu tenho muita coisa na cabea"

Eles estavam sentados no per, dividindo caf e bagels que eles tinham comprado no
caminho. Normalmente o per ficava lotado de gente pescando, mas essa manh eles
tinham o per somente para eles. Uma tima surpresa, considerando que ele tinha o dia de
folga.

"Voc j pensou no que quer fazer?"

"Qualquer coisa que no envolva elefantes e ps"
Ele equilibrou o bagel no copo de isopor. "Eu quero saber do que voc est falando?"

"Porvavelmente no", ela disse, sorrindo.

"Ok", ele acenou. "Mas eu estava falando do que voc quer fazer no seu aniversrio
amanh"

Ronnie franziu a testa. "No tem que ser nada especial"

"Mas voc vai fazer dezoito anos. Encare isso -  uma grande coisa. Voc ser legalmente
uma adulta"

timo, ela pensou. Outro lembrete de que o tempo dela estava correndo, e ela tinha que
descobrir o que fazer da vida. Will deve ter lido sua expresso porque ele estendeu a mo e
colocou em seu joelho.

"Eu disse algo errado?"

"No. Eu no sei. Eu estou me sentindo estranha hoje"

 distncia, vrios golfinhos nadavam alm do quebra-mar. A primeira vez que ela os tinha
visto, ela tinha ficado impressionada. Agora eles eram uma parte normal do cenrio, mas
ainda assim, ela sentiria falta deles quando ela estivesse de volta  Nova York, fazendo seja
o que for que ela fosse fazer. Ela provavelmente acabaria viciada em desenhos animadas
como Jonah e insistira em assisti-los de cabea para baixo.

"Que tal eu levar voc para jantar?"

No, risque isso. Ela provavelmente acabaria viciada em GameBoy. "Ok"

"Ou podemos ir danar"

Ou talvez Guitar Hero. Jonah gostava de jogar aquilo por horas. E Rick tambm, agora que
ela estava pensando sobre isso. Basicamente, todo mundo que no tinha uma vida era
viciado em algum jogo. "Parece legal"

"Ou que tal isso? Ns pintamos nossos rostos e tentamos invocar as antigas deusas Incas"

Viciada naqueles jogos para perdedores, ela provavelmente ainda estaria morando em casa
quando Jonah fosse para a faculdade, daqui a oito anos. "Qualquer coisa que voc achar
melhor"

O som da risada de Will foi o suficiente para trazer a ateno dela de volta a ele. "Voc disse
algo?"

"Seu aniversrio. Eu estava tentando descobrir o que voc quer para o seu aniversrio, mas
obviamente voc estava na Terra do Nunca. Eu vou partir na segunda, e quero fazer algo
especial para voc"
Ela pensou sobre isso antes de voltar-se para a casa, notando novamente como fora de
lugar ela parecia nesse pedao da praia. "Sabe o que eu realmente realmente queria?"

No aconteceu no dia de seu aniversrio, mas duas noites depois, 22 de agosto, uma sexta
feira, estava perto o suficiente. Os funcionrios do aqurio realmente levavam a srio toda a
coisa da cincia. Mais cedo naquela tarde, funcionrios e voluntrios comearam a preparar
a rea para que as tartarugas pudessem partir para gua em segurana.

Ela e Will ajudaram a alisar o caminho de areia que levava ate o mar; outros colocavam fitas
ao redor para manter a multido afastada. A maioria, pelo menos. Seu pai e Jonah tinham
sido autorizados a entrar na rea marcada, eles estavam de p, fora do caminho de quem
estava trabalhando.

Ronnie no tinha a mnima idia do que deveria fazer, alm de no deixar ningum se
aproximar do ninho. No era como se ela fosse uma expert, mas enquanto ela estivesse
vestindo a roupa de ovo de pscoa, as pessoas assumiam que ela sabia de tudo. Ela deve
ter respondido mil perguntas na ltima hora. Ela estava satisfeita por lembrar das coisas que
Will tinha contado a ela sobre as tartarugas e tambm estava aliviada por ter dado uma
olhada nos cartes que o pessoal do aqurio tinha distribudo. Tudo que as pessoas queriam
saber estava ali, no papel, mas era mais fcil perguntar a ela do que ler.

Mas isso tambm ajudou a passar o tempo. Eles j estavam l fora por horas, e por mais
que eles tivessem assegurado que ninho ia rachar a qualquer minuto, Ronnie no tinha essa
certeza. As tartarugas no se importavam se as crianas pequenas estavam ficando
cansadas, ou se algum tinha que levantar cedo para trabalhar no dia seguinte.

De alguma maneira, ela imaginou que s teria meia dzia de pessoas l, no centenas
amontoando-se ao longo da fita de segurana. Ela no estava certa se gostava disso; meio
que fazia a coisa toda parecer um circo.

Quando ela sentou-se na duna, Will veio at ela.

"O que voc acha?", ele perguntou, gesticulando em direo a cena.

"Ainda no tenho certeza. Nada aconteceu at agora"

"No vai demorar muito agora"

"Continuam me dizendo isso"

Will sentou-se ao lado dela. "Voc precisa aprender a ser paciente, jovem gafanhoto"

"Eu sou paciente. Eu s quero que elas saim do ovo logo"

Ele riu. "Engano meu"

"Voc no deveria estar trabalhando?"

"Eu sou s um voluntrio.  voc que atualmente  uma funcionria do aqurio"
", mas eu no estou sendo paga pelo meu tempo, e tecnicamente, j que voc  um
voluntrio, eu acho que voc deveria cuidar da fita de segurana"

"Deiixe-me adivinhar: metade das pessoas esto perguntando o que est acontecendo, e a
outra metade est questionando coisas que so respondidas nos cartes que eles tm nas
mos"

"Basicamente"

"E voc est cansada disso?"

"Vamos dizer que isso no  to divertido como o jantar da outra noite"

Ele tinha levado-a para jantar em um pequeno restaurante italiano em seu aniversrio, e
tambm tinha dado a ela um colar de prata, com um pingente em forma de tartaruga, que ela
tinha amado e vinha usando desde ento.

"Como voc sabe que j est quase na hora?"

Ele apontou para o aqurio e para um de seus bilogos. "Quando Elliot e Todd comeam a
ficar animados"

"Soa bastante cientfico"

"Oh, e . Acredito em mim"

"Posso me juntar a voc?"

Depois que Will saiu para recuperar algumas lanternas extras no caminho, seu pai foi at
ela.

"Voc no tem que perguntar, pai.  claro que pode"

"Eu no queria incomodar voc. Voc parece meio preocupada"

"Eu s estou esperando, como todo mundo", ela disse. Ela se moveu, abrindo espao para
que ele sentar-se ao lado dela. A multido tinha aumentado na ltima meia hora, e ela
estava feliz que seu pai estava do lado de dentro da fita de segurana; ele parecia to
cansado.

"Acredite ou no, enquanto eu crescia, nunca vi uma ninhada saindo do ovo"

"Porqu no?"

"No era uma grande coisa como  agora. As vezes eu tropeava em um ninho, e acho que
foi arrumado, mas eu nunca pensei muito sobre isso. O mais prximo que cheguei de ver um
'nascimento' de verdade era quando eu entrava nos ninhos dias depois de ter acontecido.
Via todos os ovos quebrados ao redor, mas era apenas parte da vida por aqui. Em todo o
caso, aposto que no era isso que voc esperava, hein? Todas essas pessoas por perto?"

"O que voc quer dizer?"
"Entre voc e Will, vocs vigiaram esse ninho todas as noites, mantendo-o salvo. E agora, a
parte mais excitante, vocs tem que dividir com todo mundo"

"Est tudo bem, eu no me importo"

"Nem um pouco?"

Ela sorriu. Era impressionante como seu pai tinha passado a conhec-la to bem. "Como
sua msica est indo?"

" um trabalho em andamento. Eu escrevi provavelmente um milho de variaes para ela,
mas nenhuma parece certo. Eu sei que  uma espcie de exerccio intil - se eu no
descobri ainda, eu provavelmente nunca irei descobrir - mas isso me d algo para fazer"

"Eu vi a janela esta manh. Est quase pronta"

Ele acenou. "Est quase l"

"Eles j descobriram quando vo instalar?"

"No", ele disse. "Ainda esto esperando pelo dinheiro para o resto da igreja. Eles no
querem coloc-la at que o lugar comece a ser usado. O pastor Harris est preocupado que
alguns vndalos possam quebr-la ou destru-la. O incndio o deixou mais cautelos a
respeito de tudo"

"Eu seria cautelosa, tambm"

Steve esticou suas pernas na areia, e em seguida, puxou-as de volta, estremecendo.

"Voc est bem?", ela perguntou

"Apenas tenho ficado sentado muito tempo nos ltimos dias. Jonah quer terminar a janela
antes de partir"

"Ele se divertiu nesse vero"

"Sim?"

"Ele me disse uma noite que no queria voltar para Nova York. Que queria ficar com voc"

"Ele um garoto doce.", ele disse. Ele hesitou antes de virar-se para ela. "Eu acho que a
prxima pergunta  se voc se divertiu nesse vero"

"Sim, eu me diverti"

"Por causa de Will?"

"Por causa de tudo", ela disse. "Estou feliz que passamos um tempo juntos"

"Eu tambm"
"Ento, quando ser sua prxima viagem  Nova York?"

"Oh, eu no sei"

Ela sorriu. "Muito ocupado eses dias?"

"No tanto", ele disse. "Mas voc quer saber de uma coisa?"

"O qu?"

"Eu acho que voc  uma garota incrvel. Eu quero que voc nunca esquea o quo
orgulhoso eu sou de voc"

"Porqu voc est dizendo isso?"

"No tenho certeza se venho te dizendo isso ultimamente"

Ela descansou sua cabeo no ombro dele. "Voc  legal tambm, pai"

"Hei", ele disse, movendo-se em direo ao ninho. "Acho que est comeando"

Eles foram para perto do ninho. Como Will havia predito, Elliot e Todd se deslocavam com
grande excitao enquanto um silncio caia sobre a multido.

Abriu um caminho, como Will havia descrito, s que as palavras no faziam justia ao que
estava acontecendo agora. Ela chegou to perto do ninho que podia ver tudo: o primeiro ovo
comeando a se abrir, seguido por outro e depois outro, os ovosv parecendo que se mexiam
por conta prpria at que a primeira tartaruga realmente surgiu, escalando os restos do ovo
para fora do ninho.

Ainda assim, o que se seguiu foi mais surpreendente: primeiro, um pequeno movimento,
ento algum movimento, depois muito movimento que se tornou impossvel para o olho
humano capturar tudo, enquanto cinco, e ento dez, e ento vinte e ento tantas tartarugas
que no dava para contar, juntas em grande frenesi de atividade.

Como uma colmia louca por esterides... *
*no entendi essa parte ;s

E ento l se foi a viso das pequenas, pr-histricas tartarugas, tentando escapar do
buraco; arranhando seu caminho para cima, e ento escorregando para baixo novamente,
rastejando um por cima do outro... At que um finalmente saiu, seguido por um segundo,
ento por um terceiro, todos movendo-se em direo ao caminho de areia, indo em direo
a luz que Todd segurava, enquanto esperava na arrebentao.

Um por um, Ronnie assistiu-os passando, pensando que eram to incrivelmentes pequenos
que sua sobrevivncia parecia quase inconcebvel. O ocenano iria simplesmente engoli-los,
faxendo-os desaparecerem, o que foi exatamente o que aconteceu quando chegaram na
gua e rolaram na arrebentao, balanando brevemente na superfcie, antes de
desaparecerem de vista.
Ela permaneceu ao lado de Will, apertando sua mo de leve, imensamente feliz de que eles
tinham passado todas aquelas noites ao lado do ninho, e ento ela tinha feito sua pequena
parte nesse milagre da nova vida. Era incrvel pensar que aps semanas de nada, tudo pelo
que ela tinha esperado tinha acabado em questo de minutos.

Enquanto ela ficava parada ao lado do garoto que amava, ela soube que nunca tinha
compartilhado nada to mgico com ningum.

Uma hora depois, revivendo o entusiasmo do acontecido, Ronnie e Will disseram boa noite
para o pessoal do aqurio e se dirgiram em direo ao seus carros. Alm da trincheira, todas
as provas do que tinha acontecido tinham sumido. Mesmo as cascas dos ovos no estavam
 vista; Todd reuniu todas porque queria estudar a espessura e testar para a possvel
presena de produtos qumicos.

Enquanto andava ao lado dele, Will jogou seus braos ao redor dela. "Eu espero que tenha
sido tudo que voc imaginava"

"Foi ainda melhor", ela disse. "Mas au ainda estou pensando nas tartarugas bebs"

"Elas vo ficar bem"

"Nem todas"

"No", ele admitiu. "Nem todas. Quando eles so pequenos, as probabilidades esto contra
eles"

Eles andaram alguns passos em silncio. "Isso me deixa triste"

" o crculo da vida, certo?"

"Eu no preciso da filosofio do Rei Leo nesse momento", ela resmungou. "Eu preciso que
voc minta para mim"

"Oh", ele disse calmamente. "Nesse caso... Todos eles vo conseguir. Todos os cinquenta e
seis. Eles vo crescer, e acharem um companheiro, e vo fazer pequenos bebs e
eventualmente vo morrer de velhice, depois de viverem uma vida mais plena que a maioria
das tartarugas,  claro"

"Voc realmente acha isso?"

"Claro", ele disse, confidencialmente. "So os nossos bebs. Eles so especiais"

Ela ainda estava rindo quando ela viu seu pai sair na varanda de trs com Jonah.

"Ok, depois de todo esse entusiamos ridculo", Jonah comeou. "e de assistir a coisa toda do
comeo ao fim, eu s tenho uma coisa a dizer."

"E o que seria?", Will perguntou.

Jonah sorriu abertamente. "Aquilo. Foi. To. Legal"
Ronni riu, lembrando-se. Para a expresso de perplexidade de Will, ela apenas deu de
ombros. "Piada particular", ela disse, e nesse momento, seu pai tossiu.

Era uma tosse forte, molhada., parecendo... doente... mas tal como tinha acontecido na
igreja, no parou com uma tosse. Ele tossiu repetidas vezes, um som violento seguido por
outro. Ela viu quando seu pai agarrou-se no ferro para manter o equilbrio; ela pde assistir
Jonah franzir a testa com preocupao e medo, e at Will estava congelado em seu lugar.
Ela viu o pai tentar ficar reto, arqueando as costas, lutando para controlar o acesso. Ele
levou as maos a boca e tossiu mais uma vez, e quando finalmene respirou irregularmente,
soou como se estivesse respirando atravs da gua.

Ele engasgou novamente, e em seguida, abaixou as mos. Pelo que parecia ser o segundo
mais longo de sua vida, Ronnie estava congelada em seu lugar, de repente mais assustada
do que jamais tinha estado. O rosto de seu pai estava coberto de sangue.
Captulo 30  Steve



Ele havia recebido sua sentena de morte em fevereiro, enquanto estava sentado no
consultrio mdico, apenas uma hora depois de dar sua ltima aula de piano.
Ele tinha comeado a enisnar novamente quando ele se mudou de novo para Wrightsville
Beach, depois de fracassar como um pianista de concertos. Pastor Harris, sem consult-lo,
levou um estudante promissor para a casa, alguns dias depois de Steve se mudar, e
pedindo para que Steve fizesse um favor a ele.

Era como se o Pastor Harris percebesse que ao retornar para casa, Steve estava
transmitindo o fato de que estava perdido e sozinho, e que a nica maneira de ajud-lo fora
trazendo um senso de propsito de volta para sua vida.

O estudante era Chan Lee. Ambos seus pais ensinavam msica na UNC Wilmington, e aos
dezessete anos, ela tinha uma tcnica fantstica, mas de alguma maneira, no conseguia
fazer sua prpria msica. Ela era sria e comprometida e Steve aceitou-a imediatamente.
Ela ouviu com interesse e trabalhou duro para incorporar as sugestes dele. Ele levou suas
aulas  frente, e para o Natal, deu-lhe um livro sobre a construo de pianos clssicos, algo
que ele achou que ela iria gostar. Mas apesar da alegria que sentiu por ensinar de novo,
encontrou-se ficando muito cansado. As aulas estavam esgotando-o ao invs de dar
energia. Pela primeira vez em sua vida, ele estava tirando sonecas regulares.

Com o passar do tempo, ele comeou a tirar longas sonecas, de duas horas por vez, e
quando acordava, sentia muitas dores no estmago. Certa noite, ao cozinhar chilli para o
jantar e de repente, sentiu uma dor aguda e lacinante, e dobrou-se sobre a panela, batendo-
a no fogo, espalhando tomate, feijo e carne por todo o cho da cozinha. Enquanto ele
tentava recuperar o flego, ele soube que algo estava seriamente errado.

Ele marcou uma consulta com o mdico, e ento voltou ao hospital para tirar raio-x e fazer
exames. Depois, enquanto assistia os frascos sendo cheios com o sangue necessrio para
os testes recomendados, ele pensou em seu pai e no cncer que finalmente o tinha matado.
E de repente, sabia o que o mdico diria.

Na terceira visita ao mdico, ele descobriu que estava certo.

"Voc tem cncer no estmogo", o mdico disse. Ele respirou fundo. "E pelos exames, a
metstase atingiu o seus pncreas e pulmes". Sua voz era neutra, no deixava de ser
bondosa. "Tenho certeza que voc tem muitas perguntas, mas deixe-me comear dizendo
que isso no  bom"

O oncologista foi compassimo mesmo que estivesse dizendo a Steve que no havia nada a
ser feito. Steve sabia disso, assim como sabia que o mdico queria que ele fizesse algumas
perguntas especficas, na esperana de falar algo que poderia fazer as coisas mais fceis.
Quando seu pai estava morrendo, Steve tinha feito suas pesquisas. Ele sabia o que
siginificava metstase, ele sabia o que significava ter cncer, no apenas em seu estmago,
mas tambm em seu pncreas. Ele sabia que as chances de sobreviver eram prximas a
zero, e ao invs de pedir qualquer coisa, ele virou-se para a  janela. Na borda, um pombo
estava parado prximo ao vidro, ignorante  tudo que acontecia l dentro. Me disseram que
estou morrendo, ele pensou, enquanto encarava-o, e o mdico quer que eu fale sobre isso.
Mas no h nada a dizer, no ? Ele esperou que o pombo fizesse algum som em
concordncia, mas  claro, no houve nenhuma resposta do pssaro.

Estou morrendo, ele pensou novamente.

Steve lembrou-se de ter juntado as mos, impressionado que elas no estivesse tremendo.
Se em algum momento elas deveriam tremer, o momento deveria ser aquele, ele pensou.
Mas elas estavam constantes, assim como na cozinha.

"Quanto tempo eu tenho?"

O doutor pareceu aliviado que o silncio tinha sido quebrado. "Antes de irmos por a, eu
queria falar sobre suas opes"

"No h opes", Steve disse. "Ns dois sabemos disso"

Se o mdico ficou surpreso com sua resposta, ele no demonstrou. "Sempre h opes", ele
disse.

"Mas nenhuma delas podem me curar. Voc est falando de qualidade de vida"

O mdico sentou-se com sua prancheta. "Sim", ele disse.

"Como ns podemos discutir qualidade se eu no sei quanto tempo me resta? Se eu tenho
somente alguns dias, isso pode significar que eu tenho que comear a fazer algumas
ligaes"

"Voc tem mais que alguns dias"

"Semanas?"

"Sim,  claro..."

"Meses?"

O mdico hesitou. Ele deve ter visto algo no rosto de Steve que mostrava que ele
continuaria pressionando at saber a verdade. Ele limpo a garganta. "Eu tenho feito isso h
bastante tempo, e eu aprendi que predies no significam muito. Muito se encontra fora da
esfera do conhecimento mdico. Muito do que acontece em seguida vem da sua gentica
especfica, sua atitude. No, no h nada que podemos fazer para evitar o inevitvel, mas
esse no  o ponto. O ponto  que voc deve aproveitar ao mximo o tempo que lhe resta"

Steve estudou o mdico, percebendo que sua pergunta no havia sido respondida.

"Eu tenho um ano?"

Dessa vez, o mdico no respondeu, e ele se afastou. Saindo do escritrio, Steve respirou
profundamente, armado com o conhecimento de que tinha menos de doze meses de vida.

A realidade bateu-lhe mais tarde, enquanto ele estava em p, na praia.
Ele tinha cncer avanado, e no havia nenhuma cura conhecida. Ele estaria morto dentro
de um ano.

Em seu caminho para fora do consultrio, o mdico havia lhe dado algumas informaes.
Pequenos panfletos, e uma lista de sites que poderiam ser teis para um relatrio e nada
mais. Steve jogou-os no lixo a caminho do carro. Enquanto estava sob o sol de inverno na
praia deserta, ele colocou as mos em seu casaco, olhando para o cais. Embora sua viso
j no fosse mais como antes, ele podia ver pessoas que se deslocavam, ou pescando, ou
passeando, e ficou maravilhado com a normalidade. Era como se nada de extraordinrio
tivesse acontecido.

Ele ia morrer, e mais cedo que deveria. Com isso, ele percebeu que muitas das coisas com
as quais ele tinha perdido tempo se preocupando, no importavam. Seu plano para alcanar
o peso ideal? No era mais preciso. Uma maneira de ganhar a vida aos cinquenta anos?
No importava. Seu desejo de conhecer algum e se apaixonar? No seria justo com ela, e
para ser franco, aquele desejo tinha terminado com o diagnstico.

Estava acabado, ele repetia para si. Em menos de um ano, ele estaria morto. Sim, ele sabia
que algo estava errado, e talvez ele estivesse esperando a resposta que recebeu do mdico.
Mas a lembrana do mdico falando as palavras realmente comearam a correr em sua
mente, como um registro  moda antiga. Na praia, ele comeou a tremer. Ele estava com
medo, e estava sozinho. De cabea baixa, ele colocou o rosto nas mos, e perguntou-se o
que tinha acontecido com ele.

No dia seguinte, ele ligou para Chan e explicou que no poderia continuar lhe ensinado
piano. Em seguida, ele encontrou-se com o pastor Harris para dar-lhe a notcia. Naquela
poca, o pastor ainda estava se recuperando dos ferimentos que tinha sofrido com o
incndio, e apesar de saber que era egosta incomod-lo enquanto ele se recuperava, ele
no podia pensar em mais ningum para conversar. Ele o encontrou em casa, e enquanto
sentavam-se na varanda de trs, Steve explicou seu diagnstico. Ele tentou manter a
emoo longe de sua voz, mas no conseguiu, e no final, eles choraram juntos.
Depois, Steve caminhou na praia, pensando no que fazer com o pouco tempo que lhe
restava. O que, ele imaginou, era mais importante para ele?

Passando pela igreja - a essa altura, os reparos no haviam sido iniciados, mas as paredes
enegrecidas tinham sido demolidas e arrastadas - ele olhou para o buraco que tinha
abrigado o vitral, pensando no pastor Harris e nas inmeras manhs que ele tinha passado
sob os raios de sol que passavam pelo janela... Foi ento que ele soube que tinha que fazer
outra.

No dia seguinte, ele ligou para Kim. Quando ele contou a notcia, ela desmanchou ao
telefone, chorando. Steve sentiu um aperto no fundo da garganta, mas no chorou com ela,
e de alguma forma, ele sabia que no choraria pelo seu diagnstico nunca mais.

Mais tarde, ele ligou novamente para perguntar se as crianas podiam passar o vero com
ele. Embora a idia tenha amedontrado-a, ela consentiu. A seu pedido, ela concordou em
no contar a eles sobre sua condio. Seria uma vero cheio de mentiras, mas que escolha
ele tinha se quisesse conhec-los novamente?

Na primavera, enquanto as azalias floresciam, ele comeou a questionar mais a natureza
de Deus. Era inevitvel, ele sups, pensar sobre essas coisas em momentos como esses.
Ou Deus existe, ou no; ou ele passaria a eternidade no cu, ou no; De alguma forma, ele
encontrou conforto em tonar essas questo presente em sua mente. Ele finalmente chegou
a concluso que Deus era real, mas tambm queria sentir Sua presena nesse mundo, em
termos mortal. E com isso, ele comeou sua busca.

Foi o ltimo ano de sua vida. A chuva caiu quase constantemente, fazendo desta primavera
uma das mais molhadas. Ele comprou o vidro que precisava e comeou a trabalhar na
janela. Em Junho, seus filhos chegaram. Ele caminhou na praia e procurou por Deus, e de
alguma forma, ele percebeu que tinha sido capaz de reconstruir a ponte que o ligava  seus
filhos. Agora, em uma noite escura de Agosto, pequenos bebs-tartarugas estavam nadando
no oceano, e ele estava tossindo sangue. Era hora de parar de mentir; era hora de contar
toda a verdade.

Seus filhos estavam assustados, e ele sabia que eles estavam esperando que ele dissesse
ou fizesse algo para afastar o medo. Mas seu estmgo estava sendo perfurado por mil
agulhas que se torciam. Ele limpou o sangue do rosto usando as costas de sua mo e tentou
parecer calmo.

"Eu acho", ele disse, "que preciso ir ao hospital."
Captulo 31 - Ronnie

Seu pai estava ligado a um IV* em uma cama de hospital quando contou a ela. Ela
imediatamente comeou a balanar a cabea. No podia ser verdade.
*(O HC IV  a unidade de Cuidados Paliativos, responsvel pelo atendimento ativo e integral
aos pacientes portadores de cncer avanado)

"No", ela disse, "isso no est certo. Mdicos cometem erros"

"No dessa vez", ele disse, procurando pela mo dela. "E eu sinto muito que voc tenha
descoberto isso assim"

Will e Jonah estavam l embaixo, na cafeteria. Seu pai queria falar com cada filho,
separadamente, mas de repente, Ronnie no queria mais nada daquilo. Ela no queria que
sei pai falasse mais nada, nenhuma palavra.

Em sua mente passavam flashes de diferentes imagens: repentinamente, ela sabia o porqu
seu pai quis que ela e Jonah viessem passar as frias na Carolina do Norte. E ela entendeu
que sua me sabia da verdade o tempo todo. Com to pouco tempo restando, ele no tinha
vontade de discutir com ela. E seu trabalho incessante na janela agora fazia sentido. Ela
lembrou da tosse dele na igreja e das vezes que ele estremeceu de dor. Em retrospectiva,
todas as peas encaixaram-se. No entanto, tudo estava caindo aos pedaos.

Ele nunca a veria se casando; ele nunca seguraria um neto. O pensamento de viver o resto
de sua vida sem ele era quase demais para suportar. No era justo. Nada disso era justo.
Quando ela falou, ela parecia insegura. "Quando voc ia me contar?"

"Eu no sei"

"Antes de eu partir? Ou depois que eu j estivesse em Nova York?"

Quando ele no respondeu, ela pde sentir o sangue esquentando em suas bochechas. Ela
sabia que no deveria estar com raiva, mas no conseguia evitar. "O qu? Voc estava
planejando me contar por telefone? O que voc iria dizer? 'Oh, me desculpe no ter
mencionado enquanto estvamos juntos no vero passado, mas eu tenho cncer em estado
terminal. Como  isso para voc?'"

"Ronnie - "

"Se voc no ia me contar, porque me trouxe at aqui? Para que eu assistisse voc
morrendo?"

"No, querida. Muito pelo contrrio". Ele virou a cabea para encar-la. "Eu pedi para voc
vir para assiti-la viver"

Com essa resposta, ela sentiu algo se agitar em seu interior, como as primeiras pedras que
se soltam antes de uma avalanche. No corredor, ouviu duas enfermeiras passando, suas
vozes baixas.As luzes fluorescentes zumbiam acima de sua cabea, lanando uma nuvem
azulada nas paredes. O IV escorria constantemente - cenas normais em qualquer hospital,
mas no havia nada de normal nisso. Ela sentiu sua garganta to espessa e pegajosa como
cola, e ela se virou, desejando que as lgrimas no viessem.

"Eu sinto muito, querida", ele continuou. "Eu sei que deveria ter te contado, mas eu queria
ter um vero normal, e eu queria que voc tivesse um vero normal. Eu s queria conhecer
minha filha de novo. Voc pode me perdoar?"

Seu apelo a atingiu no mago, e ela sentiu um choro involuntrio. Seu pai estava morrendo,
e queria que ela o perdoasse. Havia algo to lamentvel naquilo, e ela no sabia como
responder. Enquanto esperava, ele estendeu sua mo e ela a pegou.

" claro que eu perdo voc", ela disse, e comeou a chorar. Ela se inclinou na direo dele,
descansado a cabea em seu peito, e percebeu o quo magro ele estava, mesmo sem ela
ter percebido antes. Ela podia sentir o contorno acentuado dos ossos em seu peito, e de
repente ela percebeu que vinha definanhando por meses. Isso quebrou seu corao, saber
que ela no estava prestando ateno; ela estava to presa em sua prpria vida que ela no
tinha notado.

Quando seu pai colocou seus braos ao redor dela, ela comeou a chorar mais, consciente
de que logo haveria um momento que esse simples ato de carinho no seria mais possvel.
Captulo 32  Will


Will no dormiu direito. Durante a noite, ele ouviu Ronnie se mexendo inquieta. Ele
reconheceu o choque que ela estava sentindo; ele se lembrava do entorpecimento e da
culpa, a incredulidade e a raiva depois que Mike tinha morrido. Os anos tinham amortecido a
intensidade de seus sentimentos, mas ele lembrava o desejo conflitante por companhia e a
necessidade de ficar sozinho.

Ele se sentiu triste por Ronnie e por Jonah, que era muito jovem para assimilar as coisas. E
por ele mesmo. Durante o vero, Steve tinha sido incrivelmente bom com ele, j que eles
tinham passado mais tempo na casa de Ronnie do que na dele. Ele gostava da maneira
tranquila que ele cozinhava, e da sensao de famlia que ele dividia com Jonah. Ele
frequentemente via os dois na praia, empinando pipa e brincando de pega-pega perto das
ondas, ou trabalhando no vitral com concentrao. Enquanto a maioria dos pais gostavam
de ver a si mesmo como o tipo de homem que reservava tempo para seu filho, Steve
realmente fazia isso. No pouco tempo em que ele esteve com ele, ele nunca viu Steve ficar
zangado, nunca ouviu ele alterar a voz. Ele sups que isso tinha algo a ver com o fato dele
saber que estava morrendo, mas Will achava que isso no explicava tudo. O pai de Ronnie
simplesmente era... um bom homem em paz com ele mesmo e com os outros; ele amava
seus filhos e de alguma maneira confiava que eles eram espertos o suficiente para tomarem
suas prprias decises.

Deitado no sof, ele refletiu que gostaria de ser o mesmo tipo de pai um dia. Apesar de amar
seu pai, nem sempre ele era o homem fcil que Ronnie tinha conhecido. Havia muitos
pedaos da vida de Will que ele mal lembrava de ver seu pai, enquanto ele trabalhava para
que seu trabalho crescesse. Acrescente a volatilidade de sua me e morte de Mike, que
deixou toda a famlia em depresso por alguns anos, e tiveram momentos em que ele
desejou ter nascido em outra famlia. Ele sabia que tinha sorte, e  verdade que as coisas
vinham melhorando bastante ultimamente. Mas crescer no tinha sido somente festas e
biscoitos, e ele lembrava de ter desejado uma vida diferente.

Mas esteve era um pai completamente diferente.

Ronnie contou a ele que Steve costumava ficar sentado com ela durante horas enquanto ela
aprendia a tocar piano, mas em todo o tempo que esteve na casa, Will nunca tinha ouvido
Steve falar sobre isso. Ele nunca mencionou, nem de passagem, e mesmo que o primeiro
pensamento de Will sobre isso tenha sido achar estranho, ele comeou a ver que era o
poder do amor dele por Ronnie. Ela no queria falar sobre isso, ento ele no falou, mesmo
que tenha sido a maior parte da vida deles juntos. Ele tinha at mesmo escondido o piano,
porque ela no queria ser lembrada de maneira nenhuma.

Que tipo de pessoa faz isso? Somente Steve, um homem que ele tinha aprendido a admirar,
um homem que havia ensinado a ele sem perceber, e o tipo de homem que Will esperava
ser quando fosse mais velho.

Ele acordou na manh seguinte com a luz do sol atravessando as janelas da sala, e ele se
espreguiou antes de levantar. Espiando o corredor, ele viu que a porta do quarto de Ronnie
estava aberta, e ele sabia que ela j estava acordada. Ele a encontrou na varanda, no
mesmo lugar de ontem. Ela no se virou.
"Bom dia", ele disse.

Seus ombros cederam quando ela virou-se para ele. "Bom dia", ela disse, oferecendo a ele a
sombra de um sorriso. Ela abriu seus braos, e ele se enrolou a ela, agradecido pelo abrao.
"Sinto muito pela noite passada", ela disse.

"No h motivos para se desculpar". Ele ajeitou o cabelo dela. "Voc no fez nada de
errado"

"Uhmm", ela disse. "Mas obrigada, de qualquer maneira"

"Eu no ouvi voc se levantar"

"Eu levantei h um tempo". Ela suspirou. "Eu liguei para o hospital e falei com meu pai.
Apesar de ele no ter falado muito, eu posso dizer que ele ainda est com muita dor. Ele
acha que podem mant-lo l por mais alguns dias, at que terminem todos os exames"
Em qualquer outra situao, ele teria assegurado a ela que tudo ficaria bem, que tudo daria
certo. Mas nesse caso, ambos sabiam que palavras no significavam nada. Ao invs disso,
ele se inclinou para frente, encostando sua testa na dela.

"Voc conseguiu dormir? Eu ouvi voc se mexendo durante a noite"

"No muito. Eu me aninhei com Jonah na cama, mas meu crebro no parava. Mas no
somente pelo que est acontecendo com meu pai". Ela pausou. "Foi por causa de voc
tambm. Voc vai partir em alguns dias"

"Eu j falei a voc que eu posso adiar. Se voc precisar que eu fique, eu vou..."

Ela balanou a cabea. "Eu no quero que voc fique. Voc est prestes a comear um
novo captulo da sua vida, e eu no posso tirar isso de voc"

"Mas eu no tenho que partir agora. As aulas no vo comear at - "

"Eu no quero que voc fique", ela disse de novo. Sua voz era suave, mas implacvel. "Voc
vai para a a faculdade, e isso no  problema seu. Eu sei que isso pode soar desegradvel,
mas no . Ele  meu pai, no seu, e isso nunca vai mudar. E eu no quero pensar no que
voc talvez possa perder, ou desistir, em funo do que est acontecendo em minha vida.
Voc entende isso?"

Suas palavras eram verdadeiras, mesmo que ele desejasse que ela estivesse errada.
Depois de um momento, ele tirou seu bracelete e deu a ela.

"Eu quero que voc fique com isso", ele sussurrou, e pela Expresso dela, ele podia dizer
que ela entendia o quanto a aceitao dela significava para ele.

Ela lanou um pequeno sorriso enquanto fechava sua mo ao redor do bracelete. Ele
pensou que ela estava prestes a dizer algo quando os dois ouviram a porta da oficina abrir.
Por um momento, Will achou que algum estava invadindo. Ento ele viu Jonah arrastando
desajeitadamente uma cadeira. Com um enorme esforo, ergue-a e jogou-a sobre a duna
prxima  oficina. Mesma a distncia, Will pde ver a fria na expresso de Jonah.

Ronnie j estava indo em direo a varanda.

"Jonah", ela gritou, comeando a correr.

Will correu atrs dela, quase colidindo com ela quando chegou  porta da oficina. Olhando o
que estava acontecendo, ele viu Jonah tentanto empurrar uma pesada caixa pelo cho. Ele
estava lutando fortemente, alheio  sbita apario deles.

"O que voc est fazendo?", Ronnie chorou. "Quando voc veio aqui para fora?"

Jonah continuou a empurrar a caixa, grunhindo com o esforo.

"Jonah", Ronnie gritou novamente.

Seu grito rompeu o foco de Jonah, e ele virou-se para sua irm e para Will, supreso com a
presena deles. "Eu no consigo alcanar", ele gritou com raiva, a beira das lgrimas. "Eu
no sou alto o suficiente"

"No consegue alcanar o qu?", ela perguntou antes de dar um passo a frente. "Voc est
sangrando!", ela disse, pnico crescendo em sua voz.

Will notou o jeans rasgado e o sangue na perna de Jonah enquanto Ronnie corria na direo
dele. Movido por seus prprios demnios, Jonah empurrou freneticamente a caixa, e a quina
da caixa bateu em uma das prateleiras. O metade-esquilo/metade-peixe fora derrubado, indo
na direo de Jonah no mesmo momento que Ronnie alcanava-o.

Seu rosto estava tenso e vermelho. "V embora! Eu posso fazer isso sozinho! Eu no
preciso de voc", ele gritou.

Ele tentou mover a caixa de novo, mas estava presa pela prateleira, presa no mesmo lugar.
Ronnie tentou ajud-lo, mas Jonah empurrou ela. Agora, Will podia ver as lgrimas
escorrendo nas bochechas dele.

"Eu disse para voc ir embora!", ele berrou com ela. "Papai quer que eu termine a janela!
Eu! No voc! Era isso que estvamos fazendo o vero inteiro!". As palavras dele saram em
soluos quebrados, raivosas e apavoradas. "Isso  o que ns fazamos! Tudo que voc se
importava eram as tartarugas! Mas eu estava aqui com ele todos os dias."

No que ele gritava junto com seu choro, sua voz se quebrou.

"E agora eu no consigo alcanar a parte do meio da janela. Eu sou muito pequeno! Mas eu
tenho que terminar isso, porque se eu terminar, talvez o papai fique melhor. Ele tem que
ficar melhor, ento eu tentei usar a cadeira para chegar l, mas quebrou e eu ca no vidro e
eu fiquei com raiva, ento tentei usar a caixa, mas  muito pesada - "

A essa altura, ele mal conseguia fazer as palavras sarem, e de repente, ele se balanou
para trs e caiu no cho. Enrolando seus braos ao redor dos joelhos e abaixando a cabea,
ele comeou a soluar, seus ombros sacudindo.
Ronnie sentou no cho ao lado dele. Ela envolveu os ombros dele com seus braos, e o
chegou mais para perto enquanto ele continuava a chorar. Enquanto Will assistia, ele podia
sentir um aperto na garganta, sabendo que no pertencia ali.

Ainda assim, ele ficou enquanto Ronnie segurava seu irmo, que chorava, no tentando
cal-lo, ou assegurar a ele que tudo iria ficar bem. Ela apenas seguro-o em silncio at que
seus soluos comearam a diminuir. Finalmente, ele olhou para cima, seus olhos vermelhos
atravs do culos, o rosto manchado de lgrimas.

Quando Ronnie falou, sua voz soava gentil - amvel como ele nunca tinha ouvido antes.
"Podemos ir em casa por alguns minutos? Eu s quero checar esse corte na sua perna"

A voz de Jonah ainda estava trmula. "E quanto a janela? Eu tenho que termin-la"

Ronnie encontrou o olhar de Will, e ento voltou seus olhos para Jonah. "Podemos ajudar?"

Jonah sacudiu a cabea. "Vocs no sabem como"

"Mostre-nos"

Aps limpar o corte de Jonah e colocar alguns band-aids, Jonah levou-os de volta  oficina.
A janela estava quase completa - todas as gravuras detalhadas na face estavam concludas,
e as barras de reforos j estavam no lugar. O trabalho que faltava consistia na adio de
centenas de peas que formariam o intricado brilho celeste.

Jonah mostrou a Will como cortar as tiras de chumbo e ensinou a Ronnie como soldar;
Jonah cortou o vidro, como ele vinha fazendo durante todo o vero, e colocou as tiras no
lugar antes de preparar Ronnie para soldar os pedaos no lugar.

Estava quente e a oficina estava cheia de coisas, mas eventualmente, os trs entraram em
um ritmo de trabalho. Na hora do almoo, Will saiu para pegar alguns hambrgures e uma
salada para Ronnie; eles fizeram uma rpida pausa enquanto comiam, mas logo voltaram ao
trabalho. Durante a tarde, Ronnie ligou para o hospital trs vezes, s para ouvir que seu pai
estava fazendo exames ou dormindo, mas indo bem. Quando anoiteceu, eles j tinham
terminado metade do trabalho; as mos de Jonah estavam ficando cansadas, e eles fizeram
um outro intervalo para comer antes de tirarem algumas lmpadas da sala e colocarem na
oficina, para aumentarem a claridade. A escurido caiu e Jonah estava bocejando l pelas
dez; quando eles entraram para descansar por alguns minutos, Jonah adormeceu quase
imediatamente. Will o levou para seu quarto e o colocou na cama. Quando ele voltou para a
sala, Ronnie j estava de volta  oficina.

Will assumiu o corte do vidro; ele tinha visto Jonah fazer durante todo o dia, e embora tenha
cometido alguns erros no incio, ele rapidamente pegou o jeito.

Eles trabalharam durante toda a madrugada, e quando comeou a clarear, os dois estavam
mortos de cansao. Em cima da mesa na frente deles, estava a janela terminada. Will no
tinha certeza sobre como Jonah se sentiria sabendo que no participou do acabamento final,
mas ele imaginou que Ronnie saberia lidar com isso.
"Vocs dois parecem que ficaram acordados a noite inteira", disse uma voz atrs deles.
Virando-se, Will viu o pastor Harris parado na porta.

Pastor Harris estava apoiado em sua bengala. Estava vestindo um terno - provavelmente
para seu servio na igreja, aos domingos - mas Willl notou as horrveis cicatrizes nas costas
de sua mo, e soube imediatamente que elas se extendiam por todo seu brao. Lembrando
do fogo na igreja e do segredo que ele guardou por todos esses meses, ele achou
impossvel encontrar os olhos do pastor.

"Ns estvamos terminando a janela", Ronnie disse, sua voz rouca.

Pastor Harris virou-se para a mesa. "Posso?"

Ronnie acenou. " claro"

O pasto entrou na oficina, movendo-se lentamente. Sua bengala batia levemente no cho de
madeira enquanto ele se aproximava. Na mesa, sua expresso mudou de curiosidade para
deslumbramento. Segurando na bengala, ele correu ao redor da mesa, passando sua me
pelo vidro.

" incrvel", ele suspirou. " mais bonito do que eu poderia imaginar"

"Meu pai e Jonah fizeram todo o trabalho", Ronnie disse. "Ns s ajudamos a terminar"

Ele sorriu. "Seu pai vai ficar muito contente"

"Como a igreja est indo? Eu sei que meu pai iria adorar ver a janela no lugar"

"A igreja no  mais to popular como j foi um dia, ento no h muitos membros. Mas eu
tenho f que tudo vai dar certo"

Pela expresso ansiosa dela, Will sabia que Ronnie estava imaginando se a janela estaria
no lugar a tempo ou no, mas estava com medo de perguntar.

"Seu pai est indo bem, de qualquer forma", pastor Harris disse. "Ele deve estar fora do
hospital em breve, e voc poder visit-lo esta manh. Voc no perdeu muita coisa ontem.
Eu passei a maior parte do dia sentando no quarto enquanto ele fazia exames"

"Obrigada por ter ficado com ele"

"No querida", ele disse. Seu olhar foi para a janela. "Eu que agradeo"

Fazia silncio na oficina enquanto o pastor Harris saia. Will assistiu-o ir embora, incapaz de
tirar da cabea a imagem das mos machucadas dele.

Em silncio, ele estudou a janela, preso no trabalho que foi necessrio para montar, uma
janela que no deveria ter que ser reposta. Ele pensou nas palavras do pastor, e na
possibilidade de que o pai de Ronnie talvez no estivesse vivo para ver a janela no lugar.
Ronnie estava perdida em seus prprios pensamentos quando ele virou-se para ela.
Ele sentiu algo em caindo dentro dele, como um castelo de cartas. "Tem algo que eu preciso
contar a voc"

Enquanto eles sentavam na duna, Will contou tudo a ela, desde o comeo. Quando ele
terminou, Ronnie parecia confusa.

"Voc est dizendo que Scott iniciou o incndio? E voc esteve protegendo a ele?". Sua voz
tinha um tom de descrena. "Voc vem mentindo por ele?"

Will sacudiu a cabea. "No  assim. Eu disse que foi um acidente"

"Isso no importa". Os olhos de Ronnie procuravam os dele. "Acidente ou no, ele precisa
arcar com as consequncias do que ele fez."

"Eu sei. Eu disse a ele para ir  polcia"

"Mas e se ele no foi? Voc vai continuar encobrindo ele para sempre? Voc vai permitir que
Marcus continue controlando sua vida? Isso  errado"

"Mas ele  meu amigo..."

Ronnie ficou de p. "Pastor Harris quase morreu no incndio! Ele passou semanas no
hospital. Voc sabe como queimaduras doem? Por qu voc no perguta a Blaze como ? E
a igreja... voc sabe que ele no pode nem reconstru-la... e agora meu pai nunca vai ver a
janela onde ela deve estar"

Will estava tentando ficar calmo. Ele podia ver que isso era muito para Ronnie - seu pai e
sua partida iminente, sua prxima apario na corte. "Eu sei que foi errado", ele disse
calmamente. "E eu me sinto culpado por isso. Eu no posso contar quantas vezes eu quis ir
 polcia."

"E da?", ela falou. "Isso no siginifica nada! Voc no ouviu quando eu falei sobre admitir o
que eu fiz ao tribunal? Porque eu sabia que o que eu tinha feito tinha sido errado! A verdade
s significa algo quando voc admite, entendeu? Aquela igreja era a vida do pastor Harris!
Era a vida do meu pai! Agora ela se foi e o seguro no vai cobrir o estrago e ele tm que
fazer seus servios em um armazm"

"Scott  meu amigo", ele protestou. "Eu no posso simplesmente... Entrega-lo aos lobos."

Ela piscou, imaginando se ele alguma vez tinha ouvido o que ele falava. "Como voc pode
ser to egosta?"

"Eu no estou sendo egosta - "

" exatamente o que voc , e se voc no pode entender isso, ento eu no quero falar
com voc!", ela disse. Ela se virou e comeou a andar de volta para a casa. "Apenas v
embora!"

"Ronnie", ele chamou, levantando-se para segui-l. Ela sentiu o movimento e virou para
encar-lo.
"Acabou, ok?"

"No acabou. Vamos, seja racional..."

"Racional? Voc quer que eu seja racional? Voc no esteve mentindo somente por Scott,
voc esteve mentindo para mim tambm! Voc sabia que meu pai estava fazendo a janela!
Voc esteve ao meu lado e voc nunca disse nada sobre isso!". As palavras dela pareceram
clarear algo em sua mente, e ela deu outro passo para trs. "Voc no  o que eu pensei
que fosse! Eu achei que voc fosse melhor que isso!"

Ele parecia incapaz de pensar em uma resposta, mas quando ele deu um passo a frente, ela
recuou.

"Vai embora! Voc est partindo mesmo, e ns nunca vamos nos ver de novo. Veres
sempre chegam a um fim. Ns podemos falar e fingir o quanto ns quisermos, mas ns no
podemos mudar isso, ento vamos terminar com isso aqui e agora. Eu no posso lidar com
isso agora, e eu no posso ficar com algum que eu no confio." Os olhos dela brilhavam
com lgrimas no derramadas. "Eu no confio em voc, Will. Voc precisa ir"

Ele no conseguia se mexer, no conseguia falar.

"V", ela gritou, e correu de volta para casa.

Essa noite, a ltima dele em Wrightsville Beach, Will sentou sozinho em seu quarto,
tentando encontrar um sentido em tudo que tinha acontecido. Ele olhou para cima quando
seu pai entrou.

"Voc est bem?", Tom perguntou. "Voc estava calado no jantar"

"Sim", Will respondeu. "Eu estou bem"

Seu pai sentou-se no sof, de frente para ele. "Est nervoso por partir amanh?"

Will sacudiu a cabea. "No"

"J fez as malas?"

Will acenou e sentiu seu pai estudando-o.

"O que est acontecendo? Voc sabe que pode falar comigo"

Will levou um tempo para responder, sentindo-se nervoso de repente. Finalmente, ele
encontrou os olhos de seu pai. "Se eu pedisse para voc fazer algo importante para mim,
algo grande, voc faria? Sem questionar?"

Tom recostou-se, ainda estudando seu filho, e no silncio, Will soube qual resposta ele teria.
Captulo 33  Ronnie



"Voc realmente terminou a janela?"

Ronnie observava seu pai enquanto ele falava com Jonah no quarto do hospital, pensando
que ele parecia melhor. Ele ainda parecia cansado, mas suas bochechas tinham um pouco
mais de cor e ele estava se movendo com mais facilidade.

" incrvel, pai", Jonah disse. "Eu mal posso esperar para que voc veja"

"Mas ainda faltavam tantos pedaos..."

"Ronnie e Will me ajudaram um pouco", Joanh admitiu.

"Ah ?"

"Eu tive que ensinar a eles. Eles no sabiam fazer nada. Mas no se preocupe, eu fui
paciente, mesmo quando eles cometiam erros"

Seu pai sorriu. "Que bom ouvir isso"

", eu sou um bom professor"

"Tenho certeza que sim"

Jonah enrugou o nariz. "Aqui tem um cheiro engraado, no?"

"Um pouco"

Jonah acenou. "Eu imaginei que sim". Ele se virou para a televiso. "Voc tem assistido
algum filme?"

Seu pai sacudiu a cabea. "No muitos"

"O que isso faz?"

Seu pai olhou para a bolsa de IV*. "Tem um remdio ai dentro"
*(medicamento para pacientes com cncer)

"Vai fazer voc melhorar?"

"Eu estou me sentindo melhor agora"

"Ento voc vai para casa?"

"Muito em breve"

"Hoje?"
"Talvez amanh", ele disse. "Mas sabe o que eu gostaria?"

"O qu?"

"Uma soda. Voc lembra onde fica a cafeteria? Descendo a escada e virando a esquina?"

"Eu sei onde fica. Eu no sou uma criana. Qual soda voc quer?"

"Um Sprite ou um Seven-Up"

"Eu no tenho dinheiro"

Quando seu pai olhou para ela, Ronnie entendeu como uma sugesto para checar seu
bolso. "Eu tenho aqui", ela disse. Ela deu a ele o que achava que era suficiente para o
refrigerante, e ele saiu. Assim que a porta se fechou, ela sentiu seu pai encarando-a.

"O advogado ligou essa manh. Ele adiou a data do seu julgamento para o final de Outubro"

O olhar de Ronnie fixou-se na janela. "Eu no posso pensar nisso agora"

"Sinto muito", ele disse. Ele ficou quieto por um momento, e ela pde sentir que ele a estava
observando. "Como Jonah est realmente suportando isso?", ele perguntou.

Ronnie deu de ombros. "Ele est perdido. Confuso. Assustado. Mal aguentando estando
acompanhado". Como eu, ela quis dizer.

Seu pai acenou para que ela se aproximasse. Ela sentou-se na cadeira que Jonah estava.
Ele procurou pela mo dela, e sorriu. "Me desculpe se no estou sendo forte o suficiente
para ficar fora do hospital. Eu nunca quis que voc me visse assim"

Ela j estava sacudindo a cabea. "Nunca, jamais desculpe-se por isso"

"Mas - "

"Sem mas, ok? Eu precisava saber. Estou contente por saber"

Ele pareceu aceitar isso. Mas ento, ele a surpreendeu.

"Voc quer falar sobre o que aconteceu com Will?"

"O que faz voc falar algo assim?", ela perguntou.

"Porque eu conheo voc. Porque eu sei que tem algo mais em sua mente. E porque eu sei
o quanto voc se preocupa com ele"

Ronnie endireitou-se na cadeira, no querendo mentir para ele. "Ele foi para casa fazer as
malas", ela disse.

Ela podia sentir seu pai estudando-a.
"Alguma vez eu te disse que meu pai era um jogador de pquer?"

"Sim, voc me disse. Porqu? Voc quer jogar pquer?"

"No", ele disse. "Eu s sei que tem mais acontecendo com Will do que voc est me
dizendo, mas se voc no quer falar sobre isso, tudo bem."

Ronnie hesitou. Ela sabia que ele entenderia, mas ela no estava pronta ainda. "Como eu
disse, ele est partindo", ela disse. E com um aceno, seu pai deixou esse assunto.

"Voc parece cansada", ele disse. "Voc deveria ir para a casa e tirar um cochilo mais tarde"

"Eu vou. Mas eu quero ficar aqui um pouco mais"

Ele ajustou suas mos nas dela. "Ok"

Ela olhou para a bolsa de IV que Jonah tinha observado mais cedo. Mas diferente de seu
irmo, ela sabia que aquilo no era um remdio para faz-lo sentir-se melhor.

"Di?", ela perguntou.

Ele pensou antes de responder. "No", ele disse. "No muito"

"Mas costumava doer?"

Seu pai comeou a sacudir a cabea. "Querida..."

"Eu quero saber. Doa antes de voc vir para c? Diga-me a verdade, est bem?"

Ele coou o peito antes de responder. "Sim"

"Durante quanto tempo?"

"Eu no sei o que voc - "

"Eu quero saber quando comeou a machucar", Ronnie disse, debruando-se sobre a cama.
Ela queria que ele encontrasse seus olhos.

De novo, ele sacudiu a cabea. "Isso no  importante. Eu estou me sentindo melhor. E o
mdico sabe o que fazer para continuar me ajudando"

"Por favor", ela disse. "Quando comeou a doer?"

Ele olhou para baixo, para suas mos to apertadas. "Eu no sei. Maro ou Abril? Mas no
era todo dia - "

"Quando doa antes", ela continuou, determinada a ouvir a verdade, "o que voc fazia?"

"No era to ruim antes", ele respondeu.

"Mas ainda doa, certo?"
"Sim"

"O que voc fazia?"

"Eu no sei", ele protestou. "Eu tentava no pensar sobre isso. Eu focava em outras coisas"

Ela podia sentir a tenso em seus ombros, odiando que ele talvez dissesse, mas precisando
saber. "No que voc focava?"

Seu pai alisou uma ruga no lenol com a mo. "Porqu isso  to importante para voc?"

"Porque eu quero saber quando voc focava em outra coisa, se sua ateno voltava para o
piano"

Assim que ela disse isso, ela soube que estava certa. "Eu vi voc tocando naquela noite na
igreja, a noite que voc teve um ataque de tosse. E Jonah disse que voc estava indo
escondido para a igreja desde que o piano tinha chegado"

"Querida - "

"Voc lembra quando disse que tocar piano fazia voc se sentir melhor?"

Seu pai acenou. Ele podia vir o que estava vindo, e ela tinha certeza que ele no queria
responder. Mas ela precisava saber.

"Voc queria dizer que voc no sentia tanta dor enquanto tocava? E por favor, diga-me a
verdade. Eu saberei se voc estiver mentindo". Ronnie no ia se distrair. No desta vez.

Ele fechou seus olhos brevemente, e ento encontrou seu olhar. "Sim"

"Mas voc construi a parede ao redor do piano mesmo assim?"

"Sim", ele disse novamente.

Com isso, ela sentiu sua frgil postura desmoronar. Sua boca comeou a tremer enquanto
ela deitava sua cabea no colo de seu pai.

Seu pai estendeu a mo at ela. "No chore", ele disse. "Por favor, no chore"

Mas ela no podia evitar. As lembranas de como ela tinha agido, e o conhecimento do que
ele tinha passado estava drenando qualquer energia que ela tinha sobrando. "Oh, papai..."

"No, meu bem... Por favor, no chore; No era to ruim antes. E pensei que poderia
aguentar, e eu acho que aguentei. No era to ruim at semana passada..." Ele colocou um
dedo no queixo dela, e quando ela olhou em seus olhos, e o que ela viu quase quebrou seu
corao. Ela teve que olhar para longe.

"Eu pude lidar com a dor at ento", ele repetiu, e ela soube pela voz dele que era verdade.
"Eu prometo. Doa, mas no era a nica coisa em que eu pensava, porque eu podia escapar
de outras maneiras. Como trabalhando na janela com Jonah, ou apenas aproveitando o
vero que eu sonhava quando eu perguntei sua me se vocs dois poderiam ficar aqui
comigo"

Suas palavras queimavam ela, seu perdo era mais do que ela podia suportar. "Eu sinto
tanto, papai"

"Olhe para mim", ele disse, mas ela no podia. Ela s conseguia pensar na necessidade de
seu pai pelo piano, algo que ela tirou dele. Porque ela s pensava nela mesma. Porque ela
queria mago-lo. Porque ela no se importava.

"Olhe para mim", ele disse de novo. Sua voz era suave, mas insistente. Relutantemente, ela
levantou a cabea.

"Eu tive o mais maravilhoso vero da minha vida", ele sussurrou. "Eu vi voc salvando as
tartarugas, e eu tive a chance de ver voc se apaixonando, mesmo que isso no dure para
sempre. E o melhor de tudo, eu conheci voc como uma jovem mulher, no como uma
pequena criana, pela primeira vez. E eu no posso dizer a voc quanta alegria isso tudo me
trouxe. Foi isso que me fez passar pelo vero"

Ela soube que suas palavras eram sinceras, o que s a fez sentir-se pior. Ela estava prestes
a dizer algo quando Jonah irrompeu pela porta.

"Olhe quem eu achei", ele disse, gesticulando com a lata de Sprite.

Ronnie olhou para cima para ver sua me parada atrs de Jonah.

"Ol, querida", ela disse.

Ronnie virou-se para seu pai.

Ele franziu os olhos. "Eu tive que ligar para ela", ele explicou.

"Voc est bem?", sua me perguntou;.

"Eu estou bem, Kim", seu pai respondeu.

Sua me aceitou aquilo como um convite para entrar no quarto. "Eu acho que todos ns
precisamos conversar", ela anunciou.

Naquela manh, Ronnie tinha tomado uma deciso e estava esperando em seu quarto
quando sua me entrou.

"Voc j terminou de fazer as malas?"

Ela encarou sua me, com um olhar calmo, mas determinado. "Eu no vou voltar com voc
para Nova York"

Kim colocou suas mos no quadril. "Pensei que j tnhamos falado sobre isso"

"No", Ronnie disse. "Voc falou sobre isso. Mas eu no vou com voc"
Sua me ignorou seu comentrio. "No seja ridcula.  claro que voc vai para casa"

"Eu no vou voltar para Nova York". Ronnie cruzou os braos, mas no alterou sua voz.

"Ronnie..."

Ela balanou a cabea, sabendo que nunca tinha falado to srio em toda sua vida. "Eu vou
ficar, e eu no vou discutir isso. Eu tenho dezoito anos agora, e voc no pode me obrigar a
voltar com voc. Eu sou uma adulta e eu posso fazer o que eu quero"

Enquanto absorvia as palavras de Ronnie, sua me deslocava-se de um p para outro,
incerta.

"Isso...", ela finalmente disse, gesticulando em direo a dala, tentanto soar razovel. "Isso
no  sua responsabilidade"

Ronnie deu um passo em direo a ela. "No? Ento  de quem? Quem vai tomar conta
dele?"

"Seu pai e eu falamos sobre isso..."

"Oh, voc quer dizer o pastor Harris?", Ronnie exigiu. "Ah claro, como se ele pudesse tomar
conta do papai se ele tiver um colapso e comear a vomitar sangue de novo. Pastor Harris
no pode lidar com isso"

"Ronnie...", sua me comeou de novo.

Ronnie jogou suas mos no ar, sua frustrao e resoluo crescendo. "S porque voc
continua zangada com ele no significa que eu tambm tenha que estar, ok? Eu sei o que
ele fez e eu sinto muito que ele tenha machucado voc, mas isso  sobre meu pai. Ele est
doente e precisa da minha ajuda, e eu vou ficar aqui por ele. Eu no me importo se ele teve
um caso, eu no me importo que ele tenha nos deixado. Mas eu me importo com ele."

Pela primeira vez, sua me parecia genuinamente surpresa. Quando ela falou novamente,
sua voz era suave. "O que exatamente seu pai te contou?"

Ronnie estavas prestes a protestar que isso no importava, mas algo a impediu. A
expresso de sua me era estranha, quase como... culpa. Como se... como se...

Ela encarou sua me, reconhecimento batendo nela enquanto ela falava. "No foi o papai
que teve um caso, no ?", ela disse lentamente. "Foi voc"

A postura de sua me no mudou, mas ela parecia arrasada. A realidade atingiu Ronnie
quase como uma fora fsica.

Sua me teve um caso, no seu pai.

O quarto parecia sufocante de repente, enquanto as implicaes tornavam-se claras. "Foi
por isso que ele partiu, no ? Porque ele descobriu. Mas voc me deixou acreditar durante
todo esse tempo que era tudo culpa dele, que ele tinha partido sem nenhum motivo. Voc
fingiu que tinha sido ele, quando foi voc a culpada. Como voc pde fazer isso?" Ronnie
mal podia respirar.

Sua me parecia incapaz de falar, e Ronnie perguntava-se a si mesma se ela conhecia sua
me de verdade.

"Era o Brian?", ela peerguntou de repente. "Voc estava traindo o papai com o Brian?"

Sua me continuou em silncio, e Ronnie soube que estava certa novamente.

Sua me tinha deixado ela acreditar que seu pai tinha partido sem motivo nenhum. E eu no
falei com ele durante trs anos por causa disso...

"Voc quer saber?", Ronie estourou. "Eu no me importo. Eu no me importo com o que
aconteceu entre vocs dois, eu no ligo para o que aconteceu no passado. Mas eu no vou
deixar meu pai, e voc no pode me - "

"Quem no vai partir?", Jonah interrompeu. Ele tinha acabado de entrar no quarto,
segurando um copo de leite, e ele virou de sua me para ela. Ela podia ouvir o pnico na
voz dele.

"Voc vai ficar aqui?", ele perguntou.

Ronnie levou um momento para controlar usa raiva. "Sim", ela disse, esperando ter soado
calma. "Eu vou ficar"

Ele colocou seu copo na mesa. "Ento eu vou ficar tambm!", ele anunciou.

Sua me olhou para ela, indefesa, e apesar de sentir sua raiva ainda afiada, de jeito nenhum
que ela ia permitir que Jonah assistisse seu pai morrer. Ela cruzou o quarto e abaixou.

"Eu sei que voc quer ficar, mas voc no pode", ela disse, gentilmente.

"Porqu no? Voc vai ficar"

"Mas eu no tenho escola"

"E da? Eu posso ir  escola daqui. Eu e papai falamos sobre isso"

Sua me foi em direo a ele... "Jonah..."

Jonah se afastou de repente, e ela podia ouvir o pnico subindo na voz dele quando ele
percebeu que era minoria. "Eu no me importo com a escola! Isso no  justo! Eu quero ficar
aqui!"
Captulo 34 - Steve


Ele queria surpreend-la. Esse era seu plano, de qualquer forma.

Ele tocou em um concerto na Albnia; sua prxima performance estava agendada para
Richmond, em dois dias. Normalmente, ele nunca ia em casa durante a turn; era mais fcil
manter um ritmo enquanto ele viajava de cidade em cidade. Mas porque ele tinha um tempo
extra e porque ele no via sua famlia h duas semanas, ele pegou um trem e chegou 
cidade na hora e que o pessoal dos prdios de escritrio estavam saindo para procurar algo
para comer.

Foi pura coincidncia que ele tivesse visto ela. Mesmo agora, as possibilidades pareciam
impossveis.Era uma cidade com milhes de pessoas e ele estava prximo a Estao Penn,
ele estava passando por um restaurante que j estava completamente cheio. Seu primeiro
pensamento quando a viu foi que ela se parecia exatamente como sua esposa. Ela etava
sentada em uma pequena mesa encostada na parede, prxima a um homem grisalho, que
aparentava ser alguns anos mais velho que ela. Ela estava vestida com uma cala preta e
uma blusa vermelha, e passava a seu dedo sobre a borda de sua taa de gua. Ele
absorveu tudo aquilo e teve um duplo conhecimento. Era realmente Kim, e ela estava
jantando com um homem que ele nunca tinha visto antes. Pela janela, ele observou
enquanto ela ria, e com uma certeza doentia, ele soube que ja a tinha visto rir assim. Ele
lembrava-se disso de anos atrs, de volta a quando as cosias estavam melhores entre eles.
Quando ele colocou sua mo na mesa, ele assistiu o homem colocar a mo nas costas dela.
O toque do homem era carinhoso, quase familiar, como se ele j tivesse feito isso muitas
vezes. Ela provavelmente gostava da maneira que ele tocava-a, Steve pensou enquanto
assistia o estranho beijar os lbios de sua mulher.

Ele no tinha certeza do que fazer, mas voltando ao passado, ele podia lembrar de no
sentir quase nada. Ele sabia que estavam distante um do outro, ele sabia que eles estavam
discutindo muito, ele sabia que a maioria dos homens teria entrado no restaurante e
confrontado eles dois. Talvez at feito uma cena. Mas ele no era como a maioria. Ento ele
pegou sua pequena bagagem que ele tinha empacotado na noite anterior, virou-se e foi de
volta a Penn Station.

Ele pegou um trem duas horas depois, e chegou em Richmond tarde da noite. Como
sempre, ele pegou o telefone e ligou para sua esposa, e ela atendeu no segundo toque; ele
podia ouvir a televiso no fundo quando ela disse al.

"Voc finalmente chegou, hum?", ela disse. "Eu estava me perguntando quando voc ia
ligar"

Enquanto sentava-se na cama, ele lembrou da mo do estranho nas costas de sua mulher.
"Eu acabei de chegar", ele disse.

"Algo excitante aconteceu?"

Eles estava em um hotel de baixo oramento, os lenis estavam puindo levemente nas
bordas. Tinha um ar condicionado embaixo da janela, que fazia as cortinas se moverem. Ele
podia ver a poeira se acumulando na TV.
"No", ele disse. "Nada mesmo"

No quarto de hospital, ele se lembrou dessas imagens com uma clareza que o assustava.
Ele sups que era porque ele sabia que Kim iria embora em breve. com Ronnie e Jonah.
Ronnie tinha ligado para ele mais cedo para dizer que no ia voltar para Nova York. Ele
sabia que no ia ser fcil. Ele lembrou-se de seu pai encolhido, e ele no queria que sua
filha o visse desse jeito. Mas sua cabea estava feita, e ele sabia que no poderia mud-la.
Mas isso assustava a ele.

Tudo sobre isso assustava a ele.

Ele vinha rezando regularmente nas ltimas duas semanas. Ou pelo menos, era assim que o
pastor Harris descrevia. Ele no juntava suas mos ou abaixava sua cabea; ele no pedia
para ser curado. Entretanto, ele compartilhava com Deus suas preocupaes com seus
filhos. Ele sups que no era muito diferente das preocupaes de outros pais. Eles ainda
eram jovens, os dois tinham longas vidas a sua frente, e ele se perguntava o que estava por
vir para eles. Nenhuma fantasia: ele poderia perguntar a Deus Se ele achava que os dois
seriam felizes, ou se eles continuariam em Nova York, ou se eles casariam e teriam filhos. O
bsico, nada mais, mas foi nesse momento, que ele finalmente entendeu o que o pastor
Harris queria dizer quando falava que andava e conversava com Deus.

Diferente do pastor, ele anda no tinha ouvido nenhuma resposta de Deus, e ele no tinha
muito tempo sobrando.

Ele olhou para o relgio. O vo de Kim estaria saindo em menos de trs horas. Ela sairia do
hospital direto para o aeroporto com Jonah, e esta realizao foi apavorante.

Em pouco tempo, ele estaria segurando seu filho pela ultima vez; hoje, ele diria adeus.

Jonah estava chorando quando entrou no quarto, parando ao lado da cama. Steve teve
tempo suficiente para abrir seus braos antes de Jonah se jogar neles. Seus pequenos
ombros estavam tremendo e Steve sentiu seu prprio corao se partindo. Ele se
concentrou em como seu filho parecia perto dele, tentando memorizar a sensao.
Steve amava seus filhos mais do que a vida, mas mais que isso, ele sabia que Joanh
precisava dele, e mais uma vez, ele estava preso a realizao que de tinha falhado como
pai.

Jonah continuava a chorar, inconsolvel. Steve segurou ele bem perto, querendo nunca
deix-lo ir. Ronnie e Kim estavam paradas na porta, mantendo distncia.
"Elas esto tentando me mandar para casa, papai", Jonah chorou. "Eu disse a elas que
podia ficar com voc, mas elas no esto me dando ouvidos. Eu serei bom papai, eu
prometo, eu serei bom. Eu vou para a cama quando voce mandar e eu vou limpar meu
quarto e eu nao vou comer biscoitos quando nao puder. Diga a elas que posso ficar. Eu
prometo que vou ser bom"

"Eu sei que voc ser bom", Steve murmurrou. "Voc sempre foi um bom menino"

"Ento diga a elas, pai! Diga que voce quer que eu fique! Apenas diga a ela"
"Eu quero que voc fique", ele disse, sentindo dor por ele e por seu filho. "Eu quero mais do
que tudo, mas sua me precisa de voce. Ela sente sua falta"

Se Jonah tinha alguma esperana, ela se acabou ali, ele recomeou a chorar.

"Mas eu nunca vou ver voc de novo... e isso no  justo! No  justo"

Steve tentou falar atravs do aperto na garganta. "Hei", ele disse. "Eu quero que voc me
escute, ok? Voc pode fazer isso por mim?"

Jonah forou a si mesmo a olhar para cima. Apesar de tentar, Steve sabia que estava
comeando a suforcar com suas palavras. Levou tudo que ele tinha para que no
desmoronasse na frente de seu filho.

"Eu quero que voce saiba que voce  o melhor filho que um pai poderia esperar ter. Eu
sempre tive tanto orgulho de voce, e eu sei que voce vai crescer e fazer coisas
maravilhosas. Eu te amo tanto.

"Eu te amo tambm, papai, e eu vou sentir tanto a sua falta"

Pelo canto dos olhos, ele pode ver Ronnie e Kim, lgrimas escorrendo por suas faces.

"Eu vou sentir sua falta tambm. Mas eu sempre estarei olhando por voc. Eu prometo.
Voc se lembra da janela que fizemos juntos?"

Jonah acenou, seu pequeno queixo tremendo.

"Eu chamo-a de Luz de Deus, porque me lembra do cu. Todas as vezez que a luz brilhar
atravs da janela que fizemos, ou qualquer janela, voc saber que eu estou l com voc,
ok? Ser eu. Eu serei a luz na sua janela."

Jonah acenou, nenhum deles capaz de afastar suas lagrimas. Steve continuou segurando
seu filho, desejando com todo seu corao que pudesse ser capaz de fazer as coisas darem
certo.
Captulo 35  Ronnie



Ronnie foi at l fora com sua me e Jonah para v-los indo embora, e para falar com sua
me a ss antes dela partir, para pedir que ela fizesse algo assim que chegasse em Nova
York. Ento ela retornou para o hospital e sentou-se com seu pai at ele adormecer. Por um
longo tempo, ele permaneceu em silncio, encarando a janela. Ela segurou as mos dele, e
eles ficaram juntos sem falar nada, ambos observando as nuvens que passavam lentamente
atravs do vidro.

Ela queria esticar as pernas e tomar um pouco de ar fresco, o adeus de seu pai  Jonah
tinha deixado-a cansada e abalada. Ela no queria imaginar seu irmo no avio, ou entrando
no apartamento deles, ela no queria nem pensar se ele ainda estava chorando.

Do lado de fora, ela caminhou sozinha na calada em frente ao hospital, sua mente
divagando. Ela quase passou direto por ele quando ela ouviu sua clara voz. Ele estava
sentando em um banco; apesar do calor, ele usava o mesmo tipo de camisa e mangas
compridas que ele usava todos os dias.

"Oi Ronnie", pastor Harris disse.

"Oh... Ol"

"Eu estava esperando visitar seu pai"

"Ele est dormindo", ela disse. "Mas voc pode subir se quiser"

Ele bateu sua bengala para ganhar tempo. "Eu sinto muito pelo que voc est passando,
Ronnie"

Ela acenou, achando muito difcil se concentrar. Mesmo essa simples conversa parecia
impossivelmente rdua.

De algum jeito, ela sentiu que ele achava o mesmo.

"Voc rezaria comigo?" Seus olhos azuis seguravam um apelo. "Eu gosto de rezar antes de
ver seu pai. Isso... me ajuda"

Sua surpresa deu lugar a um inexperado alvio.

"Eu gostaria muito", ela respondeu.

Ela comeou a rezar regurlamente depois disso, e ela achou que o pastor estava certo.
No que ela acreditasse que seu pai podia ser curado. Ela falou com o mdico e viu os
exames, e aps a conversa, ela deixou o hospital e foi para a praia, e chorou por uma hora
at que suas lgrimas foram secadas pelo vento.

Ela no acreditava em milagres. Ela sabia que algumas pessoas sim, mas ela no podia
forar a si mesma a pensar que seu pai poderia conseguir. No depois do que ela tinha
visto, no depois do que o mdico tinha explicado a ela. O cncer, ela aprendeu, tinha feito a
metstase pelo seu estmago, pulmo e pncreas, e ter alguma esperana era... perigoso.

Ela no podia imaginar passar uma segunda vez por aquilo com ele. J era difcil o
suficiente, especialmente tarde da noite, quando a casa ficava silenciosa e ela ficava
sozinha com seus pensamentos.

Ao invz de esperar milagres, ela rezava pela fora que ela precisava para ajudar seu pai;
ela rezava pela habilidade de ser positiva na presena dele, ao invz de chorar todas as
vezes que o via. Ela sabia que ele precisava de sua risada, e ele precisava da filha que tinha
recm tornado.

A primeira coisa que ela fez quanto o trouxe para casa do hospital, foi levar para v-lo o
vitral. Ela observou enquanto ele movia-se lentamente para a mesa, seus olhos em tudo,
sua expresso em um choque de descrena. Ela sabia que houve momentos quando ele
questionou-se se ele viveria tempo suficiente para ver isso. Mais do que qualquer coisa, ela
desejou que Jonah estivesse l com eles, ela sabia que seu pai estava pensando a mesma
coisa. Tinha sido o projeto deles, o jeito que eles passaram o vero. Ele sentia a falta de
Jonah terrivelmente, ele sentia isso mais do que tudo, e quando ele se virou para que ela
pudesse ver seu rosto, ela sabia que havia lgrimas em seus olhos enquanto ele fazia seu
caminho de volta para a casa.

Ele ligou para Jonah assim que entrou. Da sala, Ronnie podia ouvir seu pai assegurando
que estava sentindo-se melhor, e apesar de que Jonah provavelmente interpretaria isso mal,
ela sabia que seu pai estava fazendo a coisa certa. Ele queria que Jonah lembrasse da
felicidade do vero, e no se prendesse ao que estava por vir.

Aquela noite, quando ele sentou-se no sof, ele abriu a Bblia e comeou a ler. Agora,
Ronnie entendia seus motivos. Ela sentou ao lado dele e perguntou o que ela estava
imaginando desde que tinha examinado o livro sozinha.

"Voc tem uma passagem favortia?", ela perguntou.

"Muitas", ele disse. "Eu sempre goste dos salmos. E eu sempre aprendi muito com as cartas
de Paulo."

"Mas voc no sublinhou nada", ela disse. Quando ele arqueou uma sobrancelha, ela deu
de ombros. "Eu dei uma olhada enquanto voc estava fora e eu no vi nada"

Ele pensou sobre a resposta que daria. "Se eu tentasse sublinhar alguma coisa importante,
eu provavelmente acabaria sublinhando tudo. Eu li isso tantas vezes e eu sempre aprendo
algo novo"

Ela estudou-o cuidadosamente. "Eu no me lembro de voc lendo a Bblia antes..."

"Isso  porque voc era muito jovem. E mantinha a Bblia perto da cama, e eu lia partes dela
uma ou duas vezes por semana. Pergunte a sua me. Ela ir te contar."

"Voc leu algo recentemente que voc gostaria de compartilhar?"

"Voc quer?"
Depois que ela acenou, ele levou um minuto para achar a passagem que queria.

" Galtas, 5:22", ele disse, abrindo a Bblia em seu colo. Ele limpo a garganta antes de
comear. "MAs quando o Esprito Santo controla nossas vidas, ele produzir estes fruto em
ns: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansido,
domnio prprio."

Ela observou-o enquanto lia o verso, lembrando-se de como ela agiu quando chegou aqui, e
como ele tinha respondido a sua raiva. Ela lembrou-se das vezes que ele se recusou a
discutir com sua me, mesmo quando ela tentava provoc-lo. Ela tinha visto isso como uma
fraqueza, e frequentemente desejava que seu pai fosse diferente. Mas de repente, ela soube
que estava errada sobre tudo.

Seu pai, ela via agora, nunca agia sozinho. O Esprito Santo tinha controlado a vida dele
durante todo esse tempo.

O pacote de sua me chegou no dia seguinte, e Ronnie soube que sua me tinha feito
exatamente o que ela tinha pedido. Ela levou o grande envelope para a mesa da cozinha e
ragou-o em linha reta no topo, despejando todo o contedo na mesa.

Dezenove cartas, todas enviadas pelo seu pai, e todas ignoradas e fechadas. Ela reparou
em todos os endereos no topo: Bloomington, Tulsa, Little Rock...

Ela no podia acreditar que ela no tinha lido-as. Ela realmente tinha tido tanta raiva? Tanta
assim? Olhando para trs, ela sabia a resposta, mas isso ainda no fazia sentido para ela.
Folheando as cartas, ela olhou para a primeira que ele tinha escrito. Como a maioria que ele
tinha escrito, foi impresso ordenadamente em tinta preta, e o carimbo tinha desvanecido-se
um pouco. Atravs da janela da cozinha, seu pai estava na praia, de costas para a casa
como o pastor Harris, ele comeou a usar mangas compridas apesar do calor do vero.
Suspirando profundamente, ela abriu a carta, e com a luz do sol, comeou a ler:


Querida Ronnie,

Eu nem sei como comear uma carta como essa, alm de dizer que sinto muito.
Foi por isso que pedi para que voc encontrasse comigo no caf, e para isso que eu liguei
naquela noite, to tarde. Eu posso entender o porque voc no quis ir e o porque voc no
atendeu minha ligao. Voc est com raiva de mim, voc est desapontada comigo, e no
seu corao, voc acredita que eu fugi. Em sua cabea, eu abandoneu voc e abandonei
minha famlia.

Eu no posso negar que as coisas sero diferentes, mas eu quero que voc saiba que se eu
estivesse em seu lugar, eu provavelmente me sentiria do mesmo jeito que voc. Voc tem
todo o direito de estar com raiva de mim. Voc tem todo o direito de estar desapontada
comigo. Acho que eu mereo esses sentimentos, e no  minha inteno tentar me
desculpar, ou lanar qualquer culpa, ou tentar convenc-la que voc talvez v entender as
coisas com o tempo.

Como toda honestidade, voc pode no entender nunca, e isso ir me machucar mais do
que voc pode imaginar. Voc e Jonah sempre significaram tanto para mim, e eu quero que
voc entenda que nem voc ou Jonah so culpados por nada disso. As vezes, por razes
que no so claras, casamentos no do certo. Mas lembre-se disso: Eu sempre vou amar
voc, e eu sempre vou amar Jonah. Eu sempre vou amar sua me e ela sempre ter meu
respeito. Ela me deu os dois melhores presentes da minha vida, e ela tem sido uma me
maravilhosa. De muitas maneiras, apesar da tristeza que eu sinto por sua me e eu no
estarmos mais juntos, eu ainda acredito que foi uma beno que eu estive casado com ela
pelo tempo que passou.

Eu sei que isso no  muito e certamente no  o suficiente para faz-la entender, mas eu
quero que voc saiba que eu ainda acredito no amor. Eu quero que voc acredite nele
tambm. Voc merece isso em sua vida, porque nada  mais gratificante que o amor.

Eu espero que em seu corao, voc encontre uma maneira de me perdoar por ter partido.
Isos no tem que ser agora, nem mesmo em breve. Mas quero que voc saiba disso:
Quando voc estiver finalmente pronta, eu estarei esperando de braos abertos por aquele
que ser o dia mais feliz da minha vida.

Eu te amo,

Papai.


"Eu sinto que deveria estar fazendo mais por ele", Ronnie disse.

Ela estava sentada na varanda de trs de frente para o pastor Harris. Seu pai estava l
dentro, dormindo, e o pastor tinha vindo trazer uma lasanha vegetariana que sua esposa
tinha feito. Era o meio de setembro, e ainda estava quente durante o dia, apesar de que
tinham sentido durante a noite uma brisa do outono. Durou apenas uma noite, na parte da
manh o sol estava quente, e Ronnie encontrou a si mesma passeando na praia e
perguntando-se se a noite anterior tinha sido uma iluso.

"Voc est fazendo tudo que pode", ele disse. "Eu no sei se h algo mais que voc poderia
fazer por ele"

"Eu no estou falando de cuidar dele. Bem agora ele no precisa muito de mim. Ele ainda
insiste em cozinhar, e ns fazemos passeios pela praia. Ns at soltamos pipa ontem.
Apesar da medicao para dor, o que o deixa realmente cansado, ele est basicamento o
mesmo que era antes de ir para o hospital.  s que..."

O olhar do pastor estava cheio de entedimento. "Voc quer fazer algo especial para ele. Algo
que signifique muito para ele"

Ela acenou, feliz por ele estar l. Nas ltimas semanas, o pastor Harris no tinha tornado-se
apenas seu amigo, mas a nica pessoa com quem ela realmente podia conversar.

"Eu tenho f de que Deus vai te mostrar a resposta. Mas voc tem que entender que s
vezes, leva tempo para voc reconhecer o que Deus quer que voc faa. Isso  frequente. A
voz de Deus normalmente no  nada mais do que um sussurro, e voc tem que ouvir
atenciosamente para entender. Mas em outras vezes, nesses raros momentos, a resposta 
bvia e os sons so to altos como sinos tocando"
Ela sorriu, pensando em quanto sua adorao por essas conversas havia crescido. "Parece
que voc fala por experincia prpria"

"Eu amo seu pai tambm, e como voc, quero fazer algo especial por ele"

"E Deus respondeu?"

"Deus sempre responde"

"Com um sussurro ou como sinos?"

Pela primeira vez em muito tempo, ela viu um toque de alegria nos olhos dele. "Um sino de
igreja,  claro. Deus sabe que estou ruim dos ouvidos esses dias"

"O que voc vai fazer?"

Ele se ajeitou em sua cadeira. "Eu vou colocar a janela na igreja", ele disse. "Um doador
apareceu na semana passada, e no ofereceu somente cobrir o resto da reparao, mas j
tinha toda a equipe de trabalho enfileirada. Eles comeam amanh"

Pelos prximos dois dias, Ronnie procurou sinos de igreja, mas tudo que ela ouviu foi o som
das gaivotas. Quanto a ouvir sussurros, nada. Isso no a surpreendia - a resposta no tinha
vindo para o pastor Harris rapidamente tambm - mas ela esperava que viesse antes que
fosse tarde demais.

Apesar disso, ela continuava o mesmo que ela era antes. Ela ajudava seu pai quando ele
precisava dela, deixando-o quando ele no precisava, e tentando estar junto dele a todo o
momento. Naquele fim de smeana, seu pai estava se sentindo forte, ento eles fizeram um
passeio a Orton Plantation Gardens* perto de Southport. No era longe de Wilmington e
Ronnie nunca tinha estado l, mas assim que eles entraram na estrada que os levariam at
a manso original, construda em 1735, ela soube que seria um dia inesquecvel. Era o tipo
de lugar que parecia perdido no tempo. As flores no estavam abertas, mas andar entre
carvalhos gigantes com seus galhos baixos, envolto em musgo, Ronnie pensou que nunca
tinha visto algo to lindo.
* (http://www.ortongardens.com/)

Passeando sob as rvores, de braos dados com seu pai, eles conversaram sobre o vero.
Pela primeira vez, Ronnie contou a seu pai sobre seu relacionamento com Will; ela contou a
ele sobre a primeira vez que eles foram pescar, e o tempo que passaram juntos, contou a
ele da fantasia de Will de mergulhar do telhado da cabana, e contou a ele sobre o fiasco do
casamento. Ela no contou, contudo, do que tinha acontecido no dia antes dele partir para
Vanderbilt ou das coisas que ela tinha dito a ele. Ela no esta apronta para isso; a ferida
ainda estava muito recente. E como sempre, quando ela falava, seu pai a ouvia em silncio,
raramente a interrompendo. Ela gostava disso nele. No, mude isso, ela pensou. Ela amava
isso nele, e pegou-se imaginando no que ela teria se tornado se no tivesse ido para o
vero. Em seguida, eles dirigiram para Southport e jantaram em um dos pequenos
restaurantes com vista para o porto. Ela sabia que seu pai estava ficando cansado, mas a
comida era boa e eles dividiram um brownie no fim da refeio.
Foi um bom dia, um dia que ela sabia que lembraria para sempre. Mas quando ela sentou
sozinha na sala depois de seu pai ter ido dormir, ela estava pensando novamente no que
poderia fazer a mais por ele.

Na semana seguinte, na terceira semana de setembro, ela comeou a notar que seu pai
estava piorando. Agora, ele dormia at o meio da manh, e tirava um cochilo a tarde.
Embora eles cochilasse regurlamente, a soneca estava durando mais tempo, e ele ia para a
cama cedo. Enquanto ela limpava a cozinha, por falta de uma coisa melhor para fazer, ela
percebeu que somando tudo isso, ele estava agora dormindo mais do que a metade de um
dia.

E s piorou depois disso. A cada dia que passava, ele dormia mais um pouco. Ele tambm
no estava comendo o suficiente. Em vez disso, ele movia sua comida ao redor do prato,
fazendo um show de alimentos; quando ela raspava os restos no lixo, ela percebia que ele
s mordiscava. Ele estava perdendo peso constantemente agora, e cada vez que ela
piscava, ela tinha a sensao de que seu pai estava ficando menor. As vezes ela se
assustava com a idia de que um dia no teria mais nada dele. Setembro chegou ao fim. De
manh, o cheiro salgado do mar mantinha-se na baa pelos ventos das montanhas. Ainda
estava quente, na alta temporada para furaces, mas a costa da Carolina do Norte tinha sido
poupada.

Um dia antes, seu pai tinha dormido por catorze horas. Ela sabia que no poderia ajud-lo,
que o corpo dele no dava a ele nenhuma chance, mas doa para ela pensar que ele dormia
a maior parte do tempo que lhe restava. Quando seu pai estava acordado, ele ficava quieto,
lendo a Bblia, ou andando devagar com ela, em silncio.

Mais frquentemente do que esperava, ela se viu pensando em Will. Ela ainda usava o
bracelete que ele lhe dera, e enquanto corria o dedo pelos detalhes intricados, ela pergunto-
se quais aulas estava tendo, com quem ele andava de um lado para o outro pelo campus.
Ela estava curiosa sobre quem ele sentava ao lado para comer na cantina, ou se ele pensou
nela alguma vez enquanto se arrumava para sair em uma sexta, ou sbado a noite. Talvez,
ela pensou em seus piores momentos, ele j havia encontrado um outro algum.

"Voc quer falar sobre isso?", seu pai perguntou um dia em que passeavam ao longo da
praia. Eles estavam fazendo caminho em direo  igreja. Desde que a construo tinha
recomeado, as coisas estava acontecendo rapidamente. A equipe era enorme: eletricistas,
carpinteiros. Havia pelo menos quarenta caminhes no local de trabalho e as pessoas fluam
dentro e fora do edifcio.

"Sobre o qu?", ela perguntou cuidadosamente

"Sobre Will", ele disse. "A forma como terminou entre vocs dois"

Ela lhe deu um olhar de apreciao. "Como voc poderia saber sobre isso?"

Ele deu de ombros. "Porque voc mencionou ele somente h algumas semanas, e voc no
tem falado com ele no telefone. No  difcil de descubrir que algo aconteceu"

" complicado", ela disse com relutncia.
Eles andaram alguns passos em silncio antes de seu pai falar novamente. "Se  importante
para voc, eu acho que ele era um jovem excepcional".

Ela abraou-o. "Sim,  importante. E eu acho isso tambm"

A essa altura, eles alcanaram a igreja. Ela podia ver trabalhadores carregando madeiras e
latas de tinta. A janela no tinha sido instalada ainda - a construo deveria estar quase
pronta primeiro para evitar os frgeis pedaos de vidro de racharem - mas seu pai ainda
gostava de visitar. Ele ficou satisfeito com a construo nova, mas no principalmente por
causa da janela. Ele falava constantemente de quo importante a igreja era para o pastor
Harris pois ele a considerava sua segunda casa.

Pastor Harris estava sempre no local, e normalmente, ele iria at a praia para visita-los,
quando eles chegaram. Olhando ao redor, ela o viu parado no estacionamento, falando com
algum enquanto gesticulava animadamente para o prdio. Mesmo  distncia, ela podia
dizer que ele estava sorrindo.

Ela estava prestes a acenar em uma tentativa de chamar a ateno quando ela reconheceu
o homem que ele estava falando. A viso a assustou. A ltima vez que tinha visto ele, ela
estava perturbada; na ltima vez em que estiveram juntos, ele no se preocupou em dizer
adeus. Talvez Tom Blakelee estava simplesmente passando e parou para falar com o pastor
sobre a reforma na igreja. Talvez ele estivesse interessado.

Pelo resto da semana, ela procurou por Tom Blakelee quando visitou o local, mas ela no o
viu mais. Parte dela estava aliviada, ela admitiu, j que seus mundos no se cruzavam mais.

Depois da caminhada at a igreja e da soneca de seu pai, eles normalmente liam juntos. Ela
tinha terminado Anna Karenina, quatro meses depois de ter comeado a ler. Ela havia pego
Doutor Zhivago na biblioteca pblica. Algo sobre os escritores russos atraam a ela: a
qualidade pica de suas histrias, talvez; tragdias sombrias e amores condenados pintando
em uma tela to grande, to distante de sua prpria vida ordinria. Seu pai continuava
estudando a Bblia, e as vezes, ele lia passagens ou versos em voz alta, a pedido de
Ronnie. Alguns eram curtos e outros longos, mas a maioria deles parecia ter como foco a
importncia da f. Ela no tinha certeza do porqu, mas algumas vezes parecia que ler em
voz alta tinha algo a ver com o que ele tinha passado.

Os jantares foram transformados em simples assuntos. No comeo de Outubro, ela
comeou a fazer quase toda a cozinha, e ele aceitou essa mudana com facilidade, como
ele tinha aceito tudo durante o vero. Na maioria das vezes, ele sentava na cozinha e falava
com ela sobre massa cozida, ou arroz, ou dourar o frango ou o bife na frigideira. Foi a
primeira vez que ela cozinhou carne em anos. Ela se sentiu estranha ao insistir para que seu
pai comesse aquilo, depois de colocar a carne no prato dele. Ele no estava mais com fome,
e as refeis eram brandas porque especiarias de qualquer tipo irritavam seu estmago.
Mas ela sabia que ele precisava de comida. Embora no tivessem uma balana em casa,
ela podia ver os quilos sumindo.

Uma noite, aps o jantar, ela finalmente contou a ele o que tinha acontecido com Will. Ela
contou tudo a ele: sobre o incndio, e o fato dele ter encoberto Scott, tudo que havia
acontecido com Marcus. Seu pai ouviu atentamente enquanto ela falava, e quando
finalmente ele afastou o prato, ela notou que ele no tinha comido mais do que algumas
mordidas.
"Posso te fazer uma pergunta?"

"Claro", ela disse. "Voc pode me perguntar qualquer coisa"

"Quando voc me disse que estava apaixonada por Will, voc estava falando srio?"

Ela lembrou de Megan fazendo a mesma pergunta. "Sim"

"Ento eu acho que voc pode ter sido muito dura com ele"

"Mas ele estava encobrindo um crime..."

"Eu sei. Mas se voc pensar sobre isso, voc est agora na mesma posio que ele. Voc
sabe a verdade, assim como ele. E voc no disse nada a mais ningum"

"Mas eu no fiz isso..."

"E voc tambm disse que no foi ele"

"O que voc est tentando dizer? Que eu deveria contar ao pastor Harris?"

Ele sacudiu a cabea. "No", ele disse para a surpresa dela. "Eu no acho que voc deva"

"Porqu?"

"Ronnie", ele disse gentilmente, "pode haver mais histria do que parece"

"Mas - "

"Eu no estou dizendo que estou certo. Eu sou o primeiro a admitir que eu erro em muitas
coisas. Mas se tudo for exatamente como voc descreveu, ento eu quero que voc saiba
algo: o pastor Harris no quer saber a verdade. Porque se ele souber, ele vai ter que fazer
algo sobre isso. E acredite em mim, ele no iria querer fazer nada para magoar Scott ou sua
famlia, especialmente se foi um acidente. Ele no  esse tipo de homem. E mais uma coisa.
E de tudo que eu disse, isso  o mais importante"

"O qu?"

"Voc tem que aprender a perdoar"

Ela cruzou os braos. "Eu j perdoei Will. Eu deixei mensagens para ele..."

Antes de ela terminar, seu pai j estava sacudindo a cabea. "Eu no estou falando de Will.
Voc tem que aprender a perdoar a voc mesma primeiro"

Naquela noite, no fundo da pilha de cartas de seu pai tinha escrito, Ronnie encontrou outra
carta, que ela ainda no tinha aberto. Ele deve ter acrescentado a pilha recentemente, uma
vez que no tinha qualquer selo ou carimbo postal.
Ela no sabia se queria ler agora, ou se foi feito para ser lido depois que ele tivesse ido
embora. Ela sups que poderia ter perguntado a ele, mas ela no fez. Na verdade, ela no
tinha certeza se queria ler, simplesmente segurando o envelope com medo dele, porque ela
sabia que era a ltima carta que ele iria escrever para ela.

Sua doena continuou a progredir. Embora eles seguissem suas rotinas regulares de comer,
ler, e passear na praia, seu pai estava tomando mais remdio para sua dor. Houve
momentos em que seus olhos estavam vidrados e fora de foco, mas ela ainda tinha a
sensao de que a dosagem no era forte o suficiente. Agora e depois, ela o via estremecer
quando estava sentado no sof, lendo. Ele fechava os olhos e inclinava-se para trs, seu
rosto uma mscara de dor. Quando isso acontecia, ele apertava a mo dela, mas como o
passar dos dias, ela percebeu que seu aperto se enfraquecia. Sua fora foi enfraquecendo,
ela pensou: tudo sobre ele foi desaparecendo. E logo ele estaria desaparecido
completamente.

Ela poderia dizer Pastor Harris notou as mudanas em seu pai tambm. Ele tinha vindo
quase todos os dias nas ltimas semanas, geralmente bem antes do jantar. Na maior parte
do tempo, ele mantinha uma conversa tranquila, ele atualizou-os sobre a obra na igreja e
contou histrias divertidas de seu passado, trazendo um sorriso fugaz ao rosto de seu pai.
Mas tambm houve momentos em que ambos pareciam fugir de coisas que tinham a dizer
uns aos outros. Evitar a tenso presente na sala sobrecarregava todos eles, e nesses
momentos, uma nvoa de tristeza parecia se instalar no ambiente.

Quando ela sentia que eles queriam ficar sozinhos, ela ia para a varanda e tentava imaginar
o que poderiam estar falando. Ela podia adivinhar,  claro: eles falavam sobre a f ou a
famlia e talvez alguns arrependimentos que cada um tinha, mas ela sabia que eles tambm
rezavam juntos. Ela ouviu uma vez, quando ela tinha ido para dentro para pegar um copo de
gua, e ela pensou que a orao do Pastor Harris soou mais como um apelo. Ele parecia
estar pedindo fora, como se sua vida dependesse disso, e enquanto ela ouvia, ela fechou
os olhos para fazer com uma orao silenciosa para si mesma.

Meados de outubro trouxe trs dias de tempo frio, frio o suficiente para exigir um casaco no
perodo da manh. Depois de meses de calor implacvel, ela gostou da brisa gelada no ar,
mas esses trs dias foram duros para o pai dela. Embora eles ainda andavam na praia,
movia-se ainda mais lentamente, e parou apenas brevemente fora da igreja antes de virar e
voltar para casa. Ao chegarem  porta, o pai dela estava tremendo. Uma vez l dentro, ela
preparou-lhe um banho quente, esperando que ajudasse, sentindo as primeiras pontadas de
pnico, pois novos sinais da doena sinalizavam que estava avanando mais rapidamente.
Em uma sexta-feira, uma semana antes do Halloween, seu pai sentiu-se forte o suficiente
para tentar pescar na pequena doca que Will a tinha levado. O oficial Pete lhes emprestou
algumas varas extras e uma caixa de ferramentas de pesca. Curiosamente, seu pai nunca
tinha pesacado antes, ento Ronnie tinha a isca e o anzol. Os dois primeiros peixes que
morderam a isca fugiram, mas eles finalmente conseguiram um anzol pequeno com tambor
vermelho na caixa. Foi o mesmo tipo de peixe que tinha pego com Will, e enquanto o peixe
lutava para ser liberado do anzol, de repente, ela sentiu falta de Will com tanta intensidade
que parecia uma dor fsica.

Quando eles voltaram para casa depois de uma tarde tranquila no per, duas pessoas
estavam esperando por eles na varando. Ela no reconheceu Blaze e sua me, at que saiu
do carro. Blaze parecia surpreendentemente diferente. Seus cabelos estavam puxados para
trs em um rabo de cavalo, e ela estava vestida com short branco e uma camisa azul de
mangas compridas. Ela no usava jias e maquiagem.

Vendo Blaze novamente, Ronnie lembrou de algo que ela tinha conseguido evitar pensar,
com todas as suas preocupaes voltadas para seu pai: que ela teria de voltar ao tribunal
antes do fim do ms. Ela se perguntava o que elas queriam e porque elas estavam aqui.
Ela levou um tempo ajudando seu pai sair do carro, oferecendo seu brao para firm-lo.

"Quem so eles?" seu pai murmurou.

Ronnie explicou, e ele acenou. Quando eles se aproximaram, Blaze desceu da varanda.

"Oi, Ronnie", ela disse, limpando a garganta. "Eu vim falar com voc."

Ronnie estava sentada diante de Blaze na sala, observando como Blaze estudava o cho.

Seus pais tinham recuado para a cozinha para dar-lhes alguma privacidade. "Eu sinto muito
sobre seu pai," Blaze comeou. "Como ele est?"

"Ele est bem." Ronnie deu de ombros. "Como vai voc?"

Blaze tocou na frente de sua camisa. "Eu sempre vou ter cicatrizes aqui", disse ela, em
seguida, apontou para os braos e barriga, "e aqui." Ela deu um sorriso triste. "Mas eu tenho
sorte de estar viva, na verdade." Ela mexeu em seu assento antes de chegar aos olhos de
Ronnie. "Eu queria agradecer por me levar ao hospital."

Ronnie concordou, ainda incerta sobre para onde a conversa estava indo. "De nada."

No silncio, Blaze olhou ao redor da sala, sem saber o que dizer em seguida. Ronnie,
aprendendo com o pai dela, simplesmente esperou. "Eu deveria ter vindo antes, mas eu
soube que voc esteve ocupada."

"Est tudo bem", disse Ronnie. "Estou contente de ver que voc est indo bem."

Blaze olhou para cima. "Srio?"

"Sim", disse Ronnie. Ela sorriu. "Mesmo voc parecendo como um ovo de Pscoa".

"Sim, eu sei. Louco, n? Minha me me comprou algumas roupas.

"Elas serviram. Eu acho que vocs duas esto se entendendo melhor. "

Blaze deu-lhe um olhar triste. "Eu estou tentando. Estou vivendo em casa de novo, mas 
difcil. Eu fiz um monte de coisas estpidas. Para ela, a outras pessoas. Para voc. "

Ronnie ficou imvel, sua expresso neutra. "Por que voc est realmente aqui, Blaze?

Blaze torceu as mos, traindo a sua agitao. "Eu vim pedir desculpas. Eu fiz uma coisa
terrvel para voc. E eu sei que no posso tirar o stress que causei a voc, mas eu quero
que voc saiba que eu conversei com o promotor, esta manh. Eu disse a ele que eu
coloquei as coisas no seu saco, porque eu estava brava com voc, e eu assinei uma
declarao que dizia que no tinha idia do que estava acontecendo. Voc deve receber
uma ligao hoje ou amanh, mas ela prometeu-me que iria retirar as acusaes. "

As palavras saram to rpido que primeiramente, Ronnie no tinha certeza se tinha ouvido
direito. Mas o olhar suplicante Blaze contou-lhe tudo o que ela precisava saber. Depois de
todos estes meses, depois de todos os incontveis dias e as noites de preocupao, de
repente estava acabado. Ronnie estava em choque.

"Estou muito triste", Blaze continuou em voz baixa. "Eu nunca deveria ter colocado as coisas
no seu saco."

Ronnie ainda estava tentando digerir o fato de que este pesadelo estava chegando ao fim.
Ela estudou Blaze, que agora estava mexendo repetidamente em um fio solto na bainha de
sua camisa. "O que vai acontecer com voc? Eles vo acusar voc? "

"No", disse ela. Ela olhou para cima, empinando o queixo. "Eu tinha algumas informaes
que eles queriam sobre outro crime. Um grande crime ".

" Voc quer dizer sobre o que aconteceu com voc no cais? "

"No", ela disse, e Ronnie pensou ter visto algo duro e desafiador em seus olhos. "Eu disse
a eles sobre o incndio na igreja e da maneira que realmente comeou." Blaze, teve a
certeza que ela tinha toda ateno de Ronnie antes de prosseguir. "Scott no comeou o
incndio. Seu foguete no tinha nada a ver com isso. Oh, que aterrou perto da igreja, tudo
bem. Mas ele j estava fora."

Ronnie absorveu essa informao, a admirao crescendo. Por um momento, elas olharam
uma para a outra, a tenso palpvel no ar. "Ento, como isso aconteceu?"

Blaze inclinou-se e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, seus braos esticados como se em
splica. "Ns samos da festa na praia - Marcus, Teddy, Lance, e eu. Um pouco mais tarde,
Scott apareceu, apenas um pouco longe de ns. Ns fingimos ignorar uns aos outros, mas
pudemos ver Scott acendendo fogos de artifcio. Will ainda estava la embaixo, na praia e
Scott acendeu um foguete em sua direo, mas o vento levou e voou em direo  igreja.
Will pirou e veio correndo. Mas Marcus pensou que a coisa toda foi hilria, e no minuto em
que foguete caiu atrs da igreja, ele correu para o adro. Eu no sabia o que estava
acontecendo no incio, mesmo depois de segui-lo e v-lo queimando a grama mato ao lado
da parede da igreja. A prxima coisa que eu soube foi que o lado do edifcio estava em
chamas. "

"Voc est dizendo que Marcus fez isso?" Ronnie mal conseguia pronunciar as palavras.

Ela assentiu com a cabea. "Ele criou os outros incndios, tambm. Pelo menos eu tenho
certeza que ele fez, ele sempre amou fogo. Eu acho que sempre soube que ele era louco,
mas eu ... ". Ela parou a si mesma, percebendo que tinha ido por esse caminho muitas
vezes. Ela sentou-se em linha reta. "De qualquer forma, eu concordei em testemunhar
contra ele."

Ronnie se recostou na cadeira, sentindo como se o vento tivesse batido fora dela. Lembrou-
se das coisas que ela disse a Will, de repente, percebendo que se Will tivesse feito o que ela
pediu, a vida de Scott teria sido arruinada por nada.
Ela se sentiu to mal, mas Blaze continuou. "Eu realmente sinto muito por tudo", disse ela.
"E por mais louco que parea, eu o considerava meu amigo at que eu fui uma idiota e
arruinei tudo."

Pela primeira vez, a voz de Blaze rachou.

"Mas voc  uma tima pessoa, Ronnie. Voc  honesta, e voc foi legal comigo quando
no tinha motivo para ser."

Uma lgrima caiu de um olho, e ela limpou-a rapidamente.

"Eu nunca vou esquecer o dia que voc ofereceu para me deixar ficar com voc, mesmo
depois de todas as coisas terrveis que eu tinha feito para voc. Senti vergonha... E foi
gratificante, sabe? Saber que algum ainda se importava. "

Blaze fez uma pausa, visivelmente lutando para se recompor. Quando ela piscou as
lgrimas, ela respirou fundo e fixou Ronnie com um olhar determinado.

"Ento, se voc precisar de alguma coisa, e eu quero dizer qualquer coisa, me avise. Vou
largar tudo, ok? Eu sei que nunca poderei fazer nada para compensar o que fiz com voc,
mas de certa forma, eu sinto que voc me salvou. O que aconteceu com seu pai  to
injusto ... e eu faria qualquer coisa para ajud-lo. "

Ronnie concordou.

"E uma ltima coisa," Blaze acrescentou. "Ns no temos de ser amigos, mas se voc me
ver novamente, voc me chama de Galadriel? Eu no suporto o nome Blaze."

Ronnie sorriu. "Claro que sim, Galadriel."

Como havia prometido Blaze, seu advogado ligou, naquela tarde, informando-lhe que as
acusaes no caso dela haviam sido descartadas.

Naquela noite, enquanto seu pai dormia em seu quarto, Ronnie assistiu o noticirio local. Ela
no tinha certeza se iria cobrir a notcia, mas l estava ele, um certo segmento, antes da
previso do tempo, sobre "a deteno de um suspeito novo na investigao em curso do
incndio em uma igreja local queimada ano passado." Quando eles passavam informaes
com alguns detalhes de acusaes de delitos cometidos antes, ela desligou a TV. Esses
frios os olhos mortos ainda tinham o poder de enervar-la.

Ela pensou em Will e no que ele tinha feito para proteger Scott, por um crime que ele no
havia cometido. Teria sido assim to terrvel, ela se perguntava, que a lealdade ao seu
amigo havia distorcido o seu julgamento? Especialmente tendo em conta a forma como as
coisas tinham acontecido? Ronnie no tinha mais certeza de nada. Ela tinha estado errada
sobre muitas coisas: seu pai, Blaze, sua me,at mesmo Will. A vida era muito mais
complicada do que ela jamais imaginou como uma adolescente mal-humorada, em Nova
York.

Ela balanou a cabea enquanto movia-se ao redor da casa, apagando as luzes uma por
uma. Aquela vida - um desfile de festas e de fofocas do ensino mdio e brigas com sua me
- parecia um outro mundo, uma existncia que ela s tinha sonhado. Hoje, houve apenas
isto: o seu passeio na praia com seu pai, o som incessante das ondas do mar, o cheiro do
inverno que se aproxima.

E o fruto do Esprito Santo: amor, alegria, paz, pacincia, bondade, fidelidade, mansido,
domnio prprio.

Halloween veio e se foi, e seu pai ficava mais fraco a cada dia que passava.

Eles abriram mo de suas caminhadas pela praia, quando o esforo se tornou muito grande,
e no perodo da manh, quando ela fazia a sua cama, ela viu dezenas de fios de cabelo
sobre o travesseiro. Sabendo que a doena estava acelerando, ela mudou seu colcho para
seu quarto no caso de dele precisar da ajuda dela, e tambm para ficar perto dele enquanto
podia.

Ele estava tomando tantas doses de remdios contra a dor quanto seu corpo podia lidar,
mas nunca era suficiente.  noite, enquanto dormia no cho ao lado dele, ele soltava gritos,
choramingando, e quase quebrou o corao dela. Ela manteve seus medicamentos bem ao
lado de sua cama, e eram as primeiras coisas para que ele estendia a mo quando
acordava. Ela sentava ao seu lado no perodo da manh, a segurando nele, suas pernas
tremendo, at o remdio fazer efeito.

Mas os efeitos colaterais do remdio apareceram. Ele estava instvel, Ronnie tinha que
apoi-lo sempre que ele movia-se, mesmo atravs da sala. Apesar de seu peso, quando ele
tropeava, tudo que ela podia fazer era impedi-lo de cair.

Embora ele nunca desse voz  sua frustrao, seus olhos registravam sua decepo, como
se eles estivesse falhando com ela.

Ele agora dormia uma mdia de dezessete horas por dia, e Ronnie passava dias inteiros
sozinha em casa, lendo e relendo as cartas que ele tinha originalmente escrito para ela. Ela
ainda no tinha lido a ltima carta que ele tinha escrito, a idia ainda parecia muito
assustadora, mas s vezes gostava de segur-la entre os dedos, tentando reunir foras para
abri-la.

Ela ligava para casa com mais freqncia, sincrozinando suas ligaes para quando Jonah
chegava em casa depois da escola ou quando tinham acabado de jantar. Jonah parecia
fraco, e quando perguntava sobre seu pai, s vezes ela se sentia culpada por atrasar a
verdade. Mas ela no poderia sobrecarreg-lo dessa maneira, e ela percebeu que sempre
que seu pai falava com ele, ele fazia o seu melhor som enrgico, tanto quanto podia. Depois,
ele freqentemente sentava-se na cadeira ao lado do telefone, muito cansado at mesmo
para se mover. Ela ia v-lo em silncio, sabendo que havia algo mais que poderia fazer por
ele, mesmo que ela no soubesse o que era.

"Qual  a sua cor favorita?", perguntou ela.

Eles estavam sentados na mesa da cozinha, e Ronnie tinha um bloco de papel aberto  sua
frente. Steve deu um sorriso zombeteiro. "Isso  o que voc queria me perguntar?"

"Esta  apenas a primeira pergunta. Eu tenho muito mais ".
Ele estendeu a mo para a lata de sopa que ela tinha colocado na frente dele. Ele j no
comia alimentos slidos, e ela viu quando ele tomou um gole, sabendo que ele estava
fazendo isso para agrad-la, no porque ele estava com fome.

"Verde", disse ele.

Ela anotou a resposta e leu a prxima pergunta. "Quantos anos voc tinha quando voc
beijou uma garota?"

"Voc est falando srio?" Ele fez uma careta.

"Por favor, papai", disse ela. " importante".

Ele respondeu mais uma vez, e ela escreveu. Comearam com um quarto das perguntas
que ela anotou, e na prxima semana, ele finalmente respondeu tudo. Ela escreveu as
respostas com cuidado, no literalmente, mas esperava que com detalhes o suficiente para
reconstruir as respostas no futuro. Era um exerccio envolvente e por vezes surpreendente,
mas no final, concluiu que seu pai era basicamente o mesmo homem que ela conheceu
durante o vero.

O que foi bom e ruim, claro. Bom, porque ela suspeitou que ele seria, e ruim porque no a
deixou mais perto da resposta que ela estava buscando o tempo todo. A segunda semana
de novembro trouxe as primeiras chuvas de Outono, mas a construo da igreja continuou
sem pausa. O seu pai no a acompanhava, mas Ronnie caminhava da praia para a igreja
todos os dias para ver como as coisas estavam progredindo. Tornou-se parte de sua rotina
durante as horas de calma, quando seu pai estava dormindo. Embora Pastor Harris sempre
registrasse a sua chegada, ele no juntava-se a ela na praia para conversar.

Em uma semana, o vitral seria instalado, e o pastor Harris saberia que ele tinha feito alguma
coisa para o pai que ningum mais poderia fazer, algo que ela sabia que significava o
mundo para ele. Ela estava feliz por ele, como rezava a orientao dela mema.

Em um dia cinzento de novembro, seu pai insistiu para que de repente se arriscassem para
fora do cais. Ronnie estava nervosa sobre a distncia e o frio, mas ele foi inflexvel. Ele
queria ver o mar do cais, disse ele. Uma ltima vez, foram as palavras que ele no precisou
dizer.

Vestiram os casacos e Ronnie embrulhou um cachecol de l em torno de pescoo de seu
pai. O vento trazia em si o primeiro sabor acentuado de inverno, tornando-se mais frio do
que o termmetro mostrava. Ela insistiu em dirigir para o cais e estacionou o carro do pastor
Harris no calado deserto.

Demorou um tempo para chegar ao fim do cais. Eles estavam sozinhos sob um cu de
nuvens, varrido, as ondas de uma cor cinzenta visvel entre as tbuas de concreto. Enquanto
se arrastava para a frente, seu pai mantinha o brao envolto no dela, agarrando-se a ela
enquanto o vento arrancava seus casacos.

Quando finalmente chegaram, seu pai estendeu-se para a beira e quase perdeu o equilbrio.
 luz prateada, os traos de seu rosto afundado se destacaram em relevo acentuado e os
olhos vidrados, mas ela poderia dizer que ele estava satisfeito.
O movimento constante das ondas estendendo-se diante dele para o horizonte parecia lhe
trazer uma sensao de serenidade. No havia nada para ver, nenhum barco, nenhum boto,
nenhum surfista, mas sua expresso parecia tranquila e sem dor pela primeira vez em
semanas. Perto da linha de gua, as nuvens pareciam quase vivas, agitando e mudando
enquanto o sol de inverno tentou furar suas massas velada. Ela encontrou-se assistindo ao
jogo de nuvens, com a mesma maravilha que seu pai fez, perguntando onde colocar seus
pensamentos.

O vento estava esfriando mais, e ela viu seu pai tremer. Ela poderia dizer que ele queria
ficar, com o olhar no horizonte fechado. Ela puxou delicadamente seu brao, mas ele s
intensificou seu aperto na grade.

Ela cedeu, ento, de p ao lado dele at que ele estava tremendo de frio, finalmente, pronto
para ir. Ele soltou o parapeito e deixou que ela virasse-o ao redor, comeando a sua marcha
lenta volta ao carro. Do canto do olho, ela percebeu que ele estava sorrindo.

"Era bonito, no era?", comentou.

Seu pai deu alguns passos antes de responder.

"Sim", disse. "Mas eu gostei mais de partilhar este momento com voc."

Dois dias depois, ela resolveu ler a sua carta final. Ela iria faz-lo logo, antes que ele se
fosse. No esta noite, mas logo, ela prometeu a si mesma. Era tarde da noite e o dia com o
pai tinha sido o mais difcil. A medicina no parecia estar ajudando ele em nada. Lgrimas
escaparam dos olhos, enquanto espasmos de dor submeteram seu corpo, e ela pediu-lhe
para deix-la lev-lo ao hospital, mas ele recusou.

"No", ele suspirou. "Ainda no".

"Quando?" Ela perguntou desesperadamente, quase chorando sozinha. Ele no respondeu,
apenas segurou a respirao, esperando a dor passar. Quando isso acontecia, parecia de
repente mais fraco, como se tivesse cortado um pedao fora da pouca vida que lhe restava.

"Eu quero que voc faa alguma coisa por mim", disse ele. Sua voz era um sussurro spero.

Ela beijou a palma de sua mo. "Qualquer coisa", disse ela.

"Quando eu recebi o meu diagnstico, eu assinei um DNR (ordem para no tentar
ressuscitar o paciente). Voc sabe o que  isso?". Ele procurou o rosto dela. "Isso significa
que eu no quero todas as medidas extraordinrias que podem manter-me vivo. Se eu for
para o hospital, eu quero dizer. "

Ela sentiu o estmago torcer de medo. "O que voc est tentando dizer?"

"Quando chegar a hora, voc tem que me deixar ir. "

"No", disse ela, comeando a sacudir a cabea, "no fale assim."
Seu olhar era suave, mas insistente. "Por favor", ele sussurrou. " o que eu quero. Quando
eu for para o hospital, leve os documentos. Eles esto na minha gaveta da mesa superior,
em um envelope pardo ".

"No ... Papai, por favor", gritou ela. "No me faa fazer isso. Eu no posso fazer isso. "

Ele segurou seu olhar. "Mesmo por mim?"

Naquela noite, seus gemidos foram quebrados por uma respirao. Embora ela tivesse
prometido que faria o que ele pediu, ela no tinha certeza se podia.

Como ela poderia dizer para os mdicos que no fizessem nada? Como poderia deix-lo
morrer?

Na segunda-feira, o Pastor Harris buscou os dois para cima e conduziu-os  igreja para
assistir a janela sendo instalada. Porque ele estava fraco demais para ficar de p, eles
trouxeram uma cadeira com eles. Pastor Harris ajudou a apoi-lo enquanto eles fizeram o
seu caminho lentamente para a praia. Uma multido se reuniu em antecipao ao evento, e
nas prximas horas, eles assistiram enquanto os trabalhadores cuidadosamente definiam o
lugar da janela. Foi to espectacular como ela imaginou que seria, e quando finalmente a
janela foi fixada em seu lugar, um elogio subiu. Ela se virou para ver a reao de seu pai e
percebeu que ele tinha adormecido, aconchegado nos cobertores pesados que ela colocou
sobre ele.

Com a ajuda do Pastor Harris, ela levou-o para casa e coloc-lo na cama. Ao sair, o pastor
virou-se para ela. "Ele estava feliz", disse ele, tanto para convencer a si mesmo como a ela.

"Sei que ele estava", ela garantiu-lhe, estendendo a mo para apertar seu brao. "
exatamente o que ele queria."

O pai dela dormiu durante o resto do dia, e como o mundo ficou preto fora de sua janela, ela
sabia que era hora de ler a carta. Se ela no fizesse isso agora, ela nunca encontraria a
coragem.

A luz na cozinha estava escura. Aps a abrir o envelope, ela lentamente desenrolou a
pgina. A letra era diferente de suas cartas anteriores; era o estilo que flui livre, ela
esperava. Em seu lugar foi algo como um rabisco. Ela no queria imaginar a luta que deve
ter sido para escrever as palavras ou o tempo que ele tinha levado. Ela respirou fundo e
comeou a ler.

Oi, querida, eu estou orgulhoso de voc.
Eu no disse essas palavras a voc tantas vezes quanto eu deveria ter dito. Digo-lhes
agora, no porque voc escolheu ficar comigo durante este tempo muito difcil, mas porque
eu queria que voc soubesse que voc  a pessoa extraordinria que eu sempre sonhei que
voc poderia ser.

Obrigado por ficar. Eu sei que  difcil para voc, certamente mais difcil do que voc
imaginou que seria, e eu sinto muito pelas horas que voc vai, inevitavelmente, passar
sozinha. Mas eu estou especialmente triste porque eu no tenho sido sempre o pai que voc
precisava que eu fosse. Eu sei que cometi erros. Eu gostaria de poder mudar muitas coisas
na minha vida. Eu suponho que  normal, considerando o que est acontecendo comigo,
mas h outra coisa que eu quero que voc saiba.

To dura como a vida pode ser, e apesar de todos os meus arrependimentos, houve
momentos em que me senti verdadeiramente abenoado. Eu me senti assim quando voc
nasceu, e quando eu a levei para o jardim zoolgico quando era criana e vi voc olhar para
as girafas com espanto. Normalmente, esses momentos no duram muito tempo, eles vm e
vo como brisa do oceano. Mas s vezes, eles se estendem para sempre.

Isso  o que o vero foi para mim, e no s porque voc me perdoou. O vero foi um
presente para mim, porque eu vim a saber que voc se tornou a jovem mulher que eu
sempre soube que se tornaria. Como eu disse seu irmo, foi o melhor vero da minha vida,
e muitas vezes eu me perguntei durante aqueles dias idlicos como algum como eu poderia
ter sido abenoado com uma filha to maravilhosa quanto voc.

Obrigada, Ronnie. Obrigado por terem vindo. E obrigado pela forma como voc me fez sentir
a cada dia que tivemos a oportunidade de estar juntos.

Voc e Jonas sempre foram as maiores bnos na minha vida. Eu te amo, Ronnie, e eu
sempre te amei. E nunca, nunca esquea que eu sou, e sempre fui, orgulhoso de voc.
Nenhum pai nunca foi to abenoado como eu.

Papai

Ao de Graas passou. Ao longo da praia, as pessoas comearam a colocar as decoraes
de Natal. Seu pai tinha perdido um tero de seu peso corporal e gastou quase todo seu
tempo na cama. Ronnie tropeou em folhas de papel quando ela estava limpando a casa
uma manh. Tinha cado embaixo da gaveta da mesinha de centro, e quando ela puxou para
fora, ela levou um momento s para reconhecer seu pai nas notas musicais rabiscadas na
pgina.

Foi a cano que ele tinha escrito, a msica que ela o ouviu tocar naquela noite na igreja.
Ela colocou as pginas no topo da tabela para inspecion-los mais de perto. Seus olhos
corriam sobre a srie pesadamente editada de notas, e pensou mais uma vez que seu pai
tinha estado centrado nisso. Enquanto ela lia, ela podia ouvir as cepas de prender as barras
de abertura em sua cabea. Mas como ela folheou a pontuao para as pginas de segundo
e terceiro, ela tambm pode ver que no estava certo. Apesar de seu instinto inicial tinha
sido bom, ela pensou que reconheceu quando a composio comeou a perder o seu
caminho. Pescou um lpis da gaveta da mesa e comeou a sobreposio de seu prprio
trabalho no seu, rabiscando progresses de acordes rpidos e riffs meldicos, onde seu pai
tinha deixado.

Antes que ela percebesse, trs horas se passaram e ela ouviu que seu pai comeava a se
agitar. Depois de dobrar as pginas de volta na gaveta, ela foi para o quarto, pronto para
enfrentar qualquer coisa que o dia trouxesse.

Mais tarde, quando seu pai tinha cado ainda mais irregular do sono, ela recuperou as
pginas, desta vez trabalhando at meia-noite. Na manh seguinte, ela acordou nervosa e
ansiosa para mostrar a seu pai o que ela tinha feito. Mas quando ela entrou em seu quarto,
ele no podia se mexer, e ela entrou em pnico quando percebeu que ele mas estava
respirando.
Seu estmago contorcia-se em ns enquanto ela chamava a ambulncia, e ela se sentiu
insegura quando fez seu caminho de volta para o quarto. Ela no estava pronta, ela disse a
si mesma, ela no tinha mostrado a ele a cano. Ela precisava de um outro dia. No  hora
ainda. Mas com as mos trmulas, ela abriu a gaveta da sua mesa e tirou o envelope pardo.
Na cama do hospital, seu pai parecia menor do que ela j tinha visto. Seu rosto tinha
desmoronado, e sua pele tinha uma palidez anormal acinzentada. Sua respirao estava to
superficial e rpida como de uma criana. Ela apertou os olhos fechados, desejando que ela
no estivesse aqui. Desejando que ela estivesse em qualquer lugar, menos aqui.

"Ainda no, papai", ela sussurrou. "S um pouco mais, ok?"

Fora da janela do hospital, o cu estava cinza e nublado. A maioria das folhas caram das
rvores, e os ramos nua e vazia de alguma forma lembrou-lhe os ossos. O ar estava frio e
imvel, pressagiando uma tempestade.

O envelope estava assentado sobre o criado-mudo, e que ela havia prometido que seu pai
lhe daria o mdico, ela no tinha feito ainda. No at que ela tivesse certeza que ele no
acordaria, no at que ela tivesse certeza que ela nunca iria ter a chance de dizer adeus.
No at que ela estava certa de que no havia nada mais que podesse fazer por ele.
Ela orou intensamente por um milagre, um minsculo. E como se Deus estivesse ouvindo,
aconteceu vinte minutos depois.

Ela havia se sentada ao lado dele durante a maior parte da manh. Ela cresceu to
acostumada ao som da sua respirao e o barulhinho constante do monitor cardaco que a
menor mudana soou como um alarme. Olhando para cima, viu seu brao se contrair e os
olhos se abrirem. Ele piscou sob as luzes fluorescentes, e Ronnie instintivamente pegou sua
mo.

"Pai?", Disse. Apesar de si mesma, ela sentiu uma onda de esperana, que ela imaginava
lentamente sentando-se.

Mas ele no fez. Ele nem parecia ouvi-la. Quando rolou a cabea com um grande esforo
para olhar para ela, ela viu uma sombra em seus olhos que ela nunca tinha visto antes. Mas
ento ele piscou e ela o ouviu suspirar.

"Oi, querida", ele sussurrou com voz rouca.

O lquido em seus pulmes fez soar como se ele estivesse se afogando. Obrigou-se a sorrir.

"Como voc est ?"

" No muito bem.". Ele fez uma pausa, como se recolher a sua fora. "Onde estou?"

"Voc est no hospital. Voc foi trazido aqui esta manh. Eu sei que voc tem um DNR,
mas... "

Quando ele piscou novamente, ela pensou que seu olhos fossem ficar fechados. Mas
eventualmente ele abriu.

"Est tudo bem", ele sussurrou. O perdo na voz dele rasgou em seu corao. "Eu entendo".
"Por favor, no fique com raiva de mim."

"Eu no estou."

Ela o beijou no rosto e tentou envolver os braos em torno de sua figura encolhida. Ela
sentiu a mo parar nas costas. "Voc est ... bem?", ele perguntou a ela.

"No", ela admitiu, sentindo as lgrimas chegando. "Eu no estou nem um pouco bem."

"Me desculpe ", ele respirou.

"No, no diga isso", disse ela, torcendo para no quebrar. "Eu sou aquela que est
arrependida. Eu nunca deveria ter parado de falar com voc. Eu queria desesperadamente
ter tudo de volta. "

Ele deu um sorriso fantasmagrico. "Eu j te disse que eu acho que voc  linda?"

Sim ", ela disse, fungando. "Voc me disse."

"Bem, desta vez eu falo srio"

Ela riu, impotente em meio s lgrimas.

"Obrigado", disse ela. Inclinando-se, beijou sua mo.

"Voc se lembra quando voc era criana?", Ele perguntou, subitamente srio. "Voc
costumava me ver tocar piano durante horas. Um dia, eu a encontrei sentada ao teclado
tocando uma melodia que me ouviu tocar. Voc tinha apenas quatro anos de idade. Voc
sempre teve muito talento. "

"Eu me lembro", disse ela.

"Eu quero que voc saiba alguma coisa", disse o pai, segurando sua mo com fora
surpreendente. "No importa o quo brilhante sua estrela tornou-se, eu nunca me preocupei
metade com a msica tanto quanto eu me importei com voc como uma filha ... Eu quero
que voc saiba disso."

Ela assentiu com a cabea. "Eu acredito em voc. E eu tambm te amo, papai ".

Ele tomou uma respirao longa, nunca deixando os olhos dela. "Ento voc vai me levar
para casa?"

As palavras a golpearam com seu peso total, inevitvel e direto. Ela olhou para o envelope,
sabendo o que ele estava fazendo e que ele precisava que ela dissesse. E nesse instante,
ela se lembrava de tudo sobre os ltimos cinco meses. Imagens correram em sua mente,
uma aps a outra, parando apenas quando o viu sentado na igreja, no teclado, sob o espao
vazio onde a janela viria a ser instalada.

E foi ento que ela soube o que seu corao vinha dizendo-lhe para fazer, tudo junto.
"Sim", disse ela. "Eu vou levar voc para casa. Mas eu preciso que voc faa algo por mim
tambm. "

Seu pai engoliu. Pareceu usar toda a fora que tinha para dizer. "Eu no sei se posso mais."

Ela sorriu e pegou o envelope. "Mesmo por mim?"

Pastor Harris havia emprestado o carro dele, e ela dirigiu to rpido quanto podia.
Segurando seu celular, ela fez a ligao,enquanto mudava de pista. Ela explicou
rapidamente o que estava acontecendo e do que ela precisava; Galadriel concordou
imediatamente. Ela dirigia como se a vida do pai dela dependesse disso, acelerando a cada
luz amarela.

Galadriel estava esperando por ela na casa quando ela chegou. Ao seu lado na varanda
havia dois ps de cabra, que ela ergueu para Ronnie.

"Pronta?", perguntou ela.

Ronnie apenas balanou a cabea e, juntas, elas entraram na casa.

Com a ajuda de Galadriel, demorou menos de uma hora para desmontar a obra de seu pai.
Ela no se importava com a baguna que elas deixaram na sala, a nica coisa que ela
conseguia pensar era o tempo que sei pai ainda tinha e no que ela ainda precisava fazer por
ele. Quando o ltimo pedao de madeira foi arrancada, Galadriel se virou para ela, suando e
sem flego.

"Vai pegar o seu pai. Vou limpar. E eu vou ajud-lo a lev-lo quando voc voltar. "

Ela levou ainda mais rapidamente no caminho de volta para o hospital. Antes ela havia
deixado o hospital, ela se encontrou com o mdico de seu pai e explicou o que pretendia
fazer. Com a ajuda de uma enfermeira, ela cuidou da documentao necessria para a
liberao de seu pai, e quando ela telefonou para o hospital do carro, ela falou com a
mesma enfermeira e pediu-lhe para deixar seu pai esperando l embaixo em uma cadeira de
rodas.

Os pneus do carro guincharam enquanto ela entrava no estacionamento do hospital. Ela
seguiu a pista em direo  entrada da sala de emergncia e viu logo que a enfermeira tinha
sido boa a sua palavra.

Ronnie e a enfermeira ajudaram seu pai a entrar no carro, e ela estava de volta  estrada
dentro de minutos. Seu pai parecia mais alerta do que ele tinha estado no quarto do hospital,
mas ela sabia que poderia mudar a qualquer momento. Ela precisava lev-lo para casa
antes que fosse tarde demais. Enquanto ela dirigia pelas ruas de uma cidade que ela,
eventualmente, viria a pensar como a cidade dela, ela sentiu uma onda de medo e
esperana. Tudo parecia to simples, to claro agora. Quando chegou a casa, Galadriel
estava esperando por ela. Galadriel tinha movido a posio do sof e, juntas, ajudaram seu
pai a reclinar-se nele.

Apesar de sua condio, pareceu que seu pai tinha entendido o que Ronnie tinha feito.
Sempre de forma gradual, ela viu sua careta substituda por uma expresso de espanto.
Quando ele olhou para o piano em p exposto na alcova, ela sabia que tinha feito a coisa
certa. Inclinando-se sobre ele, ela o beijou na bochecha.

"Eu terminei a sua msica", disse ela. "Nossa ltima cano. E eu quero toc-la para voc."
Captulo 36  Steve

A vida, ele percebeu, era muito parecida com uma msica.

H mistrio no comeo, e o final  certo, mas no meio residiam todas as emoes que
faziam a coisa toda valer a pena.

Pela primeira vez em meses, ele no sentia dor nenhuma; pela primeira vez em anos, ele
soube que suas dvidas tinham sido respondidas. Enquanto ele ouvia a msica que Ronnie
tinha terminado, a msica que Ronnie tinha tornado perfeita, ele fechou os olhos com a
certeza que sua busca pela presena de Deus tinha sido preenchida.

Ele finalmente entendeu que a presena de Deus estava em todos os lugares, em todos os
momentos, e era experimentada por qualquer um em algum momento da vida. Tinha
acontecido com ele na oficina, enquanto trabalhava com Jonah na janela; tinha acontecido
nas semanas que ele passou com Ronnie. Estava presente ali e agora, enquanto sua filha
tocava a msica deles, a ltima cano que eles compartilhariam. Em restrospecto, ele se
perguntou como podia ter deixado passar despercebido tantas coisas incrveis.

Deus, ele subitamente entender, era o amor em sua mais pura forma, e naqueles ltimos
meses com seus filhos, ele sentiu Seu toque, to certo como ele tinha ouvido a msica sair
das mos de Ronnie.
Captulo 37 - Ronnie

Seu pai morreu menos de uma semana depois, em seu sono, com Ronnie no cho ao lado
dele. Ronnie no poderia falar dos detalhes. Ela sabia que sua me estava esperando por
ela para terminar, e nas trs horas que ela tinha estado a falar, a me havia permanecido
em silncio, da mesma forma como seu pai sempre esteve. Mas os momentos em que ela
viu seu pai dar seu ltimo suspiro parecia intensamente privado para ela, e ela sabia que
nunca iria falar para ningum. Estar ao seu lado quando ele deixou este mundo foi um
presente que ele lhe dera, e apenas ela, e nunca esqueceria como solene e ntimo foi.
Em vez disso, ela ficou olhando para a chuva de congelar de Dezembro, e falou de seu
ltimo recital, considerado o mais importante de sua vida.

"Toquei para ele, enquanto eu podia me. E eu tentei to duro para torn-la bonita para ele,
porque eu sabia o quanto ela significava para ele. Mas ele estava to fraco", ela sussurrou.
"No final, eu no estou certa de que ele pudesse me ouvir." Beliscou a ponta do nariz,
imaginando preguiosamente se ela tinha alguma lgrima para derramar. Foram tantas
lgrimas j.

A me dela abriu os braos e a chamou. Suas prprias lgrimas brilhavam nos olhos dela.
"Eu sei que ele ouviu voc, querida. E eu sei que foi lindo. "

Ronnie abraou sua me, descansando a cabea sobre o peito como costumava fazer
quando era criana. "Nunca se esquea o quo feliz voc e Jonah o fizeram", murmurou a
me dela, acariciando seus cabelos.

"Ele me fez feliz, tambm," ela meditou. "Eu aprendi muito com ele. Eu s desejo que eu
tivesse pensado em dizer-lhe. Isso, e um milho de outras coisas." Ela fechou os olhos.
"Mas agora  tarde demais."

"Ele sabia", sua me lhe assegurou. "Ele sempre soube."

O funeral foi simples, realizada na igreja que havia sido recentemente reaberta. Seu pai
pediu para ser cremado, e seus desejos haviam sido honrados.

Pastor Harris fez o elogio. Foi curto, mas repleto de tristeza e de amor autntico. Ele amava
o seu pai como um filho, e ele chorou junto com Ronnie

Jonah. Ela passou o brao em torno dele enquanto ele soluava os gritos confusos de uma
criana, e ela tentou no pensar em como ele iria se lembrar dessa perda, to cedo na vida.
Apenas algumas pessoas que tinham vindo para o servio. Ela viu Galadriel e o oficial Pete
enquanto ela entrava e ouviu a porta da igreja abrir uma ou duas vezes depois que ela tinha
tomado seu lugar, mas para alm disso, a igreja estava vazia. Doa nela ao pensar que to
poucas pessoas sabiam o quo especial o seu pai tinha sido, ou o quanto ele significava
para ela.

Aps o servio, ela continuou a sentada no banco com Jonah, enquanto Brian e sua me
sairam para falar com o Pastor Harris. Os quatro estariam voando de volta para Nova York
em apenas algumas horas, e ela sabia que no tinha muito tempo.
Mesmo assim, ela no queria sair. A chuva, derramando toda a manh, tinha parado, e o
cu estava comeando a limpar. Ela estava rezando para isso, e ela se viu olhando para o
vitral de seu pai, disposto entre nuvens, para participar.

E quando o faziam, era apenas como seu pai havia descrito. O sol inundou atravs do vidro,
dividindo-se em centenas de prismas brilhantes de luz gloriosa, ricamente coloridos. O piano
estava em uma cachoeira de cores brilhantes e por um momento Ronnie imaginou seu pai
sentado nas teclas, com o rosto virado para a luz. No durou muito tempo, mas ela apertou
a mo de Jonah em reverncia silenciosa. Apesar do peso de sua dor, ela sorriu, sabendo
que Jonah estava pensando a mesma coisa.

"Ol, papai", ela sussurrou. "Eu sabia que voc viria."

Quando a luz havia desaparecido, disse um silencioso adeus e retirou-se. Mas quando ela
se virou, viu que ela e Jonah no estavam sozinhos na igreja. Perto da porta, sentado no
ltimo banco, ela viu Tom e Susan Blakelee.

Ela colocou a mo no ombro de Jonah. "Quer ir l fora e dizer a mame e Brian que eu j
vou? Eu tenho que falar com algum antes. "

"Tudo bem", disse ele, esfregando os olhos inchados com o punho enquanto ele saa da
igreja. Depois que ele saiu, ela foi na direo deles, vendo como eles se levantaram para
cumpriment-la. Surpreendendo-a, Susan foi a primeira a falar.

"Lamento pela sua perda. Pastor Harris disse-nos que seu pai era um homem maravilhoso. "

"Obrigado", disse ela. Ela olhou de um dos pais para o outro e sorriu. "Compreendo porque
voc veio. E eu tambm quero agradecer-lhe tanto pelo que fez para a igreja. Foi muito
importante para o meu pai. "

Em suas palavras, viu Tom Blakelee olhar para longe, e ela soube que estava certa. "Era
para ser annimo", ele murmurou.

"Eu sei. Pastor Harris no me disse, ou meu pai. Mas eu adivinhei a verdade quando eu vi
voc no lugar. Foi uma coisa linda, que voc fez. "

Ele acenou com a cabea quase timidamente, e ela viu os olhos dele tremerem. Ele tambm
tinha visto a inundao de luz na igreja.

No silncio, Susan acenou em direo  porta. "H algum aqui para te ver."

"Vocs esto prontos?" A me dela perguntou, logo que ela saiu da igreja. "Ns j estamos
atrasados."

Ronnie mal ouvi-a. Em vez disso, ela olhou para Will. Ele estava vestido em um terno preto.
Seu cabelo era longo, e seu primeiro pensamento foi que o fazia parecer mais velho. Ele
estava falando com Galadriel, mas logo que a viu, ela o viu levantar um dedo, como se
estivesse pedindo-lhe que mantenha esse pensamento.

"Eu preciso de mais alguns minutos, ok?", Disse ela, sem tirar os olhos de Will.
Ela no esperava que ele viesse, no esperava v-lo nunca mais. Ela no sabia o que
significava que ele estivesse aqui, e no tinha certeza se sentir em xtase ou com o corao
partido, ou ambos. Ela deu um passo em sua direo e parou.

Ela no conseguia ler sua expresso. Quando andou em sua direo, ela lembrou a forma
como ele parecia deslizar pela areia da primeira vez que ela j tinha visto ele, ela lembrou-se
o beijo na doca do barco na noite de casamento de sua irm. E ouviu novamente as
palavras que ela disse a ele no dia em que tinha dito adeus. Ela foi assediada por uma
tempestade de emoes conflitantes: desejo, tristeza, saudade, medo, amor. Havia tanta
coisa para dizer, mas o que eles poderiam realmente comear a dizer neste cenrio
estranho e com tanto tempo passado?

"Oi". Se eu fosse telepata, e voc pudesse ler minha mente.

"Ei", disse ele. Ele parecia estar procurando algo em seu rosto, mas Pelo que, ela no sabia.
Ele no fez nenhum movimento em direo a ela, nem ela at ele.

"Voc veio", disse ela, incapaz de manter a maravilha de sua voz.

"Eu no podia ficar longe. E eu sinto muito sobre seu pai. Foi ... uma grande pessoa."
Por um momento, uma sombra pareceu cruzar seu rosto, e acrescentou:" Vou sentir falta
dele. "

Ela piscou na memria de sua noite juntos na casa de seu pai, o cheiro da sua cozinha e o
som das risadas de Jonah enquanto eles jogavam pquer. Sentiu-se subitamente tonta. Era
tudo to surreal, de ver Will aqui neste dia terrvel. Parte dela queria se jogar em seus
braos e pedir desculpas pela forma como ela tinha deixado ele ir. Mas outra parte, muda e
paraltica pela perda de seu pai, quis saber se ele ainda era a mesma pessoa um dia amou.
Tanta coisa tinha acontecido desde o vero.

Ela passou sem jeito de um p para o outro.

"Como  Vanderbilt?", Ela finalmente perguntou.

" o que eu esperava."

"Isso  bom ou ruim?"

Em vez de responder, ele acenou com a cabea no carro alugado. "Acho que voc est indo
para casa, hein?"

"Eu tenho que pegar um avio em pouco tempo." Enfiou uma mecha de cabelo atrs da
orelha, odiando como to consciente dele ela estava. Era como se fossem estranhos. "Voc
terminou com o semestre?"

"No, eu tenho provas finais na prxima semana, assim eu estou voando de volta esta noite.
Minhas aulas so mais difceis do que eu esperava. Provavelmente, vou ter que estudar
durante algumas noites"

" Voc estar em casa para as frias em breve. Alguns passeios na praia e vai ser bom
como novo."
Ronnie convocou um sorriso encorajador.

"Na verdade, meus pais querem me levar para a Europa, assim que terminar o semestre.
Ns vamos passar o Natal na Frana. Eles acham que  importante para mim ver o mundo.

"Isso parece divertido."

Ele deu de ombros. "E voc?"

Ela olhou para longe, sua mente espontaneamente mostrando seus ltimos dias com o pai.
"Eu acho que estou indo para audio na Juilliard", disse ela lentamente. "Vamos ver se eles
ainda me querem."

Pela primeira vez, ele sorriu, e ela teve um vislumbre da alegria espontnea, que ele havia
mostrado tantas vezes durante os meses quentes de vero. Como ela tinha perdido a sua
alegria, seu calor, durante a longa marcha do outono e inverno. "Yeah? Bom para voc. E eu
tenho certeza que voc vai ser tima. "

Ela detestava a forma como eles estavam conversando em torno das bordas das coisas.
Parecia to ... errado, dado tudo o que tinha partilhado durante o vero e tudo que eles
passaram juntos. Ela soltou um longo suspiro, tentando manter suas emoes sob controle.
Mas era to difcil agora, e ela estava to cansada. As palavras seguintes saram quase
automaticamente.

"Quero pedir desculpas para as coisas que eu disse a voc. Eu no queria dizer-lhes. Havia
tanta coisa acontecendo. Eu no deveria ter colocado tudo para fora em voc ... "

Ele deu um passo na direo dela e pegou o brao dela.

"Est tudo bem", disse ele. "Eu entendo".

Ao seu toque, ela sentiu toda a emoo reprimida estourar, oprimindo sua compostura frgil,
e ela apertou os olhos fechados, tentando parar as lgrimas. "Mas se voc tivesse feito o
que eu exigia, ento Scott ..."

Ele balanou a cabea. "Scott foi aprovado. Acredite ou no, ele ainda tem sua bolsa de
estudos. E Marcus est na priso "

"Mas eu no deveria ter dito aquelas coisas horrveis para voc!", Ela o interrompeu. "O
vero no deveria ter acabado assim. No deveria ter terminado assim, e eu sou a nica
culpada. Voc no sabe o quanto di pensar que eu o afastei... "

"Voc no me afastou", disse ele suavemente. "Eu estava partindo. Voc sabia disso."

"Mas ns no conversamos, no nos escrevemos, e era to difcil ver o que estava
acontecendo com o meu pai ... Eu queria muito falar com voc, mas eu sabia que voc
estava com raiva de mim"
Quando ela comeou a chorar, ele a puxou para ele e passou os braos em torno dela. Seu
abrao, de alguma forma, trouxe tudo o que de melhor e pior ao mesmo tempo. "Shhh", ele
murmurou, "est tudo bem. Eu nunca fiquei com raiva como voc pensou"

Ela apertou-lhe mais forte, tentando se agarrar ao que eles tinham compartilhado. "Mas voc
s ligou duas vezes."

"Porque eu sabia que seu pai precisava de voc", disse ele, "e eu queria que voc se
concentrasse nele, no em mim. Eu me lembro como foi quando Mikey morreu, e lembro-me
desejando que eu tivesse mais tempo com ele. Eu no poderia fazer isso com voc. "

Ela escondeu o rosto no ombro dele enquanto ele segurava ela. Tudo que ela conseguia
pensar era que ela precisava dele. Ela precisava de seus braos em torno dela, precisava
dele para abra-la e sussurrar que iria encontrar uma maneira de estar juntos.

Ela sentia magra dentro dele e ouviu-o murmurar o nome dela. Quando ela se afastou, ela o
viu sorrindo para ela.

"Voc est usando a pulseira", ele sussurrou, tocando-lhe o pulso.

"Em meus pensamentos para sempre." Ela deu um sorriso trmulo.

Ele inclinou o queixo para que ele pudesse olhar atentamente para os olhos. "Eu vou ligar
para voc, ok? Depois que eu voltar da Europa. "

Ela assentiu com a cabea, sabendo que era tudo o que tinham, mas sabendo que no era
suficiente. Suas vidas estavam em trilhas separadas, agora e para sempre. O vero acabou,
e eles estavam movendo suas vidas.

Ela fechou os olhos, odiando a verdade. "Ok", ela sussurrou.
Eplogo - Ronnie
Nas semanas depois do funeral de seu pai, Ronnie continuou a sentindo um transtorno
emocional, mas sups que era de se esperar. Havia dias em que ela acordava com um
sentimento de pavor, e ela passava horas revivendo os ltimos meses com o pai,
completamente paralisada com a tristeza e voltava a chorar. Depois de um perodo to
intenso juntos, era difcil para ela aceitar que ele foi embora de repente, inalcanvel para
ela, no importa o quanto ela precisasse dele. Ela sentiu a sua ausncia com a nitidez da
lmina de uma faca que ela no podia conter, e que por vezes a deixava com um humor
amargo.

Mas aquelas manhs no eram to comuns como haviam sido durante a primeira semana
ela estava em casa, e ela percebeu que eles tinham se tornado menos freqentes ao longo
do tempo. Ficar e cuidar de seu pai havia mudado-a, e ela sabia que ela ia sobreviver. Isso 
o que seu pai teria desejado, e ela quase podia ouvi-lo lembrando-lhe que ela era mais forte
do que ela sabia. Ele no queria que ela ficasse chorando durante meses, ele queria que ela
vivesse sua vida do jeito que ele tinha vivido o ltimo ano dele. Mais do que tudo, ele queria
que ela abraasse a vida e florescesse.

Jonah tambm. Ela sabia que seu pai queria que ela ajudasse Jonah a seguir em frente, e
desde que ela foi para casa, ela vinha passando muito tempo com ele. Menos de uma
semana depois deles voltaram, Jonah foi liberado da escola para as frias de Natal, e ela
tinha usado o tempo para fazer excurses especiais com ele: Ela tinha levado-o na
patinao no gelo no Rockefeller Center e o levou ao topo do Empire State Building; eles
visitaram as exposies de dinossauros no Museu de Histria Natural, e ela ainda passou a
maior parte de uma tarde na FAO Schwarz. Ela sempre considerou essas coisas turstica um
insuportvel clich, mas Jonah tinha gostado de seus passeios e, surpreendentemente, ela
tambm.

Eles passavam um tempo quietos, tambm. Sentava-se com ele enquanto ele assistia
desenhos animados, desenhava com ele na mesa da cozinha, e uma vez que, a seu pedido,
ela ainda acampou no seu quarto, dormindo no cho ao lado de sua cama. Nesses
momentos privados, por vezes, relembrou o Vero e contou histrias sobre seu pai, que
ambos acharam reconfortante.

Ainda assim, ela sabia que Jonah estava lutando em seu prprio caminho de dez anos.
Parecia que algo especfico estava incomodando-o, e ele veio falar em uma noite, quando
saram para uma caminhada aps o jantar, em uma noite tempestuosa. Um vento gelado
soprava, e Ronnie tinha as mos enfiados em seus bolsos quando Jonah finalmente se virou
para ela, olhando-a das profundezas do capuz de seu casaco.

"A mame est doente?", perguntou ele. "Como o papai?"

A pergunta foi to surpreendente que ela levou um momento para responder. Ela parou,
agachada para que pudesse estar ao nvel dos olhos.

"No, claro que no. Por que voc acha disso? "

"Porque vocs duas no brigam mais. Como quando voc parou de brigar com o papai. "
Ela podia ver o medo nos olhos dele, e mesmo de uma forma infantil, pde compreender a
lgica de seus pensamentos. Era verdade, afinal, ela e sua me no tinha discutido uma vez
desde que ela voltou. "Ela est bem. Ns estamos apenas cansadas de brigar, por isso no
fao mais isso. "

Ele estudou seu rosto. "Voc promete?"

Ela o puxou para perto, segurando-o firmemente. "Eu prometo".

Seu tempo com seu pai alterou at mesmo o seu relacionamento com sua cidade natal.
Levou algum tempo para se acostumar com a cidade novamente. Ela no estava mais
acostumada com o rudo incessante ou a presena constante de outras pessoas, tinha
esquecido de como as caladas eram infinitamente sombreada por enormes edifcios ao seu
redor e as pessoas andavam de maneira apressada em todos os lugares, mesmo nos
estreitos corredores dos supermercados. Ela no estava a fim de se socializar; quando
Kayla havia ligado para ver se ela queria sair, ela passou a oportunidade, e Kayla no tinha
chamado novamente. Embora ela sups que sempre compartilhariam momentos, seria um
tipo diferente de amizade a partir deste ponto. Mas Ronnie estava bem com isso, entre estar
com Jonah e praticando o piano, ela tinha pouco tempo para qualquer outra coisa.

Porque piano do pai ainda no havia sido enviado de volta ao apartamento, ela pegava o
metr para Juilliard e praticava ali. Ela ligou no seu primeiro dia de volta a Nova York, e tinha
falado com o diretor. Ele tinha sido amigo de seu pai e pediu desculpas para faltar ao
funeral. Ele pareceu surpreso - e, sim, animado, pensou ela - por ela ter ligado. Quando ela
lhe contou que ela estava a reconsiderando entrar em Juilliard, ele arranjou uma data
prxima para sua audio e at ajudou a agilizar o seu pedido.

Apenas trs semanas depois de chegar de volta a Nova York, ela abriu a sua audio com a
msica que ela comps com seu pai. Ela estava um pouco enferrujada em sua clssica
tcnica - de trs semanas no era muito tempo para se preparar para uma audio de auto
nvel -, mas enquanto ela deixava o auditrio, ela achou que seu pai teria ficado orgulhoso
dela. Ento, novamente, ela pensou com um sorriso que ela colocava a partitura debaixo do
brao, ele sempre tinha sido.

Desde a audio, ela foi tocar trs ou quatro horas por dia. O diretor tinha arranjado para
que ela usasse a sala de prtica da escola, e ela estava comeando a mexer com algumas
composies de principiante. Pensou em seu pai, muitas vezes ao sentar-se nas salas de
prtica, os mesmo quartos que ele tinha sentado antes. Ocasionalmente, quando o sol
estava se pondo, os raios passavam entre os edifcios  sua volta, atirando longas faixas de
luz no cho. E sempre que ela via a luz, ela lembrava da janela na igreja e na cascata de luz
que ela tinha visto no funeral.

Ela pensava constantemente sobre Will,  claro.

Principalmente, ela duelava entre memrias de seu vero, com seu breve encontro fora da
igreja. Ela no tinha ouvido falar dele desde o funeral, e como o Natal veio e se foi, ela
comeou a perder a esperana de que ele ligaria. Lembrou-se que ele tinha dito algo sobre
passar as frias no exterior, mas a cada dia decorrido sem notcias dele, ela oscilava entre a
certeza de que ele ainda a amava e a desesperana de sua situao. Talvez fosse melhor
que ele no tivesse ligado, ela disse a si mesma, pois o que realmente tinha a se dizer?
Ela sorriu tristemente, obrigando-se a empurrar esses pensamentos para longe. Ela tinha
trabalho a fazer, e quando ela voltou sua ateno para o seu mais recente projeto, uma
cano com influncias country e pop, ela lembrou que era hora de olhar em frente, no
para trs. Ela podia ou no ser admitida em Juilliard, mesmo que o diretor tivesse lhe dito
que o status do seu pedido parecia "muito promissor." No importava o que tinha acontecido,
ela sabia que seu futuro estava na msica, e de uma forma ou de outra, ela encontraria seu
caminho de volta para essa paixo.

Em cima do piano, seu telefone, de repente comeou a vibrar. Esperando por isso, ela
assumiu que era sua me antes de olhar para a tela. Congelando, ela encarou o celular
enquanto ele vibrava uma segunda vez. Respirando fundo, ela abriu-o e colocou-o  sua
orelha.

"Al?"

"Oi", disse uma voz familiar. "Sou eu, Will".

Ela tentou imaginar de onde ele estava ligando. Parecia ter um eco cavernoso atrs dele,
uma reminiscncia de um aeroporto. "Voc acabou de sair de um avio?", Perguntou ela.

"No. Voltei h poucos dias. Por qu? "

"Voc soa esquisito", disse ela, sentindo seu corao afundar um pouco. Ele tinha estado
em casa por dias; s agora ele estava ligando.

"Como foi na Europa?"

"Foi muito divertido, na verdade. Minha me e eu nos demos muito melhor do que eu
esperava. Como est o Jonah?"

"Ele est bem. Ele est ficando melhor, mas ... ainda  difcil. "

"Sinto muito", disse ele, e novamente ouvi o som ecoando. Talvez ele estivesse na varanda
de trs de sua casa.

"O que mais est acontecendo?"

"Eu fiz um teste na Juilliard, e acho que correu muito bem ... "

"Eu sei", disse ele.

"Como voc sabe?"

"Porque mais voc estaria l?"

Ela tentou encontrar algum sentido em sua resposta.

"Bem, no ... eles s me deixaram praticar aqui enquanto o piano do meu pai no chega -
por causa da histria do meu pai na escola e tudo mais. O diretor era um bom amigo dele. "

"Eu espero que voc no esteja muito ocupada treinando para tirar uma folga."
"O que voc est falando? "

"Eu estava esperando que voc estivesse livre para sair este fim de semana. Se voc no
tiver planos, eu quero dizer ".

Sentia seu corao pular no peito. "Voc est vindo a Nova York?"

"Eu estou na casa de Megan. Voc sabe, vendo como os recm-casados esto indo"

"Quando voc chegou?"

"Vamos ver ..." Ela quase podia v-lo olhando de soslaio para o relgio. "Eu aterrize um
pouco mais de uma hora atrs."

"Voc est aqui? Onde voc est? "

Levou um momento para responder, e quando ouviu sua voz novamente, ela percebeu que
no estava vindo do telefone. Ele estava vindo de trs dela. Virando-se, ela o viu na porta,
segurando o telefone.

"Desculpe", disse ele. "Eu no pude resistir."

Mesmo que ele estivesse aqui, ela no conseguia processar. Ela apertou os olhos bem
fechados, antes de abri-los novamente. Sim, ainda est l. Incrvel.

"Por que voc no ligou para me dizer que estava vindo?"

"Porque eu queria surpreend-la. "

Voc certamente fez, era tudo que podia pensar. Vestido com cala jeans e um suter azul
escuro com decote em V, ele era to bonito como ela se lembrava.

"Alm disso", anunciou ele, "h algo importante que eu tenho para te dizer."

"O que ?", Respondeu ela.

"Antes de eu te dizer, eu quero saber se ns temos um encontro."

"O qu? "

"Este fim de semana, lembra? Ns temos?"

Ela sorriu. "Sim, temos."

Ele balanou a cabea. "E quanto ao fim de semana depois disso?"

Pela primeira vez, ela hesitou. "Quanto tempo vai ficar?"

Ele comeou a andar lentamente em sua direo.
"Bem ...  isso que eu queria falar com voc. Voc se lembra quando eu disse que
Vanderbilt no era a minha primeira escolha? Que eu realmente queria ir para uma
faculdade com um programa de cincia ambiental surpreendente? "

"Eu me lembro".

"Bem, a escola normalmente no permiti transferncias no meio do ano, mas a minha me
faz parte do conselho de administrao em Vanderbilt e ela passou a conhecer algumas
pessoas nessa outra universidade e foi capaz de mexer uns pauzinhos. De qualquer forma,
eu descobri enquanto eu estava na Europa que eu tinha sido aceito, por isso estou sendo
transferido. Eu comeo l no prximo semestre e achei que voc poderia querer saber. "

"Bem ... bom para voc", disse ela hesitante. "Onde voc est indo?"

"Columbia ".

Por um instante, ela no tinha certeza se tinha ouvido direito.

"Voc quer dizer Columbia, em Nova York, Columbia?"

Ele sorriu como se ele tirasse um coelho da cartola.

"Essa  a nica."

"Srio?" Sua voz saiu como um grito.

Ele balanou a cabea. "Eu comeo em duas semanas. Voc consegue imaginar isso? Um
menino bonito do sul, como eu, preso na cidade grande? Provavelmente, vou precisar de
algum para me ajudar a me ajustar, e eu estava esperando que poderia ser voc. Se voc
estiver bem com isso. "

Ento, ele estava perto o suficiente para alcanar os laos em seu jeans. Quando ele a
puxou para ele, ela sentiu tudo ao redor dela sumir. Will estava indo para  faculdade aqui.
Em Nova Yorque. Com ela.

E com isso, ela deslizou seus braos ao redor dele, sentindo seu corpo se encaixar
perfeitamente contra ela prpria, sabendo que nada poderia ser melhor do que este
momento, agora. "Eu acho que estou bem com isso. Mas no vai ser fcil para voc. Eles
no tm um monte de pesca ou lama por aqui. "

Seus braos se ajustaram em torno de sua cintura. "Eu percebi".

"E no tem de vlei de praia, no mesmo. Especialmente em janeiro."

"Acho que vou ter que fazer alguns sacrifcios."

"Talvez se voc estiver com sorte, podemos encontrar algumas outras maneiras de ocupar o
seu tempo."
Inclinando-se, beijou-a delicadamente, primeiro no rosto e depois nos lbios. Quando
encontrou seus olhos, viu o rapaz que ela amou no vero passado, o jovem que ela ainda
amava agora.

"Eu nunca deixei de te amar, Ronnie. E eu nunca parei de pensar em voc. Mesmo que o
vero tenha chegado ao fim."

Ela sorriu, sabendo que ele estava dizendo a verdade.

"Eu tambm te amo, Will Blakelee", ela sussurrou, inclinando-se para beij-lo novamente.




                                 Fim!!!



                                                                         Crditos
                                                   Comunidade Tradues de Livros
                                      [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=25399156]
                                                                          Tradutora: Luciana
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